28 de abril de 2008

Neruda

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"Quero apenas cinco coisas.. Primeiro é o amor sem fim A segunda é ver o outono A terceira é o grave inverno Em quarto lugar o verão A quinta coisa são teus olhos Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser... sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando." (Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, conhecido popularmente como Pablo Neruda. Poeta chileno,1904-1973).

Radar do PIG - final de abril

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Vejamos o radar do PIG - Partido da Imprensa Golpista neste fim de abril: Revista Veja: " Aprovação do presidente Lula cresce em abril" Globo.com : " 'Ninguém faz tudo em 8 ou 10 anos' diz Lula" Folha online: "Ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou dez anos, diz Lula" UOL: " 'Ninguém consegue fazer tudo em 8 anos' , diz Lula"
Estadão.com: "Lula diz que oito anos de mandato é pouco para governante 'fazer tudo' "

Serra vaiado...

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http://terratv.terra.com.br/templates/channelContents.aspx?channel=2481&contentid=196843

Luiz Carlos Azenha opina

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No site Viomundo, Luzi CArlos Azenha deu uma opinião importante sobre o famoso subcomandante Marcos, líder insurgente dos índios mexicanos. Vale a pena ler:
" O AMOR IMPOSSÍVEL DO COMANDANTE MARCOS
Atualizado em 28 de abril de 2008 às 12:42 Publicado em 28 de abril de 2008 às 12:39
O subcomandante Marcos ficou famoso nos anos 80. Tornou-se um fenômeno midiático na selva do estado mexicano de Chiapas, como um dos dirigentes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). O EZLN dedica-se à organização dos indígenas da região e tem uma relação curiosa com o governo mexicano.
Não se pode dizer oficialmente que o EZLN abandonou a luta armada, mas a situação militar na região é a de um cessar-fogo duradouro. A identidade do guerrilheiro continua questão de controvérsia. O governo mexicano diz que se trata de Rafael Vicente, um ex-estudante da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), que tem longa tradição de envolvimento com movimentos revolucionários. A família se nega a confirmar, embora não explique o sumiço do filho.
Marcos entendeu cedo o papel da mídia. Atraiu centenas de jornalistas de todo o mundo para entrevistas em Chiapas. Posou para câmeras, apareceu em documentários, escreveu vários livros e até hoje seus discursos são disseminados através da internet. Depois de um longo sumiço da mídia, Marcos volta a ser notícia com o lançamento de um livro-entrevista escrito por Laura Castellanos. Nele, o subcomandante define a atriz Angelina Jolie como "meu amor impossível." E diz que, se está arrependido de alguma coisa, é de ter se exposto demais na mídia. Ele falou sobre alguns líderes políticos da América Latina:
Evo Morales "Tem o grande desafio de demonstrar que é falso que o poder transforma a gente honesta. E nós dizemos que o resultado do desafio vai depender da âncora que o sustenta... o movimento indígena. Sua proximidade, sua distância com o movimento que o levou ao poder vai determinar seu futuro. Mas ainda é cedo para falar de Evo. Diferente de Lula, que logo logo causou desilusão, Evo ainda tem o benefício da dúvida."
Hugo Chávez "Está com um pé entre uma política midiática, com pegadas de um caudilho, e com outro pé no movimento que está despertando na Venezuela, que está realizando um processo de transformação forte. Venezuela e Bolívia nos chamam a atenção e tratamos de seguí-los de perto". "A história que vem de cima sempre vem editada pelo protagonista, seja Chávez, Morales, López Obrador [político da oposição mexicana], ou quem esteja nessa posição. E cada um decide a quem prestar contas. A isso o ELZN respondeu com a Sexta Declaração: "A quem vamos prestar contas?". Aos intelectuais, artistas e cientistas progressistas? Ou à gente como nós? López Obrador respondeu a essa pergunta, Chávez respondeu a seu modo, Evo Morales também, os Kirchner, cada qual disse a quem pretende prestar contas, e nisso apostam. Se não vão ficar bem com os de baixo, não lhes importa."
Cristina Kirchner "É a prova da política como fenômeno midiático. Ela representa a imagem que querem os de cima para o governo de toda América Latina. Enquanto não se alteram as políticas econômicas, está bem. O que eles buscam são governantes que, diferentemente das ditaduras dos anos setenta, reorientem a mobilização social e que sigam adiante com o processo de destruição, neste caso na Argentina."
Fidel Castro "Fidel Castro é uma questão importante para os historiadores. É um homem excepcional em todos os sentidos. Pode-se criticar seu papel na luta do povo cubano, mas não se pode negar. Nós que pensamos que os grandes processos históricos são obra de povos inteiros, não de indivíduos, não podemos negar que às vezes aparecem homens excepcionais. Um deles é Fidel Castro. Outro é o Che."
Che Guevara "O Che se adiantou. É homem de uma geração que ainda não nasceu. Não me refiro à luta revolucionária, mas ao modelo ético de um ser humano dedicado aos demais. Nem sequer o cristianismo prega isso, e não apenas isso, mas as consequências que resultam dessa forma de pensar. Muitos dizem que a morte salvou Che da desilusão, que, não fosse morto, seria como outro qualquer. A morte marca sua história, pelas circunstâncias que a cercam, se discute se morreu como idealista ou utópico, e se esquece o que havia feito antes."

A visão de um comunista sobre a questão indígena

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Deu no portal Vermelho: "No debate em torno da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o alagoano José Aldo Rebelo de Figueiredo, 52 anos, é uma voz imbuída do espírito de José Bonifácio (1763-1838), o patriarca da independência que propunha a "intransigência na causa, mas com flexibilidade nos caminhos". Aldo Rebelo (PCdoB), deputado representante de São Paulo desde 1991 na Câmara, deve ser o paulista por adoção política que mais conhece a reserva indígena e que mais andou pela calha do Amazonas. Consolidou, por isso, um caminho que, a grosso modo, passa ao largo do nacionalismo alarmista e da antropologia paternalista. Nesta entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo, Aldo afirma que a União não pode simplesmente declarar extinção de municípios e solucionar conflito com exclusão de uma das partes. Ele pede que se protejam os índios da reserva demarcada em abril de 2005 pelo presidente Lula, mas que não se use o Exército para "desterrar" os não-índios como se eles fossem menos brasileiros que os demais brasileiros. A Operação Upakaton 3, da Polícia Federal, para retirar do 1,7 milhão de hectares os não-índios, está suspensa até que o Supremo Tribunal Federal (STF) tome uma decisão sobre o assunto. Qual é a essência do problema do conflito em Roraima, na reserva Raposa Serra do Sol? Aldo: Nós reduzimos o problema a um duelo de pontos de vista sobre se a demarcação contínua é certa ou errada. O certo é que a situação expõe razões que, se consideradas isoladamente, deformam o todo. O que nós queremos? Impor uma derrota aos índios que reivindicam a demarcação contínua? Queremos derrotar os que defendem a demarcação em reservas ilhadas? Simplesmente não corresponde à verdade dizer que há ali, na região, apenas meia dúzia de arrozeiros. Quem já esteve lá, e eu estive lá mais de uma vez, e quem leu o relatório da Comissão Externa da Câmara (leia abaixo) sabe e viu como foram construídos aqueles municípios dos não-índios em Roraima. Tem gente que chegou lá no século 19 e no início do século passado. O sr. tem falado em "erro geopolítico" e "paroxismo" envolvendo a política da demarcação da reserva.Explique. Aldo: Se não conseguimos julgar uma política com antecedência, devemos, então, julgá-la pelas conseqüências. E a conseqüência do que está acontecendo em Roraima é a instalação de um grave conflito entre populações do mesmo País. O sr. acha que o Exército está sendo usado para fins políticos? Aldo: O Exército pode dar proteção a participantes de uma conferência internacional, no Rio, por exemplo, contra o crime organizado. Mas o Exército não pode ser usado para proteger as populações indígenas brasileiras e, ao mesmo tempo, desterrar populações não-índias e igualmente brasileiras. Pior: o Exército costuma ser barrado quando quer entrar numa reserva. Isso é paradoxal. E a questão geopolítica? Aldo: Há populações na região da Reserva Raposa do Sol que vivem ali muito antes de parcela das populações indígenas que atravessaram as fronteiras vindas de guerras tribais do Caribe. Creio que devemos receber e acolher essas populações indígenas juntamente com as populações indígenas que já existiam no Brasil. Mas devemos acolher, também, os brasileiros não-índios que ali chegaram há muitos anos e ali construíram suas vidas. Como é que nós podemos simplesmente, em um processo de demarcação, declarar a extinção desses municípios, que é o caso do município de Normandia, que é de 1904, Pacaraima e mesmo Uiramutã. O de Uiramutã, nós (os parlamentares) conseguimos retirar da lista de extinção em meio a uma negociação difícil. As pessoas tinham ali as suas raízes, a sua infância, suas famílias, sua história. A prefeita de Uiramutã me contou que o avô dela chegou ali em 1908. Como é que nós vamos promover o desterro dessa população? A decisão embute um erro geopolítico. Quem não considera isso um problema grave não está considerando o conjunto do problema. Nós não podemos buscar a solução para o conflito com a exclusão de uma das partes. Os índios ainda são vítimas de uma incompreensão generalizada da sociedade branca? Aldo: Ainda que algumas pessoas não gostem de ouvir o que vou dizer, o certo é que o índio, no imaginário da sociedade brasileira, tem uma imagem positiva. As nossas cidades não estão cobertas de monumentos a exterminadores de índios, como estão as cidades norte-americanas. Não temos um herói como Buffalo Bill. Quando eu era menino, lembro que nos desfiles da escola havia sempre um grupo que desfilava representando os índios do País. Eu desfilava com orgulho, apesar de ser um pouquinho mais branco, nesse grupo que representava os índios. Mas é comum ouvir que os dias de hoje continuam a refletir o início de uma história de colonização, de 500 anos atrás. Aldo: Essa é uma visão pessimista e derrotista do nosso processo histórico. Sou mais otimista, sem deixar de ver que a nossa história é carregada de erros e deformações, mas também é cheia de virtudes e acertos. É claro que ainda há incompreensões para com a população indígena, mas também há incompreensões para com as populações não-indígenas, caboclas, miscigenadas que vivem, no caso da reserva Raposa Serra do Sol, em áreas próximas às dos índios. O que é, então, uma decisão minimamente justa para esse caso? Aldo: A responsabilidade da Nação, do Estado, dos intelectuais deve ir no sentido de compatibilizar a proteção e segurança das populações indígenas com a mesma proteção e segurança a conceder às população não-indígenas. O sr. trata índios e não-índios como brasileiros, mas a antropologia pensou a demarcação como modo de preservar o diferente. Aldo: Eu sou tributário da minha formação marxista, da luta pela igualdade. Hoje, há uma grande parcela da esquerda que, depois de capitular diante das dificuldades para transformar o mundo, dedica mais esforço a cultuar e a reforçar a diferença, em vez de buscar a igualdade. Sei que isso tem peso muito grande na formação das opiniões sobre, por exemplo, convivência étnica. Mas a realidade em Roraima não se manifesta assim, eu sei porque vi, percorri toda aquela calha da fronteira, entrei nas áreas indígenas. O sr. viu o quê? Aldo: Fui a uma reserva ianomâmi, perto de um pelotão de fronteira do Exército, e visitei uma maloca. Me deparei com umas 50 famílias convivendo dentro de um ambiente fechado, de penúria. Muitos fogos dentro da maloca para as famílias assarem bananas e mandiocas, muita poluição, muita fuligem, um ambiente com incidência muito grande de doenças infecciosas. Até tuberculose. Fui recepcionado por uma moça de uma organização não-governamental, a ONG Urihi. Perguntei por que não se puxava do pelotão água e luz para dentro da comunidade indígena, o que daria mais conforto à população. A moça da ONG disse que não, que isso ia deformar o modo de vida dos índios. Nessa visita, o comandante militar que estava comigo não pôde entrar na área indígena. Um grupo de crianças jogava futebol, e eu joguei um pouco com elas. Comentei com a moça da ONG: "Pelo menos o futebol é um fator de integração, pois todos torcemos pela mesma seleção." A moça me respondeu: "Não. O senhor torce pela seleção brasileira, e os índios torcem para a seleção deles." Nada mais falei e nada mais perguntei. Isso é sintoma do quê? Aldo: Vi que havia ali uma incompreensão. Em outro município, perto do Pico da Neblina, as ONGs barraram, com a ajuda do Judiciário, uma construção do Exército. Só depois que a decisão foi revogada na Justiça é que o Exército pôde fazer a obra. Há mesmo índios que querem conviver com os não-índios? Aldo: Uma parcela dos antropólogos defende, com razão, que a cosmogonia dos índios, a visão de seu surgimento e da evolução do universo, é incompatível com a convivência com os brancos e seus costumes. O problema em Roraima é que os índios já estão, de certa forma, integrados. As meninas índias de 15, 16 anos não querem viver mais da pesca, da coleta, não querem andar pela floresta com roupas tradicionais. A aspiração é ter uma vida social, vestir-se como se veste um adolescente. O isolamento para essas pessoas é uma ameaça, é a perda da possibilidade dessa convivência. A cosmogonia tem valor para as populações que não tiveram contato com os não-índios. É alarmista falar da cobiça internacional sobre a Amazônia? Aldo: As manifestações em favor da submissão da Amazônia a uma espécie de tutela internacional só podem causar repulsa aos brasileiros com um mínimo de dignidade. As declarações e os estudos cobiçando a Amazônia são reais, desde o século 17. Dom Pedro 2º, numa carta à Condessa de Barral, já explicava por que não atendeu ao pedido de um conterrâneo meu, o então deputado Tavares Bastos, para abrir a calha da Amazônia à navegação estrangeira. Se fizesse isso, disse dom Pedro, iríamos ter protetorados na Amazônia iguais ao que foram criados na China pelas potência estrangeiras. Sabia o que estava em jogo. Qual é o desconforto objetivo que a demarcação contínua da Raposa do Sol provoca no Exército? Aldo: O desconforto vem das restrições e das campanhas que se fazem dentro e fora do País contra a presença das Forças Armadas nas áreas indígenas.No caso da reserva Raposa do Sol, se a demarcação incluir os 150 quilômetros da terra que corre junto à fronteira da Guiana e da Venezuela, a ação do Exército fica muito dificultada, a fronteira não poderá ser vivificada. A melhor forma de controlar uma região fronteiriça é construir municípios na área, povoá-la, preenchendo-a com a presença de brasileiros índios e não-índios, gente que trabalhe, produza, que gere atividade econômica, política, social e cultural." Fonte: Agência Estado

25 de abril de 2008

Relatório de Auditoria é entregue ao MP.

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Como disse ontem, o Reitor da URCA entregou ao MInistério Públicos os relatórios da Auditoria feita na FUNDETEC. Conforme noticia o site da Universidade:
"O reitor da Universidade Regional do Cariri (URCA), professor Plácido Cidade Nuvens, com equipe administrativa, entregou, na manhã de ontem, ao Ministério Público, em Crato, uma farta documentação que compõe o relatório final da Comissão de Auditoria da Fundação de Desenvolvimento Tecnológico (FUNDETEC). Criada através de portaria, no final de agosto do ano passado, a comissão teve a finalidade de investigar a origem, fluxo e uso dos recursos da entidade mantenedora da URCA. O relatório, segundo o promotor de justiça da 2ª Promotoria, Elder Ximenes Filho, fará parte do inquérito civil público que já vinha investigando irregularidades anteriores na Universidade, por meio de ação do Sindicato dos Docentes da URCA (Sindurca). Como forma de dar celeridade à análise do material da Comissão de Auditoria e tomar depoimentos serão designados quatro promotores de justiça, incluindo Ximenes. Além dele, Pedro Luis Lima Camelo, do Juizado Especial, Antônio Marcos da Silva de Jesus, da 4ª Promotoria, e Plácido Barroso Rios, da 3ª Promotoria. Essa, conforme Élder Ximenes, é uma forma de apressar os resultados e dar uma resposta rápida à sociedade. "Qualquer notícia de fatos de relevância pública, o MP tem o dever constitucional de apurar tudo até o final", diz. O promotor destacou a URCA, enquanto instituição de grande relevância na região, maior do que todos. Denúncias de irregularidades na expedição de diplomas em convênios celebrados com a instituição, orientada pelo Ministério da Educação para a parceria; inexistência de prestação de contas do uso dos recursos advindos dos programas auto-sustentáveis e de convênios geridos pela Fundação, além da urgente necessidade de implementar medidas afirmativas, estiveram entre as medidas que deram origem à Comissão de Auditoria. O reitor da URCA, Plácido Cidade Nuvens, afirma ser este um momento histórico para a universidade, representando a luta pela implementação dos ideais republicanos na instituição. Com o resultado da auditoria, Plácido Cidade diz que a administração vem atender aos clamores da coletividade, para que, através do MP, seja dado encaminhamento necessário. Os documentos também foram entregues ao governo do Estado, Cid Gomes, e ao Secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, René Barreira. Conforme Elder Ximenes, o MP não pode se adiantar atribuindo ou retirando culpa de ninguém. "Temos que apurar profundamente tudo que nos foi comunicado", disse. Não há um tempo determinado para realizar a apuração, por ter um farto volume de documentos a serem analisados. O reitor ainda destaca que a parte da Universidade foi feita e é como um desencargo de consciência, no sentido de retomar as conquistas do bom trato com a coisa pública. "Não estamos aqui para nos servir do patrimônio público, mas a partir dele prestar um serviço de qualidade à comunidade regional", disse, ao acrescentar que agora o MP é que fica na tarefa e zelo dos interesses superiores da população. Plácido Cidade Nuvens ressaltou a disposição da Universidade em colaborar no que for necessário durante as apurações dos fatos. Estiveram presentes no Ministério Público, além do reitor, a vice-reitora, Otonite Cortez, pró-reitores, diretores de centro e chefes de departamento, representante da Procuradoria Jurídica da URCA, a diretora superintende da Fundetec, Meiriane Aragão. A comissão foi presidida pelo juiz aposentado e professor do Departamento de Direito da Universidade, Manoel Soares Martins, tendo como relator José Patrício Pereira Melo."

24 de abril de 2008

Charge de Daryl Cagle no MSNBC

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Reitor da URCA entrega ao MP resultado de auditoria.

Um comentário:
O Reitor da URCA, Prof. Plácido Cidade Nuvens, entregou na data de hoje ao Ministério Público, no Fórum da cidade do Crato, os relatórios e documentos anexos das auditorias realizadas na Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico do Cariri - FUNDETEC . Acompanhando o Reitor estavam presentes membros da Administração Superior da Universidade.
O Ministério Público vai juntar a documentação aos autos dos processos que já existem sobre a URCA e a FUNDETEC e também começar a análise da documentação para dar o devido encaminhamento.
Em breve, o Reitor convocará os meios de comunicação para que toda a sociedade tenha conhecimento dos fatos apurados até o presente momento.

23 de abril de 2008

Dia de pixinguinha.

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No dia 23 de abril de 1897 nasceu no Rio, Alfredo da Rocha Viana Filho, o maestro "Pixinguinha", que quer dizer "menino bom" no dialeto africano de sua avó, ex-escrava.

Entrevista de Stédile

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Entrevista de Stédile, um dos homens mais atacados pelo PIG - Partido da Imprensa Golpista, pelos tucanos, demos e outros.
O que o levou a participar do processo de criação e construção do MST?
Pelas circunstâncias da vida. Sou filho de pequenos agricultores do Sul. Fiquei até o segundo grau no interior e sempre me mantive vinculado aos temas camponeses. Comecei minha militância ajudando a conscientizar os produtores de uva da região de minha família e atuando com os sindicatos dos produtores na região de Bento Gonçalves. Nos anos duros da ditadura militar, vinculei-me ao trabalho da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Foi quando aconteceu um conflito de terras no Rio Grande do Sul, em que os Kaingang (povo indígena do sul do país) expulsaram de suas terras mais de 700 famílias de posseiros pobres, sem terra. Então, a CPT me pediu para ir até lá para trabalhar com esses posseiros. Esse episódio resultou numa ocupação de terra em duas fazendas, a Macali e a Brilhante, em 1979. Esse processo, não premeditado, desembocou, alguns anos depois, na formação do MST. Dentro dos moldes de governabilidade e representatividade que temos no Brasil, em que medida é possível uma reforma agrária significativa?Há muitos tipos de reforma agrária. No Brasil, todas as forças progressistas, ao longo do século 20, sempre trabalharam com a perspectiva de realizar a do tipo clássico. Ou seja, uma reforma agrária que representasse, para os camponeses, a democratização do acesso à terra, sua vinculação ao mercado interno e um processo de combate à pobreza no campo. Um instrumento de distribuição de renda e de estímulo ao mercado interno e industrial. Todos os países hoje desenvolvidos fizeram reformas agrárias clássicas — ou seja, nos marcos do capitalismo, mas como um processo republicano de democratização do acesso aos bens da natureza. No Brasil, perdeu-se a oportunidade de fazer esse tipo de reforma agrária, quando terminou a escravidão, em 1888. Os Estados Unidos, por exemplo, a fizeram nessa conjuntura. Depois, perdeu-se a segunda oportunidade na Revolução de 30, quando iniciamos nosso processo de industrialização. Perdemos a terceira oportunidade durante a crise desse modelo, na década de 60, quando o então ministro Celso Furtado convenceu o governo Goulart de que a saída seria uma reforma agrária. A resposta da direita foi um golpe militar. Perdemos a oportunidade na redemocratização formal em 1985, quando Tancredo havia convidado o saudoso José Gomes da Silva para fazer o primeiro PNRA (Plano Nacional de Reforma Agrária). Ele entregou o plano que previa assentar 1,4 milhões de famílias no dia 4 de outubro e caiu em 13 de outubro. A chance que teríamos de fazer uma reforma agrária clássica seria se o governo Lula combatesse o modelo neoliberal, articulando forças sociais e políticas do país para um projeto de desenvolvimento nacional e industrial, com distribuição de renda e combate à desigualdade. Como o governo Lula manteve uma política e um modelo econômico que subordina a nossa economia ao capital financeiro e às grandes empresas transnacionais, a reforma agrária está bloqueada. Só haverá chance se derrotarmos o neoliberalismo. Como o MST avalia o governo Lula quanto ao processo de reforma agrária?
De certa forma, já comentei na pergunta anterior. Num sentido mais amplo, a reforma agrária, como parte de um projeto de desenvolvimento nacional, de distribuição de renda e de estímulo à industrialização do interior do país está bloqueada pelo atual modelo econômico. Do ponto de vista administrativo, acho que a área do governo Lula mais incompetente são os ministérios que têm relação com reforma agrária. Nada funciona. Tudo é demorado e incompetente. E, para não ser injusto, os únicos programas que beneficiaram as áreas dos sem-terra foram o Luz para Todos — que é um processo de eletrificação do meio rural — e um programa de compra de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ambos são complementares e não afetam a reforma agrária. Sabemos que os números reais de famílias assentadas foram maquiados pelo governo FHC e, ao que parece, a ficção foi mantida pelo governo Lula. Quais são os números corretos, na avaliação do MST?
O movimento mantém diálogo com os representantes do governo sobre isso? Como é feito esse diálogo?
Primeiro, o processo de reforma agrária não é um problema estatístico. É um problema político, em que o governo deveria enfrentar o latifúndio e o agronegócio para democratizar a propriedade da terra. E isso não está acontecendo. As famílias que estão sendo assentadas são majoritariamente colocadas em projetos de colonização na Amazônia legal. Um grande percentual delas representa ou as que não conseguem nem morar no lote, ou as famílias colocadas em lotes abandonados de antigos projetos. Nós sempre mantivemos diálogo com todos os governos, tanto o federal quanto estadual e municipal, independentemente do ano ou partido. Os movimentos sociais precisam negociar, dialogar e interagir com as autoridades constituídas. Faz parte de nosso trabalho, mas mantendo autonomia no cumprimento dessa missão. Autonomia dos partidos, dos governos e do Estado: é isso que o MST procura fazer. Como se sustenta o diálogo do MST com os demais movimentos sociais, incluindo os urbanos? Por que essa busca é necessária?
No caso da relação com os demais movimentos sociais, não é dialogo. Trata-se de construir uma unidade popular. Nós procuramos nos articular em diferentes espaços para ir construindo essa unidade necessária. Infelizmente, as frentes de massa no Brasil ainda são muito direcionadas por correntes ideológicas, o que é legítimo, mas muitas vezes atrapalha a construção da unidade em função de objetivos partidários ou eleitorais. O MST participa da Via Campesina Brasil como uma forma de construir a unidade no campo. Participa também do Fórum Nacional de Reforma Agrária e da Coordenação Nacional de Movimentos Sociais. Mas priorizamos a construção das Assembléias Populares, por serem um espaço mais amplo de unidade popular entre todas as forças. Foi com esse espírito que atuamos no plebiscito pela reestatização da Vale, impulsionado pela Assembléia Popular. O MST, junto com outros movimentos sociais, lançou o jornal Brasil de Fato. Que outras iniciativas o movimento tem em relação ao setor de comunicação?
Nós defendemos a tese de que a classe trabalhadora e todas as suas formas de organização devem construir seus próprios meios de comunicação de massa. Não podemos depender da chamada grande mídia, ela é a voz da classe dominante para formar a sua opinião entre o povo. Lamentavelmente, a esquerda brasileira ainda não entendeu isso e muitas forças ainda se iludem em ficar ocupando pequenos espaços na grande imprensa. Temos de fazer muito mais esforço para termos nossas rádios, nossos jornais, nossos boletins, ocupar espaço na internet e termos nossos programas de televisão. E, para tudo isso, é preciso ter diretriz política, construir esses meios e priorizá-los. Espero que os movimentos e a esquerda aprendam isso, o quanto antes. Em que se fundamenta a preocupação com comunicação no MST?
Nós precisamos difundir as notícias, as informações e nossa visão de mundo, tanto à nossa base quanto à classe trabalhadora e população em geral. Para alcançarmos esses objetivos, é preciso termos os meios de comunicação necessários, os mais distintos possíveis, porque são complementares.
Com freqüência, a chamada ''grande mídia'' ataca o MST, além de criminalizar os outros movimentos sociais. Como o senhor explica isso?
A grande mídia faz o papel dela. Defender sempre os interesses econômicos, políticos e ideológicos da classe dominante. Assim, todo movimento social, todo sindicato e partido que resolvam lutar contra os interesses da classe dominante serão atacados por ela. Quando Veja, Estadão e Rede Globo falam mal de nós, fazem seu papel e nós não nos preocupamos com isso, mas sim com o fato de que a sociedade brasileira tenha meios de comunicação de massa − em especial rádio e televisão − que a representem. Esperamos que a nova TV pública consiga mudar um pouco esse quadro.
O senhor chegou a mover um processo contra a revista Veja. Quais foram as razões para isso, e o que resultou do processo?
Movemos um processo penal, pedindo indenização e direito à resposta porque a matéria de Veja foi ofensiva e mentirosa do ponto de vista pessoal. Me compararam ao James Bond e me atribuíram uma função criminosa. O senhor acredita que exista liberdade de imprensa no Brasil? Em termos mais amplos: há realmente democracia em nosso país?
Não existe nenhuma liberdade de imprensa se considerado o acesso do povo à informação. Ele as recebe repassadas pelas rádios e televisões, grandes jornais e revistas. São filtradas pelo viés ideológico de interesses privados. E isso não é democracia, no que concerne a direitos e oportunidades iguais. Isso, ao contrário, se chama luta de classes. Uma classe, a que tem dinheiro, controla os meios de comunicação e os usa de acordo com seus interesses, visando ao lucro e controle ideológico na sociedade. Nós ainda estamos distantes de uma democracia formal, burguesa. Esperamos que haja, ao menos, um processo de mobilização, num futuro próximo, para promover reformas políticas que garantam ao povo mecanismos de decisão, de poder político, porque hoje o povo é mero espectador do que a classe dominante faz. Um amigo meu disse, esses tempos: “o povo, no Brasil, está exilado da política”.
Como o senhor se posicionou quando o presidente Hugo Chávez suspendeu a licença da RCTV venezuelana? Seria favorável à adoção de procedimentos semelhantes no Brasil?
A decisão foi dentro dos parâmetros legais da Constituição venezuelana, e mais do que necessária. A RCTV era um canal que pregava mentiras o tempo inteiro, distorcendo a opinião pública. E cometeu um grave erro: organizou, estimulou e fez apologia ao golpe de Estado em abril de 2002. O normal teria sido a televisão ter sido cassada naquela época. Mas o presidente preferiu seguir os trâmites normais e esperou vencer a concessão. Como disse Noam Chomski, se o crime da RCTV, de 2002, tivesse acontecido nos Estados Unidos, pelas leis norte-americanas seus proprietários teriam pegado cadeira elétrica. No Brasil, é preciso fazer uma ampla reforma no processo de concessão da radiodifusão para termos democracia. E mais, garantir que todos os setores e grupos sociais tenham seus próprios veículos e se comuniquem com a sociedade. Hoje, vivemos numa ditadura do monopólio de sete grupos econômicos, que controlam, obtêm lucros e manipulam o que quiserem.
Como o sr. avalia a política de comunicação do governo Lula, nos três sentidos: sua relação com a ''grande mídia''; sua relação com as mídias dos movimentos sociais e de grupos independentes; e na questão da comunicação pública?
Não sou “expert” no assunto e tenho acompanhado pouco a política institucional do governo Lula para a comunicação. Mas vejo os resultados. O monopólio da classe dominante continua aumentando. Acho que, além de termos uma televisão pública, deveríamos ter uma política de ampla liberdade para as rádios e televisões comunitárias com sinal aberto. As verbas de publicidade deveriam ser dirigidas para os veículos pertencentes às entidades sociais e sem fins lucrativos. E deveríamos, ainda, ter uma política clara de proibição de campanhas publicitárias responsáveis por problemas sociais, como propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas, remédios e agrotóxicos. Vez ou outra, surge alguém na ''grande mídia'' para acusar o MST de pretender criar um partido socialista para liderar uma revolução no Brasil. O movimento pretende mesmo criar um partido? E qual a sua posição sobre o socialismo?
Isso é uma besteira de certos colunistas de plantão, que ficam imaginando coisas. O MST é um movimento social autônomo. Não tem vocação, não será e nem quer ser partido. Se algum dia o MST pretendesse virar partido, acabaria. Talvez seja por isso que eles ficam com essa tese. O socialismo tem várias formas de ser analisado e compreendido. Como modo de produção, será um estágio mais avançado da civilização humana, porque vai organizar a propriedade social dos meios de produção e combater a exploração do trabalho. Como regime político, as experiências socialistas que já tivemos estiveram muito aquém do que idealizavam os clássicos. Acho que o socialismo deveria ser um estágio superior de democracia popular, em que as pessoas, os grupos sociais e a classe trabalhadora tivessem, de fato, poder sobre o Estado. E as leis e decisões contassem com a maior participação possível da população, de forma direta. Há mais um aspecto do qual uma sociedade socialista depende: a elevação do nível cultural e a consciência das amplas camadas da população, para que seja uma sociedade fundada nos princípios da prática da solidariedade, justiça social e igualdade, cotidianamente.
Existe democracia em Cuba?
Nenhum processo ou regime político será perfeito. Muitos fatores influem nas condições para que o povo e os setores organizados da população exerçam poder de decisão. Acho que o que há em Cuba está longe de ser um regime amplamente democrático. Tenho viajado e lido muito sobre as experiências dos mais diferentes regimes políticos adotados. Estou convencido de que o sistema vigente em Cuba é, ainda, o que pratica mais democracia popular. Isso não se mede pelo exercício do voto ou escolha dos representantes. Devemos medir a democracia cubana pelo real direito de oportunidades que todos têm; pelo acesso à educação, em todos os níveis; ao conhecimento, à informação, ao trabalho e à cultura. Hoje, o povo cubano, em sua amplitude, é um dos povos mais cultos de nosso planeta. Também devemos medir a democracia pelo poder real das pessoas ao se organizarem em grupo para controlar seus bairros, suas cidades. Ou seja, exercendo um poder real. Qual é sua avaliação sobre o enaltecimento do etanol, atualmente feito pela ''grande mídia'' e pelo governo Lula?
Isso é uma vergonha. A fonte de energia proveniente do petróleo está acabando. Então, as petroleiras, empresas automobilísticas e as transnacionais do agronegócio se uniram para produzir uma nova fonte de energia sob seus controles. O etanol e os óleos vegetais, que podem substituir o petróleo, são fontes que poderiam ser sustentáveis do ponto de vista ambiental, além de socialmente mais justas. Mas tudo depende da forma como serão produzidos e quem as controlará. No caso brasileiro, o governo aceitou entregar a produção para o regime do agronegócio. Ele é agressor do meio-ambiente, porque produz cana ou soja, por exemplo, na forma de monocultivo e usa intensivamente máquinas e agrotóxicos. Nós poderíamos ter um amplo programa de produção de agrocombustíveis, controlado por uma empresa estatal e voltado para uma política de soberania energética — ou seja, um programa onde cada município produziria sua própria energia. Por isso, nós defendemos que os agrocombustíveis somente seriam viáveis se fossem produzidos em policultura, em apenas 20% da área de cada fazenda, para não afetar a produção de alimentos. Seria uma produção voltada para a distribuição de renda, somada à soberania alimentar e energética. Para isso, propomos a fundação de uma empresa brasileira de agroenergia. Uma empresa estatal e pública, sob controle da sociedade, para desenvolver essa política. A Petrobras, além de ser uma empresa que se preocupa, em primeiro lugar, com o lucro de seus acionistas (40% já são do exterior), nunca terá uma política de soberania energética e muito menos de distribuição de renda. A ocupação de um laboratório da Aracruz por mulheres do MST causou grande impacto nacional. O movimento foi acusado de promover a desordem, de ser inimigo da ciência e do desenvolvimento tecnológico e de apostar no atraso brasileiro. Como o sr. se posiciona?
Por que o MST é contra a exploração de culturas transgênicas?Isso é um exemplo claro de manipulação da opinião pública pelo monopólio da mídia a serviço dos interesses do capital. A Aracruz é uma das empresas que mais agridem o meio ambiente, destruindo a cobertura vegetal original, como a Mata Atlântica, e agora os pampas. Em seu lugar, cultiva plantações homogêneas de eucalipto, que acabam com toda biodiversidade e agridem o meio-ambiente, contribuindo para o aquecimento do clima. Tudo é exportado. Os lucros ficam com as transnacionas. E nós ficamos com o passivo ambiental e social. A Aracruz roubou, na década de 1970, 14 mil hectares de terras indígenas e outros 24 mil hectares de terras quilombolas. Nós entramos num viveiro da Aracruz para destruir mudas e impedir a expansão da monocultura do eucalipto. Pois bem, a imprensa transformou as mulheres da via campesina, que fizeram a manifestação, em bárbaras, prostitutas, contra a ciência... Pura manipulação. Lá, não havia nenhum laboratório de pesquisa. Podem pesquisar nas páginas do MCT (Ministério da Ciência & Tecnologia) ou da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e verão. A senhora que analisava se as mudas tinham fungo tem apenas o segundo grau. A imprensa a transformou em cientista! Agora, o Ministério da Justiça baixou a portaria mandando a Aracruz devolver os 14 mil hectares de terras roubadas dos povos tupiniquim e guarani. Nenhuma palavra no Jornal Nacional. Isso foi uma grande vitória daquela manifestação. Seguiremos lutando; agora, para que eles devolvam o que roubaram das comunidades negras. Nós somos contra as sementes transgênicas por muitas razões. Primeiro, porque são apenas uma forma das empresas transnacionais combinarem o uso de sementes com seus agrotóxicos. Segundo, porque as sementes transgênicas destroem a biodiversidade. Só sobrevive aquela determinada planta. Terceiro, porque eles usam essas sementes para poder patenteá-las como propriedade privada e cobrar royalties dos agricultores. E, por último, porque não há nenhuma comprovação de que essas sementes não fazem mal à saúde das pessoas. Ao contrário, temos já diversas provas de que algumas delas fazem mal às pessoas e aos animais que se alimentam delas. Por isso, defendemos a idéia de seguir pesquisando, mas sem fins comerciais. Queremos usar a transgenia apenas para fins terapêuticos — ou seja, produzir plantas que possam ter uso medicinal. O senhor ambiciona ser, algum dia, presidente deste país?
Não sei de onde vocês tiraram essa bobagem. O Brasil precisa que o povo se conscientize, organize e lute por seus direitos. Somente assim poderemos enfrentar os atuais problemas econômicos e sociais a fim de construirmos uma sociedade mais justa, com que todos sonhamos.

Gramsci e a "natureza humana".

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Quando escreveu no cárcere, um texto intitulado "Problemas de Filosofia e História", Gramsci abordou uma das questões mais importantes para o Materialismo Histórico. A questão da "natureza humana", tão decantada pelos filósofos liberais que viam uma natureza humana eterna e sem historicidade.

Para um dos maiores marxistas que já existiu, a questão era de outra ordem. Sobre o problema do que seria o ser humano, ou o problema da chamada "natureza humana", assim se pronunciou Gramsci:


"A afirmação de que a 'natureza humana' é o 'conjunto das relações sociais' é a resposta mais satisfatória porque incluí a idéia do devenir: o homem 'devém', transforma-se continuamente com as transformações das relações sociais; e também, porque nega o 'homem em geral': de fato, as relações sociais são expressas por diversos grupos de homens que se pressupõem uns aos outros, cuja unidade é dialética e não formal."


Assim escrevia Gramsci, homem que foi acusado, julgado e preso pelo fascismo italiano e conforme o promotor da época, "era preciso impedir este cérebro de funcionar".

21 de abril de 2008

Slavoj Zizek

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Análise de Slavoj Zizek sobre o Tibete. O filósofo comenta sobre a "crise do Tibete", alimentada pelo governo dos EUA e seus aliados e também pela grande mídia internacional e aqui no Brasil pelo PIG - Partido da Imprensa Golpista. Leia aqui:
" E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado do país?
PROTESTOS ANTI-CHINA POR COMETER ATOS DE VIOLÊNCIA CONTRA MONGES NÃO LEVAM EM CONTA QUE PEQUIM AJUDOU A TIRAR TERRITÓRIO DA MISÉRIA E DA CORRUPÇÃO APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
As notícias publicadas em toda a mídia nos impõem uma imagem determinada que é mais ou menos como segue.
A República Popular da China, que, nos idos de 1949, ocupou ilegalmente o Tibete, durante décadas promoveu a destruição brutal e sistemática não apenas da religião tibetana, mas também da própria identidade dos tibetanos como povo livre. Os protestos recentes do povo tibetano contra a ocupação chinesa foram novamente sufocados com força policial e militar bruta.
Como a China está organizando os Jogos Olímpicos de 2008, é dever de todos nós que amamos a democracia e a liberdade pressionarmos a China para devolver aos tibetanos aquilo que ela lhes roubou; não se pode permitir que um país que possui um histórico tão deficiente em matéria de direitos humanos passe uma mão de cal sobre sua imagem com a ajuda do nobre espetáculo olímpico.
O que farão nossos governos? Vão ceder ao pragmatismo econômico, como de costume, ou encontrarão a força necessária para colocar nossos mais elevados valores éticos e políticos acima dos interesses econômicos de curto prazo?
Embora a atividade chinesa no Tibete sem dúvida tenha incluído muitos atos de destruição e terror assassino, existem muitos aspectos dela que destoam dessa imagem simplista de "mocinhos versus vilões".
Enumero, a seguir, nove pontos a serem mantidos em mente por qualquer pessoa que faça um julgamento sobre os fatos recentes no Tibete.
Poder protetor
1) Não é fato que até 1949 o Tibete era um país independente, que então foi repentinamente ocupado pela China. A história das relações entre eles é longa e complexa, e em muitos momentos a China exerceu o papel de poder protetor. O próprio termo "dalai-lama" é testemunho dessa interação: reúne o "dalai" (oceano) mongol e o "bla-ma" tibetano.
2) Antes de 1949, o Tibete não era nenhum Xangri-Lá, mas um país dotado de feudalismo extremamente rígido, miséria (a expectativa média de vida pouco passava dos 30 anos), corrupção endêmica e guerras civis (sendo que a última, entre duas facções monásticas, ocorreu em 1948, quando o Exército Vermelho já batia às portas do país).
Por temer a insatisfação social e a desintegração, a elite governante proibia o desenvolvimento de qualquer tipo de indústria, de modo que cada pedaço de metal usado tinha que ser importado da Índia.
Mas isso não impedia a elite de enviar seus filhos para estudar em escolas britânicas na Índia e transferir seus ativos financeiros a bancos britânicos, também na Índia.
3) A Revolução Cultural que devastou os mosteiros tibetanos na década de 1960 não foi simplesmente "importada" dos chineses: na época da Revolução Cultural, menos de cem guardas vermelhos foram ao Tibete, de modo que as turbas de jovens que queimaram mosteiros foram compostas quase exclusivamente de tibetanos.
4) No início dos anos 1950, começou um longo, sistemático e substancial envolvimento da CIA na incitação de distúrbios anti-China no Tibete, de modo que o receio chinês de tentativas externas de desestabilizar o Tibete não era, de modo algum, "irracional".
5) Como demonstram as imagens veiculadas pela TV, o que está acontecendo agora nas regiões tibetanas já não é mais um protesto "espiritual" pacífico de monges (como o que aconteceu em Mianmar um ano atrás), mas (também) bandos de pessoas matando imigrantes chineses comuns e incendiando suas lojas. Logo, devemos avaliar os protestos tibetanos segundo os mesmos critérios com os quais julgamos outras manifestações violentas: se tibetanos podem atacar imigrantes chineses em seu próprio país, por que os palestinos não podem fazer o mesmo com colonos israelenses na Cisjordânia?
6) É fato que a China fez grandes investimentos no desenvolvimento econômico do Tibete e em sua infra-estrutura, educação, saúde etc. Para explicar em termos simples: apesar de toda a opressão inegável, nunca, em toda sua história, os tibetanos medianos desfrutaram de um padrão de vida comparável ao que têm hoje.
7) Nos últimos anos, a China vem mudando sua estratégia no Tibete: a religião despida de política hoje é tolerada e mesmo apoiada. Mais do que na pura e simples coação militar.Em suma, o que escondem as imagens veiculadas pela mídia de soldados e policiais chineses brutais espalhando o terror entre monges budistas é a muito mais eficaz transformação socioeconômica em estilo americano: dentro de uma ou duas décadas, os tibetanos estarão reduzidos à situação dos indígenas americanos nos EUA.Parece que os comunistas chineses finalmente entenderam a lição: de que vale o poder opressor de polícias secretas, campos e guardas vermelhos destruindo monumentos antigos, comparado ao poder do capitalismo sem freios, quando se trata de enfraquecer todas as relações sociais tradicionais?Ideologia "new age"
8) Uma das principais razões por que tantas pessoas no Ocidente tomam parte nos protestos contra a China é de natureza ideológica: o budismo tibetano, habilmente propagado pelo dalai-lama, é um dos pontos de referência da espiritualidade hedonista "new age", que está rapidamente se convertendo na forma predominante de ideologia nos dias atuais.
Nosso fascínio pelo Tibete o converte numa entidade mítica sobre a qual projetamos nossos sonhos. Assim, quando as pessoas lamentam a perda do autêntico modo de vida tibetano, não estão, na verdade, preocupadas com os tibetanos reais.O que querem dos tibetanos é que sejam autenticamente espirituais por nós, em lugar de nós mesmos o sermos, para continuarmos a jogar nosso desvairado jogo consumista.
O filósofo francês Gilles Deleuze [1925-75] escreveu: "Se você está preso no sonho de outro, está perdido". Os manifestantes que protestam contra a China estão certos quando contestam o lema olímpico de Pequim, "Um mundo, um sonho", propondo em lugar disso "um mundo, muitos sonhos".
Mas eles devem tomar consciência de que estão prendendo os tibetanos em seu próprio sonho, que é apenas um entre muitos outros.
9) Para concluir, a dimensão realmente nefasta do que vem acontecendo hoje na China está em outra parte. Diante da atual explosão do capitalismo na China, os analistas freqüentemente indagam quando vai se impor a democracia política, o acompanhamento político "natural" do capitalismo.
Essa questão com freqüência assume a forma de outra pergunta: até que ponto o desenvolvimento chinês teria sido mais rápido se fosse acompanhado de democracia política? Mas será que isso é verdade?
Numa entrevista há cerca de dois anos, [o sociólogo] Ralf Dahrendorf vinculou a crescente desconfiança com que a democracia vem sendo vista nos países pós-comunistas do Leste Europeu ao fato de que, após cada mudança revolucionária, a estrada que conduz à nova prosperidade passa por um "vale de lágrimas".
Ou seja, após o colapso do socialismo não se pode passar diretamente para a abundância de uma economia de mercado bem-sucedida: o sistema socialista limitado, porém real, de bem-estar e segurança precisou ser desmontado, e esses primeiros passos são necessariamente dolorosos.
Vale de lágrimas
O mesmo se aplica à Europa Ocidental, onde a passagem do Estado de Bem-Estar Social para a nova economia global envolve renúncias dolorosas, menos segurança e menos atendimento social garantido.
Para Dahrendorf, o problema é resumido pelo fato de que essa dolorosa passagem pelo "vale de lágrimas" dura mais tempo que o período médio entre eleições (democráticas), de modo que é grande a tentação de adiar as transformações difíceis, optando por ganhos eleitorais de curto prazo.
Não surpreende que os países mais bem-sucedidos do Terceiro Mundo, em termos econômicos (Taiwan, Coréia do Sul, Chile), tenham adotado a democracia plena só após um período de governo autoritário.
Esse raciocínio não seria o melhor argumento em defesa do caminho chinês em direção ao capitalismo, em oposição à via seguida pela Rússia? Seguindo o caminho percorrido pelo Chile e a Coréia do Sul, os chineses usaram o poder irrestrito do Estado autoritário para controlar os custos sociais da passagem para o capitalismo, desse modo evitando o caos.
Em suma, uma combinação esdrúxula de capitalismo e governo comunista, longe de ser uma anomalia ridícula, mostrou ser uma bênção (nem sequer) disfarçada: a China se desenvolveu na velocidade em que o fez não apesar do governo comunista autoritário, mas devido a ele.
E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado da China, que faz dela a próxima superpotência global, ameaçando a primazia do Ocidente?
Há mesmo um outro paradoxo em ação aqui: e se a prometida segunda etapa democrática que vem após o vale de lágrimas autoritário nunca chegar?É isso, possivelmente, que é tão perturbador na China de hoje: a idéia de que seu capitalismo autoritário talvez não seja apenas um resquício de nosso passado, a repetição do processo de acúmulo capitalista que se desenrolou na Europa entre os séculos 16 e 18, mas sim um sinal do futuro.
E se "a combinação agressiva entre o chicote asiático e o mercado acionário europeu" se mostrar economicamente mais eficiente que nosso capitalismo liberal? E se ela assinalar que a democracia, tal como a conhecemos, não é mais condição e motor do desenvolvimento econômico, e sim um obstáculo a ele? "
SLAVOJ ZIZEK é filósofo esloveno e autor de "Um Mapa da Ideologia" (Contraponto). Ele escreve na seção "Autores", do Mais! .
Tradução de Clara Allain

Libertad

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Charge de Kike.

19 de abril de 2008

Apoio aos chineses.

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Deu no portal Vermelho:
"O filósofo marxista italiano Domenico Losurdo lançou uma campanha em seu blog na Internet contra a campanha anti-chinesa em curso a favor do boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, provocada por algumas nações ocidentais, em seguida aos atos terroristas cometidos por separatistas tibetanos em Lhasa, em 14 de março. O arquiteto Oscar Niemeyer é uma das personalidades que aderiu à campanha. Confira abaixo a íntegra da campanha. "Uma sórdida campanha de demonização da República Popular Chinesa percorre o planeta. Quem a dirige e orquestra são governos e órgãos de imprensa inteiramente dedicados a dar aval ao martírio interminável do povo palestino, e sempre prontos a desencadear e apoiar guerras preventivas como a que no Iraque produziu centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados".
Por Domenico Losurdo:
"Agita-se a bandeira da independência (por vezes camuflada de "autonomia") do Tibete, mas se esse objetivo viesse a realizar-se, a mesma palavra de ordem seria lançada também para o Grande Tibete (uma área três vezes maior que o Tibete propriamente dito) e em seguida para o Sin-kiang, para a Mongólia Interior, para a Manchúria e ainda para outras regiões.
Na verdade, com seu enlouquecido projeto de dominação planetária, o imperialismo visa desmembrar um país que há muitos séculos se constituiu sobre uma base multiétnica e multicultural onde hoje chegam a conviver 56 etnias. Não é sem significado o fato de que à frente dessa Cruzada não encontra-se o Terceiro Mundo, que olha para a China com simpatia e admiração, mas o Ocidente que desde as guerras do ópio precipitou o grande país asiático no subdesenvolvimento causando-lhe uma imensa tragédia, da qual um povo que representa um quinto da humanidade está finalmente saindo.
Com base nas palavras de ordem análogas às que hoje são gritadas contra a China, se poderia promover o desmembramento de diversos países europeus como a Inglaterra, a França, a Espanha e a Itália onde não faltam movimentos que reivindicam a "libertação" e a secessão da Padânia.
O Ocidente, que posa de Santa Sé da religião dos direitos humanos, não gastou uma palavra sequer sobre os pogrom antichineses que em Lhasa no dia 14 de março custaram a vida de civis inocentes, de velhos, mulheres e crianças.
Enquanto proclama de chefiar a luta contra o fundamentalismo, o Ocidente transfigura na forma mais grotesca o Tibete do passado (fundado sobre a teocracia, sobre a escravidão e sobre a servidão das massas) e se prostra diante de um Deus-Rei, concentrado em constituir um Estado sobre a pureza étnica e religiosa (também uma mesquita tem sido assaltada em Lhasa), querendo anexar a esse Estado territórios que são habitados sim por tibetanos, mas que nunca foram administrados por um dalai-lama: trata-se do projeto do Grande Tibete fundamentalista, caro àqueles que querem colocar em crise o caráter multiétnico e multicultural da República Popular Chinesa para conseguir desmembrá-la mais facilmente. No final do século 19, na China, na entrada das concessões ocidentais deixava-se bem visível a placa: "Proibido o ingresso aos cães e aos chineses". Esta interdição não desapareceu, sofreu apenas alguma variação, como demonstra a campanha para sabotar ou comprometer de qualquer maneira as Olimpíadas de Pequim: "Proibidas as Olimpíadas aos cães e aos chineses".
A Cruzada antichinesa em curso está em total continuidade com a longa e abjeta tradição imperialista e racista." Para assinar a favor da campanha "Um Apelo a Favor da China", hospedada em http://appellocina.blogspot.com/ e que já foi endossada inclusive pelo arquiteto Oscar Niemeyer, enderece e-mail para appellocina@libero.it "

18 de abril de 2008

Bom feriado a todos

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Desejo bom feriado a todos. Volto no domingo. Abraço.

Comunistas dos Estados Unidos

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PC dos EUA vê eleição deste ano como "oportunidade única"
"Os próximos nove meses são uma oportunidade única", concluiu de Sam Webb, presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos (PCEUA), na última reunião do Comitê Nacional do Partido (dias 29 e 30). Webb traça como meta a "derrota esmagadora" da ultradireita que domina a política americana há três décadas. Constata uma "rebelião popular em curso" e defende o apoio ao candidato democrata. Analisa as campanhas de Barak Obama e Hillary Clinton e polemiza com outros pontos de vista dentro da esquerda. Veja os trechos principais. Sam Webb, líder do PCEUA: "levante de massas" É difícil acreditar que nós nos reunimos há apenas quatro meses. Quanta coisa aconteceu desde então, quanta coisa mudou. Todos nós pensávamos que este ano seria emocionante, e possivelmente um momento de transição para um novo estágio da luta. Mas alguém antecipou uma tão dramática virada? Alguém previu uma tal explosão de ativismo político? Alguém adivinhou uma tão titânica luta pela indicação presidencial do Partido Democrata? Eu não. E suspeito que tenho um grande número de acompanhantes. O povo americano, ao tomar os temas em suas próprias mãos, confundiu os acólitos políticos de todas as cores, reconfigurou o terreno e o clima da política, e pôs em movimento um processo que bem pode configurar uma triunfal vitória nas eleições de novembro. Uma tal vitória sobre o extremismo de ultradireita redefiniria a correlação de forças e lançaria as bases para se marchar em uma outra direção. Nesse novo estágio, o poder das corporações transnacionais em seu conjunto pode rapidamente emergir com todo destaque como o principal obstáculo ao progresso social. A virada política A virada política que ricocheteia pelo país não tem comparação nas últimas décadas. Seu fôlego e profundidade são notáveis. Sua linha política é progressista. Ela está ditando os contornos do discurso político. Rejeita os velhos estereótipos racistas e sexistas. É uma rebelião de massas contra a política da administração Bush. O objeto deste levante são as primárias presidenciais democratas. No entanto, a reviravolta foi muito além das expectativas de qualquer um. Recordes estão sendo batidos em quase todas as primárias estaduais. Cada setor do povo está marchando para as urnas. Os jovens eleitores agarram o touro eleitoral pelos chifres. A elevada octanagem dessa rebelião é de tirar o fôlego. Em toda parte temos concentrações de gente. Os candidatos, as primárias e as alternativas são objeto de animadas conversações. Se alguém pensa que essas alternativas têm fôlego curto ou que se trata apenas de personalidades, só posso dizer que essas pessoas estão apenas assistindo, mas não sentindo, nem ouvindo o vendaval que atravessa o país. Graças a essa escalada, uma mulher ou um afro-americano está no pórtico da indicação presidencial. Isto reflete a crescente maturidade política do povo americano. Deve ser celebrado como um grande resultado democrático. Tudo que reduza este fato deve ser vigorosamente contestado. Não importa se as dezenas de milhões de votantes nas primárias democratas apóiam Barak Obama ou Hillary Clinton, pois o sentido político de seus votos é claro: o povo quer mudança, e não qualquer tipo de mudança, mas aquela que coloca as necessidades populares à frente da beligerância, da divisão, das aparências e dos lucros empresariais. Lutas em outras arenas certamente vão prosseguir, mas todas elas terão sua parte no grande drama que agora se desvenda no estágio da política eleitoral. Embora o desfecho deste drama ainda não tenha sido escrito, pode-se dizer que uma decidida vitória do povo irá refedinir todas as arenas de combate, em benefício do movimento popular. Qualquer organização ou movimento que não se insira de modo pleno e prático neste processo extremamente dinâmico será deixada para trás por seus próprios membros e pelos acontecimentos. Terá perdido uma oportunidade que rarissimamente aparece na vida política. Portanto, todo comunista deve se tornar um participante ativo na rebelião eleitoral, se é que ele ou ala já não o fez. Os acontecimentos são muitos e as possibilidades quase ilimitadas. Examinemos a situação. O fator espontâneo Enquanto a classe operária e todos os demais segmentos do movimento popular estão engajados na rebelião, suas estruturas e tendências organizadas estão bem atrás. Que seja algo mais espontâneo que organizado não deve espantar ninguém. Qualquer convulsão desta magnitude é algo em construção e possui um vasto elemento de espontaneidade. Como tudo mais, na natureza e na sociedade, uma rebelião de massas deve ser encarada dinamicamente, em seus movimentos contraditórios. A vida, para parafrasear Lênin, é sempre mais complexa e multifacética do que podemos sequer imaginar. A teoria, por necessária que seja, é apenas um guia para a ação. Desgraçadamente, essa lição não foi plenamente assimilada por alguns na esquerda. Eles vêem pouco ou nenhum potencial progressista na política eleitoral ou no Partido Democrata, têm dificuldades em aquilatar e responder apropriadamente a padrões políticos pouco familiares, como a presente revolta no quadro das primárias democratas. É algo que não encaixa nem pode ser forçado a encaixar facilmente em seu modelo político de mudança social. Não é preciso dizer que não partilhamos dessas opiniões. Na verdade, essa rebelião na arena eleitoral é o principal vetor político da luta deste ano. Temos em nosso crédito o fato de termos dito, na última reunião do Comitê Nacional, que as eleições poderiam desencadear um processo conduzindo a uma nova era de luta de classe e democrática, num nível mais elevado. Ao mesmo tempo, temos que admitir que subestimamos a fúria e o alcance do levante. E tampouco antecipamos o fenômeno Obama. O ingresso dos jovens e independentes Um dos pais alentadores aspectos desse levante do povo é o ingresso dos jovens, que ou não tinham idade para votar nas últimas eleições ou optaram por se abster. Ao ingressarem em massa no processo das primárias democratas, a nova geração está se tornando um agente de mudança. Nunca, desde os anos 60, vimos a juventude trazer tanta energia e idealismo ao processo político. As razões para a mudança qualitativa estão bastante claras. Sentindo algo diferente na candidatura Obama, os jovens afluem para as primárias do Partido Democrata em número recorde, como votantes e organizadores. Eles não apenas concebem a possibilidade de um novo mundo; imaginam sua realização durante as suas vidas. Os independentes [não filiados ao Partido Democrata ou ao Republicano] também estão entrando nesta rebelião. Para muitos deles as primárias presidenciais democratas são um espaço de ação e idéias novas. A política de ontem não encontra eco em suas mentes; estão em busca de respostas para renitentes problemas como o insuportável custo dos planos de saúde, que pesa sobre sua qualidade de vida. Não por último, a classe operária, os oprimidos por sua nacionalidade ou raça e as mulheres estão saltando nesta rebelião como não se via há muitos anos. Cada um destes segmentos comparece às urnas em quantidade inédita. Os padrões eleitorais. O que revelam os padrões eleitorais? Primeiro, o povo trabalhador em grande medida dividiu seu voto entre Obama, Hillary, Edwards, Kucinich e Richardson. Dizer que Hillary concentrou quase todo o voto operário é simplesmente um erro. Por um motivo: os negros são em sua esmagadora maioria classe operária, e deram seu voto a Obama. E por outro: Obama recebeu a parte do leão do voto operário, no sentido amplo, em muitas primárias e no cômputo geral. Ao mesmo tempo, nota-se que Hillary teve bom desempenho entre os sindicalistas, as mulheres trabalhadoras e os latinos trabalhadores. Segundo, o segmento afro-americano deu um arrasador apoio a Obama. Em quase todas as primárias, cerca de nove em cada dez eleitores afro-americanos votaram nele. Isto se deve não só ao compreensível orgulho pela possibilidade de eleger pela primeira vez um presidente negro, mas também porque Obama representaria os seus interesses, uniria nosso país e o introduziria em uma nova era de eqüidade, justiça e paz. Terceiro, muitas mulheres apoiaram Hillary, embora as mais jovens, e as afro-americanas de todas as idades, tendam a votar em Barak. Mas o realmente notável é a massiva afluência de mulheres de todas as nacionalidades, raças e condições sociais. Quarto, muitos brancos, homens e mulheres, votaram em um afro-americano. Isto pode ser o aspecto isolado mais notável, por menos que tenha sido destacado na mídia. Na verdade, pelo que se noticia parece que Obama está em primeiro lugar exclusivamente com base no voto negro. Mas qualquer um que reflita sobre o tema sabe que isso é falso. Obama venceu em vários estados com reduzida população afro-americana, e saiu-se bem em estados sulistas, especialmente a Virgínia, com o voto da maioria dos eleitores brancos. Mais: os milhões de brancos que votaram em Obama o fizeram porque gostaram dele – de seu jeito, seu estilo, sua oposição à guerra, sua preocupação com a marmita, sua habilidade de unificar nosso país atravessando as divisas raciais e outras, sua novidade, sua juventude. Quinto, o voto latino foi majoritariamente para Hillary Clinton. Porém o mais impactante foi o crescimento do voto latino nas primárias democratas de 2008. Sua percentagem no total passou de 10%, enquanto nas eleições gerais de 2004 ela foi de 6,7%. Na Califórnia, a fatia latina dos votantes das primárias democratas chegou a 30%, contra 16% em 2004; no Texas, 32%, contra 24%. Mudanças semelhantes ocorreram nos demais estados do sudoeste. Também notável é que a participação dos latinos nas primárias é de 78% para o Partido Democrata e 22% para o Republicano, quando em 2004 a relação era 63% e 37%. As implicações são óbvias: o voto latino é uma parte essencial e crescente do esforço mais amplo para obter uma esmagadora vitória sobre a direita em novembro. Sexto, os votos dos jovens e os dos idosos seguiram direções distintas, com a juventude apoiando entusiasticamente Obama e os mais velhos, exceto os negros, votando em Hillary. Isso não é difícil de explicar: os mais idosos preferem um candidato conhecido, como Hillary. Obama, em contraste, é um recém-chegado. O fenômeno Obama A mais clara expressão deste movimento em curso gira em torno da candidatura de Barak Obama, cuja inspiradora mensagem política cativou a imaginação de milhões. A tal ponto que muitos comentaristas e políticos usam as palavras "transformacional" ou "transformador" para descrever a candidatura – por sua capacidade de reunir uma ampla maioria popular para reconfigurar de modo fundamental os termos e o terreno da política neste país. A campanha de Obama não só trouxe novas forças para este processo. Também as catalisou em novos formatos organizativos. A onda em torno da candidatura Obama, enquanto principal corrente da primária democrata, tem muito de espontânea. Mas o que a diferencia é que dá a impressão de "um movimento". Seu apoiadores enxergam em Obama alguém que não traz a bagagem da velha geração de políticos e que fala o que eles desejam ouvir. Tenho ouvido comentaristas políticos dizerem que a obamamania não possui um programa político definido, carece de coerência organizativa e não dá garantias de que continuará para além do dia da eleição. Ao ouvir essas observações, pergunto-me: onde alguém poderia pensar que este movimento em curso, com alguns meses de vida, poderia ser como uma máquina bem azeitada? Qualquer um com senso de história sabe que os movimentos, ao nascerem e às vezes mesmo mais tarde, não são nem nítidos e nem ordeiros. Os modelos ideais nunca encontram representação concreta na vida real. Ainda que este movimento tenha sua dinâmica própria, ele é inseparável da personalidade e do perfil político de Barak Obama. Embora não seja um candidato da esquerda, ou alguém que endossemos – nós [do PCEUA] não endossamos candidatos ou partidos –, é, sim, uma novidade na cena política. Seus conceitos estratégicos e táticos são de amplo espectro e sua política olha para adiante. Seu chamamento à mudança ressoa em milhões de pessoas. E seu desejo de superar as divisões entre negros e brancos, negros e pardos, brancos e não-brancos, estado vermelho e estado azul [as cores dos partidos Republicano e Democrata], imigrante e nativo, cristão e muçulmano, muçulmano e judeu, colarinho azul e colarinho branco [trabalhador da produção e de escritório], homem e mulher, gay e hetero, urbano e rural, tocou uma profunda corda entre os americanos. Após três décadas de ácido rancor e divisão, as pessoas se sensibilizam com um país mais cordato, mais gentil e justo. No papel, é verdade que algumas posições de Hillary Clinton, para não mencionar as de Edwards e Kucinich [postulantes democratas à esquerda] são melhores que as de Obama. Mas em muitos sentidos os compromissos políticos e plataformas partidárias não são o principal para se julgar o potencial de um candidato presidencial ou sua aptidão de mudança. Isso seria olhar a política com excessiva estreiteza. Olhar as coisas assim não leva em conta quem pode unir e inspirar essa rebelião massiva, ou quem consegue articular uma visão moral e política para dezenas de milhões, ou quem possui a capacidade de reunir maiorias políticas no período pós-eleitoral, ou quem tem a habilidade para obter uma arrasadora vitória sobre McCain e os republicanos em novembro. Nessa contagem a vantagem vai para Obama, aos olhos de muitos eleitores. Isso não significa dizer que Hillary não seria um duro adversário para McCain. Seria. Nem implica em sugerir que ela não pode vencer. Pode. Mas seria bem mais difícil.Eu também suspeito que Hillary governaria à esquerda do que foi a administração Bill Clinton, em grande medida porque agora as condições e as expectativas são diferentes. Porém já escutei coisas assim: Obama não é um político burguês? Não conseguiu um monte de dinheiro de Wall Street? Não é um centrista e uma cria do Partido Democrata? Todas essas assertivas merecem ser discutidas, mas nenhuma pode ser facilmente respondida com um sim ou um não. E ainda que pudessem, isso não nos diria necessariamente quem é Obama, com que o seu governo se pareceria e como interagiria com o amplo trabalho que o movimento popular conduz. Conceito de classe dinâmico e aberto Com certeza não queremos dispensar categorias como classe e luta de classe, mas também não queremos fazer delas conceitos petrificados e sem vida. Classe e luta de classe devem ser entendidos como processos dinâmicos e categorias não rotuláveis e não simplesmente como uma relação com os meios de produção que inevitavelmente conduz à luta e à consciência de classe. Devidamente empregada, a categoria classe fornece-nos a chave para atitudes, tendências, predisposições e comportamentos dos atores políticos, de um indivíduo ou grupo social. Mas não enquadra estes mesmos atores em concepções de mundo e linhas de ação irrevogáveis. Usá-la isolada dos processos políticos, econômicos e culturais mais amplos é converter o marxismo em um dogma. Caso se colocasse apenas perguntas concebidas com estreiteza, caso desconsiderasse a fluidez do terreno da política, a lógica de conjunto do combate e a facilidade com que os indivíduos mudam em momentos assim, o movimento popular se isolaria de espaços e oportunidades para obter vitórias históricas em um momento dado. Empregar uma tal metodologia hoje em relação a Obama acarretaria este perigo. Luta pela unidade Por bastante tempo os apoiadores de Hillary e Obama têm dito sem ambigüidades que cerrarão fileiras em torno do candidato escolhido. Partindo do princípio de que isso ocorra, é fácil imaginar a formação de um movimento eleitoral com sentido e profundidade sem igual no século 20. Uma formação política com bases tão amplas tem condições para infligir uma esmagadora derrota em McCain e no Partido Republicano, assim como para abrir um novo caminho. Contudo, ainda não está dado que isso vai acontecer. Para não falar do papel divisionista da direita, algumas tensões irromperam na contestação da primária democrata, abrindo espaço para que os simpatizantes de cada pretendente migrem para o opositor caso o seu preferido não seja o candidato. Ao mesmo tempo, preconceitos de raça e de gênero não estiveram ausentes nas primárias. Isso deve ser reconhecido e rejeitado com vigor, para que não encontrem espaço neste momento excepcional da vida política de nossa nação. Era de se esperar que nossos adversários políticos da direita iriam exacerbar as tensões raciais e de gênero. Mas o surpreendente é que gente que se pensaria estar do nosso lado use táticas semelhantes, quando não idênticas, como a campanha Hillary Clinton tem feito nas primárias [Sam Webb cita aqui alguns exemplos do que considera "comentários com subtexto racial"]. A campanha Hillary parece não entender o que está em jogo nesta eleição. Está jogando um jogo perigoso. Os simpatizantes de ambos os campos deviam insistir energicamente na rejeição dessa tentativa cada vez mais transparente de polarizar o eleitorado conforme padrões raciais. Caso não tenha resposta, isso poderia converter um momento de oportunidade e vitória numa amarga derrota, com toda a desmoralização, divisão e abuso verbal que inevitavelmente se seguiriam. Nós não podemos silenciar. Acomodar-se com a discórdia racial e de gênero, em nome da unidade, não é um comportamento comunista. Nossa estratégia política é derrotar decisivamente a direita nesta eleição. Apenas um movimento unido pode fazê-lo. O papel da mídia A mídia também está amplificando essas fissuras nas primárias democratas. Primeiro, parecia haver uma quadrilha midiática, usando formas sutis ou frontais de marxismo para menosprezar Hillary Clinton e sua candidatura. Nos últimos meses, quando a campanha de Obama inesperadamente tomou a dianteira e um movimento emergiu no contexto de sua candidatura, o foco da mídia, especialmente a direitista, é desprestigiá-la [seguem-se alguns exemplos]. Parece-me que setores da classe dominante e dos democratas de direita anseiam por reduzir a estatura de Obama por temerem que sua candidatura e sua mensagem não apenas o conduzam à Casa Branca, mas também ponham em movimento um processo que vá muito além de qualquer coisa que eles tolerem confortavelmente. Alguns setores da classe dominante preferem McCain, outros Hillary Clinton e outros ainda Obama, mas algo que desgosta a todos eles é uma vitória arrasadora. Aos olhos deles, Obama mais provavelmente que Hillary poderia vencer por uma larga margem.Dada a crise econômica em aprofundamento e a crescente exigência de ação federal, esses patifes do dinheiro e do poder temem o clamor público por um novo New Deal ["Novo Acordo", nome da política de Franklin Roosevelt para enfrentar a crise dos anos 30]. Perdem o sono com as demandas populares de uma nova regulamentação da economia e democratização do Estado. Incomodam-se com as expectativas das massas, de reformas políticas e econômicas em profundidade. A guerra e a economia Sé é que existe uma perfeita tempestade econômica, eu diria que estamos próximos dela. [...]. E, depois de alguns indiscutíveis êxitos no inchaço do poder, prestígio, riqueza e lucratividade do imperialismo americano (facilitados pela dissolução da União Soviética), agora parece que essa contra-ofensiva está tropeçando, se é que não chegou a um ponto de exaustão. Os limites do militarismo são evidentes. A crise econômica e as contrações se intensificam. Novas configurações do poder econômico ganham força. E novos movimentos de oposição eclodem em muitas regiões do mundo, assim como no coração do imperialismo. No curso do debate eleitoral, por postos de trabalho, auxílio desemprego, moratória para as hipotecas residenciais, um programa maciço de infraestrutura, uma política industrial e urbana, correção ambiental, produção energética alternativa e a regulamentação das instituições financeiras e fluxos de capitais, poderíamos também unir movimentos e combates lutando por soluções imediatas. O mesmo pode ser dito do movimento pela paz, que continua a pressionar por uma rápida retirada do Iraque. Dezenas de milhões de americanos dizem que se gastou sangue e dinheiro demais e é hora de chamar as tropas de volta, acabando com a ocupação. A janela para por fim à guerra hoje está aberta, mas requer que todas as pessoas amantes da paz e o movimento antibelicista se dêem as mãos para derrotar decisivamente McCain em novembro. O que é preciso para vencer A conquista da presidência e do Congresso com uma boa margem é possível. Mas admitimos que não será fácil. Podemos esperar [da parte de McCain e da direita republicana] a mais suja campanha de que tem memória. No entanto, o vento sopra a favor do movimento popular e do Partido Democrata. A posição do público está mudando em um sentido progressista e democratizante. A energia e o entusiasmo nas bases são palpáveis. O comparecimento de eleitores do lado democrata sobrepuja o dos republicanos. O sentimento anti-corporações é forte. A não ser que haja uma debacle daqui para a Convenção, os democratas e o movimento popular em seu sentido amplo têm condições de se unificar em torno do nome que for escolhido. Portanto, uma vitória esmagadora em novembro está ao nosso alcance. Mas isso não depende apenas do candidato, mas também da iniciativa e energia das principais forças do movimento popular. Estas forças impulsionaram as primárias. Na mesma medida ou mais, impulsionarão a luta para derrotar McCain e os republicanos em novembro. É com estas forças e suas organizações principais que o movimento de esquerda e progressista deve se posicionar. Afinal, ele atinge, influencia e mobiliza dezenas de milhões. Ao mesmo tempo, novas formas de organização continuarão a emergir, especialmente caso Obama seja escolhido candidato. Como nas últimas eleições, a classe operária e o movimento trabalhista arregaçarão as mangas para a batalha do voto. Quantias inéditas de dinheiro foram coletadas. Um número sem precedentes de sindicalistas será mobilizado. Uma quantidade recorde de sedes sindicais servirá à mobilização, e assim por diante [Webb fornece aqui alguns exemplos de iniciativas sindical-eleitorais já em curso, como a campanha da AFL-CIO "McCain às claras" e os "Esquadrões da Verdade". A tática política nas novas condições O objetivo da tática é tornar efetiva a nossa estratégia política. Neste momento, nossa tarefa estratégica é contribuir com a rebelião popular com a missão de obter uma arrasadora vitória sobre McCain e os republicanos em novembro. Isto coloca a questão: por que dar tanta importância a derrotar os republicanos por uma margem esmagadora? É a margem de supremacia que dá amplitude ao movimento, para não falar do estímulo ao novo presidente e aos democratas progressistas no período pós-eleitoral. As experiências históricas de 1936 e 1964 evidenciam este fato. É a margem de supremacia que desloca a correlação de forças de classe e sociais no país, decisivamente, em favor do movimento popular. É ela que embaraça e desarvora a direita. Numa palavra, uma vitória esmagadora é o resultado que abre o caminho para o movimento popular liderado pelos trabalhadores transitar para um novo estágio da luta, onde as corporações transnacionais sejam identificadas como o principal obstáculo à paz, igualdade, segurança econômica e democracia. Em contraste, uma vitória democrata por margem estreita dificultará o avanço em todos estes sentidos. Vedará as aberturas e oportunidades para reestruturar o campo da política e da luta de classe. Nada me irrita mais que as pessoas de esquerdas que declaram não poder apoiar Obama ou Hillary porque nenhum dos dois abraça posições consistentemente de esquerda. Por que o fariam? Eles não são candidatos da esquerda e portanto não o farão. Ambos esperam ser o candidato de uma ampla, diversificada, frouxa e ondulante coalizão eleitoral. mesmo que estejamos nos seus calcanhares, não estou certo de que venham a estruturar esse programa estritamente de esquerda. Na verdade, penso que a esquerda e as forças progressistas que tenham sensibilidade deviam permitir-lhes um pouco de jogo de cintura. O objetivo desta eleição não é eleger um candidato presidencial da esquerda ou um Congresso de esquerda. Isto não é possível neste momento. Gostaríamos que fosse, mas no espírito do marxismo os objetivos devem se basear na realidade concreta, não em desejos, não em fantasias que podem te lisonjear momentaneamente mas no final te deixam vencido. A realidade atual é a seguinte: a direita dominou a cena política durante três décadas; a tarefa do movimento popular é desalojá-la do poder e criar um terreno político mais favorável para dezenas de milhões de pessoas lutarem, vencerem e seguirem avante. Nas circunstâncias presentes, o único caminho para fazer isto é a coalizão que se forma para eleger um presidente do Partido Democrata e incrementar a maioria democrata no Congresso. Nem todos vêem as coisas assim. Alguns dizem que a tarefa é romper com o Partido Democrata. O único problema dessa tática é que as dezenas de milhões, inclusive todas as forças essenciais do movimento popular, não mostram interesse por ela.Outros dizem que os democratas são duvidosos e não devemos confiar que aplicarão políticas progressistas caso vençam. Mas uma vitória esmagadora não criará uma dinâmica mais favorável? Outros ainda, nas fileiras progressistas e de esquerda, parecem tão envolvidos em suas nuances específicas, quanto às estratégias internas e externas para o day after da eleição, que perdem de vista a tarefa prática de vencê-la. Por interessante que seja essa especulação, deve-se dizer que o day after não servirá de nada se não vencermos no dia da eleição. Por fim, há os que dizem que o papel do movimento de esquerda e progressista é dirigir o debate e elevá-lo. Aos seus olhos, o foco principal seria pressionar Obama ou Hillary no sentido da esquerda, nesse ou naquele tema – o Iraque, a Palestina e Israel, a saúde pública, o impeachment. Eu gostaria de dizer que concordo com essa tática, mas, francamente, discordo, por um motivo: as forças de esquerda e progressistas são pequenas demais para conduzir o debate. Os candidatos, a mídia e o povo americano já o estão conduzindo. A esquerda e os progressistas deviam se somar a ele, trazendo as suas posições programáticas. Sim, devemos apresentar saídas e posições mais avançadas no processo eleitoral e não seguir a reboque da plataforma do Partido Democrata. Mas devemos fazê-lo dentro do contexto da tarefa principal, de derrotar a direita – não tanto para influir nas posições dos candidatos, mas para mobilizar o povo, impulsionar o comparecimento no dia da eleição e iniciar o processo de balizar a agenda política pós-eleitoral. Nosso papel Nosso papel nesta eleição é simples: participar e fornecer uma liderança para a tempestade que se avizinha e cujas ondas se encapelarão em novembro. O maior perigo para nós é subestimar esta possibilidade, em ambos os sentidos. Eu não chegaria a dizer que as oportunidades para construir o movimento e o partido sejam ilimitadas, mas elas cresceram imensamente. São condições muito mais favoráveis que as que temos tido há um bom tempo. Confrontemo-nos com o seguinte: o movimento está surgindo; e nossas idéias já não são tão radicais, estão migrando para o main stream, devemos fazer o mesmo. A principal questão que precisamos discutir agora é: como cada organização de base [do PCEUA] deve se movimentar mais depressa e avançar mais? Como nos ligarmos à juventude que ingressa em massa na arena eleitoral? Como aprofundar nossas conexões com os trabalhadores, os americanos oprimidos racial e nacionalmente, as mulheres, os idosos, ps movimentos pela paz, ambientais e estudantis? Como elevar nossa visibilidade, como construir o partido e sua imprensa? Conclusão Os próximos nove meses são uma oportunidade única. Temos que atuar sobre esta base e levar esta mesma mensagem a cada pessoa que encontrarmos. Quando chegar o Ano Novo, é possível visualizar que o gorila do extremismo de direita já não esteja nas costas do povo americano e dos povos do mundo; que um movimento de enormes proporções tenha se imposto; e que o capital tenha minguado qualitativamente na balança de poder em nossa nação. Neste caso – e penso que assim será –, além de saudar o Ano Novo com uma taça de champanhe, uma caneca de cerveja ou uma dose de uísque, poderemos voltar nossa atenção para o trabalho de traduzir uma histórica e esmagadora vitória em termos de agenda legislativa popular."

16 de abril de 2008

Como age o PIG - Partido da Imprensa Golpista

Um comentário:
Leia o texto de Igor Romanov, do Blog Coxidaponte:
Romanov: o verde da blogosfera violentou o esgoto do PIG
"Lendo um post do Eduardo Guimarães, em seu necessário e impagável blog Cidadania.com, ocorreu-me a idéia de escrever este post. Lá em seu blog, Eduardo revela os ataques que a blogosfera vem sofrendo dos veículos e de agentes midiáticos vinculados ao PIG (Partido da Imprensa Golpista).
O último deles veio desferido por um assessor da vereadora paulistana Soninha (uma que era do PT e se bandeou para o PPS), um rapaz equivocado que se esconde sob o sugestivo pseudônimo de Gravataí Merengue (seja lá o diabo que isso signifique). Mas por que os ataques virulentos à Blogosfera? O que os move nessa diabólica e mefistotélica cruzada do Mal contra o Bem? Descartando teorias conspiratórias e teses diversas, vou logo ao cerne da questão: A Blogosfera retirou do PIG o poder que o PIG tinha de: eleger governos, de derrubar governos, de construir e demolir mitos políticos, de manipular desavergonhadamente a notícia e torcê-la em seu benefício; e de, ao fazer tudo isso, colocar seus agentes nos postos-chaves dos governos, em todas as instâncias, plugando suas ventosas no dorso magro do Estado e sugando, para si e seus agentes, os recursos que deveriam ser aplicados em benefício de todos. Em suma, a Blogosfera está retirando o ar do PIG (o processo é gradual)! Eis aí caros leitores, exposto de forma sucinta e castiça, os reais motivos pelos quais o PIG ataca a Blogosfera! E que, por tabela, são os mesmos motivos pelos quais ataca violentamente o governo Lula. É que Lula, embora de forma inda tímida, promove a inclusão digital, ampliando o acesso dos brasileiros ao computador e à internet banda-larga! Por isso a oposição golpista instrumentaliza o PIG e por ele se deixa instrumentalizar, numa parceria nefasta para prenderem o país e mantê-lo manietado em nome da defesa de privilégios de uma casta de calhordas que sangraram e sangram os recursos do país desde sempre. E nós, a Blogosfera, implodimos essa parceria! Já não mais manipulam impunemente a informação! Já não mais derrubam governos (Lula é um exemplo claro disso: quanto mais o atacam, mais alavanca sua popularidade)! A Blogosfera retirou o véu e a teia de enganos em que eles (oposição e PIG) mantinham a imensa massa de pobres deste país! Por isso, este blog cumprimenta e parabeniza toda a Blogosfera de resistência! Cada um de nós, com seu blog, está ajudando a construir um país mais livre e mais justo!"

15 de abril de 2008

Materialismo Histórico II

Nenhum comentário:
A problemática colocada pela concepção materialista da história, em nossa opinião é válida na atualidade. A busca da compreensão ao mesmo tempo, holística e dinâmica, a percepção da sociedade constituída por sistemas de relações entre os seres humanos, a elaboração de uma história analítica, estrutural, explicativa, eliminando o arraigamento estático da história, se não são contribuições originais do materialismo histórico, são pelo menos, elementos importantes que estruturam seu pensamento e dão uma unidade à teoria. Quanto às críticas de sua superação, devem ser travadas tanto no âmbito acadêmico, quando se tratar de assuntos nessa área, assim como no âmbito político, se essa for a seara do combate. É inerente ao materialismo histórico a discussão em níveis políticos: "A intenção original do materialismo histórico era oferecer fundamentação teórica para se interpretar o mundo a fim de mudá-lo. Isso não era apenas um slogan. Tinha um significado muito preciso. Queria dizer que o marxismo procurava um tipo especial de conhecimento, o único capaz de esclarecer os princípios do movimento histórico e, pelo menos implicitamente, os pontos nos quais a ação política poderia intervir com mais eficácia. O que não significa que o objetivo da teoria marxista fosse a descoberta de um programa “científico” ou de uma técnica de ação política. Ao contrário, o objetivo era oferecer um modo de análise especialmente preparado para se explorar o terreno em que ocorre a ação política." (WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra Capitalismo – a renovação do materialismo histórico. São Paulo: Boitempo, 2003, p.27)
A “intenção original” não era fornecer uma teoria que servisse à História, mas pelo contrário, utilizar-se da ciência histórica para produzir uma teoria que permitisse uma prática política transformadora do mundo. Uma intenção que, se não foi atingida segundo seus críticos, em seus objetivos iniciais, não pode ser negada. Ao analisar as origens do materialismo histórico, em seu conhecido artigo intitulado Marx e a história, Pierre Vilar nos fala desse sentimento que move o historiador marxista:
"Jamais alguém se torna marxista lendo Marx; ou pelo menos, apenas o lendo; mas olhando em volta de si, seguindo o andamento dos debates, observando a realidade e julgando-a: criticamente. É assim também que alguém se torna historiador. E foi assim que Marx se tornou." (VILAR, Pierre. Marx e a História, in: HOBSBAWM, Eric, org. História do Marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 91-126.)