30 de setembro de 2008

Série: objetos históricos

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"O primeiro computador eletromecânico, o chamado Z-1, usava relês e foi construído pelo alemão Konrad Zuse (1910-1995) em 1936. Zuze tentou vendê-lo ao governo para uso militar, mas foi subestimado pelos nazistas, que não se interessaram pela máquina."

Série: objetos históricos

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Máquina de escrever Olivetti Lettera 22.
Rapaz, e eu fiz curso de datilografia....

Entrevista de Hobsbawm

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Fonte: Portal Vermelho. Os grifos são meus. 

"Em entrevista ao sítio Sin Permiso, Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Karl Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão.

Hobsbawm é presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

Leia abaixo a entrevista concedida a Marcello Musto, reproduzida da Agência Carta Maior:

Marcello Musto - Duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. 
Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”. 
Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. 
Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?
Eric Hobsbawm - Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado. Marx previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.

A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto - Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. 
Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?
Eric Hobsbawm - Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.

As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto - Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século 21, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?
Eric Hobsbawm - Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.

Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.

No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.

Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto - Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?
Eric Hobsbawm - Desde o meu ponto de vista, os ''Grundrisse'' provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later).

Marcello Musto - No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século 19, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?
Eric Hobsbawm - Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto - Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?
Eric Hobsbawm - Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século 19 e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século 20. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar."

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

29 de setembro de 2008

Charge de Nani para A Charge Online

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O Equador disse sim. A Rede Globo não gostou.

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O povo do Equador disse sim à nova consituição. Considerada pelo presidente Rafael Correia como uma das pedras fundamentais do "socialismo do século XXI". 
''Profunda, radical e rápida'', baseada em uma ''revolução cidadã'' segundo Correia que afirmou que esta é ''a última oportunidade pacífica'' para que uma história de injustiça e desigualdade seja transformada.

Alguns pontos centrais: 

  • a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável como base dos direitos coletivos, incluindo, sobretudo, os de seus ancestrais e de povos indígenas.

 

  •  a economia coloca o ser humano como centro da atividade do Estado, e apregoa a justiça e a redistribuição de renda como eixo da gestão pública.

 

  •  o papel dos cidadãos como fiadores de todas as ações da Administração estatal e atribui a custódia e o respeito das soberanias nacional ao povo, de forma irrevogável.

 

  • o direito à propriedade privada não foi e sim regulado no âmbito do cumprimento de objetivos sociais.

 

  •  condenação do monopólio e proteção dos direitos coletivos frente aos das empresas.
  • proibição da presença de bases militares de Exércitos estrangeiros e declaração que seu espaço geográficos  é ''território de paz''.
  • a reeleição presidencial seria possível uma só vez.
  •  faculdade de revogação dos mandatos dos cargos de escolha popular, a pedido dos cidadãos. 

Já o PIG - Partido da Imprensa Golpista através de um de seus representantes maiores, a Rede Globo de Televisão noticiou assim a vitória de Correia e do povo equatoriano: "Presidente Correia terá superpoderes".  Esse foi o destaque do Jornal Nacional.

Esclarecedor e informativo para o nosso povo, não? 

 

A KGB tupiniquim

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Do site Conversa Afiada (www.paulohenriqueamorim.com.br): "29/09/2008 10:26 MENDES, O HERÓI DA PÁTRIA: IMPEDIU A CRIAÇÃO DA KGB Paulo Henrique Amorim Máximas e Mínimas 1493
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista “O sol é o melhor desinfetante.” (Autor anônimo) . A Nação estava preocupadíssima, não se falava de outra coisa. . O povo brasileiro estava aterrorizado. . A sovietização era iminente. . Os tanques soviéticos se aproximavam céleres. . Os soldados russos traziam nos dentes as facas dos cossacos. . As mulheres seriam estupradas. . As criancinhas seriam rasgadas pelo ventre em rituais demoníacos e comidas por canibais vestidos com a estrela vermelha no quepe. . As propriedades privadas seriam confiscadas e transformadas numa única empresa, dirigida pelo Gosplan.

. Aí, apareceu o mocinho ! . O herói da Liberdade e da Propriedade ! . Ele veio montado em seu alazão. . Vestia um uniforme caqui de Mussolini e levava o cetro do Imperador. . Chegou Gilmar Mendes ! . Ouvem-se ao fundo os acordes iniciais da Cavalgada das Walquirias. . Mendes, o Herói da Pátria, impediu a criação da KGB ! . Impediu que houvesse uma fusão da Polícia Federal com a Abin. . E isso seria a materialização de “um aparato policial do Estado fora do controle”.
. O que se queria com essa fusão, pergunta o Herói: “Que projeto político se escondia atrás disso ? Era criar o quê ? Uma super Abin e PF ... uma fusão das duas ? Será que foi disso que nos livramos a partir da revelação (por ele, Mendes) desses fatos ? ... (isso) ilumina o projeto institucional que estava por trás disso (a KGB)” !!! . (Sobe som, mais alto, das Walquirias.)
. A Super Abin ! . Uma Super PF ! . Uma fusão das duas ! . O Super Big Brother ! . A KGB revigorada ! . O Herói da Pátria nos livrou da escravidão eterna. . Seriamos esmagados pelas botas dos apparatchik da KGB. . Agora, com a entrada em cena, triunfal, do Herói da Pátria, as criancinhas sairão às ruas com ramos de flores.
. As mães, vestidas de branco, se juntarão a elas, numa sacra procissão pelo Eixo Monumental, para agradecer ao herói da Pátria. . Convenhamos, caro leitor, o Supremo Presidente delira ! . Quem, além dele e de Daniel Dantas, está preocupado com a KGB ? . A desconvocação de Ronaldinho Gaúcho é infinitamente mais palpitante do que esse delírio do Presidente Supremo !
. O delírio é o que se lê na pág A18 da Folha (da Tarde*) de hoje – clique aqui para ler. . Os repórteres foram Felipe Seligman e Andrea Michael (que só não foi em cana, porque o Juiz De Sanctis não deixou. Clique aqui para ler como Michael aparece, “sob encomenda” na Operação Satiagraha).
. Os dois se esqueceram (por que será ?) de perguntar o que os emissários de Mendes faziam num jantar com o advogado de Daniel Dantas, Nelio Machado, no restaurante Shunji, em Brasília, ANTES da prisão de Dantas ? Clique aqui para ler. . Não perguntaram – se esqueceram, caro leitor – por que Mendes mandou uma desembargadora impedir que o Juiz De Sanctis decretasse a prisão de Dantas pela segunda vez. Clique aqui para ler.
. Não, foi uma entrevista do tipo “púlpito”, a 432ª. do Supremo Presidente Gilmar Mendes na semana passada. . Foi uma entrevista que revela, de forma cabal, como os brancos, ricos e de olhos azuis se articularam, com medo, depois da prisão de Dantas. . Mendes é o Herói dessa causa e o Cavaleiro dessa Cruzada. . O Herói da Pátria (dos brancos, ricos e de olhos azuis) !
. (Sobe som intenso, volume máximo das Walquirias.)
Em tempo: na mesma edição da Folha (da Tarde *) há uma entrevista inútil com o diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. O repórter Lucas Ferras se esqueceu de perguntar quando a PF vai entregar, decifrados, ao Juiz De Sanctis e ao Procurador De Grandis, os 12 HDs que o ínclito Delegado Protógenes, numa missão da KGB, achou atrás da parede falsa do apartamento de Daniel Dantas. Não perca o seu tempo, caro leitor, com essa entrevista. Leia uma redondilha de Camões.
(*) Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir. "

28 de setembro de 2008

O lado de cada um.

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Sabemos bem de que lado estão essas pessoas como da Human Rights Watch: do lado dos EUA, do lado do Dalai-Lama e do separatismo do Tibet, do lado dos que invadiram o Iraque...

Direitos humanos?

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Publicado no Portal Vermelho:
"Com sua suposta imparcialidade em direitos humanos, a ONG Human Rights Watch (HRW) se encontra hoje em dia num caminho aberto no rumo da desestabilização política da Venezuela. Em uma tentativa de juntar pontos para o seu arquivo contra projetos progressistas na América Latina, os diretores da HRW protagonizaram há alguns dias, em Caracas, um episódio abertamente provocador contra as instituições do país sul-americano."
Por Roberto Hernández, para a agência Prensa Latina
"As autoridades venezuelanas decidiram expulsar imediatamente o diretor para as Américas da organização, José Miguel Vivanco, e seu colaborador Daniel Wilkinson, por realizar campanha política em violação ao status de turistas vigente em seus passaportes.
Ambos divulgaram um relatório de 300 páginas intitulado ''Uma Década de (presidente Hugo) Chávez'', com o propósito de dar valor a acusações repetidas exaustivamente pela Casa Branca, no qual 'garante' que a institucionalidade democrática havia retrocedido.
Com a apresentação do documento, o observatório — que surgiu em 1978 para desestabilizar a então União Soviética durante a Guerra Fria — revelou que não passa de mais um dos muitos apêndices de ingerência americana.
Sua época de maior influência foi entre 1991 e 1995, quando o observatório era um ardoroso defensor da guerra contra a Iugoslávia, que terminou com a fragmentação daquele país. Tom Malinowski, diretor do Escritório de Washington da HRW, disse que o objetivo de sua organização ''não é acabar com a guerra, é sobretudo mudar a maneira que os exércitos fazem a guerra.''
Entre os diretores da HRW se encontram diplomatas e congressistas dos EUA, membros das antigas equipes de propaganda anti-soviética durante a Guerra Fria, os ex-funcionários da inteligência, grandes empresários mas muitíssimo poucos militantes movimento pelos direitos humanos.
Seu principal financiador é o multimilionário americano de origem húngara, George Soros, que é um dos principais arquitetos da mobilização em massa de recursos que provocaram a crise financeira no México, nos anos 1990.
Mas a principal obsessão da HRW nos últimos anos, sem dúvida, tem sido a Venezuela. No princípio tentou converter-se em analista objetiva do processo de mudanças que afetam o país desde a posse de Chávez em 1999.
Durante o golpe de Estado contra Chávez, em abril de 2002, o tal Observatório de Direitos Humanos começou a perder a sua máscara.
Mais um ano e já não conseguiu esconder suas intenções contrárias ao governo.
Se formos analisar o desempenho desta organização, vemos que dois meses antes do golpe de
Estado ela pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar partido na Venezuela, relembrou o ministro de Comunicação e Informação Andrés Izarra.
''No ano seguinte'', continua o ministro, ''iniciou uma feroz campanha contra a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão, seguindo ordens e os orientações políticas do departamento de Estados dos EUA''.
''Já chega, este governo está determinado a defender a dignidade do povo da Venezuela, para proteger os interesses do país e não permitir que uma nova estratégia de desestabilização, na qual a HRW é uma ferramenta ativa'', disse ele.
Vivanco, hoje em dia um ''ultra-defensor'' dos direitos humanos, foi um diplomata oficial da ditadura de Augusto Pinochet, entre 1986 e 1989, perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Após a chegada da democracia no Chile, em 1990, se desvinculou da função diplomática e fundou o Centro pela Justiça e o Direito Internacional, com sede em Washington.
Desde setembro de 1994 ele trabalha em seu gabinete pela Human Rights Watch, a partir de onde tem sido um feroz opositor de tudo o que cheira a um movimento progressista na região.
Curiosamente, a expulsão em 18 de setembro deste personagem e seu assistente gerou protestos furiosos de vários setores do governo e do parlamento chilenos, o que reforçou a idéia de que ele era parte de uma campanha internacional contra a Venezuela.
A resposta da maioria dos venezuelanos, no entanto, foi um apoio incondicional ao governo, que viu como os cidadãos de Caracas se mobilizaram para lhe dar apoio."

Superação da dependência

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Num mundo em que se utiliza um eufemismo para a palavra capitalismo, onde o mesmo é chamado de globalização, a discussão sobre o tema da independência de um país e no caso, o Brasil é pertinente. O discurso difundido pela grande mídia é o da interdependência entre os países e a inevitabilidade de mudança de rumo em setores estratégicos, tais como o da economia, da preservação ambiental nos moldes que interessam até aos grandes conglomerados financeiros, o da “democracia ocidental” e combate ao terrorismo, entre outros, configurando uma “Nova Ordem Mundial”.
É importante entender nesse processo, uma distinção que é pouco discutida. A distinção entre soberania nacional e independência. A soberania nacional é uma noção jurídica e o Brasil, apesar de toda uma história de vinculação de vários governos aos interesses de países mais poderosos e seus mecanismos internacionais de controle, adquiriu formalmente a soberania nacional com a proclamação de sua independência, em 1822. A partir daquele momento, o país passou a ser gerido por um governo próprio, com uma constituição e instituições que se do ponto de vista prático de nosso povo não atenderam aos seus interesses, do ponto de vista formal, passou a ser reconhecido como nação soberana.
Já a conquista da verdadeira independência do nosso povo virá quando o país superar alguns problemas estruturais como a enorme desigualdade social, a dependência econômica e a dependência tecnológica e científica. Isso não significa isolamento ou exclusão da participação na comunidade de nações. Significa encontrar um caminho próprio, levando em conta as peculiaridades de nossa história e as potencialidades existentes. O que não impede a ajuda e a integração entre os países, tanto do ponto de vista econômico como da solidariedade internacional. Mas não é prudente confundir a integração com a subordinação e unificação forçada que em vários momentos é defendida por setores nacionais vinculados aos interesses das grandes corporações e de países estrangeiros. Integrar-se não é entregar-se, união não significa unificação e independência não significa isolamento. O importante é que tomemos o nosso rumo histórico a partir de nossas próprias decisões.

25 de setembro de 2008

Socialismo Traído

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Publicado originalmente no Portal Vermelho. " 25 DE SETEMBRO DE 2008 - 17h45 Traição ao socialismo foi causa de extinção da URSS
A afirmação foi feita por dois militantes comunistas norte-americanos ao jornal Avante!, do Partido Comunista Português, em entrevista publicada nesta quinta-feira (25), sobre o exaustivo estudo que os dois fizeram em um livro dedicado às causas da derrota do socialismo e à desagregação da URSS, malogro que significou uma perda incalculável para os trabalhadores e povos oprimidos de todo o mundo.
Leia a seguir a íntegra da entrevista.
Roger Keeran e Thomas Kenny são militantes comunistas norte-americanos. Roger é historiador com obra publicada e professor universitário. Thomas é economista. Amigos de longa data, lançaram-se juntos no estudo e aprofundamento das causas que levaram à derrota do socialismo e à desagregação da URSS, malogro que significou uma perda incalculável para os trabalhadores e povos oprimidos de todo o mundo. As reveladoras conclusões a que chegaram estão expostas no seu livro Socialismo Traído, recentemente publicado pelas Edições Avante!
Desde quando e porquê se interessaram pela investigação das causas da derrota do socialismo e do colapso da União Soviética?
Thomas Kenny – Tanto eu como o Roger considerámos os acontecimentos entre 1989 e 1991, o colapso do socialismo europeu, como um desastre titânico. Após 1991 pensámos que a história do socialismo suscitaria o interesse de muitos investigadores e que haveria uma avalanche de publicações sobre o assunto. Mas enganámo-nos, não houve nada, apenas silêncio. Apesar de este não ser o campo de trabalho de nenhum de nós, decidimos especializar-nos nesta área para fazer a investigação, lendo toda a literatura que encontrámos disponível. Trabalhámos durante quatro anos, entre 1991 e 2004, ano em que publicámos o livro nos Estados Unidos com as conclusões do estudo. Mas o que nos levou realmente a tentar determinar as causas do colapso foi o fato de a teoria em que acreditamos não "autorizar" tal situação. O colapso do socialismo estava em contradição com tudo aquilo em que acreditávamos. Nunca pensámos que fosse possível destruir o socialismo, antes pelo contrário acreditávamos firmemente que o socialismo iria desenvolver-se e crescer continuamente.
O materialismo histórico estaria afinal errado?…
TK – Não. Estávamos certos de que, enquanto método, o materialismo histórico permanecia válido, mas interrogámo-nos por que é que nada se disse sobre isto? Precisámos de muitas leituras e mais de um ano e meio até começarmos a identificar algumas peças deste quebra-cabeças e nos darmos conta do peso da chamada "segunda economia" na União Soviética, fator que se revelou decisivo nas nossas conclusões.
Roger Keeran – Nós acreditávamos que o socialismo do século 21 precisava saber o que é que tinha acontecido ao socialismo do século 20. Depois da Revolução de Outubro, o acontecimento mais importante do século 20 foi, talvez, a destruição da União Soviética e do socialismo na Europa.
Existe a idéia de que a perestróika constituiu uma resposta a uma crise econômica, social, política, cultural, ideológica, moral e partidária, consequência de graves deformações ao ideal socialista, de distorções, erros e atrasos acumulados ao longo de muitos anos. Afirma-se que o "modelo" soviético de socialismo havia esgotado as suas potencialidades de desenvolvimento, tornando-se necessário proceder a reformas radicais. Querem comentar?
RK – É natural que perante um passo atrás tão tremendo as pessoas tendam a reagir com exagero na avaliação das suas causas. Não havia crise nenhuma na União Soviética, havia problemas, mas não uma crise…
Mas para a maioria das pessoas é uma evidência de que só uma profunda crise poderia provocar tal catástrofe...
RK – Acho que podemos sintetizar o nosso ponto de vista do seguinte modo: não foi a doença que matou o socialismo mas sim a cura. Ao contrário do que muitos pensam, não havia sinais de uma crise: não havia desemprego, inflação, manifestações, etc. Mas isto não significa que não houvesse problemas. É claro que os havia, principalmente no plano econômico, muito deles agravados no período de Bréjnev, cuja liderança se caracterizou por uma passividade e falta de vontade para enfrentar os problemas. Neste sentido podemos dizer que houve uma espécie de "estagnação", apesar de não gostarmos desta palavra, já que significa ausência de crescimento, o que não corresponde à verdade.
Os problemas econômicos agravaram-se a partir de que altura?
TK – A taxa de crescimento da economia começou a abrandar a partir da época de Khruchov, passando de 10 a 15 por cento ao ano para cinco, quatro e três por cento. Houve uma clara desaceleração, mas continuou a observar-se um crescimento respeitável segundo os padrões capitalistas, o que permitiu elevar continuamente o nível de vida na União Soviética. Em 1985 o nível de vida tinha atingido o seu ponto máximo. No plano das nacionalidades, não se observavam conflitos ou contradições nacionais relevantes entre os povos da União Soviética. Havia problemas, dificuldades, mas não uma crise. No plano internacional, a URSS estava sob pressão do imperialismo norte-americano. A administração Reagan aumentou a pressão militar, econômica e diplomática. Também identificámos problemas no interior do partido que exigiam reformas. Mas a questão principal era outra. "Só com Gorbatchov a direita triunfou"
Se, como afirmam, o socialismo não estava em crise, qual a origem das reformas destruidoras realizadas no final dos anos 80 na URSS?
TK - Ao longo da história da União Soviética digladiaram-se sempre duas tendências na política soviética: uma ala de direita, que defendia a incorporação de formas e idéias capitalistas, e uma ala de esquerda que apostava na luta de classes, num partido comunista forte e na defesa intransigente das posições da classe operária. De resto, encontramos estas duas correntes mesmo antes da revolução de Outubro. Os mencheviques, por um lado, e os bolcheviques por outro. Mais tarde esta luta é polarizada por Bukhárin e Stálin, Khruchov e Mólotov, Bréjnev e Andrópov, Gorbatchov e Ligatchov. Toda a história da URSS pode ser vista à luz da luta entre estas duas correntes. No entanto, só com Gorbatchov a ala direita obteve um triunfo completo.
RK – Bréjnev, com a sua política de estabilidade de quadros e o seu receio de fazer ondas, deixou uma direção extremamente envelhecida e permitiu que se agravassem vários problemas na economia e na sociedade. A carência de alguns produtos, sobretudo os de alta qualidade, o desenvolvimento da "segunda economia", a corrupção de dirigentes do partido, tudo isto desagradava às pessoas. Quando Gorbatchov prometeu resolver estes problemas, quase toda a gente concordou. Parecia que finalmente tinha aparecido alguém com vontade de mudar as coisas para melhor. Todavia, alguns apontam como causas do colapso a degeneração do partido comunista, o fato de o trabalho coletivo ter sido substituído a dada altura por um pequeno círculo de dirigentes e mesmo por um só dirigente individualmente; a democracia partidária ter sido estrangulada por um sistema burocrático centralizado; a indesejável fusão e confusão entre as estruturas do partido e do Estado; o afastamento do partido das massas; o fracasso da democracia socialista que era apresentada como um tipo superior de democracia. De acordo com esta tese, o povo soviético foi despojado do poder político e isso foi fatal para o socialismo. Concordam?
TK - A visão de que a União Soviética sofria de um déficit democrático e de um excesso de centralização está muito espalhada entre socialistas reformistas, sociais-democratas, historiadores burgueses e mesmo entre alguns comunistas, mas, na nossa opinião, é uma visão errada e exagerada dos problemas da democracia soviética. Apesar de alguns problemas, a democracia soviética tinha uma grande vitalidade. Cerca de 35 milhões de trabalhadores participavam diretamente no trabalho dos sovietes, que eram instituições de poder que tomavam decisões efectivas, 163 milhões de trabalhadores estavam sindicalizados, o partido tinha 18 milhões de militantes, a democracia tinha outras instituições como as seções de cartas do leitor em todos os jornais, as organizações de mulheres e de jovens. É verdade que todas estas instituições tinham insuficiências, poderiam funcionar melhor e de forma mais efetiva, mas não é verdade que fossem instituições de fachada. As pessoas que atacaram o nosso livro acreditam, na sua maioria, que a falta de democracia e o excesso de centralização foram as causas do colapso soviético. Curiosamente, este sempre foi o principal argumento da burguesia para difamar o regime soviético muito antes da chegada de Gorbatchov. Na nossa opinião é incorreto acusar a democracia soviética de ter levado ao colapso.
RK – Muitas dessas críticas radicam na concepção burguesa de democracia. Na verdade a União Soviética sempre foi acusada de não ter uma democracia burguesa, de não ter partidos concorrentes. Todavia, as formas de democracia socialista, sem serem perfeitas, eram sob muitos aspectos muito mais ricas do que a democracia burguesa. Penso que o recente conflito na Geórgia nos fornece um exemplo a este respeito. Na antiga União Soviética, a Ossétia do Sul era um território autónomo onde as minorias étnicas tinham as suas escolas, língua, cultura. Após a desagregação da URSS, a "democracia" georgiana aboliu o estatuto de autonomia dos ossetas, o que agravou as tensões e desembocou numa guerra na região.
TK – Houve razões históricas que determinaram que na URSS apenas houvesse um partido. Logo a seguir à revolução os restantes partidos combateram o poder soviético, os socialistas revolucionários abandonaram o governo e tudo isso levou a que apenas ficassem os bolcheviques. A maioria dos países socialistas europeus tinha vários partidos, embora o papel dirigente do partido da classe operária fosse salvaguardado. A existência de um só partido acentuou a idéia de fusão entre o partido e o Estado, mas não vemos que isso possa ter constituído uma causa do colapso.
Mas as insuficiências da democracia soviética não terão impedido o povo de defender as conquistas revolucionárias, a URSS e o socialismo?
TK – Esse é o principal argumento dos que afirmam que havia um déficit democrático. Porque é que o povo não defendeu o socialismo? Perguntam dando como resposta a falta de democracia e o excesso de centralização. Em primeiro lugar, não é verdade que não tenha havido resistência. Houve, basta lembrar que, no referendo de 1991, a maioria esmagadora dos soviéticos (75 por cento) votou a favor da manutenção da URSS. Por outro lado, para percebermos porque é que essa resistência não foi suficientemente forte para derrotar a contra-revolução, temos de ter em conta o seguinte: Gorbatchov e Iákovlev, ao mesmo tempo que prometiam o aperfeiçoamento do socialismo, com mais liberdade e democracia, destruíram num curto espaço de tempo as instituições por meio das quais a base do partido e o povo podiam expressar a sua vontade. A organização do partido foi desmantelada, os jornais e todos os meios de informação foram entregues a anticomunistas. De repente desapareceram os mecanismos e formas habituais de expressão democrática popular. Regressando à economia, ficou-nos da perestróika a idéia de que o excesso de centralização, de planificação e de burocracia foram os causadores dos atrasos no desenvolvimento econômico. Alguns acrescentam que houve uma estatização exagerada da economia, que as diferentes formas de propriedade deveriam ter sido mantidas e que o papel do mercado foi claramente subestimado durante o processo de construção do socialismo. Qual é o vosso ponto de vista?
RK – Penso que temos de começar por fazer a seguinte observação que ninguém contesta: a propriedade social dos meios de produção na União Soviética permitiu os mais rápidos ritmos de crescimento industrial jamais registrados em qualquer época da história. Isso ocorreu nos anos 30, mas também a seguir à guerra até meados dos anos 50. Em quatro ou cinco anos, a União Soviética conseguiu recuperar da devastação provocada pela Segunda Guerra Mundial, que deixou em ruínas um terço das cidades e um terço das indústrias. Por tudo isto, nunca pensámos que a propriedade estatal, a centralização e a planificação pudessem ter causado o colapso. Mas havia algumas questões que precisavam de ser explicadas. Porque é que o crescimento começou a declinar nos anos 60 e 70. A economia continuava a crescer, mas qual era a razão da desaceleração? Os críticos da planificação centralizada viram aqui a demonstração das suas teses…
Talvez as enormes proporções atingidas pela economia colocassem verdadeiros problemas e dificultassem essa planificação?
RK – Sim, é certo que a expansão da economia tornou a planificação numa tarefa mais complexa. Todavia, a conclusão a que chegámos aponta em sentido contrário, ou seja, foi a erosão da planificação e o florescimento da "segunda economia" que colocaram entraves ao crescimento econômico na URSS.
Não foi portanto a subestimação do papel do mercado, mas antes as medidas tomadas para o seu alargamento que desviaram recursos da economia socialista?
TK - Todas as sociedades socialistas têm mercados. A própria União Soviética sempre teve um mercado para o consumo privado. No entanto, as reformas econômicas de Khruchov não só descentralizaram a planificação como introduziram alguns mecanismos de mercado na economia e formas de concorrência entre as empresas. As reformas de Kossiguin [primeiro-ministro da URSS entre 1964 e 1980] traduziram-se em cada vez maiores concessões ao modo de pensar capitalista. Dos cinco institutos mais importantes e influentes de economia política soviéticos, três estavam nas mãos de economistas pró-capitalistas do tipo de Aganbeguian, por exemplo. Os principais setores da inteliguentsia, incluindo os economistas, exerciam importantes pressões sobre o governo. Este foi um processo que se desenvolveu ao longo de 20 anos, não aconteceu tudo de uma vez.
Para alguns a perestróika tinha boas intenções mas falhou. No vosso livro, afirmam que esta foi a grande oportunidade para as forças anti-socialistas avançarem. Qual foi a responsabilidade e que intenções reais teve Gorbatchov em todo este processo?
TK – Apesar das suas posições oportunistas, não pensamos que Gorbatchov tenha agido conscientemente logo de início para trair o socialismo e restaurar o capitalismo. Ao contrário de Andrópov, que era profundo e um marxista-leninista genuíno, Gorbatchov era um brilhante ator, mas uma pessoa superficial, sem grande preparação teórica. Quando se deslocou politicamente para a direita sob a influência de Iákovlev*, descobriu que o imperialismo o aprovava, que os elementos corrompidos do partido concordavam com ele, especialmente aqueles ligados à segunda economia que defendiam o setor privado, e aos poucos foi acelerando as reformas neste sentido. A dado momento Gorbatchov tomou a decisão consciente de que não era mais um comunista, mas um social-democrata, não acreditava mais na planificação, na propriedade social dos meios de produção, no papel da classe operária, na democracia socialista, queria que a União Soviética se transformasse numa Suécia ou algo parecido. O oportunismo, o abandono da luta foi um processo gradual que se tornou evidente em 1986. Alguns dirigentes do partido ofereceram determinada resistência, como foi o caso de Ligatchov*, mas mesmo este tinha fraquezas, embora fosse de longe melhor homem do que Gorbatchov. Ligachov foi apanhado de surpresa. Ele próprio afirmou que havia duas formas de corrupção, uma que há muito todos sabiam que existia, e à qual queriam pôr fim quando assumiram o poder em 1985; e uma outra que surgiu no espaço de um ano e meio como uma forte vaga de pressão, vinda da "segunda economia" e das organizações mafiosas florescentes.
Como puderam esses setores emergir com tal força na sociedade socialista?
TK – A "segunda economia" alcançou uma expressão importante em dois períodos da história da URSS: o primeiro foi durante a Nova Política Econômica (NEP) dos anos 20 que permitiu o desenvolvimento do capitalismo, sob controlo estatal dentro de determinados limites. Esta foi uma opção consciente do Estado socialista tomada provisoriamente para fazer face à situação de emergência causada pela guerra civil. Em 1928-29 a NEP foi superada de forma decidida. No entanto, dirigentes do partido como Bukhárin defenderam a manutenção da NEP apresentando-a como a via mais adequada para alcançar o socialismo. Esta corrente foi derrotada pela maioria do partido liderada por Stálin, que justamente lembrou que a NEP fora definida por Lênin como um recuo necessário, porém temporário. E apostaram na planificação centralizada e na propriedade social dos meios de produção. Mas este período dos anos 20 ficou marcado não só pelo florescimento do capitalismo e dos setores marginais e criminosos, mas também pelo alastramento de uma ideologia de direita, anti-socialista. Ou seja, podemos ver claramente uma correspondência entre a base material e a ideologia. O segundo período foi mais prolongado e gradual. Teve início em meados dos anos 50, após a morte de Stálin. Khruchov foi a primeira peça deste quebra-cabeças. Em muitos aspectos, não todos, teve desvios de direita e quando estes foram demasiados houve uma correção. Veio Bréjnev, mas este detestava mudanças, queria estabilidade, e apesar das disputas entre as alas esquerda e direita os problemas continuaram a acumular-se.
"O socialismo é uma construção consciente"
Foi então o acumular de problemas na época de Bréjnev que condicionou as reformas dos anos 80?
TK – Nos anos 80, os problemas eram evidentes para todos, mas a questão-chave que se colocava era qual das duas tendências tradicionais no partido os iria resolver: a tendência de direita ou a tendência de esquerda?… Infelizmente já conhecemos a resposta…
RK – Mas Bréjnev não teve apenas aspectos negativos. No plano internacional obteve a paridade militar com os Estados Unidos e ajudou os movimentos revolucionários em várias regiões do mundo. Este esforço no plano militar e no plano da solidariedade internacionalista exigiu importantes recursos que não puderam ser utilizados para suprir necessidades domésticas. Talvez também por esta razão que, durante este período, se tenha fechado os olhos ao setor privado ilegal que se desenvolvia nas bordas da economia socialista. Esta espécie de "pacto" com a "segunda economia" permitiu o surgimento de uma camada que ficou conhecida como "os milionários de Bréjnev", que eram pessoas que fizeram fortunas através de redes de corrupção toleradas pelo poder. TK – Bem, trata-se de um setor ilegal, por isso não há números oficiais, o que torna o seu estudo difícil…
RK – Mas é verdade que se trata de um fenômeno ignorado e não reconhecido pela literatura marxista. A "segunda economia" foi sempre vista como um resquício do capitalismo que desapareceria à medida do avanço do socialismo. Contudo, há alguns estudos que nos mostram que o seu peso estava longe de ser negligenciável. Por exemplo, é interessante comparar o período de Bréjnev com os primeiros meses da direção de Andrópov em termos de processos criminais instruídos por atividades econômicas ilícitas. Verificamos que nos anos de Bréjnev não houve praticamente condenações pela prática deste tipo de crime, mesmo quando os casos chegaram a ser julgados em tribunal. Com Andrópov esta situação alterou-se radicalmente. Muitas pessoas foram condenadas nesse período.
No vosso livro, não dedicam muito espaço à análise do chamado "relatório secreto" apresentado ao 20.º congresso do PCUS por Khruchov sobre o "culto à personalidade", mas referem a necessidade de reavaliar o período comumente designado por "stalinismo", notando que enquanto tal não for feito, os comunistas continuarão prisioneiros do passado. Querem explicar?
RK – Quando começámos a escrever o livro essa questão colocou-se e tivemos de tomar uma decisão. Decidimos que não iríamos entrar no tema quente de Stálin. Há muitos preconceitos enraizados e, sobretudo, há muitas coisas que não conhecemos suficientemente para podermos desmontar idéias feitas e diariamente repetidas sobre Stálin. A única coisa que fizemos, ou pelo menos tentámos, foi abrir a porta a este assunto. Nós não temos todas as respostas sobre Stálin e a sua época, e seria um erro pensar que temos. Há muitos aspectos históricos e políticos que precisamos de absorver e compreender.
Contudo, praticamente todas as conquistas do socialismo que enumeram na introdução do livro foram alcançadas em particular durante os anos 30, sob a direção de Stálin…
TK – É um fato, mas tivemos de fazer uma opção entre tratar toda a questão ou apenas o que consideramos ser a questão-chave. Por acaso, a maioria dos ataques ao nosso livro por parte de marxistas ou pseudo-marxistas, sociais-democratas ou comunistas revisionistas centraram-se precisamente na questão de Stálin. Não contestaram nada do que dissemos sobre Gorbatchov nem sobre a "segunda economia", apenas nos censuraram por sermos demasiado brandos com Stálin e por não termos reconhecido que Stálin era um monstro, um louco, um carniceiro. Esta questão no Partido Comunista dos Estados Unidos é particularmente sensível.
Mas se a tese do vosso livro está correta, então as políticas de Stálin terão sido as mais corretas e as únicas que podiam garantir a construção do socialismo e defender as conquistas revolucionárias.
RK – O ódio a Stálin é tão cego e intenso que alguns críticos do nosso livro dizem que estamos errados e insistem que Stálin foi a causa do colapso da URSS.
Vem a propósito uma reflexão vossa sobre a importância do fator subjetivo no socialismo. Segundo afirmam, o papel dos dirigentes é mais decisivo no socialismo do que no capitalismo. Porquê?
TK – O capitalismo cresce enquanto que o socialismo é construído. No livro utilizamos uma metáfora em que comparamos o capitalismo a uma jangada a descer um rio. As possibilidades de dirigir a jangada são reduzidas, ela é arrastada pela força da corrente e apenas se podem fazer algumas pequenas correções na trajetória. Nesta metáfora, o socialismo é um avião, o qual apesar de ser um meio de transporte incomparavelmente superior exige ser pilotado por uma equipa bem preparada científica e tecnologicamente, capaz de compreender e aplicar conscientemente as leis da ciência. Ou seja, apesar de o avião ser um sistema superior é vulnerável num sentido em que a jangada não o é. Isto não significa obviamente que devamos abandonar o avião e voltar à jangada, assim como não podemos voltar ao tempo das cavernas, apesar de as nossas casas poderem ruir. *Alekssandr Iákovlev — responsável a partir de 1985 pelo departamento de propaganda do PCUS, torna-se membro do CC do PCUS em 1986, responsável pelas questões da ideologia, informação e cultura. Sobe ao politburo em junho de 1986 e é sob proposta sua que são nomeados os diretores dos principais jornais e revistas do país que passam a defender abertamente posições antisocialistas (os jornais Moskovskie Novosti, Sovietskskaia Kultura, Izvestia; as revistas Ogoniok, Znamia, Novi Mir, entre outros). Faz publicar uma série de romances de escritores dissidentes e anti-soviéticos, bem como cerca de 30 filmes antes proibidos. Em agosto de 1991 anuncia a decisão de abandonar o PCUS. *Iegor Ligatchov – membro do politburo entre 1985 e 1991, foi um dos impulsionadores da campanha anti-álcool (1985-87) e, mais tarde, assumiu-se como um opositor às reformas de Gorbatchov."

24 de setembro de 2008

Ratzinger condena o consumismo...

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Charge publicada no jornal A Tarde e no site do canal Telesur (Venezuela).

Imagens do Mundo: Moscou

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Pesquisa sobre leitura

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Fonte: Portal Vermelho A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" abrangeu 172 milhões de pessoas (92% da população brasileira) e foi realizada em 2007 pelo Instituto Pró-Livro, com apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros). Alguns dados: "• A média de leitura do país é de 4,7 livros por habitante/ano; 3,4 livros por habitante/ano foram indicados pela escola, freqüentada por 60 milhões de pessoas de todas as idades; 1,3 livros per capita foram lidos fora da escola. • Em algumas regiões, a média de leitura é superior à nacional, como no Sul, onde são lidos 5,5 livros por habitante/ano, e no Sudeste, 4,9. • Conhecimento é o valor mais associado à leitura. Esta percepção aumenta entre os mais velhos. • A leitura é vista como atividade prazerosa, principalmente entre crianças com idade até 10 anos. • Duas em três pessoas não sabem de ninguém que venceu na vida graças à leitura. • Declararam gostar de ler durante o tempo livre 60 milhões de entrevistados (35%). Destes, 38 milhões afirmaram fazê-lo com freqüência. A preferência pela atividade cresce com a renda e a escolaridade. Um terço dos leitores afirma ler freqüentemente; 55% são mulheres. • As revistas são o veículo de leitura preferido da maioria dos entrevistados (52%), seguidas por livros (50%) e jornais (48%). • Entre os gêneros de leitura, a Bíblia figura no topo da lista, com 49% da preferência. • Mulheres lêem mais que homens em quase todos os gêneros; as exceções são História, Política e Ciências Sociais. • Souberam dizer o nome do autor brasileiro que admiram 51% dos leitores (48,5 milhões). Monteiro Lobato foi o mais votado, seguido por Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis. Os quatro juntos receberam quase metade das indicações. • Elegeram a Bíblia como o livro mais marcante — superando em dez vezes o segundo colocado, O Sítio do Pica-pau Amarelo — 59% dos leitores (56,2 milhões). • As mulheres lêem muito mais do que os homens por prazer ou gosto. E também por motivos religiosos. Os homens lêem mais por atualização profissional ou exigência escolar/ acadêmica. • Apesar da obrigatoriedade da leitura nas escolas, é alto o índice de estudantes que dizem ler por prazer ou gosto. • Citaram as mães como a maior influência no hábito da leitura 73% das crianças, especialmente no Norte (59%) e no Nordeste (56%). " Confira na íntegra em: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=43783

A alienação.

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O conceito marxista de alienação é um dos mais complexos e mal intepretados, principalmente por seus detratores. O conceito de alienação de Marx abrange a relação entre os homens em si e em relação à natureza.
István Mészáros na obra A Teoria da Alienação em Marx, aborda a questão. Segundo Mészáros, o conceito de alienação tem quatro aspectos principais:
1- A alienação do homem em relação à natureza - que se expressa na relação do trabalhador com o produto de seu trabalho, ou seja, relação com o mundo sensível exterior, com os objetos. É o "estranhamento da coisa".
2- A alienação de si mesmo - a relação do trabalhador com sua própria atividade. Tal atividade se torna algo alheio. Sendo alheia, não oferece satisfação em si e por si mesma. É o "auto-estranhamento".
3- A alienação enquanto membro da espécie humana - em relação ao seu ser genérico. Ela se relaciona com a concepção de que o trabalho é a objetivação da espécie humana. O trabalho alienado porém, faz "do ser genérico do homem, tanto da natureza quanto da faculdade genérica espiritual dele, um ser estranho a ele, um meio da sua existência individual. Estranha do homem, o seu próprio corpo, assim como a natureza fora dele, tal como a sua essência espiritual, a sua essência humana" (MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004, p. 85).
4- A alienação do homem em relação aos outros homens , conseqüência das anteriores.
São os principais aspectos, segundo Mészáros.

22 de setembro de 2008

Blog do Emir: "O medo à Revolução".

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Postado originalmente no Blog do Emir Sader ( http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=204)
" 05/09/2008 O medo à revolução
Cada vez que alguém de esquerda crê confirmar que sua previsão de que um projeto de esquerda ia dar errado, deu na mosca, sua reação costuma ser de alegria e de auto-congratulação.
“Não disse!” – é a exclamação costumeira. E sai, todo lampeiro, disposto a seguir exercendo suas previsões agourentas.
Estranha reação.
Se a pessoa é de esquerda, deveria torcer para que um projeto de esquerda desse certo.
“Ah”, mas dirá o tipo: “Acontece que já não é de esquerda”, zeloso de que a esquerda é aquela que ele escolheu, que leu nos livros, que sua leitura dos clássicos e dos processos revolucionários – quase todos malogrados, aliás – lhe forneceu.
Pelo menos deveria se sentir derrotado, senão porque o projeto que galvanizou o apoio de tanta gente, que ocupou o lugar da esquerda, fracassou – na sua impávida visão -, mas porque sua corretíssima concepção não conseguiu, uma vez mais, se impor.
Deveria sentir que sua capacidade de convencimento dos que deveriam estar loucos para receber a concepção iluminada, não conseguiu conquistar ninguém ou quase ninguém – apenas a uns poucos iluminados.
Ou, quem sabe, suas idéias não são tão corretas assim.
Mas esta hipótese nem lhe passa pela cabeça, dane-se a realidade e viva suas idéias.Há um tipo de esquerda que enche a boca de prazer a cada tropeço da esquerda, a cada “traição”, que ele bem que avisou que ia se dar.
Basta um cara ganhar, basta um partido triunfar, para que as inevitáveis tentações da corrupção, da burocratização, do aburguesamento, da “traição” de classe – triunfem infalivelmente. É uma questão de tempo – de anos, de meses, de horas, de minutos.
Traíram Mao, Fidel, Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa – nem falar de Lula, de Kirchner, de Tabaré. Fernando Lugo acabou de iniciar a contagem regressiva para o cadafalso da traição que o aguarda, fresquinha, ali na primeira esquina.
O que só prova que quem previu derrotas atrás de derrotas para a esquerda, sempre parece ter razão.
Não seguiram o ideário teórico, segundo o qual a maior radicalização, a leitura estrita do Manifesto Comunista e de O Capital, a aplicação estrita da luta de classe contra classe, a intransigência, a recusa a qualquer tipo de aliança – porta aberta para a capitulação – e deram com os burros n´água.
Bastava seguir.... aliás, que processo mesmo, com essa orientação, deu certo? Nem a Revolução Russa – Lenin já havia capitulado com a NEP, se lembram? – escapa.É toda uma geração que então deveria se sentir derrotada, porque nenhum dos projetos revolucionários deu certo, nenhum seguiu seus sábios ensinamentos.
Mas a derrota – assim como o inferno de Sartre – é a derrota dos outros.
E como dizia Marx da pequena burguesia, ela sai do que deveria ter sido sentido como derrota, impávida, afinal é o povo que ainda não tem amadurecimento ideológico suficiente para entender suas propostas.
São outras tantas manifestações do que Sartre havia chamado de “medo à revolução”, a suas formas heterodoxas, questionadoras das teorias estabelecidas, “contra O Capital”, como disse Gramsci da Revolução Russa.
Ou medo dos processos concretos - já que a verdade sempre é concreta - de ter que decifrá-los na sua complexidade, nas suas contradições e nas suas novidades.
Mais fácil relegá-los todos à noite dos gatos pardos dos processos fracassados, porque não correspondem à teoria ou à visão dogmática da teoria, aquela que nunca compreendeu que o que há de ortodoxo na dialética – segundo Lukacs – é o método.
Do que se trata é de exercer criativamente a análise da realidade, ao invés de reduzir a realidade a supostos princípios, teorias petrificadas, dogmas que dão conta não da realidade, mas das concepções petrificadas dos que as assumem.
Postado por Emir Sader às 17:49"

Ápice do lulismo.

Um comentário:
O lulismo chega ao ápice. E o presidente Lula ao máximo de popularidade até agora. Sem dúvida, o melhor presidente da História. O Brasil está mudando com o presidente Lula.
E se trata muito mais de uma concepção de Lula e de sua corrente que é hegemônica no PT do que uma estratégia petista.
Não se trata do desenvolvimento petista. É muito mais uma política do lulismo, simbiose de social-democracia e desenvolvimentismo.
E está chegando ao ápice de seu projeto histórico. E o partido hegemônico caminha a olhos vistos para o centro. Cabe a nós, a esquerda, ocupar o espaço de esquerda deixado por eles.
E viva o presidente Lula, nosso melhor presidente até hoje. E viva sua política social-democrata que derruba o neoliberalismo subserviente tucano.

Um doce.

Um comentário:
Um doce para quem adivinhar o nome dessa barca:
  • Amnésia seletiva - esquecimento de como chegaram ao comando da barca. Esquecimento de que terão que desembarcar do comando mais tarde.
  • Falta de uma visão estratégica e de planejamento - cada um enfiado no seu canto e tentando resolver seus problemas.
  • Patrimonialismo em alguns setores, desmandos em outros, da jovem embarcação. Muito apego, apego mesmo à lotação na barca.
  • Falta de avaliação das ações. Dizem que autocrítica é coisa para "comunista".
  • Abandono do programa e da rota da barca em pontos essenciais.
  • Inexistência de comunicação entre a tripulação e os passageiros.
  • Falta de unidade nas ações. Unidade na ação e diversidade de pensamento mas com unidade na ação não serve... é mais uma coisa que comunista inventa e chama de "centralismo democrático", "e que só serve pra atrapalhar"...
  • Criação de um verdadeiro e enorme "cavalo de Tróia" com a infiltração e domínio de uma oposição de bombordo que vai ditar uma carta de navegação. E a oposição de estibordo só conspirando...
  • Falta de pulso do capitão da barca. E um(a) imediato (a) que sempre dá um jeito aqui, outro acolá.
  • Marinheiros batendo cabeça e achando cada um que serão o próximo capitão (capitã) da barca.
  • E lá no estaleiro técnico continua a velha guarda a ditar e ditar e ditar e tome nepote pra cá, nepote pra lá...

Um doce para quem adivinhar o nome dessa barca.

Escravidão em Esparta

Um comentário:
Passagem do livro de Tucídedes (IV, 80) que relata acontecimentos de 424 a.C.: “Ao mesmo tempo, havia nisto um pretexto conveniente para enviar para fora os hilotas, pois temia-se uma revolta deles, favorecida pela recente ocupação de Pilos. Não há dúvida alguma que tal medida lhes foi inspirada pela grande quantidade de homens jovens entre os hilotas, pois a conduta dos lacedemônios [espartanos] sempre foi guiada essencialmente por sua desconfiança daqueles. Os lacedemônios [espartanos] pediram-lhes que designassem aqueles que dentre eles que os houvessem melhor ajudado na guerra, dizendo que queriam alforriá-los. Na verdade, era apenas um ardil; eles achavam que aqueles que fossem os primeiros a reivindicar a liberdade por orgulho d’alma seriam igualmente os primeiros a sublevar-se.”
Fonte: (CARDOSO, Ciro F.S. Trabalho compulsório na Antigüidade: ensaio introdutório e coletânea de fontes primárias. Rio de Janeiro: Graal, 2003, p. 131).
Mais um exemplo da relação social da escravidão. Em Esparta, a escravidão era estatizada, os hilotas eram cedidos às famílias espartanas. O texto de Tucídedes relata a estratégia utilizada pelos espartanos para evitar rebeliões. Um exemplo da luta de classes, conceito marxista considerado obsoleto por seus detratores.

19 de setembro de 2008

Charge de Cláudio para o Agora S. Paulo

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Socialismo? Não, ajuda para os ricos...

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Editorial do Portal Vermelho:
19 DE SETEMBRO DE 2008 - 14h47
''Socialismo para os ricos'' nos EUA?
"A crise econômica dos EUA, que se espalha pelo mundo rico, é um desses momentos em que máscaras ideológicas são derrubas, expondo sem subterfúgios as ações dos protagonistas na política, na economia ou nos demais setores da vida humana. Nela, os argumentos sobre o estado mínimo, fora da economia regida pela ''mão invisível'' do mercado, o fim da regulação da economia e a defesa da auto-regulação dos próprios agentes econômicos, caem como uma fila de dominós, abandonados justamente por aqueles que, até agora, foram seus maiores defensores. E que, na crise, clamam pela intervenção salvadora do estado. O sistema financeiro dos Estados Unidos ''está derretendo ante nossos olhos''. Esta opinião não é de algum analista de esquerda, ou anti-neoliberal, mas de um dos principais oráculos conservadores, o comentarista Martin Wolf, que escreve no britânico Financial Times. O governo dos EUA e os bancos centrais dos países ricos já empenharam mais de um trilhão de dólares (quase o PIB brasileiro) para salvar as grandes corretoras de investimento. Hoje, sexta feira, a imprensa informa que o governo dos EUA estuda a criação de uma empresa estatal para absorver os títulos podres, criados justamente pelos gigantescos conglomerados financeiros que agora afundam no pântano do cassino global que eles próprios construíram. Muitos analistas acreditam que, daqui para a frente, os bancos de investimento - esta modalidade ''moderna'' do sistema financeiro, que surgiu na esteira da crise da década de 1930 - terão papel menos vistoso. Há mesmo quem pense num retorno a velhas práticas financeiras onde não havia distinção entre bancos de investimento e bancos comerciais. A diferença é que estes recebem depósitos com que se capitalizam. Os bancos de investimento, não - eles trabalham com emissões, títulos, e o dinheiro dos investidores, e captam recursos no mercado (isto é, endividam-se) para ''alavancar'' seus rendimentos e lucros. Os primeiros tem forte regulação estatal; os segundo, não, e agem livremente. E de forma irresponsável, como a crise vai demonstrando. Há sinais fortes de questionamento da financeirização da economia, até agora apontada pela mídia e pelos porta-vozes do grande capital como uma inexorável nova fase da economia. Martin Wolf fez uma sugestão clara, neste sentido. Ele está entre os que defendem um papel mais discreto para os bancos de investimento e a volta da regulamentação. ''A fé indevida em mercados desregulamentados se revelou uma armadilha'', escreveu em um artigo republicado pelo jornal Valor Econômico. ''Uma maior regulamentação é inevitável'', acredita. Querem a volta de alguma forma de intervenção estatal. Mais forte para alguns, mais atenuada para outros. Esse clamor mereceu um comentário crítico do economista Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York. ''Estão transformando os EUA num país onde há socialismo para os ricos, os bem relacionados e Wall Street, onde os lucros são privatizados e os prejuízos, socializados''. Comentário cujo significado, na verdade, é oposto do que uma leitura superficial pode sugerir. Seu fundamento é um anti-estatismo extremado, típico do pensamento conservador. E esconde a idéia rósea, e falsa, da neutralidade do estado capitalista, pairando acima das classes. Sem perceber uma lição fundamental da crise: o estado capitalista existe para preservar o capitalismo, e sua intervenção na crise tem justamente este sentido. Seu objetivo não é salvar empresas ou capitalistas individuais, mas preservar o sistema capitalista em seu conjunto. Este é o seu papel, que desmente toda a velha parolagem da neutralidade do estado e do afastamento entre política e economia, entre governo e ''mercado''."