30 de junho de 2008

Comunista disputará a prefeitura de BH

Nenhum comentário:
Fonte: Portal Vermelho:
"Foi em um ambiente de grande emoção que se realizou neste domingo, 29 de junho a convenção simultânea entre o PCdoB e o PRB.O evento formalizou a candidatura de Jô Moraes à Prefeitura de Belo Horizonte.A convenção definiu também o companheiro de chapa de Jô Moraes. O secretário geral do PRB, Cláudio Sampaio é o nome apresentado pelos republicanos para ser o vice-prefeito de Belo Horizonte.
Coligação BH agora é Jô tem Claudio Sampaio de Vice
O presidente do comitê municipal do PCdoB, Zito Vieira abriu os trabalhos da mesa, que logo em seguida iniciou o processo de intervenções dos delegados. O desafio eleitoral de 2008 e a consolidação do trabalho do partido na cidade, foram alguns dos temas abordados pelos delegados. A força da militância foi lembrada pelo presidente, como a arma dos comunistas para o desafio que se apresentará. Zito destacou o importante papel do Partido Republicano Brasileiro na construção do projeto político que terá inicio com a candidatura de Jô Moraes. A importância da trajetória política do vice-presidente José Alencar (PRB), foi destacada como fundamental para o avanço das forças progressistas. “Zé Alencar é um dos maiores entusiastas da candidatura de Jô Moraes à prefeitura de Belo Horizonte”, afirmou Zito. Aglutinação de forças Presente na convenção, o ex-deputado estadual, Rogério Correa (PT), afirmou a importância do papel dos comunistas na construção do projeto de esquerda que levou ao poder o presidente Lula. “É impossível haver compatibilidade com o projeto progressista e o plano neoliberal”, afirmou o petista. O presidente estadual do PRB, Rogério Colombini fez referencia a candidatura do socialista, Célio de Castro. Colombini lembrou que os processos políticos demandam de construção coletiva e que a Prefeitura de BH não poderá retroceder nos avanços conquistados nos últimos anos. Para Wadson Ribeiro, secretário executivo do ministério dos esportes, a eleição em BH aponta para uma possível reorganização das forças políticas “a candidatura de Jô Moraes e Cláudio Sampaio é a única que reúne condições para aglutinar todas as forças que compõe o governo lula, em um eventual segundo turno”, afirma o secretário. No final centenas de militantes do PRB foram convidados pelo Presidente do PCdoB, Zito Vieira para se juntarem ao militantes do PCdoB, onde juntos cantaram a musica tema da campanha de Jô Moraes. Em uma emocionada fala, a deputada federal Jô Moraes relembrou sua chegada na capital, ainda na ditadura militar. ”Belo Horizonte foi a cidade que me permitiu estar viva, aqui criei o melhor de mim, meus filhos, minha militância. Esta cidade tem uma forte tradição progressista e não podemos permitir que o processo iniciado pela administração de Patrús tenha fim.Temos um desafio que é governar para a maioria do nosso povo, faremos isso priorizando cada vez mais a participação popular, assim será o governo do povo, assim será a administração do PRB e do PCdoB”, afirmou Jô Moraes
De Belo Horizonte,Ana Carolina Cervantes e Pedro Leão."

29 de junho de 2008

EUA: Estado fora da lei

Nenhum comentário:
Por Wajahat Ali*






Wajahat Ali







"“Neste momento, estou completamente sobrecarregado por demandas, mas realmente gostaria de realizar esta entrevista, só que não sei quando poderá ser”, respondeu Noam Chomsky - 79 anos, prolífico autor, lingüista, acadêmico e ativista – na primeira de muitas mensagens trocadas ao longo de seis meses.


É o mais citado e, provavelmente, o mais controverso intelectual vivo, segundo Global Intellectuals Poll. Embora os meios de comunicação dominantes lhe neguem espaço, o New York Times garante que Chomsky continue sendo um dos intelectuais vivos mais influentes e mais solicitados por estudantes, universidades, ativistas, simpósios acadêmicos e, inclusive, por líderes mundiais, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez."

"Meu primeiro encontro com este ativista, acadêmico, polemista e de má reputação para alguns remonta ao ano 2002, quando fui moderador em uma sessão de perguntas e respostas na qual ele participou, celebrada no meu antigo programa na Universidade da Califórnia (Berkeley). (O encontro seria, posteriormente, incluído no livro Power and Terror: Post 9-11 Talks and Interviews). Antes do programa, tivemos uma longa conversa de uma hora e fiquei impressionado com sua inesgotável memória, sua falta de afetação e o brilhante resumo de dados, nomes e datas que ele utilizou em resposta às minhas intermináveis perguntas. Quando perguntei qual era sua faceta dominante, se acadêmico ou ativista, respondeu que nenhuma das duas de modo exclusivo, e disse que a dissidência sempre tem sido parte dele, desde o primeiro artigo que escreveu, aos dez anos de idade, no qual condenava o triunfo do fascismo durante a Guerra Civil espanhola. Apesar de que a arrogância de muitos intelectuais e acadêmicos só é superada por sua própria insegurança, o que dá como resultado um elitismo frio e egoísta, sempre vi em Chomsky alguém generoso, adaptável e disposto a compartilhar seu tempo e seus conhecimentos.

Assim, não foi surpresa que, depois de seis meses de mensagens eletrônicas, o professor Chomsky pudesse dispor de um pouco de tempo para responder minhas perguntas, segundo suas próprias palavras. Nesta entrevista exclusiva, Chomsky discute acerca da ameaça do Irã, dos paralelismos e diferenças entre Vietnã e Iraque, dos meios de comunicação nos Estados Unidos, de seus críticos e detratores, Paquistão e a negação do título de professor para Norman Finkelstein."

Veja abaixo a entrevista.

Em 1969 o senhor publicou seu primeiro trabalho político de importância, American Power and the New Mandarins (O poder norte-americano e os novos mandarins) uma acerada crítica à intervenção dos Estados Unidos no Vietnã e no Sudeste asiático. Como sabe, muitos estabelecem paralelos entre a atual guerra do Iraque e a do Vietnã. Outros, é claro, rejeitam esta comparação. O senhor, como pessoa com grande experiência no estudo de ambos os momentos, tão significativos historicamente, considera que esse paralelismo é prematuro e ousado? Ou acredita que podem ser estabelecidas semelhanças importantes entre ambas as guerras no que se refere à intervenção norte-americana?

Chomsky


Chomsky: A primeira semelhança guarda relação com o modo de considerar as guerras nos Estados Unidos e no Ocidente em geral. Marginais a parte, as opiniões oscilam entre o que se conhece como falcões e pombas. Em ambos os casos, os falcões garantiam que uma intervenção maior dos Estados Unidos poderia levar à vitória. As pombas, também nos dois casos, participam da opinião expressa por Barack Obama sobre o Iraque (trata-se de uma gafe estratégica, que está saindo cara demais para nós) ou pelo destacado historiador de centro-esquerda e assessor de Kennedy, Arthur Schlesinger, em 1966, quando o Vietnã já aparecia como uma aventura custosa demais para os Estados Unidos. Schlesinger afirmou na época: todos rezamos para que os falcões tenham razão e que um número maior de tropas nos traga a vitória. E, se no fim, resultar que temos razão – dizia – todos elogiaremos a sabedoria e a liderança do governo norte-americano, que conseguiu uma vitória deixando para atrás esse trágico país destripado e devastado pelas bombas, queimado pelo napalm e desertificado pela defoliação química, um país de ruína e escombros, com seu tecido político e institucional totalmente destruído.

Mas Schlesinger não acreditava que a escalada teria sucesso, e sim, pelo contrário, que poderia nos custar caro demais, o que parecia indicar a necessidade de pensar novamente toda a estratégia. A posição das pombas em relação ao Iraque é bastante parecida. Se, por exemplo, o general Petraeus pudesse conseguir algo parecido ao que Putin conseguiu na Chechênia, seria elevado aos altares, com o aplauso das pombas progressistas.

É quase inconcebível, dentro dos rumos estabelecidos da cultura intelectual ocidental, a possibilidade de se fazer uma crítica da guerra baseada em questões de princípio, ou seja, o tipo de crítica que fazemos, reflexiva e adequadamente, quando algum país inimigo comete uma agressão: por exemplo, quando a Rússia invadiu a Checoslováquia, o Afeganistão ou a Chechênia. Não criticamos estas ações por razões de custo, erro, por terem sido uma grande gafe ou por estancamento. Em vez disso, condenamos essas ações como horrendos crimes de guerra, tanto se elas são bem-sucedidas quanto se não.

Em si mesmas, as guerras do Vietnã e do Iraque, contudo, são muito diferentes por seus motivos e caráter. O Vietnã não tinha, por si mesmo, nenhum valor para os Estados Unidos, embora o presidente Eisenhower tenha tentado conseguir apoio para a sua violação dos acordos de paz de Genebra recorrendo aos recursos, de estanho e borracha disponíveis naquele país. Se o Vietnã tivesse desaparecido do mapa, afundado no mar, isso não teria significado grande coisa para os planejadores norte-americanos. O Iraque é uma coisa totalmente diferente. Tem, provavelmente, as segundas maiores reservas petrolíferas do mundo, com a particularidade extra de que são de fácil extração. E, além disso, está exatamente no centro geográfico mundial dos maiores recursos energéticos mundiais, facilmente exploráveis.

No caso do Vietnã, a preocupação consistia em que um desenvolvimento independente e bem-sucedido desse país podia ser um vírus que poderia estender o contágio para outros, se aceitarmos a retórica de Henry Kissinger em relação ao socialismo democrático no Chile. Este raciocínio tem sido o motivo primordial de intervenção militar e de subversão em todo o mundo a partir da II Guerra Mundial, é a versão racional da teoria do dominó. O contágio consiste em que outros que sofrem dos mesmos males possam ver em um desenvolvimento independente e exitoso um modelo, e possam tentar seguir por esta mesma via, o que provocaria a erosão do sistema de dominação. Por isso, até o mais pequeno e débil país representa uma ameaça extrema à ordem.

Os assuntos internacionais são, em grande medida, como os assuntos da máfia: um Padrinho não pode tolerar a desobediência, nem sequer a de um pequeno lojista que se recuse a pagar pela proteção, porque a maçã podre poderia fazer apodrecer o barril inteiro, na terminologia dos planejadores norte-americanos: aqui, a podridão consiste em um desenvolvimento independente exitoso, à margem do controle norte-americano. Temia-se que o Vietnã pudesse infectar seus vizinhos, como a Indonésia, com seus ricos recursos. E que o Japão – que o destacado historiador da Ásia John Dower chamava de superdominó– pudesse acomodar-se a uma Ásia Oriental independente, transformando-se, com isso, em seu centro industrial e tecnológico, tornando realidade a nova ordem que o Japão fascista havia tentado construir pela força durante a II Guerra Mundial. Os Estados Unidos não estavam dispostos a perder a fase do Pacífico da II Guerra Mundial apenas poucos anos depois.

Quando se teme que o contágio possa se estender é preciso destruir o vírus e inocular aqueles que poderiam se infectar. E esta operação foi feita. O Vietnã sofreu uma quase total destruição (assim como toda a Indochina, quando os EUA estenderam sua guerra para o Laos e a Camboja). No fim de 1960, era evidente que nunca poderia ser modelo para ninguém e que a mera sobrevivência seria obra da providência. E a região foi inoculada por meio da imposição de tiranos assassinos: Suharto na Indonésia, Marcos nas Filipinas, etc. O golpe militar de Suharto, em 1965, foi particularmente importante, e foi descrito com toda precisão: o New York Times afirmou que se tratava de um “assassinato massivo horripilante” –e também como “um raio de luz na Ásia”–, em momentos em que o exército do ditador assassinava um número estimado em um milhão de pessoas, em sua maior parte camponeses sem terras; destruía o único partido político popular de massas do país, um partido dos pobres, como foi descrito pelo especialista australiano Harold Crouch, e abria a porta dos ricos recursos do país para sua exploração pelas corporações ocidentais. A euforia nem sequer foi dissimulada. Retrospectivamente, o assessor de segurança nacional de Kennedy e Johnson, McGeorge Bundy, afirmou que os Estados Unidos poderiam ter posto fim à guerra do Vietnã em 1965, depois desta grande vitória da liberdade e da justiça.

Os Estados Unidos conseguiram uma significativa vitória na Indochina, apesar de não terem conseguido seu objetivo máximo: instalar um Estado satélite. Por conseguinte, para a consciência imperial a guerra do Vietnã foi um desastre.

Como já disse, o Iraque é outra coisa. É valioso demais para ser destruído. É fundamental que permaneça sob o controle dos EUA, na medida de tudo o que for possível, em forma de Estado satélite obediente que abrigue importantes bases militares norte-americanas. Sempre foi evidente que este era o objetivo primordial da invasão, mas agora isso não precisa sequer ser discutido. Estes planos foram explicitados pelo governo Bush com sua declaração de novembro de 2007 e por afirmações posteriores, acompanhadas da descarada exigência de que as grandes corporações norte-americanas do petróleo tenham acesso privilegiado às enormes reservas de cru do Iraque.

Parece que o público norte-americano finalmente descobriu, depois de 60 anos, a existência do Paquistão. O general Musharraf é sincero quando afirma querer reconstituir a democracia em seu país? Concretamente, por que os Estados Unidos confiam em Musharraf mais do que em outros rivais potenciais, como Bhutto e Zardari, do PPP, Nawaaz Sharif, etc., em sua guerra contra o terrorismo e sua busca e captura de Bin Laden?

Chomsky: Não devemos perder tempo valorando as intenções de Musharraf de reconstituir a democracia. Os Estados Unidos apoiaram-no tanto tempo quanto possível, do mesmo modo que apoiaram outros tiranos, como Zia ul-Haq. A escolha de um determinado aliado é feita seguindo um critério muito simples: trata-se de buscar o satélite mais leal, aquele que mais nos garanta que vai obedecer ordens. Apesar de alguma exceção ocasional, a uniformidade é impressionante.

Recentemente, um relatório dos serviços secretos dos EUA afirmava que o Irã tinha finalizado com sucesso um programa de armas nucleares há quatro anos. O Irã afirma que, na verdade, nunca teve um programa deste tipo. Contudo, o presidente Bush, o presidente israelense Olmert e altos cargos de Washington garantem que o Irã continua sendo uma grande ameaça e que persegue a obtenção de armas nucleares. São sustentáveis estas opiniões dos EUA e Israel? E se não são, qual é a razão da retórica de enfrentamento com o Irã, e de que modo favorece a política exterior dos EUA na região do Oriente Próximo?

Chomsky: Estas afirmações deveriam ser avaliadas pela Agência Internacional de Energia Atômica. Eu, é claro, não tenho nenhum conhecimento especial. Não seria tão surpreendente que descobrissem que o Irã tem algum tipo de programa de armas nucleares, junto, talvez, com planos de emergência. As razões foram expostas por um dos mais importantes historiadores de Israel, Martin van Creveld, quando disse que o Irã estaria completamente louco se não desenvolvesse uma arma de dissuasão nuclear nas atuais circunstâncias: com as forças hostis de uma superpotência violenta em duas de suas fronteiras e uma potência regional hostil (Israel) que dispõe de centenas de armas nucleares clamando por uma mudança de regime no Irã. Contudo, as provas disponíveis indicam que se esse país já teve um programa assim, ele foi encerrado há alguns anos.

Da perspectiva norte-americana, o Irã cometeu um grave crime em 1979. Como é sabido, em 1953, os Estados Unidos e o Reino Unido desmantelaram a democracia parlamentar iraniana e instalaram um brutal tirano, o Xá, que foi um baluarte do controle norte-americano na rica região petrolífera até 1979, quando foi deposto após um levantamento popular. Tratava-se de um caso bastante parecido ao da derrocada do ditador Batista em Cuba, em 1959, e de outros atos de desafio exitoso aos princípios de Washington, segundo o termo cunhado em seus documentos internos. O Padrinho não pode tolerar um desafio exitoso. É uma ameaça grande demais ao que chamam de estabilidade, ou seja, à obediência aos senhores.

A independência iraniana não é um problema menor. Ameaça o controle norte-americano de um dos butins mais valiosos do mundo, o petróleo do Oriente Próximo. Como conseqüência, desde 1979 os Estados Unidos têm sido duramente hostis com o Irã. Washington respaldou o feroz e mortífero ataque de Sadam Hussein contra o Irã e, inclusive, uma vez terminada a guerra continuou apoiando esse aliado até o ponto de convidar engenheiros nucleares iraquianos para receberem formação avançada para o desenvolvimento de armas nucleares, em 1989. Mais tarde, promulgou graves sanções contra o Irã, ao mesmo tempo que lançava freqüentes ameaças de atacar esse país e derrocar seu governo.

E assim até hoje. Atualmente, 15 de junho de 2008, a agência de notícias Reuters informa o seguinte: “Os analistas estimam que se forem oferecidas ao Irã garantias de segurança –uma idéia lançada pela Rússia– seria possível sair do ponto morto atual, considerando que estas garantias constituem o objetivo fundamental do Irã, dada a política de Bush de mudança de regime referente a esse país. Mas os Estados Unidos afirmaram, no mês passado, que as grandes potências não tinham planos de compromisso em matéria de segurança com Teerã.”

Em poucas palavras, os EUA insistem em manter sua atitude de Estado fora da lei, rejeitando os princípios fundamentais do Direito Internacional, entre outros a Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força nos assuntos internacionais. Bush conta com o apoio dos dois principais candidatos presidenciais de 2008 e com o das elites dos EUA e da Europa, ainda que não com o da opinião pública norte-americana, que apóia com grande margem a diplomacia e opõe-se às ameaças de guerra. Mas a opinião pública é, em grande medida, irrelevante na hora de elaborar as políticas, e não apenas neste caso.

A classe política, em toda sua amplitude e com raras exceções, está comprometida com a manutenção do controle norte-americano dos principais recursos energéticos do mundo, e com o castigo dos desafios exitosos. Por conseguinte, os EUA têm feito grandes esforços para mobilizar uma aliança contra o Irã entre os Estados sunitas da região, embora sem muito sucesso. As duas viagens de Bush para a Arábia Saudita, no início de 2008, foram, neste sentido, fracassos sem paliativos.

A imprensa saudita, normalmente muito comedida com os visitantes importantes, condenou as políticas propostas por Bush e pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, como “não uma diplomacia em busca da paz, mas uma loucura em busca da guerra.” As monarquias do Golfo Pérsico não são amigas do Irã, mas aparentemente preferem acomodar-se e não entrar em confronto, o que constitui um duro golpe para as políticas norte-americanas. Washington está diante de problemas similares no Iraque e no Líbano. Em um segundo plano, existe uma preocupação mais profunda: que os países produtores de energia da região possam voltar-se para o Leste e, inclusive, que sigam o exemplo do Irã de estabelecer vínculos com a Organização de Cooperação de Shanghai (1), na qual a Índia, Paquistão e Irã participam como observadores, participação que foi negada a Washington.

O conflito entre sunitas e xiitas tem se agravado sensivelmente nestes últimos anos, especialmente no Iraque, devido à crescente insurgência e à guerra civil desatada pela queda de Sadam Hussein e o vazio de poder que seguiu. O senhor acha que esse conflito sunita-xiita pode se estender para todo o Oriente Próximo. Em caso afirmativo, como isso ocorreria, especialmente em países como Iraque, Irã e Líbano e em relação à guerra contra o terrorismo? Vamos testemunhar mais atos terroristas, mais extremismo e mais antiamericanismo, ou será que este “divide e vencerás” pode ajudar as forças norte-americanas e as políticas estrangeiras a pacificarem a região?

Chomsky: Segundo estudos sobre a opinião pública iraquiana, realizados pelo Pentágono, os conflitos sectários do Iraque não foram causados “pela queda de Sadam Hussein e o vazio de poder que seguiu”, senão pela agressão norte-americana. Se você me permite citar o resumo, publicado pelo Washington Post, dos documentos do Pentágono publicados em dezembro de 2007, ele afirma: “Iraquianos de todos os grupos sectários e étnicos acreditam que a invasão militar norte-americana é a raiz primordial das violentas diferenças entre eles e consideram que a saída das forças de ocupação é fundamental para a reconciliação nacional.”

Como eu já disse, os Estados Unidos não tiveram muito sucesso em sua inspiração de um conflito regional entre sunitas e xiitas, mesmo que as tensões entre eles sejam bem reais e inquietantes. A invasão do Iraque potencializou os atos de terrorismo muito mais do que teria sido possível pensar de antemão, ao ponto de que algumas estimativas, como as realizadas pelos especialistas em terrorismo Peter Bergen e Paul Cruickshank após a análise de cifras semi-oficiais, chegam a considerar que se multiplicaram por sete. O que vai acontecer a seguir depende, em larga medida, de quais sejam as políticas norte-americanas, apesar de que também há muitos fatores internos próprios desta complexa região.

No dia 20 de setembro de 2006, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, promoveu seu livro Hegemony or Survival: America's Quest for Global Dominance (2) na Assembléia Geral das Nações Unidas, e elogiou o senhor por demostrar que o maior perigo para a paz mundial, nestes momentos, são os Estados Unidos. Imediatamente, houve um grande alvoroço nos meios de comunicação. O senhor, por sua vez, recusou os pedidos de entrevistas porque, na sua opinião, os entrevistadores nem sequer haviam se incomodado em ler o livro e discutir seu conteúdo e estavam, em vez disso, à procura de sensacionalismo. Existe nos meios de comunicação norte-americanos um lugar para o jornalismo informativo e educativo e para a informação contrastada que não esteja tingida de sensacionalismo ou retórica promocional? O surgimento da Internet –os blogs, YouTube, os webzines, etc.– permite contrabalançar o que o senhor tem chamado de fabricação do consenso, consistente em que organismos poderosos, como as grandes corporações e o governo norte-americano, forneçam à mídia e ao público informação preparada, propaganda e meias-verdades adequadas?

Chomsky: Se eu tivesse que me limitar a um único jornal, escolheria o New York Times, apesar de já ter escrito centenas de páginas nas quais documento em detalhe suas falsas representações, distorções e cruciais omissões à serviço do poder. E faria essa escolha por sua importância e recursos superiores aos demais. Aprende-se muito com uma leitura atenta e crítica dos meios de comunicação dominantes, apesar de que existem outras fontes também valiosas. A Internet permite ter acesso a uma grande variedade de informação, opinião e interpretação. Mas, como qualquer outra fonte, é útil só com a condição de que seja utilizada de um modo discriminado e reflexivo. Os melhores biólogos não são aqueles que leram mais publicações técnicas de seu âmbito, mas aqueles que dispõem de um marco de compreensão que lhes permite selecionar o que pode ser significativo, mesmo que de resto um determinado documento tenha pouco valor. Este mesmo tipo de discernimento é necessário no estudo dos assuntos humanos.

Seus críticos –e há muitos deles– afirmam que sua retórica e ideologia parece um disco riscado: uma interminável ladainha e um monte de ataques repetitivos à política exterior norte-americana e às suas ações militares. Como o senhor responde aos críticos que afirmam que sua descrição da política exterior dos EUA é simplista e cínica? Os Estados Unidos são, realmente, um império do mal? Não existem casos em que a intervenção norte-americana ou a ajuda desse país tenha respondido a critérios altruístas, seguindo os ideais da Constituição?

Chomsky: Este tipo de crítica de que você fala tem sido feita aos dissidentes de quase todas as sociedades na história da Humanidade, ou seja, não se deve dar a mínima para elas. Se os críticos têm argumentos e provas, vou estudá-los com prazer, neste âmbito assim como em qualquer outro. Quando o único que há são crises de birra do tipo que você menciona, podemos descartá-las como novos exemplos daquilo que o criador da teoria das relações internacionais realistas, Hans Morgenthau, chamou “nossa conformista obediência àqueles que têm o poder”, referindo-se aos intelectuais norte-americanos –e aos ocidentais em geral–, apesar das eventuais excepções. Eu não respondo a estas acusações de que descrevo os Estados Unidos como um império do mal, porque esta acusação é uma montagem infantil feita por apologistas desesperados do poder estatal.

De fato, costumo insistir em que os Estados Unidos são como qualquer outro sistema de poder. É verdade que esta afirmação é intolerável para nossos nacionalistas, que insistem no excepcionalismo dos EUA, assim como é para os líderes políticos e as classes intelectuais em outros Estados poderosos, passados e presentes, com muita freqüência. Quanto ao caráter genuinamente altruísta das nossas intervenções, é difícil encontrar exemplos no passado, tal como a pesquisa histórica demonstra, mesmo que, é claro, cada intervenção seja apresentada como altruísta por parte de seus perpetradores, por mais monstruosas que sejam. A imagem é mais ambígua no que se refere à ajuda, mas não muito diferente quando observamos em detalhe, e se ajusta também a um universal histórico, como eu tenho dito.

Na sua opinião, o veto que a Universidade DePaul impôs à nomeação do professor Norman Finkelstein, devido à sua mordaz crítica e refutação do livro de Alan Dershowitz, ''Case for Israel'' é indicativa do clima de probidade e integridade intelectual nos Estados Unidos? Será que é um aviso aos acadêmicos e intelectuais que não se ajustam às consignas e questionam abertamente a ideologia que defendem os poderosos grupos de interesses e os lobbies? Ou será que é só um incidente isolado, que não tem outras implicações em relação ao ambiente intelectual pós 11 de setembro?

Chomsky: O comportamento da Universidade DePaul ao rejeitar a recomendação dos professores para a nomeação de Finkelstein foi, sem dúvida, deplorável, mas este caso não pode ser generalizado. Tem características específicas, especialmente o papel do desesperado e fanático professor da Faculdade de Direito de Harvard, Alan Dershowitz. Finkelstein demonstrou com impecável rigor acadêmico que Dershowitz é um difamador, um mentiroso e um vulgar apologista dos crimes do Estado que defende. Em um primeiro momento, Dershowitz removeu céu e terra para impedir a publicação do escrito de Finkelstein; após fracassar nisso, lançou uma cruzada histérica para tentar suprimir seu conteúdo. Não é um idiota e sabe que não pode responder em termos de fatos e argumentos, ou seja que recorreu àquilo que é habitual nele: uma seqüência de ataques e insultos e uma extraordinária campanha de intimidação, à qual, finalmente, sucumbiu a direção da Universidade, aparentemente por temor a uma eventual mobilização de seus patrocinadores.

Esta depravada atuação tem sido analisada com muito detalhe em publicações apropriadas, como Chronicle of Higher Education , e não vou me estender mais aqui.

É verdade que há iniciativas importantes para impedir um debate honesto e independente dos assuntos do Oriente Próximo, especialmente os relativos a Israel. Não obstante, este é um caso especial, que não tem nenhuma relação com o ambiente intelectual posterior ao 11 de setembro.

* Wajahat Ali é cidadão paquistanês e norte-americano, muçulmano, autor teatral, ensaísta, humorista e advogado, cuja obra The Domestic Crusaders (Os cruzados do interior) é a primeira obra teatral que trata dos muçulmanos norte-americanos no período posterior ao 11 de Setembro.

Notas:

(1) A Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) é um organismo intergovernamental fundado em 14 de Junho de 2001 pela R.P. da China, Rússia, Kazaquistão, Kirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, dedicado a assuntos de cooperação econômica, cultural e de segurança. (N. do T.)

(2) Hegemonia ou sobrevivência : Estats Units a la recerca do domini global, Editorial Empuries, 2004 (em catalão); Hegemonia ou sobrevivência: a estratégia imperialista dos Estados Unidos, Edições B, 2005 (em espanhol).

Tradução para o espanhol para Rebelión por S. SeguíTradução para o português: Naila Freitas/Verso Tradutores
Agência Carta Maior

Gramsci e Maquiavel

Nenhum comentário:


Texto de Luciano Gruppi, do livro O Conceito de Hegemonia em Gramsci, onde se discute a questão do "moderno príncipe":
Nicolau Maquiavel
"O partido, para Gramsci, é o Príncipe moderno. Ele se reporta a Maquiavel e, situando-o historicamente, vê nele o téorico do Estado unitário moderno; o pensador que reflete sobre a experiência do Estado unitário monárquico francês, espanhol, inglês, e indica essa experiência à Itália como sendo o caminho para superar a crise que envolve a sociedade italiana.
Gramsci destaca bastante o fato de que o método de fazer política, tal como é ensinado por Maquiavel, parte da consciência adquirida que a política tem sua autonomia, obedece a leis próprias, que não podem derivar da moral tradicional, mas que inclusive fundam uma nova moral, uma moral imanentista, cuja finalidade não é a salvação da "alma" individual, mas da coletividade estatal. A violência e o engano, cujo uso é teorizado e justificado, são em verdade dirigidos contra as classes dominantes, contra a aristocracia, não contra o povo (a burguesia mercantil).
Essa colocação histórica de Maquiavel permite superar as discussões bizantinas sobre o maquiavelismo. O que me interessa destacar é que o moderno Príncipe é para Grasmci um unificador, um grande reformador intelectual e moral. Maquiavel tinha em mente um reformador desse tipo; mas em sua época, ele não pôde existir. Na nossa época, tal reformador é o partido. O príncipe de Maquiavel, segundo Gramsci, não é um simples indivíduo; é na realidade, expressão de um processo coletivo, de uma vontade coletiva dirigida para um determinado fim político."

28 de junho de 2008

Nenhum comentário:

Os Que Estão Assustados Com a Falência do Velho e os Que Lutam Pelo Novo

V. I. Lenin

9 de Janeiro de 1918


""Os bolcheviques já estão no poder há dois meses, e em vez do paraíso socialista vemos o inferno do caos, da guerra civil, de uma ruína ainda maior." Assim escrevem, falam e pensam os capitalistas juntamente com os seus partidários conscientes e semiconscientes.

Os bolcheviques só estão no poder há dois meses – responderemos nós –, e o passo em frente que já foi dado em direção ao socialismo é enorme.


Não vê isto quem não quer ver ou não sabe avaliar os acontecimentos históricos na sua conexão. Não querem ver que em algumas semanas foram destruídas quase até aos fundamentos as instituições não democráticas no exército, no campo na fábrica.


E não há nem pode haver outro caminho para o socialismo senão através dessa destruição. Não querem ver que em algumas semanas a mentira imperialista em matéria de política externa, que prolongava a guerra e encobria a pilhagem e a conquista, com os tratados secretos, foi substituída por uma política realmente democrática revolucionária de paz realmente democrática, que produziu já um êxito prático tão grande como o armistício e a centuplicação da força propagandística da nossa revolução.


Não querem ver que o controle operário e a nacionalização dos bancos começaram a ser aplicados, e isto são precisamente os primeiros passos para o socialismo.


Não são capazes de compreender a perspectiva histórica aqueles que foram esmagados pela rotina do capitalismo, aturdidos pela estrondosa falência do velho, pelo estrépito, pelo barulho, pelo "caos" (aparente caos) do desmoronamento e afundamento dos seculares edifícios do tsarismo e da burguesia, assustados com o fato de a luta de classes ter sido levada a uma extrema agudização, com a sua transformação em guerra civil, a única que é legítima, a única que é justa, a única que é sagrada – não no sentido clerical mas no sentido humano da palavra –, a guerra sagrada dos oprimidos contra os opressores, pelo seu derrubamento, pela libertação dos trabalhadores de toda a opressão.


No fundo todos estes esmagados, aturdidos e assustados burgueses, pequenos burgueses e "serventuários da burguesia" se guiam, muitas vezes sem eles próprios terem consciência disso, pela idéia velha, absurda, sentimental e intelectual-vulgar da "introdução do socialismo", que adquiriram "por ouvir dizer", apanhando fragmentos da doutrina socialista, repetindo a deturpação desta doutrina por ignorantes e semi-sábios, atribuindo-nos a nós, marxistas, a idéia e mesmo o plano de "introduzir" o socialismo.

Essas idéias, para já não falar de planos, são-nos alheias a nós, marxistas. Nós sempre soubemos, dissemos, repetimos, que não se pode "introduzir" o socialismo, que ele surge no decurso da mais tensa e mais aguda – indo até à raiva e ao desespero – luta de classes e guerra civil; que entre o capitalismo e o socialismo há um longo período de "dores de parto"; que a violência é sempre a parteira da velha sociedade; que ao período de transição da sociedade burguesa para a socialista corresponde um Estado particular (isto é, um sistema particular de violência organizada sobre uma certa classe), a saber, a ditadura do proletariado. E a ditadura pressupõe e significa uma situação de guerra contida, uma situação de medidas militares de luta contra os adversários do poder proletário.


A Comuna foi uma ditadura do proletariado, e Marx e Engels censuraram a Comuna, consideraram uma das causas da sua morte o fato de a Comuna ter utilizado com insuficiente energia a sua força armada para reprimir a resistência dos exploradores.


No fundo, todos estes brados de intelectuais a propósito da repressão da resistência dos capitalistas não constituem senão uma sobrevivência da velha "conciliação", para falar "educadamente". Mas para falar com franqueza proletária é preciso dizer: a continuação do servilismo perante o saco do dinheiro, é esse o fundo dos brados contra a atual violência operária empregue (infelizmente de modo ainda demasiado fraco e não enérgico) contra a burguesia, contra os sabotadores, contra os contra-revolucionários.


"A resistência dos capitalistas foi quebrada", proclamou o bom Pechekhónov, um dos ministros conciliadores, em Junho de 1917. Este bom homem nem suspeitava que a resistência tem realmente de ser quebrada, que ela será quebrada, de que é precisamente a esse quebrar que, em linguagem científica, se chama ditadura do proletariado, que todo um período histórico se caracteriza pela repressão da resistência dos capitalistas, se caracteriza, por conseguinte, por uma violência sistemática sobre toda uma classe (a burguesia), sobre os seus cúmplices.

A cobiça, a suja, raivosa, furiosa, cobiça do saco do dinheiro, o medo e servilismo dos seus parasitas – tal é a verdadeira base social do atual uivo dos intelectuais, do Retch à Nóvaia Jizn, contra a violência da parte do proletariado e do campesinato revolucionário. Tal é o significado objetivo do seu uivo, das suas tristes palavras, dos seus gritos de comediantes sobre a "liberdade" (a liberdade dos capitalistas de oprimir o povo), etc., etc. Eles estariam "dispostos" a reconhecer o socialismo se a humanidade saltasse para ele de golpe, com um salto espetacular, sem fricções, sem luta, sem ranger de dentes da parte dos exploradores, sem diversas tentativas da sua parte de defender os velhos tempos ou de voltar a eles por caminhos desviados, às ocultas, sem repetidas "respostas" da violência revolucionária proletária a essas tentativas. Estes parasitas intelectuais da burguesia estão "dispostos", como diz o conhecido provérbio alemão, a lavar a pele desde que a pele fique sempre seca.

Quando a burguesia e os funcionários, empregados, médicos, engenheiros, etc., que estão habituados a servi-la, recorrem às medidas mais extremas de resistência, isso horroriza os intelectuaizinhos. Eles tremem de medo e berram ainda mais estridentemente acerca da necessidade de voltar à "conciliação". Mas a nós, tal como a todos os amigos sinceros da classe oprimida, as medidas extremas de resistência dos exploradores só nos podem alegrar, pois nós não esperamos o amadurecimento do proletariado para o poder a partir das exortações e da persuasão, da escola das pregações adocicadas ou das declamações edificantes, mas da escola da vida, da escola da luta. Para se tornar a classe dominante e vencer definitivamente a burguesia, o proletariado tem de aprender isto porque ele não tem onde ir buscar este conhecimento já pronto.


E é preciso aprender na luta. E só uma luta séria, tenaz e desesperada é que ensina. Quanto mais extrema for a resistência dos exploradores, mais enérgica, firme, implacável e bem-sucedida será a sua repressão pelos explorados. Quanto mais diversas forem as tentativas e esforços dos exploradores para defenderem o velho, mais depressa o proletariado aprenderá a expulsar os seus inimigos de classe dos seus últimos recantos, a minar as raízes da sua dominação, a remover o próprio terreno em que a escravidão assalariada, a miséria das massas, o enriquecimento e o descaramento do saco do dinheiro podiam (e tinham de) crescer.

À medida que cresce a resistência da burguesia e dos seus parasitas cresce a força do proletariado e do campesinato que a ele se uniu. Os explorados fortalecer-se-ão, amadurecerão, crescerão, aprenderão, afastarão de si o "velho Adão" da escravidão assalariada à medida que crescer a resistência dos seus inimigos – os exploradores. A vitória estará do lado dos explorados, porque do seu lado está a vida, do seu lado está a força do número, a força da massa, a força das fontes inesgotáveis de tudo o que é abnegado, avançado e honesto, de tudo o que aspira a avançar, de tudo o que desperta para a construção do novo, de toda a gigantesca reserva de energia e de talentos do chamado "baixo povo", os operários e camponeses.


A vitória pertence-lhes."

26 de junho de 2008

Caio Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.)

Nenhum comentário:
Texto extraído de Bellum Civile (A Guerra Civil), Livro Terceiro, 85.4, do General Caio Júlio César. O livro trata da titânica luta entre as tropas de Júlio César e Cneu Pompeu:








Tum Caesar apud suos, cum iam esset agmen in portis: "differendum est" inquit, "iter in praesentia nobis et de proelio cogitandum, sicut sempre depoposcimus; animo simus ad dimicandum parati: non facile occasionem postea reperiemus." Confestimque expeditas copias educit.



(Foi então que César, quando as colunas já se postavam às portas, disse aos seus homens: Temos no momento que adiar a marcha e cuidar da batalha que sempre reclamamos. estejamos preparados para a luta; no futuro não encontraremos facilmente ocasião." E às pressas retirou do acampamento as tropas, livres das bagagens.)


25 de junho de 2008

Complô contra o MST

Nenhum comentário:
Artigo de Altamiro Borges sobre a conspiração contra o MST
"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reconhecimento mundialmente por sua heróica e combativa luta pela reforma agrária no Brasil, está sendo alvo de uma conspiração das forças conservadoras do Rio Grande do Sul que visa explicitamente a sua "dissolução". O complô reacionário congrega o agronegócio local, a governadora Yeda Crusius, metida num mar de lama de corrupção, a truculenta Brigada Militar, a mídia venal e agentes do Poder Judiciário com mentalidade escancaradamente fascistóide. O cerco ao MST se fecha celeremente e exige resposta contundente de todas as forças democráticas e populares da sociedade brasileira.
Por Altamiro Borges
Em dezembro passado, onze procuradores da Justiça do Rio Grande do Sul participaram de uma sessão que decidiu, em caráter confidencial, "designar uma equipe de Promotores da Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e à declaração da sua ilegalidade; suspensão das marchas, colunas e outros deslocamentos em massa de sem-terra; investigar os integrantes de acampamentos e da direção do MST pela prática de crime organizado; investigar o uso de verbas públicas e de subvenções oficiais; desativação dos acampamentos que estejam sendo utilizados como ‘base de operação’ para invasão de propriedades; examinar a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio da situação eleitoral local", entre outras aberrações fascistas. Uma excrescência jurídica Foi com base nesta excrescência jurídica, que a Brigada Militar do Rio Grande do Sul despejou, na semana passada, centenas de famílias de dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul. Barracos, plantações, criações de animais e até o posto de saúde e a escola montada pelos sem-terra foram destruídos. As famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi, expostas ao frio e sem qualquer estrutura. Um dos promotores, Luis Felipe Tescheiner, presente na tal sessão secreta, justificou a desocupação afirmando que "não se trata de remover acampamentos, e sim de desmontar as bases que o MST usa para cometer reiterados atos criminosos". A sentença do despejo relembra a besta nazi-fascista. Cita o uso na escola do MST de livros de Paulo Freire, Florestan Fernandes e do pedagogo soviético Anton Makarenko. Chega a defender que os jovens sejam proibidos de participar de cursos. Propõe explicitamente adotar os mesmos instrumentos da ditadura militar para colocar na ilegalidade as Ligas Camponesas. Trata o MST como uma "quadrilha criminosa", "uma ameaça à segurança nacional". Indignado, o procurador aposentado Jacques Távora considerou a sentença um atentado à prática do Ministério Público: "MP vestiu a camisa dos latifundiários" "Estamos diante de uma violação flagrante dos direitos humanos, de uma infidelidade manifesta do MP às suas finalidades. Quem lê a petição vê que o MP vestiu a camisa dos latifundiários... Na petição, os promotores se baseiam no fato de que o MST é um movimento anticapitalista e esquerdista... Voltamos à época da ditadura para se sustentar esse ataque". Jacques Távora não tem dúvidas de que se trata de uma ação orquestrada. "Está em curso no estado um abuso de poder e de autoridade. O relatório secreto do MP estava preparando essas ações desde dezembro de 2007. No relatório a expressão é a dissolução do MST. Uma reação popular não é tolerada". Diante desta escalada fascista, os movimentos sociais e as forças de esquerda estão chamadas a se manifestar com urgência e contundência. O MST já divulgou um manifesto de repúdio e pede a adesão de todos os democratas. "Vimos a vossa presença para lhes pedir solidariedade. Nosso movimento está sofrendo uma verdadeira ofensiva das forças conservadoras do Rio Grande do Sul, que não só não querem ver a terra dividida, como manda a Constituição, mas querem criminalizar os que lutam pela reforma agrária e impedir a continuidade do MST... Estas forças estão representadas hoje no governo da Sra. Yeda Crusius, na Brigada Militar, no Judiciário e no poder do monopólio da mídia". Não há tempo a perder diante desta onda fascista!" Da redação

23 de junho de 2008

Jornalista do PIG defende o Imperialismo

Um comentário:
Mais uma vez, Paulo Henrique Amorim tem razão. Ele analisa o comentário de um jornalista do PIG - Partido da Imprensa Golpista. Leia:
"23/06/2008 12:38 GLOBO NÃO QUER A INDEPENDÊNCIA DOS PAÍSES DA ÁFRICA Paulo Henrique Amorim Máximas e Mínimas 1206 Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista. . Em 1988, no Governo Geisel e por obra de um notável diplomata, o embaixador Italo Zappa (*), o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. . Hoje, no Bom (?) Dia Brasil, a propósito do Zimbábue e da ditadura Mugabe, Renato Machado proferiu o mais completo discurso colonialista, desde quando o Governo brasileiro e a elite branca defendiam a política de ultra-mar de Portugal e o apartheid na África do Sul. . Machado - não confundir com William Waack nem com Miriam Leitão, da mesma emissora - disse o seguinte: - O Zimbábue e a ditadura Mugabe são a prova de que o nacionalismo E A INDEPENDÊNCIA da África não deram certo. Um sonho que não deu certo ! . Em nenhum outro lugar do mundo um âncora de uma rede aberta de televisão (aberta, portanto, uma concessão !) teria o direito de defender o regime colonial na África - impunemente. . Pois, no Brasil, isso é possível. . A Globo pode tudo. . Por que o Ministério das Comunicações não adverte a Globo ? . Por que o Ministério da Justiça não interpela a Globo ? . A Globo está à direita do regime militar ! . O Conversa Afiada vai enviar esse M&M aos Ministérios da Justiça e das Comunicações para ver se eles têm alguma coisa a declarar. . Depois, alguns leitores ser espantam, quando o Conversa Afiada chama os colunistas do PiG de "colonistas". . Leia aqui o verbete "colonista". (*) Ítalo Zappa - (Diplomata brasileiro )1926 - 1997 Diplomata brasileiro nascido na pequena cidade italiana de Paola e criado em Barra do Piraí, interior do Estado do Rio de Janeiro, um dos principais artífices da política externa terceiro-mundista do governo de Ernesto Geisel (1974-1979). Foi, ao longo de sua carreira, embaixador em países decisivos para a construção das relações terceiro-mundista. Já entrou no Itamarati (1950), dizendo que lá era "o Ministério das Não Relações Exteriores”, pois o país não tinha relações com a União Soviética, com a Ásia e com a África. Adversário da política de alinhamento com os Estados Unidos nos anos 60, é considerado o principal responsável pelo processo de reconhecimento pelo Brasil da independência dos países africanos de língua portuguesa. Foi também ministro-conselheiro do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA). Aposentado (1991), voltou à ativa para reabrir a Embaixada Brasileira no Vietnã (1994), cuja retomada de relações havia sido trabalho seu. Conhecido como embaixador vermelho pelo êxito de seu trabalho na implantação de relações diplomáticas do Brasil com países como China, Vietnã, Cuba, Moçambique e Angola, ele dizia que não era contra nem a favor aos Estados Unidos. “Sou a favor do Brasil. Os americanos cuidam dos seus interesses; nós é que não cuidamos dos nossos." Em plena ditadura militar, era um dos raros embaixadores que mantinham um relacionamento respeitoso e cordial com os exilados políticos brasileiros. Quando se encontrava no Vietnã, infelizmente detectou um câncer que o fez voltar ao Brasil e que o mataria poucos anos depois, aos 71 anos, no Rio de Janeiro (RJ), após dedicar mais de 40 anos à diplomacia brasileira. (Fonte: Netsaber Biografias)"

20 de junho de 2008

Conspiração na Bolívia

Nenhum comentário:
Deu na Agência Reuters: "América Latina Sexta, 20 de junho de 2008, 12h56 Atualizada às 13h55 Bolívia denuncia tentativa de assassinato de Evo O governo da Bolívia denunciou nesta sexta-feira uma "tentativa de magnicídio" contra o presidente Evo Morales, que supostamente seria levada a cabo no aeroporto de Santa Cruz pela oposição. » Liberados suspeitos de complô contra Evo A polícia prendeu na quinta-feira dois homens que portavam armas nas imediações do aeroporto, mas poucas horas depois eles foram postos em liberdade pela Justiça de Santa Cruz. "Na quinta-feira foram detidas duas pessoas que portavam uma arma de guerra, um fuzil mauser, com mira telescópica, e 30 cartuchos, 30 projéteis de guerra, com efeito letal poderosíssimo em mãos de duas pessoas que estavam muito perto do eixo de deslocamento do presidente", informou o ministro da Justiça, Juan Ramón de la Quintana. "Denunciamos ao país e ao mundo que por trás dessas ações de tentativa de magnicídio há uma trama, um plano sinistro cujo verdadeiro alcance ainda desconhecemos, embora conheçamos as motivações. Mas esse quebra-cabeças da conspiração já está começando a ser montado", acrescentou. O governo denunciou anteriormente tentativas de atentados contra Morales, mas esta é a primeira vez em que são presos supostos envolvidos carregando armamento perto do presidente. "Estão indo longe, longe demais aqueles que deveriam responder a este projeto político (do governo) no cenário do debate político e não no campo da ilegalidade, da criminalidade", acrescentou o ministro em uma entrevista a uma emissora estatal. Ramón de la Quintana criticou a libertação dos suspeitos envolvidos no atentado, ordenada pelo promotor William Torres. O ministro qualificou a decisão como montagem de uma estrutura de encobrimento em Santa Cruz, o rico departamento boliviano onde se concentra parte da oposição direitista a Morales, que é de origem indígena. Santa Cruz aprovou no início de maio autonomia em relação ao governo federal, em um referendo visto como uma declaração de guerra da oposição aos planos do governo de instaurar o socialismo no país. Reuters"

Charge de Junião para o Diário do Povo

Um comentário:

Morreu o Visconde de Sabugosa

Nenhum comentário:
Morreu o primeiro Visconde de Sabugosa do Sítio do Picapau Amarelo, o ator André Valli. Lamento pelo falecimento de um grande ator que fez um grande personagem, que marcou a infância do pessoal com mais de 30 anos. Aquela turma do Sítio do Picapau Amarelo era demais.

Entrevista com McCain e Obama

Nenhum comentário:
Osmar Freitas Jr fez reportagem com os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos. Saiu no JB Online: http://jbonline.terra.com.br/especiais/eleicoeseua/

19 de junho de 2008

Trabalhadores do PSF - Crato

Nenhum comentário:
"A Associação dos Profissionais do Saúde da Família - APSF - do município do Crato-CE, vem a público divulgar e solicitar publicação de texto abaixo, no sentido de informar e esclarecer à comunidade de uma forma em geral quanto a luta travada pelos profissionais do PSF ( Médicos, Enfermeiros e Dentistas) desde a criação da associação em meados de junho de 2007. Nesse momento todos os profissionais encontram-se em estado de greve, respeitando a lei 7.783 de 28 de junho de 1989, em um movimento reivindicatório por reajuste salarial digno, melhores condições de trabalho, insalubridade e plano de cargos, carreiras e salário. "PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE CRATO EM GREVE Há pouco mais de 01 ano médicos, enfermeiros e dentistas do Programa de Saúde da Família (PSF) de Crato, concursados e contratados, iniciava seu pleito reivindicatório junto à administração municipal, através de entidade representativa, a APSF (Associação de Profissionais de Saúde da Família). Os pontos reivindicados concernem principalmente à remuneração e condições de trabalho. Quanto à remuneração, pleiteia-se um reajuste salarial que em princípio reponha as perdas salariais de 10 anos sem aumento significativo, além de buscar isonomia com os demais municípios circunvizinhos. Não é aceitável que uma cidade do porte do Crato, com sua importância histórica na prestação de serviços de saúde no cariri praticar remuneração não condizente com o desenvolvimento sócio-econômico que ora se anuncia. É bom lembrar que o Crato outrora foi o grande pólo de referência em serviços de saúde para toda a região centro-sul do Ceará e interior de outros estados. Hoje, assistimos ano após ano crescer a influência de outras cidades, como Barbalha e Juazeiro, enquanto o Crato delas se torna dependente para obter vários serviços na área de saúde, com flagrante diminuição do seu poder de resolutividade. Tal situação só não acontece na assistência básica, pois o PSF tem cumprido seu papel na melhoria de todos os indicadores de saúde do município a despeito das condições não adequadas de funcionamento. No Crato, registra-se os piores salários da região do cariri, de tal forma que tem sido difícil atrair e fixar profissionais qualificados e realmente compromissados com a filosofia do PSF, que preza o benefício da população. Há portanto necessidade de valorização destes profissionais, além do fornecimento de condições de trabalho adequadas. Neste particular reivindica-se melhorias nos postos de saúde, no fornecimento de medicações e insumos e transporte seguro e eficiente das equipes. Tais reivindicações não podem ser interpretadas como intransigência, a luta é pela classe em favor da população. Chegou-se ao estado de greve após a insensibilidade da administração às reivindicações do movimento e a falta de contraproposta, ponto crucial para o balizamento e avanço das negociações. Neste momento, continuamos acreditando na possibilidade de resolução do impasse, mediante um reajuste na logística orçamentária que não prejudique nenhuma das partes, em especial a parte mais sensível, a população, razão da existência do próprio PSF. Estamos abertos à negociação e ansiosos pelo desfecho favorável, que pode ser firmado exclusivamente pelo único e maior responsável, o prefeito. Associação dos Profissionais de Saúde da Família"

Discurso anticomunista contra o MST

Nenhum comentário:
Publicado originalmente no Vermelho:
  "Ação contra MST repete discurso anticomunista pré-1964 


Dois promotores do MP-RS acusam MST de ''práticas criminosas'' e de ''ameaçar a segurança nacional'', citando um ''notável trabalho de inteligência''. Baseado em matérias da imprensa e em relatos do serviço secreto da PM gaúcha, o trabalho fala, em tom de denúncia, da presença de livros de Florestan Fernandes e Paulo Freire, entre outros autores, nos acampamentos do MST e acusa ''fraseologia agressiva inspirada no bloco soviético''. Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior


A inicial da ação civil pública apresentada pelos promotores Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Junior, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, pedindo a desocupação de dois acampamentos do MST, próximos à fazenda Coqueiros (região norte do Estado), parece uma peça saída dos tempos da ditadura, reproduzindo a paranóia delirante anti-comunista dos anos 50 e 60 que alimentou e deu sustentação ao golpe militar no Brasil. A Vara Cível de Carazinho deferiu a liminar requerida pelo MP. Na avaliação dos promotores, os acampamentos Jandir e Serraria são “verdadeiras bases operacionais destinadas à prática de crimes e ilícitos civis causadores de enormes prejuízos não apenas aos proprietários da Fazenda Coqueiros, mas a toda sociedade”. Essa terminologia resume uma lógica de argumentação que muitos julgavam estar extinta no Brasil.
Na primeira página da inicial da ação, os promotores comunicam que seu trabalho é resultado de uma decisão do Conselho Superior do Ministério Público do RS para investigar as ações do MST que “há muito tempo preocupam e chamam a atenção da sociedade gaúcha”. O documento anuncia que os promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto realizaram um “notável trabalho de inteligência” sobre o tema. Uma nota de rodapé define o trabalho de “inteligência” realizado nos seguintes termos: O art. 1º, § 2º, da Lei nº 9.883/99, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência e criou a ABIN, definiu a inteligência como sendo “a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado”.

O relatório que segue faz jus a esse conceito, apresentando o MST como uma ameaça à sociedade e à própria segurança nacional. O resultado do trabalho de inteligência inspirado nos métodos da ABIN é composto, na sua maioria, por inúmeras matérias de jornais, relatórios do serviço secreto da Brigada Militar e materiais, incluindo livros e cartilhas, apreendidas em acampamentos do MST. Textos de autores como Florestan Fernandes, Paulo Freire, Chico Mendes, José Marti e Che Guevara são apresentados como exemplos da “estratégia confrontacional” adotada pelo MST. Na mesma categoria, são incluídas expressões como “construção de uma nova sociedade”, “poder popular” e “sufocando com força nossos opressores”. Também é “denunciada” a presença de um livro do pedagogo soviético Anton Makarenko no material encontrado nos acampamentos.

As subversivas Ligas Camponesas e o “movimento político-militar de 1964”

Na introdução da ação, os promotores fazem um “breve histórico do MST e dos movimentos sociais”. Esse histórico se refere à organização do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Master) no Rio Grande do Sul, nos anos 1960, e à “atmosfera de crescente radicalização ideológica”. As Ligas Camponesas de Francisco Julião, em Pernambuco, são acusadas de “sublevar o campo e incentivar a violência contra os proprietários de terra, criando um clima de guerra civil”. Essa “agressividade”, na avaliação dos promotores, contribuiu para o “movimento político-militar de 1964”. O “movimento político-militar de 1964” a que os promotores se referem é o golpe militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, suprimiu as liberdades no país e deu início à ditadura militar. Logo em seguida, a ação apresenta uma caracterização do MST, toda ela baseada na visão de uma única pessoa, o sociólogo Zander Navarro.

O trabalho de inteligência dos promotores também se baseia, em várias passagens, em uma “revista de circulação nacional” (Veja) e em matéria críticas ao MST publicadas em jornais como Folha de S.Paulo, Zero Hora e Estado de S. Paulo, entre outros. Após apresentar um “mapa” dos movimentos sociais no campo brasileiro, os promotores questionam, em tom de denúncia, as fontes de financiamento público desses movimentos. Eles revelam que “o Ministério Público encaminhou um questionamento ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, acerca da existência ou não de alguma fonte de financiamento ou ajuda, direta ou indireta, aos participantes do MST acampados no Rio Grande do Sul”. Os promotores citam ainda o relatório da CPMI da Terra, realizada no Congresso Nacional, sustentando que há malversação de verbas públicas, “pelo repasse de dinheiro público efetuado diretamente pelo Incra, na forma de distribuição de lonas, cestas básicas e outros auxílios”. Além disso, citam a “doação de recursos por entidades estrangeiras, notadamente organizações não-governamentais ligadas a instituições religiosas, como a organização Caritas, mantida pela Igreja Católica”. E identificam, em tom crítico, a rede de apoio internacional ao MST que mostraria ao público estrangeiro “uma visão do Brasil frontalmente crítica à atuação do Poder Público e inteiramente de acordo com os objetivos estratégicos do MST”. Citando o jornal Zero Hora, os promotores apontam que a Escola Florestan Fernandes (do MST) foi construída “com vendas do livro Terra, com texto do escritor português José Saramago, fotografias de Sebastião Salgado e um disco de Chico Buarque, além de contribuições do exterior”. Mídia, PM 2 e Denis Rosenfield: as fontes da argumentação dos promotores Ao falar sobre a estratégia do MST, os promotores valem-se de relatórios do serviço secreto da Brigada Militar (a PM2).
O relatório do coronel Waldir João Reis Cerutti, de 2 de junho de 2006, afirma que os acampamentos do movimento são mantidos com verbas públicas do governo federal, recursos de fontes internacionais e até das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O coronel Cerutti não apresenta qualquer comprovação da existência do “dinheiro das FARC” e segue falando da suposta influência da guerrilha colombiana sobre os sem-terra. Segundo ele, o MST estaria planejando instalar um “território liberado” dentro do Estado: “Análises de nosso sistema de inteligência permitem supor que o MST esteja em plena fase executiva de um arrojado plano estratégico, formulado a partir de tal “convênio”, que inclui o domínio de um território em que o governo manda nada ou quase nada e o MST e Via Campesina, tudo ou quase tudo”. Em seguida é apresentado um novo relatório do Estado Maior da Brigada Militar sobre as ações do MST no Estado. Esse documento pretende analisar a “doutrina e o pensamento” do MST, identificando, entre outras coisas, as leituras feitas pelos sem-terra. Identifica um “panteão” de ícones inspiradores do movimento, “a maior parte ligada a movimentos revolucionários ou de contestação aberta à ordem vigente” (onde Florestan Fernandes e Paulo Freire estão incluídos, entre outros). E fala de “uma fraseologia agressiva, abertamente inspirada nos slogans dos países do antigo bloco soviético (“pátria livre, operária, camponesa”)”.

A partir dessas informações, os promotores passam a discorrer sobre o caráter “leninista” do MST, invocando como base argumentativa o livro “A democracia ameaçada – o MST, o teológico-político e a liberdade”, de Denis Rosenfield, que “denuncia” que o objetivo do movimento é o socialismo. Para os promotores, “já existem regiões do Brasil dominadas por grupos rebeldes” (p. 117 da ação). A prova? “A imprensa recentemente noticiou....” (uma referência as ações da Liga dos Camponeses Pobres, no norte do Brasil). Em razão da “gravidade do quadro em exame”, concluem os promotores, “impõe-se uma drástica mudança na forma de trato das questões relativas ao MST e movimentos afins”. A conclusão faz jus às fontes utilizadas no “notável trabalho de inteligência”: “o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não constitui um movimento social, mas, isso sim, um movimento político”. O MST, prosseguem os promotores, “são uma organização revolucionária, que faz da prática criminosa um meio para desestabilizar a ordem vigente e revogar o regime democrático adotado pela Constituição Federal”. Em nenhum momento da ação, o “notável trabalho de inteligência” dos promotores trata de problemas sociais no campo gaúcho."

O que é o centralismo democrático.

Nenhum comentário:
Vamos discutir didaticamente o conceito de centralismo democrático. Visto que muitos "opinam" sobre o tema sem ao menos conhecê-lo, vamos começar pela definição através de um partido político que, em seu estatuto, aplica o conceito. Antes uma observação: o centralismo democrático aplica-se somente ao partido político e no caso do PCdoB, só diz respeito aos seus militantes. Não se aplica a nenhum outro órgão ou entidade. Vejamos o que diz o Estatuto do PCdoB:
"Artigo 11 –A estruturação e o desenvolvimento da vida partidária assentam-se no princípio do Centralismo Democrático. O Centralismo Democrático estimula a expressão das opiniões pessoais de forma livre e responsável, e a ampla iniciativa de ação por parte de cada militante e de todas as suas organizações, como fator ativo da construção das orientações partidárias, sob um único centro dirigente: o Congresso do Partido e, entre um e outro Congresso, o Comitê Central.
O Partido age como um todo uno, sob o primado de uma disciplina livre e conscientemente assumida. A unidade é a força do Partido.Com a aplicação e o desenvolvimento criativos do Centralismo Democrático, se visa a coesão política e ideológica do Partido, como construção coletiva, sob o primado da unidade de ação política de todo o Partido.
I – A democracia é um bem fundamental da vida interna do Partido e significa:
a) igualdade de direitos e deveres entre todos os seus membros, segundo sua condição de filiado(a) ou militante; direito de eleger e ser eleito(a) para as instâncias partidárias, estando em dia com suas obrigações perante o Partido;
b) eleição de todos os organismos dirigentes do Partido de baixo para cima, sendo que a instância que elege pode destituir os(as) eleitos(as);
c) debate amplo, com liberdade de opinião pessoal, nos organismos sobre as orientações partidárias;
d) prestação de contas periódica e informação regular dos organismos dirigentes do Partido às instâncias que os elegeram e ao coletivo partidário;
e) estrito respeito à institucionalidade, à probidade e à impessoalidade na condução das atividades do Partido, nos termos deste Estatuto, das normas e regimentos do Comitê Central.
II – O centralismo assegura a indispensável unidade de ação política de todo o Partido e significa que:
a) as decisões coletivas, tomadas por consenso ou maioria, são válidas para todos; o interesse individual, ou da minoria, subordina-se ao do coletivo, ou da maioria;
b) as decisões adotadas por organismos superiores são válidas para todas as organizações sob sua jurisdição; decisões adotadas pelo Congresso e pelo Comitê Central são obrigatórias para todo o Partido;
c) as divergências de opiniões não eximem seus membros da obrigação de aplicar, defender e difundir as orientações partidárias;
d) não são admitidas tendências e facções, entendidas como atividade organizada de membros ou organizações do Partido à margem da estrutura partidária, em torno de propostas ou plataformas próprias, pessoais ou coletivas, temporárias ou permanentes."
Fora disso, no que diz respeito aos militantes do PCdoB é conversa, balela, ponto para causar polêmica.

Convenção do PCdoB será dia 27 de junho

Nenhum comentário:
Edital O Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil – PCdoB – do município do Crato, através de seu presidente abaixo assinado, e de acordo com o que estabelecem os Estatutos Partidários e a Legislação Eleitoral, convoca a Convenção Eleitoral Municipal, a ser realizada no dia 27 de junho de 2008, às 18 horas e 30 minutos, no Crato Tênis Clube, Rua Coronel Antônio Luiz, Crato - CE , tendo a seguinte pauta:
1) Discussão e deliberação sobre os coligações (majoritária e proporcional) que o PCdoB deverá integrar;
2) Discussão e deliberação sobre os candidatos (majoritários e proporcionais) que o PCdoB deverá lançar no pleito de 2008. Para a qual convida todos os filiados do Partido neste município.
Crato,aos 19 dias do mês de junho de 2008.
Darlan de Oliveira Reis Junior Presidente

Vocabulário Gramsciano

Nenhum comentário:
No site http://www.gramsci.org/ , encontram-se boas informações sobre a obra e repercussões deste filósofo e camarada italiano. Ali dá para entender um pouco porque a extrema-direita tem tanto ódio de Gramsci... Um dos serviços que oferece é um vocabulário gramsciano. Interessante e oportuno para quem quer iniciar-se no pensamento deste grande marxista. Um exemplo:
Filosofia da práxis por Nicola Badaloni "O conceito de “práxis”, como agir individual e social, está no centro de toda a filosofia inaugurada por Karl Marx e pelo seu modo de abordar os problemas da produção e da ciência. Nos chamados Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, que Gramsci não teve a possibilidade de conhecer, Marx escrevia: “Assim como a sociedade produz o homem enquanto homem, ela é produzida por ele”.
Essa idéia de que a “produção” ou “práxis humana” engloba não apenas o trabalho, mas também todas as atividades que se objetivam em relações sociais, instituições, carecimentos, ciência, arte, etc., atravessa todo o pensamento de Marx e constitui o seu princípio fundamental.
Antonio Labriola desenvolveu este aspecto, afirmando — num de seus ensaios sobre A concepção materialista da história — que o materialismo histórico “parte da práxis, ou seja, do desenvolvimento da operosidade; e, como é teoria do homem que trabalha, considera a própria ciência como um trabalho”. Para Labriola, “todo ato de pensamento é um esforço, ou seja, um novo trabalho”, ao passo que “o trabalho realizado, ou seja, o pensamento produzido, facilita os novos esforços voltados para a produção de um novo pensamento”.
Esta premissa serve para demonstrar que o termo “filosofia da práxis”, do qual fala Gramsci, não é um expediente lingüístico, mas uma concepção que ele assimila como unidade entre teoria e prática. Discutindo sobre a undécima tese de Marx, que propõe mudar o mundo e não mais interpretá-lo, Gramsci escreve nos Cadernos que essa tese “não pode ser interpretada como um gesto de repúdio a qualquer espécie de filosofia”, mas como “enérgica afirmação de uma unidade entre teoria e prática. [...] Deduz-se daí, também, que o caráter da filosofia da práxis é sobretudo o de ser uma concepção de massa”.
E, em outro local, repete: “Para a filosofia da práxis, o ser não pode ser separado do pensamento, o homem da natureza, a atividade da matéria, o sujeito do objeto; se essa separação for feita, cai-se numa das muitas formas de religião ou na abstração sem sentido”.
A unidade de teoria e de prática serve a Gramsci para delinear uma série de conceitos científicos capazes de interpretar o mundo que lhe era contemporâneo (hegemonia, bloco histórico, novo senso comum, conformismo de massa em sua ligação com novas formas de liberdade individuais e coletivas, revolução passiva, etc.).
Aqui, numa formulação geral, iremos nos limitar às seguintes considerações sobre a filosofia da práxis:
1) Nem a filosofia da práxis nem nenhuma ciência a ela ligada nos permitem fazer previsões que tenham caráter determinista. Há um único modo possível de prever: aquele que vê a previsão como um ato prático que implica a formação e a organização de uma vontade coletiva. Desta tese, Gramsci deduz sua crítica a Croce, na medida em que a religião crociana da liberdade não contribui para a criação de resultados previsíveis, já que evita formular um projeto de transformação e uma vontade política correspondente a tal projeto. Essa mesma teoria da “previsão” põe em crise as concepções deterministas típicas do cientificismo da Segunda Internacional, que são também fonte de passividade.
2) A vontade de que fala Gramsci (e, portanto, a práxis) não é algo em estado puro, mas contém os elementos materiais que o próprio homem objetivou. Isso significa, em primeiro lugar, que a filosofia da práxis é, para Gramsci, a consciência plena das contradições da sociedade que lhe era contemporânea, de modo que — como ele diz nos Cadernos — “o próprio filósofo, entendido individualmente ou como todo um grupo social, não só compreende as contradições, mas põe a si mesmo como elemento da contradição, eleva este elemento a princípio de conhecimento e, portanto, de ação”. Ciências do homem (distintas entre si) e também ciências da natureza, para além da sua independência recíproca, encontram um momento de unidade, ao se tornarem política. Gramsci sintetiza isso nos seguintes termos: “A filosofia da práxis é o ´historicismo absoluto`, a mundanização e terrenalidade absoluta do pensamento, um humanismo absoluto da história”. Para entender esta última afirmação, o leitor deverá recordar a tese acima mencionada sobre a verdade como correspondência a uma realidade objetivada pelo próprio homem.
3) Gramsci define “o homem como uma série de relações ativas (um processo)”, de modo que ele “não entra em relação com a natureza simplesmente pelo fato de ser ele mesmo natureza, mas ativamente, por meio do trabalho e da técnica”. Em outras palavras, todo indivíduo “não só é a síntese das relações existentes, mas também da história dessas relações, ou seja, é o resumo de todo o passado”. Como é possível mudar o mundo se o indivíduo depende de tal modo do seu passado? A resposta de Gramsci é que “o indivíduo pode se associar com todos os que querem a mesma mudança; e, se essa mudança for racional, o indivíduo [...] pode obter uma mudança bem mais radical do que aquela que, à primeira vista, pode parecer possível”. Concluindo, a filosofia da práxis é, para Gramsci, construção de vontades coletivas correspondentes às necessidades que emergem das forças produtivas objetivadas ou em processo de objetivação, bem como da contradição entre estas forças e o grau de cultura e de civilização expresso pelas relações sociais. Está implícita nela, que aparece como uma concepção filosófica, uma série de ciências da natureza e do homem. Tomadas isoladamente, tais ciências podem ser consideradas como independentes; consideradas como expressão da possível contradição entre atividades criativas e relações comunicativas de tipo social, passam a fazer parte da filosofia da práxis e, desse modo, podem influir sobre a política, isto é, sobre aquelas mudanças que nos fazem entrever um novo modo de viver e níveis superiores de civilização."

18 de junho de 2008

Série discursos: Kalinin.

Nenhum comentário:


Mikhail Ivanovich Kalinin (1875-1946) - Sapateiro profissional, redator do Rabochaya Mysl.

Em 1905 ingressou no grupo bolchevique, ajudou a criar a Central Sindical dos Trabalhores Metalúrgicos.

Por sua posição crítica em relação à Primeira Guerra Mundial foi preso e exilado na Sibéria em novembro de 1916 sendo posteriormente libertado pelo Governo Provisório, retornou à Petrogrado e participou da Revolução de Outubro.
Em 1919 passou a integrar o Comitê Central do Partido Comunista até 1938, e de 1938 a 1946 integrou o
Presidium do Soviet Supremo da URSS.

(FONTE: Marxists Internet Archive)

"Camaradas:

Há 20 anos, precisamente a 2 de outubro de 1920, Lênin pronunciou um discurso sobre a educação comunista do III Congresso da União das Juventudes Comunistas da Rússia. Dirigindo-se ao Komsomol, Lênin disse que era pouco provável que nossa geração, educada na sociedade capitalista, pudesse levar a cabo a edificação da sociedade comunista. Essa tarefa deveria tocar à juventude.

Pois bem: hoje, quando aplaudiam, recordei involuntariamente essas palavras e me ocorreu pensar que diante de mim encontram-se antigos jovens do Komsomol, essa geração a que se dirigia Lênin.



E que esses jovens, já convertidos em adultos e com uma experiência da vida, participam ativamente da edificação socialista. E uno meus aplausos aos vossos para louvar especificamente a vós, os edificadores do socialismo.
Em nosso país se presta muita atenção à educação comunista. Não é em vão que a palavra “educação” se destaca nas colunas de nossa imprensa.
Não obstante, e pretendemos dar uma definição relativamente clara e concisa do que é em geral a educação, tropeçamos com dificuldades consideráveis. Não poucas vezes confunde-se a educação com o ensino. É claro que a educação tem muita semelhança com o ensino, mas de modo nenhum são sinônimos.


Certos pedagogos autorizados consideram que a educação é um conceito muitos mais amplo que a instrução. A educação tem suas particularidades.
Em meu entender, a educação consiste em exercer uma ação determinada, sistemática e com um objetivo definido sobre a psicologia do educando, com o fim de inculcar-lhe as qualidades desejadas pelo educador.


Parece-me que esta definição (que naturalmente não é obrigatória para ninguém) abarca em termos gerais tudo o que entendemos por educação, a saber: difundir uma determinada concepção do mundo, uma determinada moral e certas normas de convivência humana, forjar determinados traços do caráter e da vontade, criar certos hábitos e certos gostos, desenvolver determinadas qualidades físicas, etc.


A educação constitui umas das tarefas mais difíceis. Os melhores pedagogos a consideram tanto uma ciência como uma arte. Referem-se à educação escolar, que, está claro, é relativamente limitada. Mas além desta existe a escola da vida, na qual se verifica um processo ininterrupto de educação das massas, onde o educador é a própria vida, o Estado e o Partido, e o educando, milhões de pessoas adultas, diferentes umas das outras por sua experiência política. Essa educação é muito mais complicada.
Vou falar hoje precisamente dessa educação, da educação das massas.

Em seu livro Anti-Dühring Engels diz:
“... os homens, seja consciente ou inconscientemente, tiram suas idéias morais, em última instância, das condições práticas em que se baseia sua situação de classe: das relações econômicas em que produzem e trocam seus produtos... A moral tem sido sempre uma moral de classe; ou justificava a dominação e os interesses da classe dominante, ou representava, quando a classe oprimida se tornava bastante poderosa, a rebelião contra essa dominação e defendia os interesse do futuro dos oprimidos”.


Assim pois, na sociedade de classes nunca existiu nem pode existir uma educação que esteja à margem ou por cima das classes.
Na sociedade burguesa, está impregnada até a medula da hipocrisia e dos interesses egoístas das classes dominantes e tem um caráter profundamente contraditório, que reflete os antagonismos da sociedade capitalista.


O ideal dos capitalistas é que os operários e os camponeses sejam uns servos submissos que suportem sem protestar o jugo da exploração. Partindo dessas considerações, os capitalistas não quiseram desenvolver nos operários e camponeses o valor e a intrepidez, não quiseram dar-lhes a menor instrução, pois é mais fácil dominar gente atrasada e embrutecida. Mas com essa gente não se pode alcançar a vitória nas guerras de conquistas, e esse mesmo povo, sem conhecimentos elementares, não pode trabalhar máquinas. A concorrência entre os capitalistas, as condições de progresso técnico, a corrida armamentista, etc., por um lado, e por outro a luta dos operários e camponeses por sua instrução, obrigam a burguesia a proporcionar aos trabalhadores pelo menos algumas migalhas de conhecimentos; e as guerras de rapina a obrigam a inculcar-lhes valor, firmeza e outras qualidades perigosas para a burguesia.


Pois bem; apesar dessas contradições que, como já disse, residem na própria natureza da sociedade burguesa, as classes dominantes levam a cabo uma luta desesperada para subjugar as massas populares, utilizando para isso todos os meios, desde a repressão aberta até ao engano sutil.



Na sociedade burguesa, o trabalhador encontra-se, desde o berço até a sepultura, submetido à influência constante das idéias, sentimentos e hábitos que convêm à classe dominante. Essa influência se exerce por inúmeros canais e adquire às vezes formas mal perceptíveis. A Igreja, a escola, a arte, a imprensa, o cinema, o teatro e diversas organizações, tudo isso serve de instrumento para levar à consciência das massas a ideologia burguesa, sua moral, seus hábitos.


Tomemos, por exemplo, o cinema. Referindo-se às películas norte-americanas, um diretor cinematográfico burguês escreve:
“Muitas das películas modernas constituem uma espécie de narcótico destinado a pessoas que se acham tão fatigadas que só desejam sentar-se numa fofa poltrona e serem alimentadas a colheradinhas”.

Tal é a essência da educação burguesa.



A essa educação, elaborada durante séculos e destinada a fortalecer a posição da classe capitalista dominante e a conseguir que os oprimidos se resignem à sua situação, o Partido Comunista – o destacamento de vanguarda do proletariado – opõe seus princípios educativos dirigidos em primeiro lugar contra o domínio da burguesia e a favor da ditadura do proletariado.

A educação comunista difere radicalmente da educação burguesa não só no que diz respeito a seus objetivos, o que se compreende sem necessidade de demonstração, mas também por seus métodos. A educação comunista está indissoluvelmente ligada ao desenvolvimento da consciência política e da cultura geral e à elevação do nível intelectual das massas. Este é o objetivo visado por um Partido Comunista. "

17 de junho de 2008

Falece Violeta Arraes

Um comentário:
Faleceu hoje, Violeta Arraes, ex-Reitora da URCA. Deixo aqui meus pêsames pela perda dessa grande mulher. Leia a Nota Oficial da Universidade: "NOTA OFICIAL A Universidade Regional do Cariri - URCA cumpre o sagrado dever de comunicar a toda a comunidade acadêmica e regional, o falecimento da Dra. MARIA VIOLETA ARRAES DE ALENCAR GERVAISEAU, Ex-Reitora desta Universidade. O acontecimento ocorreu às sete horas e cinqüenta e cinco minutos do dia dezessete deste mês de junho, na cidade do Rio de Janeiro. Comunica também que o sepultamento será nesta cidade do Crato, precedido pelo velório e Missa de réquiem, a se realizarem no salão nobre desta Universidade, conforme programa a ser divulgado. Crato, 17 de junho de 2008. Plácido Cidade Nuvens Reitor"

Só pra lembrar... Charge de Angeli

Nenhum comentário:

Arrogância da elite branca

Nenhum comentário:
Deu no site do Azenha. Mais uma vez, sou obrigado a reproduzir. Trata-se de análise sobre a ação dos "especialistas", no caso, uma "especialista" sobre política e ética, da Rádio CBN, da Rede Globo, forte membro do PIG - Partido da Imprensa Golpista. "A AUDIÊNCIA CAI DEVIDO A PESSOAS PRECONCEITUOSAS" Atualizado em 16 de junho de 2008 às 21:35 Publicado em 16 de junho de 2008 às 21:16 por Emerson Luis, no Nas Retinas, em 16 de junho de 2008 Vejam, ou melhor ouçam, a classe da colunista (?) Lucia Hippolito na CBN. Quem merece acordar pela manhã, ligar o rádio, e ouvir coisas tão absurdas nas análises desta “especialista”? Os proprietários dos veículos conservadores não entendem porque a cada dia perdem audiência para a Internet e outros veículos alternativos. Eu explico: a audiência cai devido a pessoas preconceituosas como Lucia Hippolito. Em seu comentário pela manhã na CBN ela simplesmente conseguiu aliar a derrota da seleção brasileira ao presidente Lula, desqualificando-o para exercer o cargo de presidente da república. Ou seja, se a seleção perdeu, a culpa é do despreparado do Lula. É a fina flor do jornalismo de caserna. Ao acordar de mau humor numa segunda-feira, Lucia usa o microfone para exercer o preconceito de classe, como pessoa culta e preparada que é. Obviamente, não admite que um cidadão com histórico político ganhe as eleições e assuma o cargo de chefe máximo da nação. Lucia, uma dica: 2010 está ai. Pq vc, que é uma pessoa preparada, equilibrada, culta, que tem faculdade, doutorado e mestrado não se candidata para o cargo? Indo mais além na sua forma sabotadora de comunicação, aliada a apatia de uma das rádios mais sem criatividade que já surgiram no Brasil, Lucia ainda chama a ministra Dilma, que nem é candidata a nada, de despreparada, a roldão do presidente Lula. Leiam o trecho citado, literalmente: “Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga, nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein?” Literalmente foi isso que se ouviu hoje pela manhã em uma das principais redes de rádio do país, que administra uma concessão pública de radiodifusão, ou seja, do Estado. Fiquei pensando no trecho “nunca ter feito nada”, que ela usou para se referir as atividades do presidente. Se Lucia fosse algo mais ou menos parecido com um jornalista, ela definiria exatamente o que quis dizer nestas entrelinhas. Defender direitos trabalhistas durante uma ditadura é fazer nada? Ser preso pela ditadura é fazer nada? Percorrer o país em caravana para ter base sólida e conhecimento do país é nada? Ter sido deputado constituinte é nada? Ter disputado cinco eleições com sabotagem da imprensa é nada? Ter colaborado pela redemocratização do país é nada? Lucia, com todo o respeito que uma dama merece, quem precisa fazer alguma coisa é você, talvez um curso de cidadania em programas públicos, visitas em assentamentos de terra, a projetos de inclusão digital, aos albergues, programas de alfabetização, enfim, uma visitinha a qualquer periferia que está ai bem perto de você, para aprender que propagar preconceito de classe usando os meios de comunicação é péssimo para o país."