10 de dezembro de 2008

O ceticismo histórico.

O ceticismo histórico tão em voga nos dias de hoje é uma das posturas preferidas dos historiadores que estão na onda pós-moderna. Eu que sou um quase moderno porque acredito que nem chegamos à modernidade ainda, fico aqui no meu canto achando estranho e até engraçado a sofreguidão deles que tÊm uma vontade enorme de cair no nada, no individualismo e por fim no niilismo. 
Cito István Mészáros que explica bem esse tipo de postura, a do ceticismo histórico: 
"Assim, o ceticismo histórico, por mais extremo, é absolutamente seletivo em seus diagnósticos e na definição de seus alvos. Pois, se o assunto em questão envolve a possibilidade de vislumbrar transformações estruturais fundamentais, então prega a 'carência de sentido' de nossa situação de apuro e a inelutabilidade da conclusão de que 'se há sentido, ele escapa à nossa percepção'. (...) 
A própria idéia de 'fazer história' é descartada, com franco desdém por todos aqueles que podem ainda aceitá-la, uma vez que a única história que deve ser contemplada é aquela já feita, a qual deve permanecer conosco até o fim dos tempos. (...)
E, finalmente, o resultado irônico de tudo isso no que diz respeito aos historiadores é que também seu próprio empreendimento perde completamente a raison d'être.  Um apuro que eles causam a si mesmos ao tentar destruir o fundamento daqueles que se recusam a abandonar os conceitos intimamente interconectados de 'sujeito histórico',  'fazer história' e 'entender a história', rompendo com isso, necessariamente, também todos os vínculos com os aspectos positivos da tradição filosófica a que pertencem." 
(MÉSZÁROS, István. O desafio e o fardo do tempo histórico: o socialismo no século XXI. São Paulo: Boitempo, 2007, p. 46-47)
A postura dos que adotam essa posição "cética": 
  • evasão programática dos problemas, 
  • pessimismo e ironia no discurso, 
  • ideologia da carência de sentido, 
  • fragmentação da História. 
   

Um comentário:

Pytty Wollkowisky disse...

Muito boa essa visão, mas qual seria a relação entre o ceticismo histórico e os estudos de Nietzsche sobre o conhecimento?