27 de novembro de 2009

A filosofia de cada um de nós.

2 comentários:
Antonio Gramsci, um filósofo da práxis.
Para Antônio Gramsci, todos os seres humanos são "filósofos". Como militante da filosofia da práxis (marxismo), ele entendia que as pessoas tem sua concepção de mundo, ainda que não consciente, ainda que acrítica, e essa concepção é expressa na linguagem. O que difere em cada ser humano é como ele atua nesse mundo. Então, não somos "filósofos" no sentido estrito da palavra. E nem estou desmerecendo os profissionais da filosofia, professores que dão aula dessa disciplina. Apenas estou referenciando o uso da palavra "filósofo".
Os trabalhadores "braçais" também são filósofos!
Se todos somos "filósofos" porque algumas concepções são coerentes, integradas, críticas e levam à mobilização enquanto outras causam o "estranhamento", a submissão e a alienação? Para Gramsci, a consciência dos humanos, abandonada à própria espontaneidade, sem ser crítica de si mesma, vive sob influências ideológicas diferentes, elementos díspares, que se acumularam através de estratificações sociais e culturais diversas. Ou seja, a consciência dos humanos é resultado das relações sociais, sendo ela mesmo, uma relação social. "Filosofia é a concepção do mundo que representa a vida intelectual e moral (catarse de uma vida prática) de todo um grupo social, concebido em movimento e considerado, consequentemente, não apenas em seus interesses atuais e imediatos, mas também nos futuros e mediatos; ideologia é toda concepção particular dos grupos internos da classe, que se propõem ajudar a resolver problemas imediatos e restritos. Mas, para as grandes massas da população governada e dirigida, a filosofia ou religião do grupo dirigente e dos seus intelectuais, apresenta-se sempre como fanatismo e superstição, como motivo ideológico próprio de uma massa servil. E o grupo dirigente não se propõe por acaso, perpetuar esse estado de coisas?" ¹ E olha que Gramsci faleceu há bastante tempo e nem soube do fenômeno religioso do Padre Cícero e das romarias no interior do Nordeste brasileiro...
Romeiros que visitam a estátua de Padre Cícero - Juazeiro do Norte -CE
Mas para Gramsci, apesar de haver um domínio das ideologias dominantes sobre as classes subalternas, isso não ocorre de forma mecânica e integral, apesar do exercício de hegemonia. Há resistência e há também uma reformulação dessa ideologia e filosofia. A verdade é que as necessidades efetivas, as reivindicações, inclusive as relativamente espontâneas, provocam um impulso para as lutas, reivindicações e movimentos. E quando as classes subalternas tem um comportamento que entra em contradição com a concepção de mundo na qual foram educadas, ou adestradas, a gritaria de quem domina é logo ouvida. Pedem logo a "paz" e a "segurança". A "paz" que geralmente pedem é a paz da hegemonia, do domínio de classe e a "segurança" quer dizer, "povo, ralé, fiquem no seu lugar!".
Brasileiros indo para o trabalho de Metrô.
Também pudera. Se olhamos para o quadro de miséria que ainda existe no Brasil e pensarmos que os mais pobres estão condenados eternamente a esse mesmo quadro, cairíamos em um determinismo ou fatalismo chocante. Mas a filosofia da práxis não tem nada de fatalista ou determinista. Mesmo assim, a maior parte dos trabalhadores leva uma vida difícil, só um exemplo, o do transporte coletivo, dá bem a imagem que retrata essa situação. Nas grandes cidades, ônibus, vans, trens lotados. No "Brasil profundo", ainda transitam os "paus-de-arara", mas isso sempre para os trabalhadores, nunca para as classes dominantes, nunca para nossa "elite branca". E Gramsci deixa-nos uma questão: Onde está a "filosofia real"? Para ele, a filosofia real do indivíduo e da coletividade deve ser buscada no agir. A filosofia de uma pessoa está na política dessa pessoa. Enquanto existir contradição entre a ação e a concepção de mundo que a guia, a ação não poderá ser consciente, será sempre fragmentada. Ou seja, ações extremadas, espamódicas, estagnação, rebeliões desesperadas. Depois, passividade, extremismo ou oportunismo. Desse entendimento, Gramsci como adepto da filosofia da práxis aponta que a a ação consciente exige ser guiada por uma concepção de mundo, por uma visão unitária e crítica dos processos sociais. Aos trabalhadores cabe formular essa concepção. Assim sugeriram Karl Marx e Friedrich Engels ao gritarem no Manifesto: "Proletários de todos os países, uni-vos". Ainda estamos bem longe disso, mas, as classes dominantes ainda dormem intranquilas, sonhando com sua "paz e segurança" que a cada dia ficam mais distantes. ¹ GRAMSCI, Antonio. Concepção Dialética da História. 9ª Edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991, p. 226-227.

23 de novembro de 2009

O Macaco Ômega está no ar!

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O mais novo blog do meu camarada Waltécio está no ar. Depois do Macaco Alfa, eis que surge o Macaco Ômega. Quem quiser conferir mais essa empreitada do Prof. Waltécio Almeida é só clicar aqui.

16 de novembro de 2009

O "Homem" e o Aquecimento Global.

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Sempre desconfiei desse discurso sobre o "Homem" que está destruindo a Natureza e provocando o aquecimento global. Quando você olha e percebe que desde o Al Gore, passando pelos meios de comunicação e até a Xuxa, ficam falando disso, algo estranho existe nessa história. Primeiro é esse fatalismo, que condena todos os seres humanos, como se fosse algo natural do ser humano destruir a Natureza. Não são todos os seres humanos que "destróem a Natureza". A Natureza não está em crise. O que está em crise é o sistema que tendo por base o lucro e a exploração humana, provoca problemas ambientais. Mas isso, Karl Marx e Friedrich Engels já diziam há muito tempo atrás. A História mostra que os homens são condicionados por situações diversas, entre elas, as condições de classe social. Na ordem social do capital onde a lógica é a do mercado, pulverizam-se florestas para que se crie gado, por exemplo. Quem faz isso? Os poderosos homens e mulheres do agronegócio, não todos os "homens". Chega de fatalismo e determinismo! E olha que acusam o marxismo disso... Sobre a questão do aquecimento global, leiam essa entrevista do Professor José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará - UFC, dada ao jornal Diário do Nordeste e capturada na internet por mim através do site Viomundo.

ENTREVISTA - Professor José Carlos Parente de Oliveira * (15/11/2009), no Diário do Nordeste

´O planeta está esfriando!´

Na contramão do ambiental e politicamente correto, o professor cearense José Carlos Parente de Oliveira, 56, da UFC, Doutor em Física com Pós-doutorado em Física da Atmosfera, diz que, cientificamente, não se sustenta a tese de que a atividade humana influencia o clima no planeta, que não está aquecendo. "Na verdade, a Terra está esfriando", afirma ele. Na entrevista a seguir, o professor Parente põe o dedo em uma antiga ferida: "Perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma errada de como o homem produz seus bens"

Por que o senhor caminha na contramão do ambientalmente correto e proclama que o planeta não está aquecendo, mas esfriando?

A busca da verdade deve ser o norte, o foco da atividade em ciências. E penso que não é isso o que ocorre com o tema aquecimento global. A sociedade está sendo bombardeada por notícias, reportagens na tevê, filmes e tudo isso com a mensagem de que as atividades humanas relacionadas às queimas de combustível fóssil (petróleo, carvão e gás) são as culpadas pelo aquecimento da Terra. O grande responsável por esse bombardeio é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), que é um órgão da ONU.

O senhor quer dizer que um organismo da ONU está provocando um terrorismo ambiental?

Vejamos. A hipótese do aquecimento global antrópico defendido pelo IPCC não possui base científica sólida. Não há dados observacionais que provem cabalmente a influência humana no clima. Se voltarmos um pouco no tempo nós constataremos que entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990.

Afinal, o que é mesmo que está acontecendo?

Por volta dos anos 1300 ocorreu o Período Quente Medieval em que a temperatura da Terra foi superior a atual em cerca de um grau centígrado. Segui-se então um período frio conhecido como Pequena Era Glacial por volta dos anos 1800. Esses períodos são bem conhecidos dos estudiosos do clima terrestre. O que está ocorrendo é uma recuperação da temperatura pós Pequena Era Glacial, mas essa recuperação é lenta e ocorrem oscilações em torno dela. Para visualizar, podemos pensar em uma reta que ascende lentamente, ocorrendo oscilações em torno dela. Essas oscilações ocorrem em menores escalas de tempo, e são originadas por fatores naturais, como a radiação solar, a interação dos oceanos, principalmente do Pacífico, cuja temperatura oscila com período aproximadamente decenal. Porém essa recuperação cessou em 1998.

Então, em vez de estar aquecendo, a Terra está esfriando agora? Mas isso é o contrário do que proclamam as ONGs, os cientistas, os jornais. Quem está errado?

No ano de 1998, houve um fenômeno atípico: um super El Niño aqueceu a terra quase um grau acima da média em que ela se encontrava. Desde esse fenômeno do El Niño, a temperatura da Terra, sistematicamente, vem diminuindo, conforme os dados coligidos pelos satélites. Esses dados, porém, não são aceitos e nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos.

Qual a razão? Há um viés político por trás disso?

Penso que a atividade cientifica não está desvinculada da política. São as nações e sua sociedade que definem o ramo da ciência a ser financiado por elas. Entendo que a atitude do IPCC é para favorecer cientistas, pesquisadores que defendem a tese hipotética de que o homem é culpado pelo pequeno aquecimento do planeta, que cessou em 1998 e que foi menor do que o anunciado. Os satélites que medem o clima da terra desde 1978 indicam que, de 1998 para cá, estamos vivendo um período de diminuição da temperatura. Só para que se tenha uma ideia de que esse dado de redução da temperatura é levado a sério, o grupo de pesquisas da Nasa que lida com lançamento de satélites está programando para 2021-2022 o envio de uma nave que deixará o sistema solar. Ora, a atividade solar é muito importante e é um impedimento para que uma nave como essa saia do sistema solar. Por que eles programam esse lançamento para 2021-2022? Resposta: porque será o ano em que o sol terá a menor atividade. E a atividade solar é muito bem relacionada com a temperatura da terra, via efeito indireto de formação de nuvens baixas. Essa correlação de nuvens baixas, atividade solar e temperatura da terra está muito bem documentada na literatura científica.

Qual é a causa do aumento de furacões, tempestades, tufões, terremotos na Ásia, na África, na Europa e nas Américas?

Há um exagero nas notícias. Quando mergulhamos na literatura científica, observamos que terremotos severos, de níveis 4 e 5, estão sendo reduzidos. A frequência desses eventos tem diminuído nos últimos anos. No litoral da China, trabalhos científicos mostram que nos últimos 50 anos a atividade de furacões também se reduz. O efeito destruidor do furacão Catrina, sempre mencionado porque destruiu New Orleans (EUA), aconteceu mais pela falta de providências preventivas dos governantes, que não ouviram as advertências dos cientistas. Os muros de contenção de New Orleans precisavam ser recuperados. E ninguém fez nada. O estrago do Catrina nada teve a ver com o clima. Faltou a ação do Governo.

O senhor condena o uso de combustível fóssil, como o carvão, na geração de energia elétrica?

Vamos particularizar o Brasil, pois é aqui que essa discussão se dá. O Brasil é um País privilegiado. Praticamente 80% de sua matriz energética são de origem hidráulica, e aí nós não necessitaríamos de carvão mineral. Mas, no mundo, há países que não têm esse privilegio brasileiro e têm de utilizar para o seu bem estar e desenvolvimento o carvão e o petróleo. Não há outra alternativa. As alternativas limpas que se apresentam . a energia eólica e a energia solar, por exemplo, ainda não são completamente eficientes, pois necessitam de mais pesquisa, de mais estudo porque não obtêm ainda o rendimento ótimo. Há maneiras racionais de usar carvão e petróleo sem que se agrida o ambiente. Assim, a discussão que considero mais fundamental do que saber se o homem aquece ou não o planeta é a seguinte: o que o homem deve fazer para não poluir o mar, os rios, o lençol freático, para não derrubar e não queimar florestas, para manejar corretamente o solo. É esta a ação do homem que deveria ser o centro das atenções de todos, cientistas, pesquisadores, políticos, governantes, reis, rainhas e príncipes.

Agora o senhor está no caminho ambientalmente correto...

Veja: quando o homem queima a floresta, ele não está aumentando a temperatura do planeta, mas piorando as suas próprias condições de vida e ameaçando a fauna e a flora.

Quando o senhor expõe estes pontos de vista em auditórios acadêmicos, a crítica vem contundente?

É surpreendente que não, porque os argumentos que utilizo são baseados em dados da natureza e fazem com que o público os aceite. Já fiz uma centena de seminários. Eu diria que só duas vezes eu fui interpelado de forma mais contundente, não pela maioria, mas por dois colegas pesquisadores que defendem o ponto de vista amplamente divulgado pelo IPCC. Mas eu já ouvi a manifestação de muitas pessoas favoráveis ao que exponho em minhas palestras e conferências.

O que o senhor acha das ONGs ambientalistas?

Quando a questão do aquecimento começou por volta de 1980, as ONGS encontraram aí uma oportunidade de se tornarem mais visíveis. Aí, elas ficaram, inadvertidamente, prisioneiras deste tema, por meio do qual tiraram DE foco o real problema do mundo. E o real problema do mundo é o da água, é a poluição da água e do ambiente. O responsável por esse problema é o meio de como a produção de bens se dá. O modo de produzir, destruindo os recursos naturais e utilizando-os sem nenhum controle, faz com que o planeta e a raça humana se tornem frágeis. Hoje, a linha de atuação das ONGs levará, no curto prazo, a uma situação bastante complicada nos países pobres. Exemplo: se a reunião de Copenhague, em dezembro, decidir que o uso de carvão e de petróleo deve ser cortado em 40% como se propõe, países como a China, a Índia, toda a África e também o Brasil terão problemas. 400 milhões de indianos juntam e queimam esterco para se proteger do frio e até para cozinha r; na China, a situação é mais dramática: 800 milhões de chineses nunca viram uma lâmpada acesa. Cortar a queima de combustível fóssil em 40% será o mesmo que implementar nesses países uma teoria ecomalthusiana para controlar ferozmente essa população pobre do mundo.

O senhor acha que os países ricos, que poluíram para crescer, querem impedir agora que os pobres cresçam?

Eu não concordo com essa teoria da conspiração. Mas é muito esquisito que se tente agora definir quotas de queima de combustíveis para todos os países, indistintamente. Isso não pode. Um americano consome 20 vezes mais do que um africano. Não se pode colocar todos os países da mesma forma na panela furada do aquecimento global. O africano é tão responsável pelo planeta quanto o americano ou o chinês. Nós perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma de como o homem produz seus bens. O que devemos fazer é focar na questão da água, da poluição ambiental, porque é possível queimar com responsabilidade. Mas para isso é necessária a decisão política. A boa gestão ambiental é, na minha opinião, a saída.

15 de novembro de 2009

A face da América que não está na Mídia.

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FONTE: VIOMUNDO. Texto de Luiz Carlos Azenha

"Se você mora ou está no Rio de Janeiro, é imperdível. O livro A América que não está na mídia, do jornalista Mário Augusto Jakobskind será lançado dia 17, terça-feira, às 19 horas, no Bip-Bip, o mais carioca dos bares do Rio de Janeiro. Fica na rua Almirante Gonçalves, 50, loja D.

Mário Augusto é integrante do Conselho Editorial do jornal Brasil de Fato e correspondente do jornal uruguaio Brecha. Também conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro.

“O meu objetivo é discutir a mídia hegemônica e a cobertura sobre o nosso continente, além, claro, da América Latina”, afirma Mário Augusto, que já publicou outros livros sobre a regão, entre os quais, América Latina – Histórias de Dominação e Libertação.

HISTÓRIAS OCULTAS, ASSÉDIO DA MENTIRA E ROBÔS O prefácio de A América que não está na mídia é do jornalista Flávio Tavares. Inicialmente, ele destaca o resgate, por Mário Augusto, de histórias ocultas que não podem ser esquecidas:

“Ao longo de anos e anos, o Brasil esteve de costas para a América Latina. Desconhecíamos os países vizinhos de língua espanhola, mesmo tendo os mesmos problemas, idênticos anseios e quase o mesmo idioma. Sabíamos que tínhamos até o mesmo inimigo, e que ele estava ao norte, poderoso e mandão, mas –entre nós mesmos- seguíamos distantes.

Mário Augusto Jakobskind, com este livro, volta a nos integrar ao continente. Já o relato inicial leva a indagar sobre as origens do terror espalhado pela direita na América Latina. Em minhas andanças de exilado político, eu vivia na Argentina naquele 1976, quando um golpe militar lá implantou o terrorismo de Estado. Morava em Buenos Aires, era correspondente dos jornais Excelsior, do México, e de O Estado de S.Paulo, mas só fui saber da “Noite dos Lápis”, muito tempo depois. O horror se escondia nas profundezas dos segredos e do medo da população.

São essas histórias ocultas que Mário Augusto conta agora, interpretando o passado recente não apenas para conhecê-lo, mas – mais do que tudo – para nos lembrar daquilo que não pode repetir-se jamais”.

No prefácio, Flávio Tavares toca ainda numa questão crucial a ser debatida na Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro:

“Este livro mostra o progressivo empobrecimento dos meios de comunicação entre nós. Informar passou a ser tratado como uma dessas quinquilharias que o capitalismo predatório da sociedade de consumo nos oferece a cada dia como se fosse o paraíso. O essencial está de fora na grande imprensa, no rádio e na televisão. O assédio da ilusão e, até, da mentira nos empanturra de tolices. Os grandes meios de comunicação nos transformam em robôs obedientes.

A imprensa, a TV aberta e o rádio viraram atividades comerciais, em busca de lucros. Até o golpe militar de 1964, o jornal Última Hora, mesmo privado, representava no Brasil uma opção popular e nacionalista, na vanguarda da denúncia da ação imperialista dos Estados Unidos. Hoje, qual é o órgão da grande imprensa que se atreve a ser tão independente?

Nenhum canal de TV aberta ou de rádio foi concedido pelo Estado a jornalistas aglutinados em associações ou sindicatos do setor. Enquanto persistir essa situação, persistirá também o estrabismo dos meios de comunicação”.

GALEANO E STÉDILE RECOMENDAM: VACINA CONTRA A MANIPULAÇAO A apresentação do livro é do João Pedro Stédile, líder do MST e da Via Campesina:

“O nosso amigo Mário Augusto faz um retrato crítico da América Latina”, diz Stédile. “Os leitores terão uma ótima oportunidade de atualizar suas informações sobre o nosso continente e, ao mesmo tempo, estarão vacinados contra as manipulações que habitualmente a grande imprensa costuma fazer de fatos políticos do continente, e que o autor chama de Goebelinas”.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do antológico As veias abertas da América Latina, faz um comentário que é uma obra-prima:

¿Medios de comunicación

o miedos de comunicación?

¿Libertad de expresión

o libertad de presión?

A orelha é do saudoso jornalista Fausto Wolff e a capa do cartunista Carlos Latuff. O livro pode ser adquirido pela internet aqui."

8 de novembro de 2009

O Vascão voltou!

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Foto: Marcelo Sadio/vasco.com.br
Ao acessar o site do Vasco da Gama vem à entrada, a frase: "O Sentimento nos trouxe de volta". Um ano de sofrimento. Mas o Vascão voltou. Após a vitória de 2 a 1 sobre o Juventude. O time que aceitou trabalhadores, negros, pessoas de classes sociais populares e que por isso teve que disputar a segunda divisão no início do século passado, e que em 2008 foi rebaixado no campo de futebol, está de volta à primeira divisão.
O site oficial do Vasco comentou a volta:
"07/11 - O Meu Vascão Voltou
E o dia chegou... depois de 34 rodadas, o Gigante da Colina está de volta. Depois da fatídica queda para a Série B, o Vasco mostrou sua grandeza e dentro das quatro linhas conquistou o direito de retornar ao seu devido lugar. Com o apoio irrestrito durante toda a campanha, nós, vascaínos, mostramos ao mundo que O SENTIMENTO JAMAIS PAROU.
O acesso foi garantido por antecipação neste sábado (07/11) em mais uma tarde de Maracanã lotado, onde Cruzmaltino venceu o Juventude por 2x1, com gols de Adriano e Carlos Alberto. O time do técnico Dorival Júnior volta a campo na terça-feira (10), quando enfrenta o Campinense, em Campina Grande, na Paraíba."
Foto: Marcelo Sadio/vasco.com.br
Até o presidente do maior rival mandou uma mensagem oficial:
"O Clube de Regatas do Flamengo compartilha a alegria do Clube de Regatas Vasco da Gama pelo retorno à Serie A do Campeonato Brasileiro.
Embora disputando a Serie B, o Vasco jamais deixou de pertencer à elite do futebol nacional. Esta conquista é mérito do empenho dos jogadores, comissão técnica, torcida e principalmente do grande trabalho desenvolvido pelo Presidente Roberto Dinamite à frente de sua diretoria. Rio de Janeiro, 7 de novembro de 2009 Marcio Baroukel de Souza Braga Presidente"

5 de novembro de 2009

Não deixe de ler: Mészáros.

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Se você busca um aprofundamento para a análise da realidade social em que vivemos, uma dica é começar por boas leituras. Obviamente que apenas boas leituras não faz ninguém analisar, criticar e agir sobre e no mundo de forma construtiva. É preciso atuar no próprio mundo, evitar a passividade. As obras de István Mészáros sempre forma nesse sentido. Um intelectual que não capitulou diante das falsas promessas oferecidas pelo Capital ao mundo da intelectualidade, que em sua prática pequeno-burguesa parece ter o maior prazer na capitulação e na bajulação aos detentores do Capital como parece fazer Fernando Henrique Cardoso, o "FHC".
Uma leitura interessante é a da obra Teoria da Alienação em Marx, publicada pela Editora Boitempo. Eis a apresentação feita pela editora:
Título: A teoria da alienação em Marx
Título Original: Marx´s theory of alienation
Autor(a): István Mészáros
Prefácio: Maria Orlanda Pinassi
Tradutor(a): Isa Tavares
Páginas: 296
Ano de publicação: 2006
ISBN: 85-7559-080-4
Preço: R$ 38,00
"Escrito por István Mészáros na Inglaterra, em 1970, A teoria da alienação em Marx é um profundo estudo sobre os Manuscritos econômico-filosóficosdo pensador alemão. Nele, Mészáros analisa com rigor a obra onde o então jovem Marx estabeleceu as bases do seu sistema filosófico.
Nesse sentido, as conclusões do autor vão contra aqueles que dividem Marx entre o "jovem" e o "velho", mostrando a unidade da sua reflexão e seu projeto intelectual, que une a economia política e filosofia na sua crítica e a necessidade de aliar-se análise e prática política para a superação do capital. Para este objetivo, o autor analisa um conceito fundamental do pensamento marxista: a alienação.
Como coloca Maria Orlanda Pinassi na apresentação do livro: "De modo geral, os que desejam fugir dos problemas filosóficos vitais - e nada especulativos - da liberdade e do indivíduo, se colocam ao lado do Marx `científico`, ou `economista político maduro`, enquanto os que não desejam assumir a implicação prática do marxismo (que é inseparável de sua desmistificação da economia capitalista) exaltam o `jovem filosófico Marx`."
Mészáros, no seu trabalho, retoma e desdobra os vários tipos de alienação do sistema capitalista. Seus aspectos econômicos, políticos, ontológicos, morais e estéticos, nas relações com o trabalho, na separação entre teoria e prática, entre o homem e a natureza, e considerações sobre a sua superação, além do que o autor chama de ordem sócio-metábolica do capital. O livro traz ainda um capítulo que trata especificamente da crise da educação e sua relação com a alienação.
Vencedora do prêmio Issac Deustcher, escolhida por um júri integrado por Perry Anderson, E.H. Carr, Eric Hobsbawm, Ralph Miliband e Monty Johnstone, esta é a quinta obra de István Mészáros publicada pela Boitempo no Brasil. Como seus outros livros, entre eles O século XXI: socialismo ou barbárie? e O poder da ideologia, traz o trabalho do autor em compreender tanto a essência como a abrangência da dialética, acima de uma concepção rasa e instrumental do marxismo.

Dois pesos e duas medidas. A hipocrisia do PIG é sem limites.

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O Luiz Carlos Azenha acertou mais uma vez. O Partido da Imprensa Golpista perdeu todos os pudores. Quando a pauta é o governo Lula e a esquerda, as manchetes tratam de "mensalão", "corrupção", "quadrilha" etc etc. Quando a pauta é o PSDB, o tucanato, as matérias são bem mais suaves. Um exemplo é o caso do "mensalão mineiro" em que o senador TUCANO, Eduardo Azeredo, está sendo acusado de ser o maior beneficiário.
Mas o seu partido aliado, o Partido da Imprensa Golpista - PIG, dá uma forcinha e chama de "coleta de verbas irregulares", o esquema tucano...
E ainda tem jornalista que gosta de chamar patrão de colega!

3 de novembro de 2009

MST X Cutrale

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Matéria do Portal Vermelho:

"O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi entrevistado na última sexta-feira (30) no programa 3 a 1, exibido pela TV Brasil. A entrevista, que vai ao ar no próximo dia 11, foi feita pelo âncora do programa, Luiz Carlos Azedo, pela jornalista do jornal Folha de S.Paulo Kátia Seabra, e pelo jornalista da revista Brasileiros Ricardo Kotscho.
Stédile falou sobre a ocupação da fazenda da Cutrale, em São Paulo, por integrantes do MST, no final de setembro. Ele disse chamou a ação de "desesperada" e motivada pela situação em que se encontravam os militantes do movimento acampados na região há seis anos.
"Foi uma atitude desesperada das famílias que ocupavam a fazenda. Com a notícia do próprio Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] de que a área é da União, desde 1910, naquele clima de indignação, alguns dos companheiros pegaram o trator e destruíram os laranjais", disse o coordenador do MST.
"Evidentemente que foi um equívoco, porque a direita e os órgãos de comunicação deste país, que servem aos interesses da burguesia brasileira, se utilizaram daquelas imagens, que foram gravadas pelo helicóptero e pelo serviço de inteligência da PM de São Paulo, e nos execraram na opinião pública", completou.
Stédile afirmou que o movimento não invadiu nenhuma casa de trabalhadores da fazenda e tenha causado danos. "Nenhum militante entrou nas casas dos funcionários. Aquilo lá foi uma armação da polícia e da Cutrale, sobretudo da Cutrale. Quem fez o serviço de entrar nas casas não foi o MST. Ou seja, tem uma hora aí de espaço. Nós saímos, deixamos tudo bonitinho, não mexemos nas casas. Aí ficou a polícia sozinha com a Cutrale dentro da fazenda por uma hora. Aí depois dessa hora veio a imprensa", afirmou.
O coordenador do MST ainda criticou a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) para investigar repasses de verbas do governo ao movimento.
"A CPMI é uma armação. Eles fizeram uma matéria na Veja com dados requentados de três anos. Com a matéria da Veja, convocaram a outra CPMI. Aí nós derrubamos, porque era sintomático. Aí com a ocupação da Cutrale, você acha que por uma ocupação, por algumas laranjas vale a pena abrir uma CPMI? Então é melhor abrir uma CPMI aqui na Assembléia Legislativa de São Paulo para saber por que que que Cutrale tem aquela área grilada", afirmou.
Stédile explicou também que Organizações Não Governamentais (ONGs) independentes do MST é que recebem dinheiro para a realização de serviços no campo. "Desde o Fernando Henrique, o governo contrata Ongs para fazer o serviço que deveria ser do Estado. E que recebem dinheiro público. Esse dinheiro vai lá para resolver um problema concreto, ou de escola, ou de contratar agrônomo, ou de fazer casa, ou fazer medição, ou luz elétrica. Quem organiza essas Ongs, às vezes, são grupos de agrônomos, às vezes tem até jornalista, é iniciativa da sociedade", disse.
"Todo dinheiro é fiscalizado, primeiro pelo Incra, depois Ministério do Desenvolvimento Agrário, depois pelo TCU, de todos esses recursos que não têm a ver conosco. A nossa posição é que isso é esdrúxulo. Somos contra isso, nós dissemos já ao Lula: Pelo amor de Deus pare com essa história de Ongs, faça com que o Estado consiga fazer isso", completou.
O coordenador do MST reafirmou a posição do movimento em defesa da agricultura familiar. De acordo com ele, apenas com uma posição clara do governo e da sociedade a favor desse modo de produção é que a reforma agrária vai andar.
"A reforma agrária, como um programa realmente universalizado, que chegue a milhões de trabalhadores, é só quando o governo e a sociedade brasileira priorizarem a agricultura familiar. E hoje há esse embate entre esses dois modelos agronegócio e agricultura familiar , e não há uma prioridade clara de dizer a agricultura familiar é política de governo".
Stédile ainda fez uma avaliação do processo de reforma agrária no governo Lula. "Em alguns aspectos, ela ficou para trás, como o ritmo desapropriações no Nordeste, Sul e Sudeste. O governo continuou priorizando a Amazônia. Em outros aspectos, ela avançou muito, com o Luz para Todos, um outro programa de moradia, que é insuficiente em números, mas os programa é bom. É um balanço equilibrado, é bem melhor que na época do Fernando Henrique, mas ainda insuficiente para enorme demanda dos pobres do campo têm", afirmou."