29 de março de 2010

"Não emburre... faça greve com humor e poesia"

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Do blog Humor na greve:  



O Pelego

O Pelego

"Lá vai o pelego,
usando viseira,
morrendo no emprego,
arrastando a coleira.

Vai rindo da gente,
mas de cabeça pra baixo,
o ser subserviente,
da história, o capacho.

De índole servil,
ensina a lição,
que ao peito varonil,
cabe a resignação.

De sujeito a objeto,
empurra, assim, a vida,
no conflito, fica quieto,
não vê mais saída.

Como educa o pelego,
no interior da escola,
com o discurso do medo
e pedindo esmola?

Na sombra,acovardado,
terá,mesmo, sossego,
escondido e coitado,
o velho e pobre pelego?"

Fonte: Humor na Greve

A revolução cubana continua em marcha!

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Não retroceder diante do Império. Coragem. Sacrifício. Luta. E apoio. De vários lugares do mundo. De várias origens. Enquanto alguns hipócritas brasileiros que nunca se colocaram ao lado do povo trabalhador do Brasil se arvoram em falar sobre democracia e direitos humanos, outros estão juntos na trincheira da resistência ao imperialismo.
O site Pátria Latina divulgou no dia 27 de março, a seguinte notícia:

"O arquiteto Óscar Niemeyer, o diplomata e sacerdote Miguel D’Escoto, o filósofo Istvan Meszaros e vários músicos famosos levantam sua voz contra a infame campanha midiática. Organizações solidárias asiáticas rejeitam ingerencismo dos parlamentares europeus

Pedro de la Hoz
Granma

"A campanha midiática desatada nestes dias contra Cuba, achou uma resposta contundente de parte de proeminentes intelectuais e artistas, os quais exigem respeito à soberania da Ilha e fidelidade à estrita verdade em torno a acontecimento manipulados e deturpados por aqueles que pretendem que a nação caribenha recue na história, como foi o caso do Parlamento Europeu.
 Oscar Niemeyer.
Dentre as mais recentes adesões à declaração em defesa de Cuba, iniciatica do capítulo mexicano da rede Em defesa da Humanidade, se encontra a do brasileiro Óscar Niemeyer, ícone da arquitetura mundial do século passado; o diplomata, sacerdote nicaraguense e ex-presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Miguel D’Escoto; o filósofo de origem húngara, Istvan Meszaros; o lutador independentista portorriquenho Rafael Cancel Miranda e o romancista espanhol Juan Madrid.

São coincidentes ao qualificarem a intromissão europeia, “não só um ato ingerencista que reprovamos, em virtude do nosso compromisso com os princípios de não-intervenção e de autodeterminação dos povos”, mas como imposição de “um modelo único de democracia que, por sinal, se mostra cada vez mais insuficiente e questionável”, um grupo de músicos que com suas canções foram sucesso em determinadas épocas: o uruguaio Daniel Vigletti; o dominicano Víctor Víctor; o nicaraguense Luis Enrique Mejía Godoy; os portorriquenhos Roy Brown e Danny Rivera; os argentinos Víctor Heredia e Raly Barrionuevo e o paraguaio Ricardo Flecha.

Vozes honestas e lúcidas dos Estados Unidos — o politicologista Michael Parenti, o realizador Saul Landau, o antropologista James Early e o ensaísta de origem italiana Pero Gleijeses, além do popular ator Danny Gloves — assinaram a declaração, que denuncia “o acosso econômico e midiático a que está sendo submetida Cuba, o qual constitui um atentado contra os direitos humanos e políticos de um povo que decidiu tomar um caminho diferente”.

Essa mesma convicção foi patentizada pelo cineasta boliviano Jorge Sanjinés, por seu colega mexicano Jorge Fons, pelo romancista argentino Vicente Battista e pelo teatrólogo espanhol Jaime Losada.
 Em defesa de Cuba se pronunciaram, ainda, 197 representantes de 20 países da Ásia e do Pacífico, em um encontro de solidariedade efetuado em Vientiane, a capital do Laos. Entre os assistentes se encontravam ministros e deputados de dez nações, os quais rejeitaram a atitude ingerencista dos deputados europeus e argumentaram as razões de Cuba para construir uma sociedade justa e humanista."

27 de março de 2010

Cenas da greve dos professores em São Paulo

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Ao poder de um governo estadual soma-se a colaboração da mídia. Que sempre fica ao lado dos patrões, neste caso, o governo do estado de São Paulo. Ele tem tudo: o poder, a força policial, a conivência da mídia. Os professores? Os professores tem somente sua força de mobilização e muitas vezes a indiferença da sociedade. Ou de parte dela. Fotos do cotidiano de uma greve.  








Como a versão do governo é amplamente defendida e divulgado, faço aqui a minha colaboração aos colegas professores de São Paulo. Eis a nota do sindicato dos professores: 

 “ANTES QUE O SERRA SUGUE O NOSSO SANGUE, VAMOS DOÁ-LO A QUEM PRECISA
Os lamentáveis acontecimentos de hoje nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, onde a truculenta polícia de José Serra deixou vários professores feridos, não vão calar a voz do magistério paulista em busca do atendimento de suas legítimas reivindicações salariais, profissionais e educacionais.
A proposta do governo, transmitida a uma comissão de 10 dirigentes da APEOESP e demais entidades do magistério pelos secretários adjuntos da Casa Civil e da Educação, de que devemos encerrar a greve para haver possibilidade de negociação é uma verdadeira afronta ao nosso movimento. O governo, agora apoiado na selvageria da tropa de choque, nunca se dispôs a negociar e mantêm a postura arrogante, apesar da greve generalizada em todas as regiões do estado. Onde está o governador, lá está a polícia batendo nos professores.
Por isto a nossa greve vai se intensificar e nova assembleia será realizada no dia 31 de março, às 14 horas, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista.
No próprio dia 31 de março, participaremos do “bota fora” de Serra, às 12 horas, na Praça do Patriarca, promovido pelas entidades do funcionalismo e outras entidades. Na véspera, os professores doarão sangue a hospitais e bancos de sangue em todo o estado, sob o lema “Antes que Serra sugue o nosso sangue, vamos doá-lo a quem precisa”.
Bombas, truculência, ameaças e afrontas não nos intimidarão. Temos reivindicações e queremos negociação. Não nos ajoelharemos e não nos curvaremos à vontade deste governo. A greve continua! "

26 de março de 2010

"Quem não sabe localizar onde está a direita, corre o grave risco de se aliar a ela"

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Não se iluda. Questões decisivas se farão presentes na próxima eleição. Modelos distintos e a sobrevivência de milhões de brasileiros. A vacilação pode representar o retrocesso. Análise do professor Emir Sader:

Emir Sader, no seu blog,

"A candidatura da Marina, as do Psol, do PSTU, do PCB e outras eventuais do mesmo campo, têm algo em comum: tentar caracterizar que o PT e o PSDB seriam variações da mesma alternativa. Daí deduzem a necessidade de outra candidatura, buscando romper o que consideram uma falsa alternativa. Daí também, implicitamente, a posição de abstenção ou voto em um segundo turno em que se enfrentassem Dilma a Serra.
Essa tentativa de igualização das duas candidaturas é essencial para que se tente aparecer como superação do que seria uma falsa dualidade e aponta, entre outras coisas, para um voto branco em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, de forma coerente com essa análise. Foi o que aconteceu no segundo turno entre Lula e Alckmin.
Para nos darmos conta do absurdo dessa posição, basta fazer o exercício de imaginar o que teria sido do Brasil com quatro anos de mandato de Alckmin no lugar de Lula – incluindo o enfrentamento da crise internacional. Não se conhece nenhum balanço autocrítico dos setores de esquerda, o que supõe que a mantêm, agora com o agregado de Marina, que em 2006, ainda ministra do governo, fez campanha ativamente, no primeiro e no segundo turno, o que faz pensar que quando ocupava aquele cargo, sua posição era uma, quanto teve que deixar o governo, mudou de avaliacao sobre o governo Lula e também sobre o caráter do bloco tucano-demista, haja vista suas fraternais relações com estes atualmente. (Fazendo temer até mesmo que os apóie, expressa ou veladamente no segundo turno.)
A incompreensão das diferenças entre as candidaturas da Dilma e do Serra decorre da incompreensão da realidade brasileira atual, o que permite esse e outros equívocos. Considerar que o bloco tucano-demista é similar ao bloco governista e que um governo da Dilma ou do Serra seriam similares para o Brasil corresponde a não dar valor à política internacional do governo atual, às políticas sociais, ao papel do Estado, à inserção internacional do Brasil – entre outros tantos temas.
Quem não sabe localizar onde está a direita, corre o grave risco de se aliar a ela. Um aliado moderado – um governo de centro-esquerda – é radicalmente diferente de um inimigo. Ao contrário da avaliação dos setores radicais que deixaram o PT, o governo mudou e mudou para melhor, desde que Dilma Rousseff substituiu Palocci como ministro coordenador do governo. Quem acreditou que o governo estava em disputa e que era possível um resgate seu pela esquerda, acertou, enquanto que os que tiveram uma avaliação puramente moral, acreditando que o governo tinha “mordido a maçã” do pecado da traição, caminhando para ser cada vez pior, erraram, se isolaram e desapareceram do campo político, lutando agora apenas por uma sobrevivência mínima no plano parlamentar.
Considerar que um governo da Dilma ou do Serra seriam a mesma coisa – assim como consideraram que o Brasil com Lula, nestes quatro anos, é o mesmo que teria sido com 4 anos de governo de Alckmin – é não valorizar o que significa a prioridade da integração regional e das alianças com o Sul do mundo, em contraste com os Tratados de Livre Comércio – a que o governo de FHC levava o Brasil – e com as alianças prioritárias com os países do centro do capitalismo, objetivo dos tucanos.
É não levar em conta as diferenças de enfrentamento da crise do governo FHC – de que Serra foi ministro nos dois mandatos – e a forma de enfrentá-la do governo Lula, com um papel ativo do Estado, com a diminuição e não o aumento da taxa de juros, com os aumentos salariais acima da inflação, com a rápida recuperação do nível do emprego, com a manutenção das políticas sociais.
É não considerar as diferenças substanciais entre o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa, mantendo-a como banco público, evitando que um banco paulista mais fosse privatizado pelos tucanos – o Banespa foi vendido a um banco espanhol e a Nossa Caixa teria destino similar, não fosse o atuação do BB.
Esses e outros aspectos ajudam a diferenciar e a projetar governos muito distintos no futuro – veja-se a equipe econômica do Serra, para se ter idéia, além dos ministérios que entregaria para o DEM.
Quando uma força de esquerda se equivoca sobre a polarização do campo político, querendo desconhecê-la, conforme seus desejos subjetivos, se torna intranscendente, não acumula capacidade de intervenção política. E, pior, a ação que logra obter, pode perfeitamente favorecer a direita, seja de forma explícita ou implícita.
A incapacidade de compreender a polarização política no Brasil de hoje entre dois blocos de forças claramente diferenciados inviabiliza uma política de construção de uma frente ampla de esquerda, com o sectarismo fazendo com que nem sequer entre si os grupos mais radicais da esquerda consigam coligar-se."

Extraído do site Viomundo.

11 de março de 2010

Quando os urubus defendem a "democracia"

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Os urubus do capital  a serviço dos patrões


Ler o que os jornalões brasileiros divulgam sobre Cuba e a preocupação de seus funcionários com a democracia, a liberdade e os direitos humanos é capaz de provocar as reações mais variadas em um cidadão: nojo, raiva, tristeza, perplexidade, a confirmação de que são partidários do Capital, não sei ao certo. Mas indiferente à hipocrisia e cinismo não dá para ficar.  Arautos da democracia para Cuba, chamam a ditadura militar que ocorreu no Brasil entre 1964-1985, de "ditabranda". 


Vejamos um exemplo de violação dos Direitos Humanos e lembre-se que os jornalões são contra o Plano Nacional de Direitos Humanos. 

Ou seja, para o Brasil, apurar o passado não vale. E o presidente Lula, na opinião dos jornalões tem que ir lá em Cuba e se intrometer nas questões daquele país. 

Na versão dos jornalões, o Brasil deve esquecer o passado, já que durante a ditadura militar brasileira houve uma luta entre dois lados, o lado do governo e o lado dos "terroristas". Sim a Rede Globo e seus outros veículos chama os que pegaram em armas contra a ditadura militar, de "terroristas". Pois é. Para a "nossa" imprensa, o Lula tem que se meter a condenar o governo cubano. 

Mas e sobre este problema aqui? 

  Presos sem direitos na cadeia norte-americana em Guantánamo


E este outro caso? 

"Terroristas" palestinos mortos em ação israelense

Você consegue se lembrar de algum jornalista, dos jornalões, escrever alguma linha exigindo que o presidente Lula fosse diretamente criticar os governos dos EUA ou de Israel? 

É evidente que se comportam como partido político, assumiram o papel de representantes do conservadorismo. 


Se colocam contra as cotas para negros no ensino superior público, se colocam contra o governo brasileiro no caso das relações comerciais com os EUA, não aceitam uma política externa mais independente, questionam todas as obras estruturantes do governo federal e colocam como pauta principal da agenda presidencial, os problemas internos de Cuba? 

Se lixam para os problemas dos brasileiros. São seletivos na escolha dos que sofrem pelo mundo. E no Brasil querem pautar até o que o José Serra, o preferido das classes dominantes, deve fazer para se consolidar em sua possível candidatura. E querem também pautar a vida do Aécio Neves. Quanta pretensão! 



Informe do SINDURCA

Um comentário:
De: Francisco Augusto Silva Nobre




"Companheir@s,

Que vergonha! A reitoria da Urca esta iniciando mais um concurso para Professor Substituto. A intenção é contratar mais 15 docentes temporariamente por 1 ano. Porque é uma vergonha?
Em primeiro lugar porque o professor substituto foi pensado para substituir os professores efetivos quando estes necessitam se afastar da sala de aula por motivo de doença ou para cursar mestrado ou doutorado. Esse não é o caso. Na URCA já foi fartamente demonstrado que a verdadeira carência é por professores EFETIVOS e o próprio governo e reitoria já sabem disso. Em um documento assinado pela Coordenadora da Educação Superior do Estado do Ceará, Sra. Socorro Osterne, datada de 11 de dezembro de 2008 a SECITECE mostra um quadro onde a URCA tem 169 cargos de professor efetivo vagos a serem preenchidos por meio de concurso público de acordo com a demanda da instituição. Em razão disso a Pró-Reitoria de Graduação da URCA fez um levantamento datado de 31 de março de 2009 mostrando uma carência de 142 professores efetivos somente para os campi de Crato, Juazeiro e Barbalha.
E os campi da URCA em Iguatu, Brejo Santo e Campos Sales? Nunca se fez concurso, e, na realidade, os professores que prestam serviço nestas localidades atendidas pela universidade são contratados pela FUNDETEC (fundação privada dita de apoio da URCA). Não custa lembrar que a FUNDETEC é aquela mesma em que a auditoria do tribunal de contas do próprio governo aponta indícios de gestão fraudulenta, apropriação indevida e desvio de recursos públicos. Até ai, nenhuma novidade, pois já em 2004 o SINDURCA denunciou a prática de contratação irregular na Procuradoria Regional do Trabalho. O que levou a Reitoria da URCA, no dia 27 de maio de 2008, a ter que assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) perante o Ministério Público do Trabalho (MPT). Neste TAC, a Reitoria da URCA se comprometeu a reverter tal irregularidade, empossando os futuros concursados até março de 2009Mas até hoje, março de 2010, nada foi resolvido. Ou seja, não é por falta de justificativas, levantamentos, dados e números que o concurso ainda não foi realizado, como afirmou na última quarta-feira, dia 10 de março, a Sub-Secretária de Ciência e Tecnologia, Sra. Teresa Lenice, quando lhe foi cobrado pelo SINDURCA o Concurso Público para professor Efetivo.
Em segundo lugar a contratação indiscriminada de substitutos é uma verdadeira falta de respeito com a nossa categoria, pois como substitutos, os professores ficam completamente fragilizados, e não tem os mesmos direitos que os efetivos. Seus salários são menores do que um docente efetivo mesmo que sua carga horária seja similar ao professor do quadro permanente. O contrato deste professor é por apenas um ano podendo ser renovado por mais um, no entanto o cancelamento do mesmo pode se dar a qualquer momento. Outra diferença é que os professores substitutos são marginalizados nas atividades de pesquisa e extensão, exercendo apenas atividades de sala de aula. Mas o verdadeiro drama dos substitutos é no diz respeito a nossa organização sindical, pois a falta de estabilidade provoca um clima de instabilidade entre os docentes e ceceia não só sua autonomia intelectual, mas também sua atuação política. O medo de perder o emprego a qualquer momento limita sua participação política essencial para docência e com isso toda categoria perde. Durante as greves é comum ouvir dos substitutos “eu não posso fazer greve, pois posso perder o emprego”. O professor substituto não pode orientar pesquisa junto às agencias de fomento e não pode assumir funções da administração. Obviamente, isso tudo recai sobre o conjunto dos professores efetivos, que estão tendo uma sobrecarga de trabalho.
No dia 27 de janeiro de 2009, a Reitoria publicou em seu site que estaria viabilizando um concurso de 45 vagas de Professor Efetivo (apenas vagas de reposição). Previa-se até que estes novos contratados seriam empossados até o inicio do próximo semestre. Porém em junho de 2009 é publicado um edital para concurso de 59 vagas para Professor Substituto. E agora, março de 2010, mais 15 vagas para um concurso de Professor Substituto. A maioria destas vagas é irregular, pois alguns dos nossos professores já estão a 8 anos como substituto e é sabido que não temos concurso para Professor Efetivo desde 2002. Essa questão, inclusive, é mais ampla e abrange também as necessidades de pessoal da URCA, pois há vários casos na URCA de servidores técnico-administrativoscontratados temporariamente há mais de 20 anos, configurando uma situação de extrema ilegalidade, não se podendo alegar, dada a temporalidade, que com isso estão atendendo situações de excepcionalidade emergencial. Essa situação está presente na Universidade desde a sua instalação ocorrida há duas décadas, e fica difícil acreditar a inexistência de intencionalidade nesse tipo de procedimento.
Nesta terça, dia 9 de março, o sindicato foi até o MPT cobrar o cumprimento do TAC firmado com URCA e fomos informados que a procuradoria esta encaminhando uma ação mais contundente contra a universidade. O SINDURCA também esta entrando com mais uma denúncia contra a URCA, desta vez no Ministério Público Estadual, questionando a abertura de mais um concurso para professor substituto e solicitando a abertura de concurso para professor efetivo com base nas reais carências em todos os campi da URCA e não apenas para suprir a vacância de mortes e exonerações como pretende a reitoria e o governo. Também protocolamos (em anexo) na última segunda-feira, dia 8 de março, no Gabinete do Governador Cid Gomes, solicitação de audiência para discutir os problemas que afligem nossa categoria. O ponto de pauta principal da audiência é o CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR EFETIVO.
Mas entendemos também que somente a ação jurídica do sindicato e as reuniões da diretoria com o governo e seus representantes não é suficiente. É chegado o momento de dar um basta nessa história de concurso para professor substituto. Épreciso atuar em conjunto, unidos com estudantes e técnicos-administrativos para conter o processo de precarização do nosso trabalho. A categoria tem que mostrar sua força, no passado já protagonizamos 4 greves por concurso para efetivos, unificando pautas das três categorias. No caso dos estudantes a luta por assistência estudantil e os funcionários pela implantação do seu Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. Só a luta, mais uma vez, pode garantir nossos direitos.
Contra a precarização do trabalho docente!
Equiparação salarial imediata dos professores substitutos!
Concurso público já para professores e técnicos–administrativos efetivos!
Por uma universidade verdadeiramente Pública, Gratuita, Democrática e de Qualidade!"
SINDURCA-SS  / ANDES-SN  /  CONLUTAS

9 de março de 2010

"Cuba não aceita pressões nem chantagens"

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Cuba não aceita pressões nem chantagens
Por Alberto Nuñez Betancourt, no Granma

"Importantes veículos de comunicação ocidentais voltam a chamar a atenção com uma mentira pré-fabricada. Assim, respondem aos interesses imperialistas contra nosso país. 
Enquanto em Cuba ocorre, por exemplo, a campanha de vacinação contra a poliomielite, que preserva a saúde de mais de meio milhão de crianças e, no Haiti devastado, centenas de médicos cubanos reafirmam o seu espírito humanista de luta pela vida, manchetes maliciosas se esmeiram em orquestrar uma campanha a favor do contrarrevolucionário Guillermo Fariñas Hernández.

Em greve de fome, em sua casa, em Santa Clara, há 13 dias, ele declarou que procura impor a liberação de mais de 20 presos contrarrevolucionários, sancionados com todas as garantias processuais em nossos tribunais, para atuarem a serviço de interesses estrangeiros, contra a independência e a ordem constitucional de nosso país. A manipulação é tal que as notícias chegam a argumentar que o Governo cubano teria indicado que se deixe morrer este assalariado da Seção de Interesses dos Estados Unidos em Havana, sem apontar nenhuma palavra sobre os múltiplos esforços de muitos dos nossos profissionais da saúde para assistir esta pessoa. 

Guillermo Fariñas Hernández, conhecido no ambiente dos 'vende-pátrias' (traiçoeiros) como "Coco", transita de uma posição simpática à Revolução ao comportamento anti-social. O primeiro ato público que revelou o grande desajuste de sua personalidade, e que não teve nenhuma matiz política, ocorreu no final de 1995, quando ele agrediu fisicamente uma mulher, funcionária da instituição de saúde onde trabalhava como psicólogo, lhe causando ferimentos múltiplos no rosto e nos braços. O crime provocou uma pena de três anos de prisão sem internamento, além de uma multa de 600 pesos. 

Para escapar à justiça inventou sua primeira greve de fome e logo depois passou ao limiar das atividades contrarrevolucionárias. Com a ajuda desses pequenos grupos, divulgava seu caso, fazendo uma série de tergiversações por emissoras de rádios subversivas, além de expressar a disposição de morrer se não lhes dessem respostas às demandas que desejava. 
Um segundo evento, em 2002, confirma a característica violenta deste sujeito e o desprezo evidente por sua pátria e os cidadãos que a defendem. Em plena cidade de Santa Clara, Fariñas espancou fortemente com um bastão um ancião que havia evitado um ato terrorista de um enviado especial do terrorista Luis Posada Carriles. Os danos causados no lesionado provocaram uma urgene intervenção cirúrgica para retirar-lhe o baço. 

Uma vez condenado a 5 anos e 10 meses de prisão, na Causa 569 de 2002 do Tribunal Popular Provincial de Villa Clara, usou de novo seu método de fazer show: a greve de fome. Naquela ocasião, a posição adotada por Fariñas Hernández levou a uma desidratação leve, para a qual foi indicado tratamento com soro. Interrompeu a greve e, em 4 de novembro de 2002, decidiu reiniciá-la exigindo que colocassem uma TV na sala de Enfermagem da prisão onde ela estava se recuperando. 

Em 5 de dezembro de 2003, em atenção aos seus problemas de saúde, foi concedida a ele uma licença extra-penal (no artigo 31, parágrafos 3.b e 4, do Código Penal, se estabelece a faculdade de conceder a suspensão da detenção ao condenado à privação de liberdade por causas justificadas, com base no bom comportamento), em conformidade com nossas leis e com base na concepção humanitária da nossa justiça e do sistema prisional. Três anos depois, este agente a serviço dos Estados Unidos protagoniza um prolongado jejum para exigir a funcionários do ETECSA o acesso à Internet a partir de casa. Fariñas é um assíduo repórter da infame emissora chamada Rádio Martí e de outras estações anti-cubanas. 

Sua folha de serviços é ampla também na assistência a atividades da todo tipo dfa SINA e de algumas embaixadas europeias que dirigem a subversão em Cuba, das quais recebe instruções, dinheiro e suprimentos. Existem princípios bioéticos que obrigam o médico a respeitar a decisão de uma pessoa que decidiu iniciar uma greve de fome. Portanto, de forma nenhuma se pode forçá-lo a ingerir alimentos, como fazem cotidianamente as autoridades norte-americanas nas prisões e centros de tortura de Guantánamo, Abu Ghraib e Bagram, em violação aos direitos dos detidos. A medicina só pode atuar quando o paciente entra em choque, fase em que, via de regra, é tarde, pois o ser humano está já no limite da sobrevivência, o que se chama ponto de não retorno. Como resultado de sucessivos episódios de greves de fome, o corpo Fariñas está em um processo de deterioração notável.

Se hoje está vivo, é preciso dizer, é graças ao atendimento médico qualificado que ele tem recebido, independentemente de sua condição de mercenário. Nesse caso, não é a medicina que deve resolver o problema intencionalmente criado com o propósito de desacreditar nosso sistema político, mas o próprio paciente e os apátridas, diplomatas estrangeiros e veículos de imprensa que o manipulam. As consequências serão de sua inteira e única responsabilidade. Cuba, que tem demonstrado em excesso que tem como principal divisa a vida e a dignidade humana, não vai aceitar pressões ou chantagens."

Fonte: Portal Vermelho

6 de março de 2010

Terremoto no Chile

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"DEPOIS DO FRACASSO NO CHILE, LIBERAIS ATACAM "ESTADO MÍNIMO"
Atualizado em 06 de março de 2010 às 16:05 | Publicado em 06 de março de 2010 às 01:03"
por Luiz Carlos Azenha


Santiago -- O retumbante fracasso do governo Bachelet na resposta ao terremoto da semana passada levou a uma situação curiosa, no Chile: os liberais agora atacam o estado mínimo, do qual o país sempre foi um exemplo cantado em prosa e verso. 

Quanto ao fracasso, foi espetacular e, para mim, revelador.

Espetacular porque houve um completo fracasso nas comunicações intragovernamentais do país. Houve um estrondoso bate-cabeças que mediu 8.5 na escala Richter. Ficou claro que a fiscalização das obras é ineficaz, pelo grande número de prédios novos que veio abaixo. Os acréscimos não previstos na legislação da construção civil cairam em toda parte: tetos de gesso, passarelas e outros penduricalhos. Sem falar no completo despreparo para dar à população o mínimo atendimento que se requer em situações de emergência. A patética tentativa da presidente Bachelet de jogar a culpa nos vândalos me fez lembrar de José Serra e Gilberto Kassab nas enchentes paulistanas: a culpa é da população e do "dilúvio" propagandeado nas inserções televisivas do DEM. 

Revelador porque, depois de passar uma semana no Chile, em contato com a população, me surpreendi com a crítica generalizada à mídia, que é acusada de mentir e de esconder a verdade sempre que interessa aos poderosos. Quando a mídia daqui propagandeava as ações do governo, boa parte do país ainda estava sem água, sem energia e sem comida. Algum marqueteiro esperto logo inventou uma campanha nacionalista e oportunista, destinada a, como sempre, mudar de assunto e evitar a responsabilização de governantes incompetentes e falastrões.

Aqui pouco se falou, por exemplo, no fato de que o toque de recolher em várias regiões foi, como sempre, uma forma de conter os pobres. O mesmo estado que não conseguiu levar água e comida despachou milhares de soldados para reprimir saques que não teriam acontecido se o mesmo estado tivesse conseguido levar água e comida antes que os soldados.  Lembram-se dos invisíveis cuja existência foi revelada pelo Katrina em New Orleans? Desta vez, foram os invisíveis chilenos que mostraram o rosto. Ninguém pode acusar o jornal Mercurio de ser socialista. Trata-se, afinal, do mesmo jornal que recebeu dinheiro da CIA para promover uma campanha de propaganda contra Salvador Allende. 

Curiosamente, no entanto, coube ao jornal o papel de sintetizar o que ouvi de muitos chilenos e que, com raríssimas exceções, está ausente do discurso midiático aqui: o estado chileno fracassou de forma completa e retumbante. E com requintes de crueldade, já que anunciou oficialmente que não havia risco de tsunami na costa do país alguns minutos DEPOIS da primeira de três grandes ondas ter atingido a costa.

"Estes fatos deixaram inocultavelmente a nu as enormes deficiências de nosso Estado, muitas vezes escondidas por indicadores internacionais muito imperfeitos que o avaliam satisfatoriamente", escreveu o jornal em editorial. A vitrine em que o Chile era a jóia dos neoliberais rachou, embora eu duvide que eles pretendam fazer mea culpa aumentando a capacitação, a formação e os salários do funcionalismo e os gastos públicos com políticas sociais e infraestrutura para os que hoje saqueiam. Aí já seria "estado demais".” 

FONTE: VIOMUNDO

5 de março de 2010

A direita de berço e a direita transmutada.

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A direita brasileira não é composta só por notórios direitistas de "berço". Para ficarmos só no âmbito dos direitistas que ocuparam cargos públicos eletivos, temos pessoas do naipe de Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Jorge Bornhausen, Marco Maciel, Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado e outras personalidades. Fora os que já faleceram, sendo um dos mais notórios direitistas dos últimos tempos, o baiano Antônio Carlos Magalhães. Como no mundo da realpolitik muitas vezes o que importa é o uso do estado brasileiro, os direitistas de berço aproveitam as oportunidades. E quando estão fora do governo, principalmente o federal, se desesperam e a mídia empresarial brasileira é bem generosa na divulgação de suas opiniões.   
No campo do pensamento, os direitistas de berço são mais agressivos, alguns inclusive beirando o fascismo. Ou são fascistas mesmo. 

 Outros são "apenas" defensores do neoliberalismo, da entrega do patrimônio brasileiro, da submissão ao capital internacional, da cartilha do Consenso de Washington. Lembra o que eles queriam fazer com a Petrobrás? 

  
E existe um outro tipo de diretista. Aquele que diz que foi de esquerda, ou realmente foi. Mas decidiu mudar de lado. Tudo bem, reversões ideológicas são explicáveis. Podemos entender, afinal, faz parte da democracia. Mas existem alguns direitistas que tem origem na esquerda, ou seja, são "ex-esquerdistas", que, extremamente agressivos, procuram além de renegar seus passados, destruir a esquerda que existe. Sobre este tipo especial de direitistas, o professor Emir Sader escreveu para a Agência Carta Maior, o seguinte: 

A miséria moral de ex-esquerdistas
     






"Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.



O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.

O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.
Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”. 

Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.
Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.
Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.

Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.
Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro."


Fonte: Agência Carta Maior

2 de março de 2010

O analista-poste

Um comentário:
Texto de Luís Nassif. Que fala do analista-poste. E o exemplo concreto é o de um historiador. Triste, mas real. Depois dessa, o que eu vou dizer lá em casa sobre os historiadores?




"Essa história da seleção de fontes pelo critério ideológico produziu uma mixórdia analítica na velha mídia. Foi ampla a falta de critério na seleção de fontes. Qualquer jornalista político minimamente experiente sabe que ser cientista social ou historiador não é atestado de conhecimento dos rumos eleitorais. O acadêmico com boa formação consegue enxergar os grandes temas da política, as grandes linhas.
Mas o jogo eleitoral exige o conhecimento do dia a dia, presente apenas nos bons repórteres políticos, capazes de se abastecer nas boas fontes. Exige intuição para entender o jogo futuro, o impacto das alianças sobre os candidatos, os efeitos da conjuntura econômica, um mínimo de conhecimento sobre o potencial de cada candidato e, principalmente, sobre a alma do eleitor. Como a necessidade de analistas engajados mediocrizou o debate, surgiram os comentaristas-poste tendo como único discurso que a eleição estaria ganha por Serra porque, do outro lado, havia uma candidata-poste. Em todo entrevista, lá vinha o gênio da lâmpada com ar professoral sacando da algibeira a menção à “candidata-poste”.
Todos os demais fatores foram ignorados, pela própria incapacidade desse pessoal de processar mais de uma variável. São monofásicos. Saem à rua, se está chovendo, sua previsão é que nos próximos meses choverá; se no dia seguinte faz sol, garantirão que os próximos meses serão de sol. Ficou-se nesse chavão da candidata-poste e em elogiar todas as iniciativas do candidato Serra. O sujeito travado, sem conseguir avançar uma ideia, uma iniciativa sequer e o analista-poste vendo no travamento sinais de augusta sabedoria.
Dentre todos, não existe ninguém que supere o professor Marco Antonio Villa, o autêntico analista do cenário do dia. É de uma incapacidade total de enxergar um mês à frente. Não se está falando em anos à frente, mas em um mês. Confira.
Primeiro, propunha que o candidato da oposição encarnasse o anti-Lula:
O candidato da oposição teria que, além de apresentar um novo projeto para o país, desmitificar o presidente Lula. E o tempo para tudo isso está acabando. “A oposição já perdeu muito tempo em 2005, deu um respirador ao governo no momento em que ele estava à beira do nocaute, parou a luta no momento em que poderia levar o presidente a nocaute, ao impeachment, achando que não era hora e que era melhor levar o candidato sangrando ou quase derrotado para vencer em outubro.” A estratégia se mostrou um fracasso, observa. E a oposição vive a dificuldade de construir sua candidatura diante desse novo cenário de recuperação do presidente Lula.
O PSDB terá muitos desafios para imprimir em seu candidato todas as características do anti-Lula. Na opinião de Marco Antônio Villa, o candidato será José Serra, e ele é maior do que o PSDB. “Serra consegue pegar votos de setores da esquerda, por exemplo.” O tucano terá que mostrar que não é, em hipótese alguma, o candidato dos ricos contra o candidato dos pobres, “desmascarando a estratégia de Lula”, observa o professor. “Mostrar que o candidato dos ricos é aquele que dá o maior lucro da história para os banqueiros, ou seja, Lula.” Serra terá ainda que eliminar essa divisão regional que caracteriza o PSDB e que reflete uma disputa do Sul e Sudeste contra o Nordeste. “E mostrar que o presidente, em três anos e pouco de mandato, não construiu uma política para o Nordeste. A região vive momentos de seca e falta de esperança, e Serra tem que ir derrubando essas barreiras.”
Depois, previa que a crise mundial provocaria o desmonte da popularidade de Lula:
Como entender isso diante da enorme popularidade de Lula?
As pesquisas sobre popularidade registram um apoio político maior do que o existente na realidade, porque são feitas sem o contraditório. Não são produto de discussão política, como ocorre no processo eleitoral. Lula achou que, dada sua popularidade, bastaria apoiar um candidato para que fosse sagrado pelas urnas. O pior é que a oposição também acreditou nessa falácia.
É uma lição para 2010?
O PT vai pensar com mais cuidado na escolha de seu candidato para a Presidência. Será mesmo a Dilma Rousseff? Se alguém quiser dar nome a um poste, pode chamá-lo de Dilma. Ela nunca foi eleita para um cargo representativo, não tem experiência eleitoral. Como pretendem jogá-la na eleição de 2010, que se anuncia como a mais disputada da história republicana do Brasil?
Em que medida a crise econômica mundial, que começa a ter efeitos no Brasil, influirá na sucessão?
A crise ainda está no começo. Se  atingir o Brasil fortemente, como parece que vai atingir, um dos efeitos será a queda da popularidade do presidente. Quando isso ocorrer, o  primeiro partido a sair da base do governo será o PMDB, que é um aliado  dos bons momentos: quando vê uma tempestade, ainda ao longe, o PMDB é o  primeiro a abandonar o navio. Isso fará com que o partido chegue ainda  mais dividido em 2010, mais sujeito às decisões dos caciques regionais.  Hoje sabemos que Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco, apóia José Serra  para a Presidência, enquanto Roberto Requião, do Paraná, apóia quem Lula indicar. Numa situação como essa, com a queda da popularidade e perdas  na base de apoio, a possibilidade de vitória de um candidato indicado  por Lula diminui ainda mais.
Aqui, a incrível entrevista ao Valor, do dia 27 de janeiro passado, pouco mais de um mês atrás. Não se está falando em enxergar o futuro nebuloso, mas em analisar fatos que ocorriam debaixo do seu nariz. E o que diz o cientista-poste?
A prudência do tucano pode estar certa, a se confirmar análise do  historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos.
Ele prevê “a campanha mais violenta da história”, com troca de acusações e guerra de dossiês, tudo facilitado pelo uso da internet. Por trás, estarão os grupos que sustentam as candidaturas e delas dependem.
Para Villa, apesar da antecipação da campanha da parte de Lula e do PT, a  ministra ainda é uma incógnita como candidata. “Dilma terá de começar a caminhar com as próprias pernas”, afirma. Por enquanto, ela não se apresentou. É candidata em formação, tartaruga empurrada pelo presidente e pelo PT. Serra observa. Aliados próximos dizem que, ao contrário da  lebre, o tucano não está parado. Corre nos bastidores.
Aí, menos de um mês depois, o Datafolha mostra Dilma empatada com Serra. Todos os prognósticos de Villa estavam furados. Volta-se a entrevistá-lo porque não existe controle de qualidade nos jornais. Pouco importa o analista que sempre erra, desde que diga o que se quer. Ele refaz tudo o que disse até então, diz que a demora de Serra em se decidir ajudou Dilma e insiste que Serra não poderá se apresentar como o anti-Lula.
Para Marco Antônio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos, Sera tem que assumir logo a candidatura. Diante de si, terá um desafio: “Precisa ser anti-Dilma sem ser anti-Lula”, diz o professor.
— Serra não pode brigar com os fatos e dizer que o governo Lula é ruim. Ele tem que conseguir que as pessoas vejam as diferenças na trajetória dele e da Dilma e convencer que ele fará o país crescer mais e melhor.
Até hoje só o professor Albert Fishlow conseguiu essa proeza, se traçar um cenário de acordo com a chuva de cada dia. E continuar sendo ouvido por uma imprensa sem o menor cuidado em entregar produtos de qualidade para seus leitores."


Para acessar o texto do Nassif no original, clique aqui.