27 de fevereiro de 2009

Desabafo de um paulista.

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Texto de Luiz Carlos Azenha, do site Viomundo: 
 

CHEGA DE PAULISTA!

Atualizado em 26 de fevereiro de 2009 às 17:13 | Publicado em 26 de fevereiro de 2009 às 16:41

RASTREADORES_DE_IMPUREZAS_BOICOTE_GLOBO_NORDESTE.jpg

"Eu sou paulista de Bauru. Estou acostumado ao desprezo da elite paulistana pelos "caipiras".

E, tendo vivido muitos anos em São Paulo, estou acostumado ao desprezo da elite do Sul Maravilha pelos nordestinos.

Um desprezo que ficou bastante em evidência quando Luiza Erundina se elegeu prefeita de São Paulo e, mais ainda, quando Lula chegou à presidência da República.

Nos últimos dias um episódio deixou enfurecidos meus leitores do Nordeste: a pressão que a TV Globo teria exercido para limitar o alcance da TV Diário, do Ceará, afiliada da Globo, que por ser transmitida via satélite para milhões de antenas parabólicas representaria ameaça à audiência da própria Globo, de acordo com denúncia do blogRastreadores de Impurezas.

Um ato que apenas confirma, aos olhos dos meus leitores, o espírito colonizador com que a elite do Sul Maravilha trata o Nordeste.

Esse desprezo intelectual é repetidamente demonstrado pela mídia quando contrata jornalistas "folclóricos" do Nordeste, que se encaixam perfeitamente no estereotipo que a elite do Sudeste tem do nordestino: gente que não é para ser levada a sério.

Para além de uma questão comercial, o episódio mostra o que está errado com a política de comunicação do Brasil, especialmente no que diz respeito à exigência de conteúdo regional para as emissoras de rádio e de televisão.

Mostra também o poder de repercussão da internet, a necessidade urgente da Conferência Nacional de Comunicação e deixa claro que existe um tremendo espaço para o desenvolvimento de conteúdos regionais que acabem de uma vez por todas com o colonialismo interno no país." 

Meu comentário: eu sou carioca. O desprezo contra os nordestinos, contra os nortistas, também existe lá, assim como o preconceito. 

E a Rede Globo é carioca.  Mas os outros canais são paulistas... Todos errados em seu preconceito. 

Chega de preconceito regional. Somos todos brasileiros!  

27 de fevereiro: dia de Dimitrov.

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Saiba porque o dia 27 de fevereiro é o dia de Dimitrov! 
(Fonte: Portal Vermelho)
27/02/ 1933 - Dia do Dimitrov 
 

"O Incêndio do Reichtag inaugura a escalada ditatorial de Hitler. O atentado, a mando de Goering, é imputado a George Dimitrov, da IC, preso junto com 5 mil comunistas alemães. Dimitrov enfrenta a farsa judicial acusando seus acusadores. Termina libertado."

 
  Nazistas incendiaram o parlamento e jogaram a culpa nos comunistas!   Anos mais tarde, o Exército Vermelho fez justiça!  Saudações aos tovarishchs! 

A merenda escolar.

Um comentário:
No Brasil, quem executa o repasse de verbas para a merenda escolar das crianças da escola pública é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).  
O ministério da Educação tem um programa para isso. Se chama Programa Nacional de Alimentação Escolar (pnae). Só em 2009 serão 2,02 bilhões de reais a serem repassados.  Mas quem não presta contas, não pode continuar a receber o dinheiro para a compra da merenda escolar. 
Infelizmente tem prefeito que não presta conta do dinheiro da merenda escolar! Nem disso! 
No estado em que resido, eis a lista das cidades que vão ficar sem o repasse, por não prestarem contas: 
1) Alto Santo
2) Amontada
3) Aratuba
4) Baturité
5) Capistrano
6) Cariús
7) Catunda
8) Coreaú
9) Croatá
10) Farias Brito
11) General Sampaio
12) Granja
13) Granjeiro
14) Ibaretama
15) Ibiapina
16) Irauçuba
17) Madalena
18) Marco
19) Martinópolis
20) Milagres
21) Palmácia
22) Pedra Branca
23) Quiterianópolis
24) Quixeramobim
25) Saboeiro
26) Santana do Cariri
27) São Luis do Curu
28) Tabuleiro do Norte
29) Trairi
30) Ubajara  
As cidades que grifei são relativamente próximas de onde eu resido. 
Ao total, 30 cidades sem repasse de verbas para a merenda por causa da falta de prestação de contas. Nesse período que não receberão o repasse, as prefeituras terão que arcar com as despesas. Depois, se comprovarem os gastos, receberão o dinheiro. 
E no Brasil todo tem 865 cidades na mesma situação. 
Adivinhe para quem vai sobrar o pato? Quem vai ser prejudicado? 
(Fonte: Portal Vermelho) 

19 de fevereiro de 2009

O bolsa-capitalista.

2 comentários:
Falam muito do programa do bolsa-família. Críticas de todos os tipos. Principalmente da "classe média", políticos conservadores e certos intelectuais. 
E sobre o bolsa-capitalista? O que eles dizem? Silêncio quase que absoluto. 
Vejamos um exemplo noticiado no Portal Vermelho. 
"Metalúrgicos contestam demissões em massa na CSN"
"O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Região Sul Fluminense, Renato Soares Ramos, cobrou nesta quarta-feira (18) coerência do governo Lula e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e ''Social''). Renato quer o estabelecimento de critérios para a aprovação de financiamentos do banco estatal, que por sinal em boa medida são lastreados no patrimônio do FAT (o saldo de recursos do FAT no Sistema BNDES era de 116,2 bilhões de reais no final de 2008).
Por Umberto Martins, no Portal CTB
A diretoria do BNDES aprovou financiamento de pelo menos meio bilhão de reais à CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) para investimento no projeto da ferrovia Transnordestina. O empreendimento requer um aporte de capital no valor de R$ 5,4 bilhões, dos quais nada menos que R$ 4,6 bilhões virão de bancos estatais e de fundos regionais de desenvolvimento, ou seja, sairão dos cofres públicos. 
A CSN, controla 71,2% do capital da Transnordestina, está demitindo em massa a pretexto da crise.
Revolta
O financiamento deixou o sindicalista indignado. Em entrevista ao Portal CTB, Renato Soares Ramos considerou inadmissível a transferência de recursos públicos a grandes capitalistas que estão demitindo em massa e não poupou críticas ao empresário Benjamin Steinbruch, presidente do conselho de administração da CSN, que foi privatizada em 1993. ''Se todos os empresários agirem como o Steinbruch a classe trabalhadora brasileira está ferrada'', observou.
O capitalista já demitiu mais de 1300 operários e operárias desde dezembro do ano passado, de acordo com informações do dirigente sindical. O sindicato encaminhou denúncia ao MPT (Ministério Público do Trabalho) em Volta Redonda, que em resposta ajuizou ação civil pública com pedido de tutela antecipada para reintegrar cerca de 590 empregados demitidos em dezembro."  
Eu morei em Volta Redonda muitos anos. Benjamin Steinbruch é um exemplo de capitalista moderno.. 
Capitalismo assim é muito bom... Investimento estatal para ele lucrar e demissão em massa do outro lado.  E depois criticam o bolsa-família. E o bolsa capitalista?

17 de fevereiro de 2009

Karl Marx e Charles Darwin

2 comentários:
Charles Darwin
Karl Marx
Dois homens que viveram no século XIX e que com seu trabalho intelectual provocaram mudanças no mundo. Duas referências importantes. Dois gênios da humanidade. 
Leia a seguir, um texto do jornalista Carlos Pompe sobre os dois. 
Marx, Darwin e a ampliação do saber  (16 de fevereiro de 2009)  
"Gigantes do pensamento do século 19, Karl Marx e Charles Darwin ainda hoje influenciam o modo como analisamos o mundo. Ambos tinham compromissos de classe diferenciados. Marx abraçou a causa socialista e a luta do proletariado. Darwin, integrante da classe dominante inglesa, abastado, investidor em ferrovias, convivendo com o clero e com a aristocracia, evitava os debates políticos públicos. Os dois se respeitavam, contudo, como cientistas que desejavam ''sinceramente a ampliação do saber e, a longo prazo, é certo que isso contribuirá para a felicidade da humanidade'', como escreveu Darwin na sua única carta conhecida endereçada a Marx." 

"Marx leu A Origem das Espécies, de Charles Darwin, em 1860, um ano após a publicação. Em dezembro, escreveu a seu amigo Friedrich Engels que o livro continha ''a base de história natural para nossa visão'' – a teoria do materialismo dialético –, que tinha desfeito a teologia, mas que fora escrito à ''maneira inglesa crua de apresentação''. 

No ano seguinte, comentou com Ferdinand Lassalle, outro socialista alemão, que ''o livro de Darwin é muito importante e me serve de base, na ciência natural, para a luta de classes na história''. Meses depois, em nova carta a Engels, registra uma crítica dessa obra de Darwin, tendo como pressuposto a sociedade vitoriana: ''É notável como Darwin reconhece entre animais e plantas sua sociedade inglesa com sua divisão de trabalho, competição, abertura de novos mercados, 'invenções' e a 'luta pela existência' malthusiana. 

É o 'bellum omnium contra ommnes' (guerra de todos contra todos) de Hobbes, e lembra a Fenomenologia de Hegel onde a sociedade civil é descrita como um 'reino animal e espiritual', enquanto em Darwin o reino animal figura como sociedade civil''.

 

 

Em carta a Ludwig Kugelman, de 1866, Marx comenta que ''em Darwin o progresso é meramente acidental e A Origem das Espécies não rendeu muito ''em relação à história e à política'', embora pudesse ter ''uma tendência socialista inconsciente''. Considera, porém, que tem ''fraqueza de pensamento'' quem queira fazer a história humana depender da expressão darwiniana de ''luta pela sobrevivência''.

 

 

O pensamento econômico que Darwin esposava era o de Malthus (para quem o excesso populacional era a causa de todos os males da sociedade). No Anti-Dühring, Engels aborda a influência do malthusianismo no naturalista: ''Darwin não sonhou sequer em dizer que a origem da ideia da luta pela existência era a teoria de Malthus. O que ele diz é que a sua teoria da luta pela existência é a teoria de Malthus aplicada a todo mundo vegetal e animal. Por maior que fosse o deslize cometido por Darwin de aceitar, na sua ingenuidade, a teoria malthusiana, vê-se logo, a um primeiro exame, que, para se perceber a luta pela existência na natureza – que aparece na contradição entre a multidão inumerável de germes engendrados pela natureza, em sua prodigalidade, e o pequeno número desses germes que podem chegar à maturidade, contradição que, de fato, se resolve em grande parte numa luta, às vezes extremamente cruel, pela existência – não há necessidade das lunetas de Malthus. 

E, assim como a lei que rege o salário conservou o seu valor muito tempo depois de estarem caducos os argumentos malthusianos sobre os quais Ricardo'' (David Ricardo, 1772-1823, inglês, um dos fundadores da ciência econômica – CP) ''a baseava, a luta pela existência pode igualmente ter lugar na natureza sem nenhuma interpretação malthusiana. De resto, os organismos da natureza têm, também eles, as suas leis de população, que estão pouco estudadas, mas cuja descoberta será de importância capital para a teoria do desenvolvimento das espécies. E quem, senão Darwin, deu o impulso decisivo nessa direção?''

 

 

Em 1873, Marx enviou a Darwin, ''da parte de seu sincero admirador'', um exemplar de O Capital, com uma referência ao efeito ''memorável'' da Origem. Darwin leu apenas algumas páginas do livro, mas respondeu: ''Agradeço-lhe por ter-me honrado com a remessa de sua grande obra sobre o capital, e, de todo o coração, gostaria de ser mais digno de recebê-la, tendo uma compreensão melhor do tema profundo e importante da economia política. Conquanto nossos estudos tenham sido muito diferentes, creio que ambos desejamos sinceramente a ampliação do saber e, a longo prazo, é certo que isso contribuirá para a felicidade da humanidade''.

 

 

Ao contrário do que escreveram alguns biógrafos, inclusive Isaac Berlin, Marx nunca esteve para dedicar O Capital a Darwin. A confusão aconteceu porque Darwin enviou carta a Edward B. Aveling (que depois seria genro de Marx) recusando a dedicatória que este, Aveling, faria para ele no folheto Darwin para estudantes, de 1881.

 

 

A teoria da evolução apresentada por Darwin, como toda teoria científica viva, é complementada a aperfeiçoada a cada nova descoberta possibilitada pelos avanços técnicos e científicos. Segundo Martin Gardner, ''a moderna teoria da evolução abrange a genética e todas as outras descobertas importantes da ciência do século 20. Darwin foi um lamarckista que aceitou a hoje abandonada ideia da herança dos traços adquiridos.''

 

 

Avanços e recuos da compreensão do mundo e da luta de classes levaram a que, no século passado, o marxismo deixasse de ser referência para muitos cientistas. Isso se refletiu nos que continuaram na trilha aberta por Darwin de compreensão da natureza, sem a correspondência com a compreensão das vicissitudes da história social. 

Mesmo pensadores progressistas e envolvidos nos debates dos grandes temas do momento, como o darwinista Richard Dawkins, tratam a conduta moral do homem (sua religiosidade, inclusive) como um aspecto da conduta natural, biológica. Desconsideram as classes sociais e a luta e relações que elas travam entre si. As qualidades e defeitos morais seriam instintivos, encontrados tanto nos humanos como nos animais. 

Aliás, Darwin chegou a escrever que os animais experimentam quase todos os sentimentos dos homens, como amor, lealdade etc. Quando muito, esses cientistas, tratam do enfrentamento entre o racionalismo (ciência) e anti-racionalismo (religião, crenças, preconceitos etc.) na sociedade.

 

 

Esta concepção tem a ''fraqueza de pensamento'' apontada pelo pensador alemão. 

Para os materialistas dialéticos e históricos, o homem é criador e transformador da natureza, conhece e conquista a sua própria natureza e transforma a realidade que o cerca. Por isso, a indicação de Marx de apropriar-se das descobertas de Darwin ''para a nossa visão''. 

Daí a compreensão de conjunto apontada por Engels, no discurso diante do túmulo de Marx, em 1883: ''Assim como Darwin descobriu a lei da evolução na natureza humana, Marx descobriu a lei da evolução na história humana''."

16 de fevereiro de 2009

Discurso de Evo Morales

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Um indígena. Socialista. Que se tornou presidente de um país que decidiu dar um basta ao colonialismo e ao sistema que oprime seu povo. Isso é democracia. Assista ao discurso. As palavras falam por si. E ouça um pouco mais do discurso:

Hugo Chavez e a nossa mídia.

2 comentários:
Vejamos como se comportou a mídia "nativa" (será mesmo???)  sobre o referendo na Venezuela e o resultado obtido. 
Comecemos pelas manchetes da mídia corporativa. 
Uma parte dela se assume enquanto defensora do capitalismo, outra parte se diz "imparcial". 
A Folha de São Paulo (Online): "Vitória de Hugo Chavez divide Venezuela; veja repercussão"
O Estado de São Paulo (Estadão): "Chavez ganha direito a reeleições ilimitadas"
O Globo (Online): "Chavez já se lança candidato e diz que resultado consolida o socialismo". 
A "Revista" Veja:  " Vitorioso, Chavez planeja aprofundar as mudanças - Com trinufo confirmado no referendo de domingo, ditador pode retormar sua agenda de reformas socialistas rumo a 'socialismo do século XXI'. Mas crise pode ser obstáculo". 
(Essa Veja não tem jeito... Hugo Chavez é ditador, mas o rei absoluto da Arábia Saudita é líder...)  
A visão da esquerda. 
Do site do jornalista Rodrigo Vianna: "Direto de Caracas: rua é dos chavistas; oposição se refugia na mídia". 
Do site do jornalista Paulo Henrique Amorim:  "Chávez, o mais democrático dos líderes latino-americanos". 
       
Do portal Vermelho: "Venezuela em festa por trinufo em referendo constitucional". 
 Agência Carta Maior: "Vitória de Chavez abre novos desafios para a Venezuela". 
Taí. Aos ideólogos do fim da História e da eternidade da ordem social do capital cabe explicar o que acontece. Esses mesmos ideólogos dizem que não existe mais a dicotomia entre "esquerda" e direita", que os problemas seriam de outra monta. 
Como explicar visões tão distintas sobre o mesmo tema? A gente sabe como eles explicam. O pior é tentarem nos vender a idéia da "imparcialidade", quando os grandes jornalões se esforçam para defenderem seus interesses, mas se arrogando os donos da verdade. O fenômeno da internet permite hoje quem tem acesso a ela, observar uma outra fonte de informação. 
Mas a grande massa tem acesso é ao Jornal Nacional. E assiste o que o editor-chefe, o jornalista William Bonner, decide ser correto. 
Assim é do mesmo jeito quando falam da crise mundial e da "incompetência" do governo Lula em todos os setores, principalmente nesse crise. 
E o povo vai lá e dá 84% de aprovação para o Lula. E as elites tremem de raiva. E olhe que o Lula não é nenhum Chavez ou Evo Morales, ele pega bem leve com esse PIG - Partido da Imprensa Golpista e seus partidos oficiais aliados. 
 
Dois lados, desproporção na força, mas o embate continua.  Doa a que doer. Queiram eles ou não.      
  

15 de fevereiro de 2009

O primeiro mundo nos respeita?

Um comentário:
Berlusconi, primeiro-ministro italiano, um exemplo da direita raivosa. 
A resposta a essa pergunta pode ser dada pelo filósofo italiano Antonio Negri.  Quando um governo de um país do terceiro mundo toma uma medida que desagrada ao governo de um país do primeiro mundo como eles reagem?  Vejamos o que pensa esse italiano.  (Os grifos em negrito são meus) 
"Toni Negri: Itália insulta o Brasil no caso Battisti
A Itália adota uma postura "insultante" com o Brasil no conflito em torno do ex-ativista Cesare Battisti, porque não se trata de um país desenvolvido, e mente quando diz que vivia um Estado de Direito nos anos 70. A análise é do filósofo italiano Antonio Negri, que passou mais de dez anos preso por seu envolvimento com a militância de esquerda na Itália.
Negri é co-autor, com Michael Hardt, do livro "Império", publicado no Brasil em 2001 e umas das obras mais importantes e polêmicas sobre o processo de globalização. Com Giuseppe Cocco, publicou "Global - Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada", em 2005.
Leia a seguir a entrevista realizada pelo Universo On Line (UOL), concedida por Negri via telefone desde Veneza.
UOL - Como o senhor vê a posição da Itália no caso Battisti?
Antonio Negri - A posição italiana é uma posição muito complexa. Como se sabe, o governo italiano é um governo de direita e é um governo que, depois de 30 anos, retomou a perseguição das pessoas que se refugiaram no exterior depois do final dos anos 70, depois do final dos anos nos quais na Itália houve um forte movimento de transformação, de rebelião. E, portanto, o governo italiano retoma hoje uma campanha pela recuperação destas pessoas. Em particular, tentou fazê-lo com a França, para conseguir a extradição de Marina Petrella [condenada por subversão pela justiça italiana] e não conseguiu porque o governo francês, a presidência francesa [Nicolas Sarkozy], impediu. Neste ponto, aparece em um momento exemplar o caso Battisti.
UOL - O que o senhor quer dizer com perseguição? É perigoso neste momento para Battisti retornar à Itália?
Negri - Eu não sei se é perigoso. Mas é certo que ele foi condenado à prisão perpétua e seria para ele uma situação muito grave.
UOL - Um dos motivos que o Brasil cita para manter o refúgio político é a ameaça de perseguição política contra Battisti...
Negri - Mas seguramente ele seria alvo de uma perseguição política e midiática.
UOL - Trata-se, portanto, de um temor com fundamento?
Negri - Veja bem, o governo italiano, depois de 30 anos, quer recuperar, para fazer um exemplo, as pessoas que se refugiaram no exterior. E que se refugiaram no exterior porque na Itália havia uma condição de Justiça que era impossível de aguentar.
UOL - O que significa esse "exemplo"? A punição de Battisti resolveria a questão da violência na Itália nos anos 70?
Negri - Precisamente. Resolveria em dois sentidos: por um lado, se recupera aquilo que eles chamam 'um assassino'; e por outro se esquece aquele que foi um Estado de Exceção, que permitiu a detenção e a prisão preventiva de milhares de pessoas durante estes anos. É necessário recordar que nos anos 70 o limite jurídico da prisão preventiva era fixado em 12 anos. É necessário recordar o uso da tortura e de processos sumários inteiramente construídos sob a palavra de presos aos quais era prometida a liberdade em troca de confissões. Este foi o clima dos anos 70. E não nos esqueçamos que nos anos 70 houve 36 mil detenções, seis mil pessoas foram condenadas e milhares se refugiaram no exterior. E se há quem duvide desses números, e que quer continuar duvidando, basta que deem uma olhada nos relatórios da Anistia Internacional naqueles anos. Portanto, essa é uma questão muito séria. O caso Battisti é, na verdade, um pobre exemplo de uma estrutura, de um sistema no qual a perseguição, insisto na palavra 'perseguição', era acompanhada por enormes escândalos na estrutura política e militar italiana. Houve uma construção, principalmente por meio de uma loja maçônica chamada P2, de uma série de atentados dos quais ainda hoje ninguém sabe quem foram os autores, atentados que deixaram milhares de mortos, por parte da direita. E o governo italiano nunca pediu, por exemplo, que o único condenado por estes atentados seja extraditado do Japão, onde se refugiou. Existe uma desigualdade nas relações que o governo italiano mantém com todos os outros condenados e refugiados de direitas que é maluca. O governo italiano é um governo quase fascista.
UOL - Se houvesse um governo de esquerda na Itália o caso seria o mesmo? [O líder da oposição de centro-esquerda] Romano Prodi faria o mesmo?
Negri - Eu não acredito que Prodi faria o mesmo, mas parte da esquerda faria o mesmo, isso é verdade.
UOL - Como o senhor vê hoje o PAC [Proletários Armados pelo Comunismo, grupo do qual Battisti fazia parte]?
Negri - O PAC era um grupo muito marginal, mas isso não significa que não estivesse dentro do grande movimento pela autonomia. Mas ouça, o problema é esse: eu acho que as coisas das quais foi acusado Battisti são coisas muito graves, mas — e isso me parece importante dizer — estas são responsabilidades compartilhadas por toda a esquerda verdadeira. Não se trata de um caso específico. O Supremo Tribunal Federal do Brasil construiu uma jurisprudência pela qual foram acolhidos outros italianos nas mesmas condições que Battisti.
UOL - E como a Itália deve solucionar esta dívida com o passado?
Negri - Isso deveria ser feito por uma anistia, mas o governo italiano nunca quis caminhar por este terreno. Talvez tudo isso tenha determinado tremendas conseqüências no sistema político italiano, porque foi retirada da história da Itália uma geração ou duas, que poderiam ter conseguido determinar uma retomada política. É uma situação muito dramática. E gostaria de acrescentar uma coisa: o a postura da Itália no confronto com o Brasil a respeito deste tema é uma postura muito insultante.
UOL - Por quê?
Negri - Trata-se de uma pressão feita sobre o Brasil, enquanto um país fraco, depois que os franceses não extraditaram à Itália Marina Petrella. Psicologicamente, trata-se de uma operação política e midiática muito pesada contra o Brasil, na tentativa de restituir a dignidade da Itália, no âmbito da busca de restituir os exilados.
UOL - O senhor acha que as autoridades italianas se sentem especialmente ofendidas pelo fato de a decisão em favor de Battisti vir de um país em desenvolvimento, antiga colônia de um país europeu?
Negri - Seguramente, porque se trata de pobres que reagem contra os ricos, contra os capitalistas.
UOL - O senhor também esteve preso?
Negri - Eu fui detido em 1979 e fiquei na cadeia até 1983, em prisão preventiva, sem processo. Em 1983, houve um eleição parlamentar e eu saí da cadeia porque fui eleito deputado, porque não era ainda condenado. Fiquei preso quatro anos e meio - e poderia ter ficado até 12. Ou seja, quando os italianos dizem que nos anos 70 foi mantido o Estado de Direito, eles mentem. E isso eu digo com absoluta precisão, com base no meu próprio exemplo: fiquei quatro anos e meio em uma prisão de alta segurança, prisão especial, fui massacrado e torturado. Pude deixar a prisão apenas porque fui eleito deputado - do contrário, eu poderia ter ficado na prisão por 12 anos, sem processo. Durante os anos que fiquei na França, exilado, eu fui processado e condenado a 17 anos de prisão, mas que foram reduzidos porque havia uma pressão pública forte em meu favor. Quando voltei para a Itália, fiquei outros seis anos presos e encerrei a questão.
UOL - Quais eram as acusações?
Negri - Associação criminosa, gerenciamento de manifestações que eram violentas nos anos 70, em Milão, em Roma, em toda Itália. Mas a primeira acusação que sofri não era de agitador político, por escrever jornais etc., mas de chefiar as Brigadas Vermelhas, o que não é verdadeiro, e de ter assassinado [Aldo] Moro, acusações das quais fui absolvido depois. Entende? Na Itália se busca desesperadamente fazer valer uma mitologia dos anos 70, que é falsa. E a direita no poder hoje busca a qualquer custo restaurar um clima de falsidade e de intimidação para não permitir que a história seja contada como foi.
UOL - Existem aí semelhanças com o governo militar no Brasil?
Negri - Isso eu não sei, porque acho que os governos militares na América Latina foram particularmente violentos. Mas o problema é outro: a questão é que a liberdade, o Estado de Direito e as regras da democracia não podem ser infringidos ou falsificados em nenhuma situação." 
(Reproduzido a partir do Portal Vermelho)

14 de fevereiro de 2009

13 de fevereiro de 2009

Descaminhos da Índia

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Reproduzido a partir do Portal Vermelho: 

"Convenço-me cada vez mais que Caminho das Índias é o folhetim mais fantasioso — e também desrespeitoso para com outra cultura — jamais produzido pela televisão brasileira. Se existe algum traço de realidade naquela trama, esse traço ficou submerso no sagrado rio Gânges."

 

Por Washington Araújo, no Observatório da Imprensa

"Visitei Nova Déli em dezembro de 1987, quando pude participar da dedicação a Deus e à humanidade do Templo Bahá’í, o belo templo de nove lados na forma de flor de lótus, ladeado por igualmente 9 espelhos d´água. E tenho bem viva na memória a noite do dia 27 de dezembro daquele ano quando ninguém menos que Ravi Shankar, o grande músico e poeta indiano, apresentou a sinfonia especialmente criada por ele para aquela ocasião.

 

São as imagens daquela Índia que vi e vivi que não se casam, nem à força, com a Índia que estou me esforçando para ver e quem sabe vivenciar em nossa telinha mágica que é a TV.

 

Voltando ao folhetim das 8 da noite na TV Globo. Em pouco mais de uma semana que estive em Déli e em Agra, onde fica o Taj Mahal, não encontrei qualquer sinal de opulência, riqueza material, balés artísticos e trajes esvoaçantemente coloridos nas ruas daquelas cidades. Ao contrário, testemunhei muita miséria, pobreza ao cubo, caos no trânsito, multidões se sobrepondo umas às outras. O barulho de buzinas, nas mais variadas tonalidades e em volume sempre muito além do usualmente aceitável, bem caracterizaram qualquer passeio nas ruas de Déli.

 

Claro que existem famílias abastadas, afinal é uma das mais pujantes economias do planeta nessa primeira década do século 21, além de estar na vanguarda da revolução tecnológica, notadamente no campo da informática. Mas assim posto, fica muito difícil ser condescendente com a trama de Glória Perez, diga-se, uma das mais brilhantes autoras de telenovela do Brasil.

 

Padrão farsesco

 

Nessa história há um padrão de farsesco nos detalhes. Chama atenção o destaque dado às superstições e crendices que da forma como são apresentadas parecem derivar da sagrada religião hindu. E isso não é verdade e mesmo, não se sustenta em fatos. Colocar a questão do dote para o casamento de forma folclorizada é um claro nonsense da trama.

 

Um indiano abastado deixar de sair de casa se a primeira imagem que vir ao colocar os olhos na rua for o de uma viúva ou de algum intocável é de rolar de rir. Desfazer uma maldição nupcial casando o personagem com uma bananeira, uma árvore, um animal, é rematada tolice. Não vi nada disso na Índia e se tais costumes e práticas algum dia existiram devem estar ainda enredados na milenar noite dos tempos...

 

Minha perplexidade é tal que me faz imediatamente pensar em um paralelo possível. Imaginemos que produtores de Hollywood resolvessem fazer um seriado de costumes tendo como pano de fundo o Brasil dos dias atuais e então...

 

— colocassem homens vestidos apenas com sungas e mulheres trajando minúsculos biquínis ou apenas aqueles do tipo fio-dental em plena avenida Paulista ou nos arredores da Candelária, na avenida Rio Branco ou entrando no Ministério da Justiça em Brasília?

 

— colocassem pais ensinando os filhos a se precaverem e a temerem a Sucupira, o Saci-Pererê, o Mula-sem-cabeça, o chupacabras, o lobisomem, os ETs de Varginha?

 

— colocassem mulheres baianas vestidas com os vestidos das baianas do acarajé em pleno Teatro Castro Alves e homens com fantasias do bloco Filhos de Gandhi deitando discursos em inaugurações do governo?

 

— colocassem gurus, videntes, pais-de-santo visitando apartamentos de algumas famílias abastadas do Leblon (Rio) ou dos Jardins (SP) para tratar dos dias propícios aos negócios, ajustar casamentos entre famílias e os donos das casas sempre a um passo de se prostarem ante seus pés em sinal de reverência?

 

— colocassem cobras, onças, tamanduás, chimpanzés e multicores araras nas ruas de Belo Horizonte e na Boca Maldita de Curitiba, par a par com os citadinos?

 

— colocassem mães reverentemente ensinando os filhos adolescentes a venerarem Nossa Senhora (da Conceição, de Fátima, de Aparecida, de Lourdes, do Perpétuo Socorro, de Guadalupe, da Anunciação, dos Prazeres, dos Navegantes etc.) e também a galerias dos santos, com São Francisco (de Assis, de Canindé, de Xavier), São João (Batista, do Latrão, de Sena), quem sabe os adoradores da Medalha Milagrosa ou o pequenino Menino Jesus de Praga?

 

— pais, irmãos, filhos, netos, avós de repente e sem mais nem menos, logo após ouvirem uma boa notícia transmitida pelo pai da família, se levantassem para bailar na sala em sinal de vivo contentamento?

 

Esquizofrenia na telinha

 

Daria para acreditar nas situações acima mencionadas? A resposta certamente seria a mesma para essa outra pergunta: daria para acreditar na Índia de Glória Perez?

 

A televisão brasileira vive um particular momento de viva esquizofrenia. Saem de um folhetim pintado com as cores sombrias de páginas policiais, após haver domesticado o ouvido de milhões de brasileiros com o repetitivo tango pós-moderno pontuando aquelas incansáveis animações de abertura para o frenesi multicor da música techno embalado por imagens digitalmente multiplicadas de templos e deuses venerados na Índia e em outros países asiáticos.

 

Neste ponto vejo um profundo desrespeito pelo Sagrado em se tratando daquela particular nação do planeta. Brhama, Vishnu, Krishna, Shiva, Ganesha, são tão sagrados no inconsciente coletivo da raça quanto às aparições do Anjo Gabriel a Maria, a imagem de Jesus e das Nossas Senhoras, o Santo Sudário e a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, a Kaaba dos muçulmanos em Meca, o templo budista de Bohodour na Indonésia, o muro das Lamentações dos judeus na Terra Santa.

 

Ousaríamos misturar essas imagens sacras do cristianismo, judaísmo, budismo e islamismo com o movimento frenético dos passistas do Marquês de Sapucaí e tendo como trilha sonora a nossa bem reputada música carnavalesca?

 

Se existe algo que impede a criação de uma cultura genuína de paz entre todos os seres humanos do planeta é, sem dúvida alguma, a forma grosseira como retratamos o que não entendemos ou o que é diferente de nós. Vale ainda, pois dificilmente prescreverá, a regra de ouro de todas as religiões: não devemos fazer aos outros aquilo que não desejamos que seja feito a nós."

12 de fevereiro de 2009

Tortura neonazista.

3 comentários:
Jovens neonazistas na Suíça torturaram uma brasileira grávida. Três neonazistas atacaram uma pernambucana que vive e trabalha na Suíça, provocaram cortes em seu corpo e fizeram com que ela perdesse o bebê que esperava. 
Não há como entender um ato nazista nem como justificá-lo. Pode-se até explicá-lo. Nazismo é nazismo, vai além da barbárie. 
Mas nessa história há um outro componente grave. Dos neonazistas espera-se a estupidez e a covardia. Mas e a indiferença e o deprezo (segundo a mídia informou) do agente policial suíço que investigou o caso? 
Um cidadão comum, um policial europeu que deu aquele tipo de resposta ao consulado brasileiro? Com aquela indiferença? Qual será a razão? O fato dela ser brasileira? Como a indiferença em relação à uma mulher grávida atacada por nazistas pode se manifestar assim? 
Muitas vezes nossa população pobre sofre com essa mesma indiferença aqui no Brasil.