19 de junho de 2010

A maior homenagem a Saramago: a crítica da Igreja Católica!

Um comentário:
Inquisição: uma cena da Igreja

Depois da morte de José Saramago, o jornal oficial do Vaticano emitiu nota criticando-o duramente. Vindo da Igreja Católica, tal crítica ressoa como uma homenagem ao velho comunista. Muito chatearia ao escritor que os comandantes da Santa Sé o elogiassem, logo eles, defensores do decrépito, do obscurantismo e de tudo ao que Saramago se opunha. Ele dizia não à intolerância, dizia não à incoerência e dizia não ao mundo dos privilégios e dos algozes. Segundo matéria do Jornal Folha de São Paulo, o órgão oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano, era um "populista extremista" e "ideólogo antirreligioso". 

Eis a definição dos herdeiros da Inquisição:   "um ideólogo antirreligioso, um homem e um intelectual que não admitia metafísica alguma, aprisionado até o fim em sua confiança profunda no materialismo histórico, o marxismo".
Como ateu que era, Saramago não está agora sorrindo disso tudo. Sua existência material findou. Mas antes de morrer, ele sabia que seus amigos, seus fãs e leitores ficariam felizes de saber que seus inimigos ainda mantém a hidrofobia contra ele e tudo o que o novo mundo, humanista, plural e solidário representam!. 



9 de junho de 2010

A escravidão ainda não acabou

Um comentário:
Lei Áurea - 13/05/1888


Em minhas aulas de História Econômica Geral já disse aos meus alunos que a escravidão é uma relação tão antiga que existiu antes do Escravismo. Foi a relação decisiva e predominante naquele sistema e mesmo no Capitalismo ocorrem casos de escravidão.  
Conhecemos na história o Escravismo da Idade Antiga (do mundo Grego e o de Roma) e o Escravismo  Colonial (como o do Brasil e o dos Estados Unidos).  Infelizmente como eu disse, a escravidão ainda não acabou. Mesmo que não seja em sua forma completa (propriedade, perpetuidade, hereditariedade), quase todos os dias vemos matérias e reportagens sobre a permanência dessa prática de exploração dos seres humanos. 

Não vou nem comentar a matéria que segue, da Agência Repórter Brasil. Leia parte da matéria e repare nas imagens: 

   "Erva-mate
No último dia 13 de maio, quando a abolição da escravatura completou 122 anos, auditores da SRTE/SC flagraram 12 pessoas alojadas literalmente num chiqueiro em Ipumirim (SC). Dois adolescentes (15 e 16 anos) estavam entre as vítimas. Os empregados, que foram libertados de condições análogas à escravidão, trabalhavam na colheita de erva-mate. 

Chiqueiro servia como alojamento, alimentos se misturavam com roupas (Foto: SRTE/SC)

O grupo foi trazido de União da Vitória (PR) na caçamba de um caminhão de carga de erva-mate, no início de 2010. A viagem durou três horas.

Um dos adolescentes, de 15 anos, declarou que presta serviços ao "gato" (intermediário no aliciamento de mão de obra) há dois anos. O mesmo jovem disse aos auditores fiscais que recebia em torno de R$ 200 por mês por causa dos descontos relacionados à alimentação. O "gato" fez uma compra no mercado para a avó do adolescente, 45 dias antes da data da fiscalização, e o adolescente estava devendo o valor da compra. 

Local onde o adolescente preparava suas refeições: improviso e sujeira (Foto: SRTE/SC)
"O jovem declarou ainda que costumava fazer duas refeições por dia. De manhã, ele próprio improvisava um virado. E, na hora do almoço, também cozinhava em fogareiros improvisados", detalha Lilian Rezende, auditora fiscal da SRTE/SC que também estave na segunda operação. O jovem trabalhava das 7h e às 19h, assim como os demais trabalhadores. "De tão cansado ele não conseguia cozinhar sua terceira refeição e preferia dormir". 

No espaço construído para ser um chiqueiro, os trabalhadores dividiam espaço, no momento da fiscalização, com cavalos. No local, havia fezes de animais e ratos mortos. "Os trabalhadores tiveram que improvisar ripas para colocar seus colchões já que a chuva escorria pelo chão", conta Lilian. 

A região apresenta temperaturas baixas nesta época do ano. Na noite anterior à operação, a temperatura mínima foi de 10º C. No local não havia instalações sanitárias e os empregados eram obrigados a utilizar o mato como banheiro e a tomar banho no rio. "A única mulher do grupo declarou que esperava anoitecer e ia sozinha, pelo mato, até o rio para se banhar".

As vítimas dormiam em colchões no chão, sem o menor conforto e higiene (Foto SRTE/SC)

A responsabilidade trabalhista recaiu sobre a ervateira Parra porque a erva-mate foi vendida "no pé" pelo proprietário das terras Odolir Canton. Eraldo Luiz Parra, dono da ervateira, assinou um TAC, proposto por Guilherme Kirtsching, procurador do trabalho em Santa Catarina. 

Eraldo se comprometeu a assumir o vínculo empregatício dos dois meses em que os trabalhadores colheram erva mate para sua empresa, com o pagamento dos direitos trabalhistas. Cada empregado recebeu R$ 500 por danos morais individuais. O proprietário Odolir vai pagar, a titulo de indenização, R$ 10 mil em materiais para a Delegacia de Polícia de Ipumirim (SC).
O "gato" Ademir de Oliveira, também de União da Vitória (PR), responsável pelo recrutamento do grupo de libertados, foi preso em flagrante pelo crime de trabalho escravo e conduzido ao Presídio Regional de Concórdia (SC). Contudo, o juiz da Comarca de Ipumirim (SC), Roque Lopedote, permitiu a saída do acusado, que responderá a acusação em liberdade, do cárcere. A Polícia Civil de Santa Catarina acompanhou a fiscalização."

2 de junho de 2010

A Copa do Mundo

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O futebol é um fenômeno tão interessante que é uma das poucas coisas que unificam o Brasil, na prática. Assunto que é capaz de fazer porteiros, patrões, engenheiros, lixeiros, sem-teto, sem-terra, latifundiários, todos sabem alguma coisa ou tem alguma opinião. Não vou fazer análise sociólogica sobre isso, não é uma área que eu estude. Apenas sinto que isso acontece mesmo. 

Mas algumas impressões sobre um evento ligado ao futebol, a Copa do Mundo, eu posso dar. Primeiro, os interesses, o negócio dita as regras. Ah, mas é tudo assim no capitalismo. É sim, mas  o exagero da mídia é gritante. O Brasil ganhou sim, por 5 vezes, a Copa do Mundo. Mas não foram cinco vezes seguidas. Infelizmente, não somos  "pentacampeões". Mas vai dizer isso, ainda mais que os meios de comunicação distorcem essa questão há muito tempo. Aqui eu posso dizer: o Brasil ganhou cinco vezes, mas não é pentacampeão. 

Não somos também uma "pátria de guerreiros", isso é só uma propaganda de cerveja. Aliás, as nossas cervejas são ruins e essa em especial é triste. Mas é a mais vendida. 
E a empresa de celular? Tem como garoto propaganda, o "simpático" Dunga. Rapaz, o que a propaganda não faz!!!!

Numa coisa o Dunga foi corajoso. Por causa de seus critérios, decidiu isolar a seleção do oba oba e dos domínios da rede de tv mais poderosa, que fazia o que queria até 2006. Ela continua poderosa, mas não pode ficar entrando com exclusiva etc etc. O ilustre morador do principado de Mônaco (é, aquele local em que só podem morar milionários), Galvão Bueno, nem disfarça sua irritação com o Dunga. Não sei se há relação, mas que é estranho essa irritação com o treinador e que sai logo da Rede Globo, apesar de todos os negócios ou por causa deles, é sim bem estranho. 

E perigoso para o Dunga. Imagina se o Brasil não vencer a copa? A campanha de desmoralização, a catarse que ocorrerá é até de assustar. Como torcedor e brasileiro, torço para que o Brasil ganhe a copa e sejamos campeões de novo. Seriam seis vezes, mas "hexa", não. Enganação, não.
Viva o Futebol!