31 de março de 2009

O golpe do 1º de abril.

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No dia 1º de abril de 1964 os militares efetivaram um golpe elaborado pela direita brasileira, com apoio do governo norte-americano.
Eis o editorial do Jornal "O Globo", do dia 2 de abril de 1964 (os grifos são meus):

"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor."


Profª Salete agradece.

2 comentários:

"Caras(os) Amigas(os),

Venho, por meio desta, AGRADECER, de coração, as inúmeras manifestações de apoio a minha pessoa neste momento difícil de minha vida, em que me sinto ultrajada e ofendida, além de sozinha, longe de casa, de meus familiares e daqueles amigos mais próximos e leais.

A solidão da produção científica aliada à dor e à sensação de momentânea impotência diante de tão absurdo incidente perpetrado covarde e estupidamente por um colega de trabalho contra mim, mexem com meu metabolismo e vem prejudicando minha saúde física e psicológica. No entanto, após o registro policial e o protocolo de pedido de providências junto à Reitoria, sinto alguma esperança de, pelo menos, abrir um canal de diálogo com aqueles a quem este tipo de prática causa indignação.

Por outro lado, como era de se esperar, e como sempre acontece em crimes de ameaça, sobretudo contra mulheres, o agressor agora vem a público tentar me desqualificar e me transformar de vítima em algoz.

Em não podendo negar que telefonou para minha casa, obtendo o meu telefone com pessoa a quem eu estimava como amiga, o referido professor agora constrói sua defesa argumentando que me ligou para ter informações sobre uma conversa de que eu andaria procurando “amigos em comum” para saber se ele “lançava livros para um dia ser reitor.” Disse ele que conversou amistosamente comigo acerca desta questão. Sinto-me duas vezes aviltada. A mentira que este senhor está construindo, com apoio de algumas colegas de departamento, mostram a justeza de minhas palavras escritas no cordel.

Aqueles(as) a quem devo ter atingido ao me reportar a irregularidades, acúmulo de cargos, nepotismo, favoritismo, desvio de verbas e perseguição, certamente estão auxiliando meu agressor na construção de sua insustentável tese de defesa.

Vê-se que o objetivo é me desqualificar e, com isto, apagar o assunto central desta questão: as irregularidades apontadas por mim e olvidadas pelas autoridades que se mantém em silêncio até o momento.

Quanto aos argumentos de que se utiliza o professor Reno - reincidente em ameaças e agressões a outros profissionais da URCA - devo dizer que jamais disputei nada com este colega. Tampouco me preocupo com o que o mesmo anda ou não fazendo academicamente. Até por que eu mesma já o ajudei quando fiz um projeto de curso no qual ele se especializou.

Assim sendo, quem me conhece sabe que não sou de medir competência com colega algum, até porque tenho sido abundantemente coroada de êxito em tudo que faço, seja pessoal ou profissionalmente. É do conhecimento público que fui aprovada em primeiro lugar para lecionar nesta instituição. Como também fui aprovada, em primeiro lugar, para estudar doutorado numa universidade pública, federal, que está entre as 100 melhores do mundo. Todos sabem que faço intercâmbio internacional com a melhor Universidade Pública das Américas, a UNAM e que sou uma professora dedicada e competente.

Ademais disto, tenho ajudado muita gente a obter qualificação, além de engrandecer meu departamento com importantes e inovadores projetos de pesquisa e extensão. Jamais teria razões para disputar qualquer posição com este colega ou outro qualquer da nossa Instituição. Não sou candidata a Reitora ou a qualquer cargo institucional, até por que meu doutorado é demasiado sério e exigente, onde é necessário muito estudo e muita produção a fim de que o seu resultado traga algo de importante para a URCA e o Cariri. TUDO ISTO DESCONSTITUI SEUS ARGUMENTOS.

Sendo assim, reafirmo tudo que narrei na carta, pois tenho provas de tudo o que aconteceu. Esta tentativa de negar o crime praticado demonstra a incapacidade de auto crítica ou retratação.

Chamo a atenção, mais uma vez, para a necessidade de refletirmos sobre AS IRREGULARIDADES PERPETRADAS DENTRO DA URCA, razão maior de tudo o que ora acontece, corroborado pela prática de sujeira e PERSEGUIÇAO. Por fim, ainda que todos capitulem e se acovardem, mais resoluta lutarei, posto que esta tem sido a minha mais nobre vocação.

Abraço amigo e saudações a quem tem coragem!"

Salete Maria

30 de março de 2009

"O mercado absoluto é inviável."

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"Em entrevista para Martin Granovsky,* no jornal argentino Página 12, o historiador britânico Eric Hobsbawm fala da crise atual e de suas possíveis implicações políticas. Para ele, o mundo está entrando em um período de depressão e os grandes riscos, diante da fragilidade da esquerda mundial, são o crescimento da xenofobia e da extrema-direita. Hobsbawm destaca o que está acontecendo na América Latina e elogia o presidente brasileiro. ''É o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil''."
Leia a íntegra no Portal Vermelho.

29 de março de 2009

Operação Castelo de Areia.

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Charge de Lute para o Hoje em Dia. 

Professora da URCA é ameaçada após publicar cordel. Onde isso vai parar?

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A Professora Salete Maria, da URCA, foi ameaçada após divulgar um cordel em que dá a sua opinião sobre a universidade. Onde é que nós vamos parar? Ameaças à liberdade de expressão da professora, incansável lutadora contra a homofobia, a violência contra a mulher e a opressão de classe. É preciso uma resposta enérgica contra essa tentativa de intimidação.
Quero ver se o reitor vai se omitir sobre este assunto também!
Ajude a divulgar.
Leia este triste e revoltante relato:
"AO REITOR DA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI-URCA AOS COLEGAS DE UNIVERSIDADE, AOS MEUS COLEGAS DE DEPARTAMENTO, AOS MEUS ALUNOS E AMIGOS, "Mais que as idéias, são os interesses que separam as pessoas." (Alexis de Tocqueville) A razão deste e-mail é para comunicar um fato por mim reputado como gravíssimo e pedir apoio e solidariedade urgentes. Em face da circulação de um cordel redigido por mim intitulado CARTA ABERTA AO REITOR NO ANIVERSÁRIO DA URCA, onde, apesar de reconhecer alguns avanços desenvolvidos no governo Plácido, chamo a atenção do mesmo para muitas irregularidades existentes em sua gestão, (cordel publicado no meu blog www.cordelirando.blogspot.com, e também remetido para o próprio Reitor, por e-mail e para algumas pessoas amigas); RECEBI HOJE, 28 de março, por volta das 16h 20 min, um telefonema que me deixou estarrecida. Trata-se de uma ligação efetuada pelo professor RENO GONDIM do Departamento de Direito da URCA. O referido professor, com quem sempre tive, até a data de hoje, excelente relação profissional e de amizade, é, atualmente, candidato a chefe do meu departamento. Pois bem. Estou, há mais de dois anos residindo em Salvador para fins de cursar doutorado e este professor nunca me fez um contato, nem por e-mail nem por telefone, sequer, para saber se eu estou bem, se tenho o que comer ou onde morar, já que não disponho de bolsa de estudos. No entanto, na tarde de hoje, creio que após ler o meu cordel, já que fez menção a ele, o referido professor me telefonou para (após certificar-se de que era eu quem havia atendido ao telefone) dizer que ia - palavras dele - ME COMER, ME FODER, ME ESTUPRAR, E EM SEGUIDA ACABAR COMIGO, JÁ QUE ERA ISTO QUE EU MERECIA. Disse ainda o professor que - palavras dele - SE PLACIDO NAO ERA HOMEM PARA FAZER ISTO, ELE ERA... ACRESCENTANDO QUE EU ERA PUTA E SAPATÁO PORQUE ELE AINDA NAO TINHA ME COMIDO(sic). Sem entender o que se passava, eu lhe perguntei se ele estava louco e se por acaso ele tinha praticado alguma irregularidade tão grave que o fizesse se sentir ofendido com minha literatura. Ele disse, aos berros e, aparentemente, muito transtornado, que eu IA PAGAR PELO QUE ESCREVI, falando ainda QUE ACABARIA COMIGO TAO LOGO EU BOTASSE MEUS PÉS NA URCA. Antes que eu desligasse, o referido professor ainda proferiu muitos palavrões e expressões desconexas. Diante de tal situação, liguei imediatamente para a secretária da URCA, Fátima Cabral, a fim de saber se ela deu meu telefone ao professor, uma vez que somente ela e a professora Cileide dispõem do meu número, além de meus familiares, já que estou sem celular. Fátima Cabral me disse que não, mas que iria perguntar a professora Cileide. Eu me lembro que o próprio professor falou no nome de Cileide. Uma vez contactada, esta professora confirmou ter dado o meu telefone pra ele e disse que o mesmo o pediu para "se comunicar comigo”, não informando sobre o quê. Assim, sendo, pretendo fazer um BOLETIM DE OCORRENCIA amanhã cedo, pois já é tarde e a delegacia fica muito longe de onde moro aqui em Salvador. Em face disto, esta carta também se configura como um comunicado formal ao Reitor da URCA, já que o meu cordel, embora em formato de carta aberta, tinha como destinatário o mesmo. Ademais, o professor Reno Gondim me telefonou pretendendo "fazer justiça ao Professor Plácido". Este mesmo documento será endereçado ao Departamento de Direito, a cuja chefia o referido professor concorre como candidato único. Devo lembrar que, ao redigir meu cordel, exercitei minha liberdade de expressão e, como manda a lei e como sempre faço, o assinei, assumindo a responsabilidade por tudo que escrevi, uma vez que tenho como provar tudo que narrei. Deste modo, vale lembrar também que nem no governo de André Herzog, do qual eu era oposição declarada, sofri tamanha PERSEGUIÇAO. Creio que a Universidade como um todo deve repudiar tal conduta, de modo solene e formal. Bem como deve adotar as medidas administrativas cabíveis. Ademais, em breve chego ao Cariri para ministrar aula na pós-graduação. Temo pelo que possa me acontecer. Vou pedir segurança ao coordenador de Curso e vou me acautelar porque penso que esta pessoa é capaz de tudo, uma vez que em lugar de discordar de meus argumentos no campo das idéias, escrever e assinar algo em contrário, opta por fazer terror e promover violência psicológica, por telefone, imaginando que, com isto, calo-me definitivamente. Penso que a conduta deste professor denota e reflete um COMPORTAMENTO AUTORITARIO, PERSEGUIDOR, MACHISTA, HOMOFÓBICO, TRAIÇOEIRO E CRIMINOSO, que não deve ser olvidado nem tampouco relativizado por ninguém. Por outro lado, não entendo sua manifestação, uma vez que eu não o citei e tampouco faço idéia do tipo de ofensa que eventualmente eu o fiz, já que o mesmo não ocupa, ainda, cargo superior neste IES. O que será que o professor Reno pensa que eu sei a respeito dele? Indignada com tal atitude, mas percebendo que ela não é isolada, mas ao contrário, faz parte de uma política de intimidação e perseguição em curso na URCA desde há muito tempo, farei chegar às mãos do Reitor este meu relato. Creio que a Universidade é ambiente de debate e inclusive de discordâncias. Mas as pelejas devem acontecer no campo das idéias, dos pensamentos, dos argumentos, das tomadas de posições. E tem que ser de modo claro, expresso e não sorrateiro. Sinto-me ofendida como pessoa e como profissional que sou. PERSEGUIDA por conta de minhas posições que, na verdade deveriam orgulhar meus pares, já que não compactuo com coisas erradas e tampouco faço vistas grossas para elas. Tenho medo de ir a Faculdade. Mas tenho coragem o suficiente para, diante do meu medo, não recuar, não retroagir, não desistir de lutar por uma URCA, UM CARIRI, UM BRASIL E UM MUNDO MELHOR. Agradeço pela atenção e, caso entendam que mereço, também aceito, de coração, o vosso apoio. Atenciosa e indignadamente, Salete MARIA da Silva"

28 de março de 2009

O PIG e a ditadura militar.

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Texto de Altamiro Borges, no Blog do Miro.

"A mídia e o golpe militar de 1964

O neologismo “ditabranda”, cravado no editorial de 17 de fevereiro da Folha de S.Paulo, serviu para desmascarar este veículo, que vende a imagem publicitária de que é um jornal independente e plural – de “rabo preso com o leitor”. A revisão histórica sobre a sanguinária ditadura militar brasileira custou à Folha um manifesto de repúdio com mais de 8 mil adesões e um emocionante protesto em frente à sua sede com cerca de 500 presentes. Numa manobra marota, o diretor de redação, Otavio Frias Filho, foi obrigado a se retratar, parcialmente, do odioso neologismo.
O forte desgaste na sociedade teve também um alto custo material, o que deve ter apavorado os herdeiros da Famíglia Frias. Segundo revela o blog de Leonardo Sakamoto, “os leitores chiaram. Fontes de dentro do jornal dizem que uma onda de cancelamento de assinaturas teria acendido a luz amarela. Fala-se em perdas de até 2 mil assinantes”. Outro jornalista bem informado sobre os bastidores da mídia, Rodrigo Vianna, informa que “a fuga de leitores teria enfraquecido ainda mais a posição interna de Otavinho. Ele o irmão Luis Frias travam uma guerra pelo comando do grupo desde a morte do pai”. A “retratação” de Otavinho foi uma tentativa de “conter a sangria”.
Os editoriais dos golpistas
O episódio também serviu para relembrar o papel da mídia no período da ditadura. Mas, justiça seja feita, não foi somente o Grupo Folhas que clamou pelo golpe e que deu apoio à ditadura na sua fase mais sombria – de prisões ilegais, torturas, mortes, censura, cassação de parlamentares, fechamento de sindicatos e outras violências. Com a aproximação da fatídica data do golpe, vale citar a conduta de outros veículos privados de comunicação. A postura destes no passado ajuda a entender sua linha editorial reacionária na atualidade. Reproduzimos alguns editoriais da época, coletados pelo jornal Brasil de Fato:
- “Vive a nação dias gloriosos. Porque souberam se unir todos os patriotas [...] para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para os rumos contrários à sua vocação e tradições... Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegem de seus inimigos”. O Globo.
- “Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem... A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas... Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, na desordem social e na corrupção generalizada”. Jornal do Brasil.
- “Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e os chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade”. Jornal O Estado de Minas.
- “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comunos-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr. João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”. Tribuna da Imprensa, na época sob comando do governador golpista Carlos Lacerda.
Fato histórico documentado
Como aponta o professor Venício de Lima, num excelente artigo na Carta Maior, “a participação ativa dos grandes grupos de mídia na derrubada do presidente João Goulart já é um fato histórico fartamente documentado”. Não dá para escondê-lo. Daí a tentativa da Folha e de outros veículos de revisar a história da ditadura e reconstruir o seu significado, inclusive com a criação de novos termos – como “ditabranda”. Ele sugere o livro “1964: A conquista do Estado”, obra clássica de René Dreifuss, para se entender este sombrio período e postura golpista da mídia hegemônica.
“Através das centenas de páginas do livro de Dreifuss o leitor interessado poderá conhecer quem foram os conspiradores e reconstruir detalhadamente suas atividades, articuladas e coordenadas por suas instituições, fartamente financiadas por interesses empresariais nacionais e estrangeiros: o IBAD e o IPES... No que se refere especificamente ao papel dos grupos de mídia, sobressai a ação do GOP, Grupo de Opinião Pública ligado ao IPES e constituído por importantes jornalistas e publicitários. O capítulo VI, sobre ‘a campanha ideológica’, traz ampla lista de livros, folhetos e panfletos publicados pelo IPES e uma relação de jornalistas e colunistas a serviço do golpe”.
Para o professor Venício de Lima, é essencial revisitar esta história, principalmente no momento em que o país debate a democratização da mídia. “Não são poucos os atores envolvidos no golpe de 1964 – ou seus herdeiros – que continuam vivos e ativos. A grande mídia brasileira, apesar de muitas mudanças, continua basicamente controlada pelos mesmos grupos familiares, políticos e empresariais. O mundo mudou, o país mudou. Algumas instituições, porém, continuam presas ao seu passado. Não deve surpreender que eventualmente transpareçam suas verdadeiras posições e compromissos, expressos em editoriais, notas ou, pior do que isso, disfarçados na cobertura jornalística cotidiana. Tudo, é claro, sempre feito ‘em nome e em defesa da democracia”."

27 de março de 2009

A perda da consciência do tempo histórico.

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Em sua obra, O desafio e o fardo do tempo histórico: o socialismo no século XXI. São Paulo: Boitempo, 2007, o filósofo István Mészáros aborda o problema da perda da consciência do tempo histórico.
Para Mészáros, um exame dos desenvolvimentos teóricos do último século e meio revela que a concepção histórica ilustrada da tradição filosófica burguesa deu lugar ao ceticismo e ao pessimismo, cada vez mais difundidos. Todas as conquistas genuínas da tradição do Iluminismo no campo da teoria da história foram completamente subvertidas: no Iluminismo procurou-se traçar uma linha significativa entre a natureza que rodeia o ser humano e o mundo da interação societária produzido pelo homem, para tornar inteligíveis as especificidades, regidas por regras, do desenvolvimento sócio-histórico que emergem da busca dos objetivos humanos.
Levarmos em conta que a difusão do pessimismo e do ceticismo é atuante e desagregadora é o primeiro passo para refutarmos a idéia do presente eterno contida muitas vezes nessas duas posturas.
A História tem um caráter radicalmente ilimitado, onde é repelido todo o desfecho ideológico determinista. Todo processo e estágio específico levado a cabo pela determinação histórica é apenas histórico.
Para o professor Mészáros, houve nas últimas décadas um trinufalismo e a celebração das virtudes míticas de uma sociedade de mercado idealizada. Foi feito um uso propagandístico apologético a que serviu o conceito de um mercado totalmente fictício e o “fim da história” sob a hegemonia nunca mais desafiável dos princípios capitalistas liberais.
Mais eis que a História prega uma peça e insiste em se afirmar e mostrar a todos a que tentativas grosseiras de parar o relógio do tempo são infrutíferas. "Tudo o que é sólido desmancha no ar"não é apenas um slogan.
A aposta na máxima kantiana da "política moral" combinada com a ação de um "espírito comercial" não atingiu o que seus apologistas esperavam.
O ponto de vista do capital é outro, porém, as condições de atuação que se colocam nos dias atuais trazem problemas que se agudizam: irreformabilidade, incontrabilidade e destrutividade.
Alcançar a consciência do tempo histórico em que vivemos é um passo que devemos dar na conquista da plena cidadania.

Assédio Moral.

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Charge de Bruno para o Vale Paraibano.

Cordel da URCA.

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Carta aberta ao reitor no aniversário da URCA

Autora: Salete Maria

Magnífico Reitor

Receba esta cartinha
E dela seja leitor

Na data que se avizinha

Da URCA, o natalício

E “por dever de ofício”

Reflita uma coisinha

A melhor coisa do mundo

É não ter o rabo preso

Não fazer papel imundo

Nem na consciência peso

É poder dizer: “discordo”

Pois quanto mais cedo acordo

Meu cérebro não fica obeso

No governo de Herzog

Eu redigi dois cordéis

Também botei no meu blog

E divulguei em papéis

As irregularidades

E muitas iniqüidades

Daqueles tempos cruéis

Agora no seu mandato

Da “URCA do jeito certo

Não é meu desiderato

Ver o errado encoberto

Penso que ser coerente

Não é plantar a semente

E fugir para o deserto

É preciso cultivar

Aquilo que se plantou

Se for preciso arrancar

O mato ruim que gerou

Cortar a erva daninha

Fazer uma fogueirinha

E ver se o fogo pegou

Queimar as coisas erradas

Finalizando as mazelas

Não fazer vistas cerradas

Nem compactuar com elas

Tomar medida urgente

Na condição de gerente

Pra ver se dá cabo delas

É preciso tomar tento

Pra erros não repetir

Ficar bastante atento

Não cochilar, não dormir

Tampouco ser conivente

Ou mesmo ficar silente

Fechar a porta e sair

Senhor Reitor e amigo

Eu já lhe adverti

Já lhe mostrei o perigo

Dos desmantelos que vi

Mostrei-lhe a coisa ruim

Pro Senhor botar um fim

E boa-fé eu senti

Porém até esta data

Não vi profunda mudança

Nenhum registro em ata

Contra o mal que avança

Muita coisa piorou

E o Senhor não tomou

Das rédeas, a liderança

Por isto este cordel

Para que o Senhor leia

E tire da cara o véu

Ou o que lhe encandeia

E abra bem o seu olho

Botando as barbas de molho

Antes que isto dê cadeia

No seu governo de agora

Também tem corrupção

E ninguém mais ignora

Que tenha perseguição

Privilégio e nepotismo

Desmando e continuísmo

De cargo acumulação

E tem verba desviada

Pra favorecer amigo

Tem função que foi criada

Olhando só pro umbigo

Imoralidade tem

Muita maldade também

Causando choro e gemido

Tem irregularidade

A torto e a “Direito”

Em muita facilidade

Pra quem cultiva o mal feito

Redução de carga horária

Viagem e muita diária

Pra tudo “se dá um jeito”

Tem coisas nos bastidores

Mas também a céu aberto

Tem cargos de pró-reitores

Criados meio incorretos

Tem lama na FUNDETEC

Em Iguatu falta o MEC

Pra ver os erros de perto

Tem muito ad referendo

Quando a coisa convém

Muito processo perdendo

O objetivo que tem

Prazo não é respeitado

Tem parecer “fabricado”

Pra quem só disser amém

Tem rigores para uns

Pra outros, “deixa fazer”

Há proteção para alguns

Pra outros: “vão se foder”

A cartilha herzoguiana

Despótica, vil e tirana

É cartinha de ABC

A incompetência também

Faz o pacote completo

Erros crassos vão e vêm

São o hobby predileto

Dos que sem qualquer pudícia

Carregados de malícia

Contra a lei dão seu veto

E que dizer dos horrores

Que fazem pra aparecer?

Ocupando sem pudores

Funções que não podem ter

Tem professor graduado

Opinando em doutorado

De quem pede parecer

Ademais tem os conchavos

E os “acordos de paz”

Tem os “nove/doze avos”

Que com tudo se apraz

Corroborando a sujeira

Achando que é bobeira

Quando denúncia se faz

E alguém pode até dizer

Que critico porque quero

Um cargo pra “me fazer”

E deixar de lero-lero

Convites lhe recusei

Porque eu jamais lutei

Pra voltar a estaca zero

Digo-lhe que valorizo

A URCA onde estudei

E isto eu sempre friso

Ao ensinar o que sei

Esta Instituição

Mora no meu coração

E defendê-la é lei

Reconheço que você

Tem feito algum progresso

Sei que há muito por fazer

E lhe desejo sucesso!

Mas não precisa dinheiro

Para com coragem e zelo

Evitar um retrocesso

Celebro o que de bom

A URCA pôde ganhar

Isto demonstra o seu dom

De saber se articular

Mas, por favor, convenhamos

Nem só de parede e planos

Se faz um bom governar

Imagino que é difícil

Resolver tanta questão

Mas faça um sacrifício

E exija a união

Do povo que tá ganhando

E mal lhe assessorando

Sem mostrar nenhuma ação

Em prol do seu reitorado

Contribuo com projetos

Porém todos são barrados

Quando não estou por perto

Sinto na pele o problema

Acabe com este “esquema”

E faça do JEITO CERTO!

Quem avisa amigo é

E eu sou amiga sua

Por isto meto a colher

E também sento a pua

Pro Senhor ficar esperto

E a URCA DO JEITO CERTO

Não ser julgada na rua

Em breve volto pra casa

Pra continuar somando

Não pense que criei asa

Porque tô filosofando

Não vou arribar daí

Me demitir e partir

Como muitos tão pensando

Meu desejo é ajudar

E ver a URCA crescer

Cada vez mais elevar

Nosso nível do saber

Seja através da extensão

Ou na pós-graduação

Pesquisa temos que ter

Por isto, democratize

O debate e as instâncias

Pra que seu povo não pise

Com toda sua arrogância

Em quem ajudou você

A Reitor se eleger

E a plantar esperança

Por aqui eu me despeço

E lhe remeto um abraço

A única coisa que peço

É que desate o laço

Que prende sua ação

E impede a revolução

Em plenas águas de março!

Salete Maria, 2009