28 de junho de 2009

Golpe na América Latina

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Golpe na América Latina. Leia matéria do Portal Vermelho:

"Zelaya acusa cúpula militar; Honduras resiste ao golpe

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, falou à imprensa em San José, capital da Costa Rica, horas depois do golpe militar de direita que vitimou seu país. ''A cúpula das Forças Armadas me traiu, me enganou'', adenunciou. Em Honduras, o povo resiste à quartelada, faz manifestações, ergue barricadas diante dos blindados. Não é possível prever se o golpe se consolidará.
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Zelaya disse confiar que o grosso dos componentes do exército, não concorda com o golpe. Classificou o movimento que o sequestrou nesta madrugada como um ''atropelo da democracia hondurenha''. ''Estou em San José da Costa Rica, vítima de sequestro por um grupo de militares hondurenhos. Não creio que o exército hondurenho esteja apoiando esta interrupção do nosso sistema democrático. Isto foi um complô de uma elite que só deseja manter o país isolado e com níveis extremos de pobreza. Eles não se importam com as pessoas, não são sensíveis a isso'', disse Zelaya durante a imprensa no Aeroporto Internacional Juan Santamaría, em San José. Apelo à solidariedade continental ''Eles invadiram a minha casa com tiros, empurraram-me com uma baioneta, ameaçaram atirar em mim. É um brutal sequestro que me fizeram, sem qualquer motivo exceto nosso desejo de fazer o bem a Honduras, de instalar um processo democrático participativo. Por isso não se pode justificar uma interrupção da democracia'', insistiu Zelaya. O presidente especificou que em nenhum momento pediu asilo, ao contrário do que afirmou o portal digital do jornal espanhol El Pais. ''Isto foi um sequestro. Peço aos presidentes das Américas, inclusive o dos Estados Unidos, que se manifestem'', disse ele. Zelaya afirmou ainda que,''se o embaixador dos EUA em Tegucigalpa está por trás disso, pode negar apoio [aos golpistas] e evitar esse terrível golpe que estão dando em nosso povo e na democracia''. O presidente eleito em 2005 foi preso pelos golpistas na madrugada deste domingo (entre as 5 e 6 horas, pelos fuso local), e conduzido a força, com sua família, para uma base da Aeronáutica. Dali um avião o conduziu a San José. Tegucigalpa esmagada pelos tanques No dia em que os eleitores hondurenhos deveriam expressar nas urnas a sua vontade sobre um processo constituinte democrático, na consulta proposta por Zelaya, o país se confronta com o oposto da democracia. Há, no entanto, informações de resistência aos golpistas. Tegucigalpa, a capital do país (1,2 milhão de habitantes na região metropolitana) estava nesta manhã com a energia elétrica cortada, os canais de rádio e TV fora do ar ou tocando música – para que seus habitantes não possam acompanhar as notícias. Tanques e blindados percorriam as ruas, enquanto aviões e helicópteros sobrevoavam a cidade. A residência presidencial foi cercada pelos golpistas. A tropa, simbolicamente, ocupava-se em recolher as urnas onde o povo hondurenho iria manifestar sua vontade. Há porém indícios de resistência. A ministra de Relações Exteriores, Patricia Rodas, que estava na lista dos que seriam presos pelos gorilas, fez um apelo em favor da ''resistência cívica'' do povo hondurenho. Ela pediu que os populares se concentrassem diante da residência oficial do presidente. Nas ruas da capital, manifestantes protestavam contra o golpe e desafiavam os blindados militares. Barricadas começaram a ser erguidas. Os cidadãos atenderam ao chamamento de Patrícia e de fato começaram a se concentrar diante da casa presidencial, cercada por 300 militares fortemente armados. Grande parte da cólera do povo hondurenho volta-se contra a imprensa local, que vinha fazendo abertamente o jogo do golpe. Patrícia responsabilizou pelo golpe ''o grupo econômico que domina os meios de comunicação''. Quiosques de venda do diário El Heraldo foram atacados por manifestantes. Mídia no piloto automático A mídia mercantil continental e brasileira vem cobrindo a quartelada de Tegucigalpa dentro de sua linha editorial partilhada, de rechaço ao processo democrático-mudancista na América Latina e apoio a todos os seus inimigos. Trabalhando no piloto automático, não se apercebe da gravidade antidemocrática do que acontece em Honduras. Os órgãos de comunicação reproduzem sem espírito crítico a versão dos gorilas golpistas. Dizem que a consulta às urnas era ''polêmica'' (?), ou, pior, ''uma farsa'' (??). E que a deposição violenta do presidente eleito pelo voto popular em 2005 foi ''em cumprimento a uma ordem judicial'' (?!). O país centro-americano de 7,7 milhões de habitantes e 112 mil km2 (mais ou menos o mesmo que Pernambuco) viveu nesta madrugada um golpe militar de direita, típico da América Latina dos anos 60 e 70 do século passado. Em vez da consulta democrática às urnas, que era esperada para este domingo, uma clássica quartelada oligárquica como tantas que região conheceu no passado. O grave acontecimento é um teste de fogo para a unidade e a integração latino-americanas. É um teste igualmente para a nova administração da Casa Branca, mais ainda porque Zelaya fez menção a um possível envolvimento da embaixada dos EUA com os golpistas. As reações do presidente Barack Obama estão sendo seguidas passo a passo pela hoje vigilante opinião pública da região. A pergunta é se Obama será coerente com as promessas que fez na recente cúpula da OEA (Organização dos Estados Americanos) ou se seguirá o mesmo caminho de seu antecessor, George W. Bush, que reconheceu o regime liberticida instalado pelos golpistas venezuelanos de 11 de abril de 2002, sem saber que o golpe fracassaria em menos de 48 horas, e radicalizaria o processo revolucionário na Venezuela. As primeiras declarações do chefe da Casa Branca foram de condenação moderada ao golpe. Quem é Manuel Zelaya O presidente Manuel Zelaya Rosales, 57 anos, é filho de uma família abastada de Tegucigalpa e não corresponde precisamente ao figurino dos novos e rebeldes líderes políticos latino-americanos. Elegeu-se presidente em 27 de novembro de 2005 pelo Partido Liberal de Honduras, um dos dois partidos tradicionais do país desde o século 19. No entanto, Zelaya elegeu-se em confronto com o Partido Nacional, que concentra as forças oligárquicas mais à direita e agora serve de suporte aos golpistas. Submetido à pressão popular, por exemplo da combativa organização sindical de professores, e sentindo os novos ventos que sopram na América Latina, ele vinha se acercando de uma linha mudancista. Durante a semana que passou, Zelaya assumiu uma ''corajosa conduta'', como descreveu o líder cubano Fidel Castro, que o comparou ao mártir chileno Salvador Allende. Face à sabotagem da consulta às urnas pelo Partido Nacional e pela cúpula militar (que têm raízes na mesma oligarquia social), Zelaya uniu-se aos movimentos sociais e foi à unidade militar resgatar as urnas mantidas ali, para assegurar a consulta aos eleitores neste domingo. O medo do voto precipitou a quartelada. O processo constituinte proposto pelo presidente, que serviu de pretexto para o golpe, é um exemplo. A mídia mercantil o reduz ao eterno dilema dos ''mandatos'', já que o de Zelaya termina em 2010 e a lei atual não permite a reeleição. No entanto, o que está em pauta é uma refundação democratizante do aparato de Estado do país, do tipo que se efetuou nos últimos anos na Venezuela, Bolívia e Equador. Caso o golpe fracasse, como é possível que aconteça, dada a resistência interna e o isolamento internacional, é bem possível que o processo se radicalize ainda mais."

7 de junho de 2009

Brizola X Globo

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O direito de resposta de Leonel Brizola no Jornal Nacional. Momento histórico e imperdível. E minha homenagem a esse brasileiro que enfrentou até o fim os poderosos.  

3 de junho de 2009

OEA revoga suspensão a CUBA.

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A Organização dos Estados Americanos - OEA, que por ordem dos Estados Unidos da América, havia suspendido Cuba dos quadros daquela organização, no ano de 1962, revogou a  medida. O texto afirma que, 

"A Assembleia Geral:

 

Reconhecendo o interesse partilhado na plena participação de todos os Estados-membros;

 

 

Guiada pelos propósitos e princípios estabelecidos da Organização dos Estados Americanos contidos na Carta da organização e em seus demais instrumentos fundamentais relacionados à segurança, à democracia, à autodeterminação, à não-intervenção, aos direitos humanos e ao desenvolvimento;

 

Considerando a abertura que caracterizou o diálogo dos chefes de Estado e de Governo na 5ª Cúpula das Américas, em Port of Spain, e que, com esse mesmo espírito, os Estados-membros desejam estabelecer um marco amplo e revitalizado de cooperação nas relações hemisféricas; e

 

 

Tendo presente que, em conformidade com o artigo 54 da Carta da Organização dos Estados Americanos, a Assembleia Geral é o órgão supremo da Organização,

 

Resolve:

1. Que a resolução VI adotada em 31 de janeiro de 1962 na 8ª reunião de consulta de ministros das Relações Exteriores, mediante a qual se excluiu o Governo de Cuba de sua participação no Sistema Interamericano, fica sem efeito na Organização dos Estados Americanos.

 

2. Que a participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado por solicitação do Governo de Cuba e em conformidade com as práticas, os propósitos e princípios da OEA." 
A História é incrível. Não era de se imaginar há alguns anos atrás que isso pudesse acontecer. Mas as coisas mudam.  Muitas vezes para pior, outras, para melhor.
  Segundo o Portal Vermelho, "A presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), disse em nome dos mais de 200 parlamentares do colegiado, entre deputados e senadores, que o povo brasileiro, amigo dos cubanos, também comemorava a decisão. Segundo ela, há 47 anos os cubanos vinham lutando contra essa injustiça. “Ganhou a unidade do povo latino-americano”, disse.

 

Outro integrante do grupo, deputado Nilson Mourão (PT-AC), destacou que Cuba nunca baixou a cabeça nem se humilhou diante da investida dos EUA.  “Manteve a sua posição coerente, defendendo, conforme prescreve a Carta da OEA, o direito à autodeterminação, o direito de ter um governo com autonomia e soberania, como devem ser todos os governos no nosso continente”, lembrou." 

 

O Governo dos Estados Unidos da América tentou impedir essa medida, mas  ficou isolado. Antes dessa notícia, o comandante Fidel Castro já havia criticado duramente a OEA. 
Assim falou o camarada Fidel: 

"O Cavalo de Tróia
Rafael Correa, presidente do Equador, em visita a Honduras, na véspera da reunião da OEA, declarou: ''Eu creio que a OEA perdeu sua razão de ser, talvez nunca tenha tido razão de ser''. A notícia, transmitida por Ansa, acrescenta que Correa ''vaticinou 'a morte' desta organização, pelos muitos erros cometidos''.
Afirmou que ''os países do continente americano, por condições geográficas, não podem ser colocados todos no mesmo saco, e por isso o Equador popôs há vários meses a criação da Organização dos Estados Latino-americanos''.
''Não é possível que os problemas da região sejam discutidos em Washington. Devemos construir algo próprio, sem países alheios à nossa cultura, a nossos valores, incluindo, obviamente, países que inexplicavelmente foram separados do sistema interamericano, e me refiro ao caso concreto de Cuba... foi uma real vergonha e mostra a dupla moral que existe nas relações internacionais''. 
Em sua chegada em Honduras, tanto ele quanto o presidente Zelaya, declararam que a ''OEA deve ser reformada e reincorporar Cuba, ou, do contrário, terá que desaparecer''.
Outro despacho, da agência DPA, afirma:
''A reintegração de Cuba na Organização de Estados Americanos (OEA) deixou de ser um tema em si da Assembleia Geral do organismo, na hondurenha San Pedro Sula, para se tornar, mais uma vez, a desculpa de uma luta de interesses vão muito além das fronteiras da ilha caribenha e poderiam questionar (novamente) as relações hemisféricas''.
''O presidente da venezuela, Hugo Chávez, o deixou bem claro ao qualificar o encontro hemisférico  que começa esta terça-feira, em honduras, em termos quase bélicos''.
''Será, disse, uma 'batalha interessante', na qual, se ficar demonstrado que a OEA 'segue sendo um ministério das colônias' quenão se transforma 'para subordinar-se à vontade dos governos que a conformam', então, haverá que se delinear a saída do organismo e a criação de outra alternativa''.
''A América Latina está fazendo de Cuba o teste de fogo da sinceridade da real abordagem da administração Obama para a região, disse o especialista em Cuba do Conselho de Relações Exteriores, em Washington, Julia Sweig, o jornal ''The Washington Post ' na véspera da reunião em Honduras ''. 
Ao resistir às agressões do império mais poderoso que jamais existiu, o nosso povo lutou pelos demais povos irmãos deste continente. A OEA foi cúmplice em todos os crimes cometidos contra Cuba. 
Em um momento ou outro, todos os países latino-americanos foram vítimas de agressões e intervenções políticas e econômicas. Ninguém pode negar isso. É ingênuo acreditar que as boas intenções de um presidente dos Estados Unidos justifiquem a existência desta instituição que abriu as portas para um cavalo de Tróia que apoiou as Cúpulas das Américas, o neoliberalismo, o narcotráfico, as bases militares e as crises econômicas. 
A ignorância, o subdesenvolvimento, dependência económica, a pobreza, o regresso forçado de pessoas que migram em busca de trabalho, a fuga de cérebros, e até as armas sofisticadas do crime organizado foram as consequências das intervenções e saques procedentes do Norte.
Cuba, um país pequeno, tem demonstrado que pode resistir ao bloqueio e avançar em muitos campos e até mesmo cooperar com outros países. 
O discurso pronunciado pelo presidente de Honduras, Manuel Zelaya, na Assembléia Geral da OEA, contém princípios que podem passar para a história. Disse coisas admiráveis de seu próprio país. Eu me limitarei apenas ao que disse sobre Cuba. 
''... Na Assembleia da Organização dos Estados Americanos, que começa hoje, em San Pedro Sula, Honduras, temos de começar o processo de sábias retificação de velhos erros''.
''Nós, os latino-americanos que estamos aqui, há pouco, há um par de semanas ou meses, tivemos uma grande reunião do Grupo do Rio, em Salvador, Bahia, Brasil. Alí, firmamos um compromisso. O compromisso, que se tomou por escrito e por unanimidade de toda a latino-américa,  é o de que esta assembleia de San Pedro Sula, por maioria de votos ou por consenso, deveria emendar esse velho e desgastado erro que foi cometido em 1962, de expulsar o povo cubano desta organização''.
''Não devemos deixar essa assembleia,queridos dignatários, sem anular o decreto da oitava reunião que sancionou um povo inteiro por ter proclamado ideias e princípios socialistas, que hoje esses mesmos princípios são praticados em todas as partes do mundo, incluindo Estados Unidos e Europa (aplausos). Os princípios, hoje, de busca de alternativas diferentes para o desenvolvimento são muito evidentes na mudança que ocorreu nos Estados Unidos ao eleger Barack Obama presidente...
''Nós não podemos deixar esta assembleia sem reparar esse erro, porque baseado nesta resolução da Organização dos Estados Americanos, que já tem mais de quatro décadas, a este povo irmçao de Cuba se tem mantido um bloqueio injusto e inútil, precisamente porque não conquistou qualquer finalidade, mas tem mostrado que há, aqui a poucos quilômetros de nosso país, em uma pequena ilha, um povo disposto a resistir e a sacrifícios por sua independência e soberania''.
''Não fazê-lo nos faz cúmplices de uma resolução de 1962 que expulsou um membro da Organização dos Estados Americanos simplesmente porque tem outras ideias, outros pensamentos, e proclama o início de uma democracia diferente. E não seremos cúmplices disto''.
''Um notável hondurenho, chamado em nosso país e um dos nossos heróis, José Cecilio del Valle, o sábio Valle, expressava em 17 de abril de 1826, no seu célebre artigo ''Soberania e não-intervenção'' - acabávamos de proclamar nossa independência do reino espanho -: 'As naçõesdo mundo são independentes e soberanas. Independentemente da sua extensão territorial ou do número de habitantes, uma nação deve tratar aos outros com o mesmo tratamento que deseja receber desses. Uma nação não tem o direito de intervir nos assuntos internos de outro país. '' 
Com estas palavras de Cecilio del Valle e as palavras de Mahatma Gandhi, Jesus Cristo, Martin Luther King, Abraham Lincoln, Morazán, Marti, Bolívar e Sandino, concluiu o seu discurso.
Minutos mais tarde, na coletiva à imprensa após a abertura da Assembléia, respondeu a perguntas e reiterou princípios. Em seguida, cedeu a palavra a Daniel Ortega, que foi autor de uma das mais profundas e argumentadas colcações da Assembleia da OEA. Na conferência, faloram a convite de Zelaya, Fernando Lugo, presidente do Paraguai, e Rigoberta Menchú, que se expressaram no mesmo sentido que Zelaya e Daniel. 
A Assembleia debate há horas. No momento em que termino esta reflexão, quase de noite, ainda não há notícia da decisão. Se conhece que o discurso de Zelaya influiu. Chávez conversa com Maduro e o insta a manter firmemente que não se pode aceitar qualquer resolução que condicione a revogação das sanções injustas contra Cuba. 
Nunca se viu tanta rebeldia. A batalha é certamente difícil. Muitos países dependem do dedo indicador de uma mão do governo dos Estados Unidos, apontando para o FMI, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, ou em qualquer outra direção para castigar rebeldias. Ter conseguido isso é já, por si só, uma proeza dos mais rebeldes. 
O 2 de junho de 2009 será lembrado pelas gerações futuras. 
Cuba não é o inimiga da paz, nem resiste ao intercâmbio ou à cooperação entre países de diferentes sistemas políticos, mas tem sido e será intransigente na defesa os seus princípios."  
Fidel Castro

  

"Better dead than red"

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Tem coisas que são acintosas demais.

Onde é que as coisas vão parar? Os antagonismos de classe aparecem mais claramente é nessas horas.

O jogo político só vale quando certos interesses não são afetados? Somos feitos sempre para perder o jogo? É isso que eles esperam de nós? A atitude da eterna derrota? Ora bolas, estão muito enganados!

Leia aqui como dois senadores ameaçaram um ministro!

Texto do Conversa Afiada:

“Better dead than red” – foi uma palavra de ordem que os anticomunistas americanos usaram no macartismo e na Guerra Fria: “melhor morto do que vermelho”, ou “comunista bom é comunista morto”.

. A propósito do Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, os senadores Tasso Jereissati e Katia Abreu ofereceram agora ao Brasil uma versão de jagunço para a famosa frase: “ambientalista bom é ambientalista morto”; ou “melhor morto do que ambientalista”.

. O ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse o seguinte, da tribuna do Senado Federal da República:

“V. Exª (Kátia Abreu) disse uma frase muito importante: “Se dez Mincs desaparecessem da Terra hoje, nenhuma falta…” Não estou querendo que eles desapareçam, até porque eles são engraçados, são divertidos, apenas que não falem bobagem. Mas, se desaparecessem, não fariam a menor falta a nenhum brasileiro.”

. Antes a senadora Katia Abreu, do PFL e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, tinha dito:

“Eu quero dizer a esse ecoxiita profissional, alienado da economia nacional, que o Brasil e o Governo podem viver sem o senhor, Ministro. O Brasil sem o senhor não sentirá nenhuma falta. Mas o Brasil sentirá muita falta se os produtores rurais perderem a sua posição. Com a ausência de V. Exª no Ministério, o Brasil não alterará uma vírgula, porque o senhor não conhece o que é trabalho, o senhor não conhece o que é produção, o senhor só trabalhou e conseguiu até hoje acumular um pequeno patrimônio político para ser Deputado Estadual. “

Veja aqui os discursos de ambos.

. Ou seja, a Oposição resolveu partir para a ameaça de morte.

. O Ministro Carlos Minc deveria pedir proteção à Polícia Federal.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: uma amiga navegante me contou que o Arthur Xexéo na CBN, hoje de manhã, disse que isso que a Kátia e o Tasso fizeram é coisa de ruralista: contratam jagunço e mandam matar. A mesma amiga navegante gostaria de ver o presidente Lula, nesse momento em que sofre ameaça de morte, dar total apoio a Minc e mandar a Polícia Federal protegê-lo.

Saiba mais sobre “Better dead than red”

2 de junho de 2009

Comunicado das FARC-EP sobre o governo da Colômbia

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ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP 
"Em meio da grande depressão econômica mundial dos anos 30 do século passado, surge o fascismo alemão, monstruoso engendro do capitalismo, que os dirigentes revolucionários e a intelectualidade mais esclarecida de aquela época definiram como "A ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro", "a organização do ajuste terrorista de contas com a classe operária e o setor revolucionário dos camponeses e dos intelectuais".
Era a ditadura do setor mais reacionário da oligarquia financeira que conformava a elite monopolista da nação. Esse reduzido grupo encontrou em Adolfo Hitler o instrumento adequado para tratar de impor seu projeto de sociedade, obediente da disciplina social e trabalhista do capital corporativo, primeiro em Alemanha, depois, por meio da guerra, ao resto do mundo.
Para alcançar seus propósitos, os capitalistas alemães aproveitaram o ressentimento do povo germano frente às duras sanções do Tratado de Versallhes, imposto ao país pelos vencedores da primeira guerra mundial (1914 - 1918).
Os fascistas recorreram ao mais iracundo e cru nacionalismo. Proclamaram a superioridade da raça ária sobre as demais raças existentes, a necessidade de um "espaço vital" para Alemanha que lhe permitisse a recuperação de territórios e colônias de ultramar perdidas na primeira guerra mundial, prometeriam o melhor-estar geral e um império que duraria mil anos (O terceiro Reich), como recompensa à grandeza e glória alemãs que dominariam o mundo.
Mediante uma hábil e enganosa propaganda, fazendo uso da mentira e da falsificação dos fatos como seu principal instrumento, o Partido Nacional Socialista Alemã logrou o apoio não só do grande capital mas da mediana e pequena burguesia, de importantes setores de operários, camponeses, estudantes, jovens e populares para apoderar-se do poder em 1933.
"Uma mentira repetida mil vezes, termina convertendo-se em verdade" e "Calunia e calunia, que da calunia algo fica", foi a divisa que utilizou Goebbels, como chefe de propaganda de Hitler e que importou para Colômbia e repetia em seus discursos, um célebre expoente da ultradireita nacional que para a época oficiava como embaixador em Berlim: Laureano Gómez.
As potências capitalistas ocidentais viam em Hitler a pessoa indicada para atacar e destruir a Revolução Bolchevique que se desenvolvia dentro da antiga Rússia, onde o Estado de Operários, Camponeses e Soldados, tinha terminado com a exploração do czarismo e da aristocracia, e seu exemplo estendia-se sobre toda a face da terra ameaçando o império burguês.
A perfídia e o cálculo da reação mundial, que estimulavam o anti-comunismo de Hitler e a guerra contra o nascente Poder Operário com a secreta esperança de que o fascismo esmagara a revolução, haveriam de pagar-la muito caro os povos das diversas nações de Europa, Ásia, África e América Latina.
Finalmente, o Fascismo foi derrotado, mas nenhuma nação ou povo carregou com maior responsabilidade, nem aportou semelhante cota de sangue e sacrifício como o fez a União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fator fundamental para a derrota do fascismo da Alemanha nazi.
Dos 52 milhões de mortos reportados oficialmente que ocasionou a Segunda Guerra Mundial, 27 milhões foram da União Soviética, dos quais 20 milhões eram população civil. Dos 70 milhões de feridos, 40 milhões eram soviéticos, 140 mil povoados e cidades foram destruídas, o 70% da economia dessa nação ficou totalmente devastada, milhões de viúvas e órfãos, epidemias, enfermidades e fome sem precedentes, sufriou a Pátria de Lenin.
Glória eterna a seus heróis e mártires deve-lhe a humanidade, ao primeiro país socialista do mundo, já que eles salvaram-la do extermínio em massa nos campos de concentração, ou da escravidão perpetua que pretendeu implantar o brutal imperialismo alemã no seu delírio pela dominação mundial.
Vencida Alemanha e seus aliados, o mundo e seu mesmo povo puderam conhecer a verdade sobre o horror praticado pelos fascistas: o aniquilamento nas câmaras de gás de milhões de judeus, ciganos, minorias étnicas, opositores políticos, portadores de necessidades especiais que a propaganda oficial negava sistemáticamente, ao igual que a existência de criminosos experimentos com seres humanos tomados como cobaias nos laboratórios, para provar as drogas que permitissem apoderar-se da vontade alheia, ou gases e químicos que servissem para seus fins de manipulação e extermínio.
Com certeza o nazismo foi derrotado e seus sonhos imperiais desapareceram, mas Europa inteira ficou convertida em um imenso cemitério e em um gigantesco campo de ruínas e de escombros.
Em lugares onde antes floresceram prósperas cidades ficaram as cinzas, só. No entanto, a ideologia e a prática do fascismo não desapareceram, mas assumiram novas formas nascidas da Doutrina da Segurança Nacional, uma concepção fascista do Estado, que considera o povo como "inimigo interno" a derrotar, já não, no marco de uma guerra mundial mas no cenário de cada país por separado.
A atual crise econômica que açoita o mundo e a chamada guerra contra "terrorismo", promovidas pelo governo de George W. Bush, assim como os contínuos massacres contra o povo palestino implementadas pelo Estado Sionista de Israel, nos lembram que o fascismo está vivo.
Em nossa América as ditaduras militares com Pinochet à cabeça, Stroessner, Videla, Pacheco Areco, Somoza e Fujimori entre outros, foram expoentes desse depravado sistema.
Na Colômbia, Álvaro Uribe Vélez com a promocionada "segurança democrática" e o chamado por ele "Estado Comunitário" tem remoçado a forma fascista de dominação em um país atrasado e dependente.
Uribe é o genuíno representante do capital monopolista financeiro - industrial crioulo, ligado às transnacionais, os grandes latifundiários, traficantes de drogas e outras máfias que têm usurpado todas as estruturas do Estado para colocar-las a serviço dos mesquinhos interesses de classe, desse reduzido grupo de bilionários, em contra dos interesses da maioria dos colombianos afundados cada vez mais na pobreza.
Tal como ocorria na Alemanha fascista, na Colômbia o povo está sendo exterminado, não com o silencioso gás envenenado, mas com o sórdido ruído das motoserras que despedaçam a vítima e aterrorizam a milhões de cidadãos. Os escuartejados são levados para covas comuns lotadas de cadáveres ainda sem identificar e como ocorria na Alemanha, aqui também o sinistro braço paramilitar que implementou o Estado para cometer seus crimes, utiliza fornos crematórios para não deixar vestígio algum para evitar que aumentem as estatísticas de mortos, desaparecidos, etc. e assim poder seguir enganando o mundo e ocultando aos colombianos a realidade nacional.
Por isso e para falsear a realidade, na Colômbia, os modernos Goebbels do regime, os José Obdulios, denominam "falsos positivos" os milhares de assassinatos cometidos por suas forças de segurança, por sua Gestapo, e lhe dão tratamento de "casos isolados"a aquilo que é em realidade uma política Estatal, pois obedece à conduta permanente do exército, da polícia e dos demais organismos punitivos do Estado.
Ao igual que a Gestapo e as SS, a polícia secreta alemã, o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), conduzido e controlado diretamente pelo presidente Álvaro Uribe, organizou uma rede de mais de três milhões de informantes, para que espiem e acusem seus compatriotas a troca de miseráveis recompensas, grava as conversações das Altas Cortes de Justiça, de intelectuais e de jornalistas, realiza seguimentos e junto a alguns integrantes da Promotoria "montam" falsos processos contra seus opositores políticos, ou contra aqueles que criticam os desaforos del poder.
Similar a aquilo que faziam os "Camisas Pardas" na Alemanha hitleriana, as hordas Uribistas lincham moralmente ou assassinam os opositores ao regime.
Igual que na Alemanha do fascismo, na Colômbia, o governo nacional em aliança com os proprietários dos grandes meios de comunicação, convertidos hoje em verdadeiros departamentos para a propaganda oficial do regime, desinformam e mantém enganado o povo colombiano ocultando sistemáticamente as verdadeiras causas e a responsabilidade oficial e do Estado, em centenas de massacres, assassinatos seletivos, torturas, deslocamentos e desaparição forçada de pessoas, encarceramentos massivos de opositores, operações abertas e encobertas nos países vizinhos e assassinatos indiscriminados de humildes colombianos que são reportados como guerrilheiros mortos em combate.
A corrupção reinante que já toca até a mesma família presidencial, também é silenciada, ou maquilada, a simulação de atentados contra o Presidente, seus Ministros e o Promotor Geral da Nação, são tomados como pretextos para incrementar as medidas repressivas; todos os crimes e horrores que comete o "fascismo ordinário" do século XXI que se instalou na Colômbia desde a chegada ao poder de Álvaro Uribe Vélez e que pretende perpetuar-se através do fraude e da reeleção.
Colombia não é Alemanha, nem a economia colombiana pode se comparar com a do país européio dos anos trinta. E nosso povo encontra-se altivo e em plena batalha por derrotar o atual regime fascista, utilizando para isso todas as formas de luta organizada das massas até alcançar dito objetivo.
Tal como foi feito pelos aliados há 64 anos, em 9 de maio de 1945, quando derrotaram Hitler e sua horda de generais assassinos, o povo colombiano saberá encontrar os caminhos de unidade que possibilitem derrotar inexoravelmente os fascistas do século XXI que enlamam a dignidade da Pátria.
Temos jurado vencer e venceremos!" 
Estado Maior Central. FARC - EP. Montanhas da Colômbia, maio de 2009