26 de dezembro de 2009

Ardi, a descoberta científica do ano.

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"Science elege hominídeo Ardi como maior descoberta de 2009

Ardi, um personagem feminino que viveu na atual Etiópia há 4,4 milhões de anos, virou celebridade neste final de ano. A revista Science considerou o achado de seu esqueleto, o hominídeo fêmea mais antigo já encontrado até hoje, como a descoberta científica mais importante de 2009. O fóssil lidera a lista dos dez maiores avanços científicos do ano.


Reconstituição da aparência de Ardi
Os restos fossilizados da etíope são 1,2 milhão de anos mais antigos que os da também africanaLucy, o mais antigo esqueleto parcial conhecido de um hominídeo até então. As duas aproximam os investigadores do último antepassado comum a humanos e chimpanzés. A descoberta identifica uma nova espécie de hominídeo, o Ardipithecus ramidus. Ardi foi objeto de 15 anos de estudo minucioso por antropólogos. O achado do esqueleto deu início a uma nova etapa na pesquisa da evolução do homem, segundo os cientistas. Primos distantes Os estudios a partir do esqueleto ajudam a derrubar mitos sobre a relação direta entre o ser humano e os símios modernos. Estes tiveram início há 150 anos, logo que o cientista inglês Charles Darwin publicou A origem das espécies, fundamentando sua teoria da evolução das espécies. Os detratores de Darwin, defensores do criacionismo, acusavam de dizer que o homem descende dos macacos e costumavam retratá-lo, em caricaturas, com o corpo de um chipanzé. A análise do crânio, dos dentes, da pélvis, das mãos, dos pés e de outros ossos de Ardi mostraram que os símios africanos evoluíram consideravelmente desde o momento em que compartilharam um ancestral comum com os humanos. O vínculo entre o homem e seus parentes primatas não é portanto de pai e filho, mas de primos ainda que distantes. Outras escolhas Os outros nove grandes avanços científicos do ano, segundo a Science, foram: a detecção de pulsars pelo Fermi, o telescópio espacial de raios gama da Nasa; o recurso a rapamicina, com a qual os investigadores constataram que mexendo numa via essencial de sinalização podiam agir sobre a duração da vida de ratinhos; a utilização de grafeno, camadas muito condutoras de átomos de carbono, para fabricar sistemas electrónicos experimentais; receptor de ácido abscísico (ABA) nas plantas, para as ajudar a sobreviver às secas; o acelerador linear de partículas de Stanford apresentou o primeiro laser de raios X do mundo; regresso da terapia genética; reprodução do comportamento dos "monopólos magnéticos" com materiais cristalinos chamados "vidros de spin"; a Lcross, sonda da Nasa, encontrou água na Lua; e a reparação do telescópio Hubble, em Maio. A Science, fundada em 1880, é uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo. É publicada pela American Association for the Advancement of Science (AAAS). Seus artigos são submetidos ao processo de revisão paritária e sua tiragem semanal é de 130 mil exemplares, com as consultas online, o número estimado de leitores chega a a 1 milhão."

MATÉRIA DO PORTAL VERMELHO

23 de dezembro de 2009

A maioria, ah, a maioria!

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Segundo divulgado no site Yahoo,

"A maioria dos brasileiros considera ilegal a invasão de propriedades, segundo pesquisa "Imagem do MST", encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e divulgada hoje. De acordo com o levantamento, 92% dos 2 mil entrevistados consideram as ocupações ilegais. A pesquisa, que possui margem de erro de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo, foi feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e trata das ações promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

(...) A pesquisa também mostra que 72% dos ouvidos consideram que o poder público deve utilizar a polícia para cumprir ordens judiciais de retirada dos invasores, enquanto 61% acham que o governo deve cumprir os mandados de reintegração de posse. Já os proprietários de fazendas não devem usar armas próprias para se proteger ou prevenir invasões em suas propriedades na opinião de 69% dos entrevistados. Segundo 61% das pessoas ouvidas, o caminho mais adequado para resolver a questão das ocupações ilegais é a Justiça."

A maioria, ora, a maioria. A maioria vota no Lula e acha que ele é o "cara". Isso é bom ou ruim? A maioria é católica. E isso, é bom ou ruim? A maior torcida é a do Flamengo. E isso, é bom? Ou ruim? A maioria acredita que existe vida após a morte. E a maioria acha que tem que ter pena de morte.
Isso é bom? Ou ruim? A maior população do mundo é a da China. E lá existem maioria e minorias. A maioria é sempre um problema. Ou uma solução. Depende do ponto de vista.

Se fizermos uma pesquisa com as seguintes perguntas: 1- Você concorda com a miséria? 2- Você acha justo uma pessoa trabalhar oito horas por dia, quarenta e oito horas por semana e receber um salário mínimo com os valores que são pagos hoje? 3- Você é contra ou a favor da existência das favelas? 4- Você acha que a violência é o caminho para a resolução dos problemas? Quais seriam os índices de uma pesquisa como essa? Num país capitalista, com um passado de exploração e submissão colonial, temos muito de conservadorismo e incompreensão.

Tem muito trabalhador assalariado que acha que o MST quer tomar a casa, o som, a TV dele.
Que quer depredar e invadir o que foi conquistado com suor.

É o novo "perigo vermelho" com uma nova roupagem. Antes eram os comunistas ateus, que iriam "comer as criancinhas" e "acabar com as famílias". Mais para trás, eram os "fanáticos de Canudos", ou os "quilombolas de Palmares".

Hoje é o MST.

22 de dezembro de 2009

Um dos maiores massacres da História: Jericó.

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Se levássemos os registros da Bíblia como relatos reais, teríamos ali os relatos de massacres, assassinatos, sacrifícios e diversos crimes, em nome ou a mando de deus. Incrível. Um exemplo, a destruição da cidade de Jericó e o diálogo entre deus e Josué. (Fonte: Bíblia Online)

Josué 6

"1¶ Ora Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía nem entrava.
2Então disse o SENHOR a Josué: Olha, tenho dado na tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos.
3Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias.
4E sete sacerdotes levarão sete buzinas de chifres de carneiros adiante da arca, e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as buzinas.
5E será que, tocando-se prolongadamente a buzina de carneiro, ouvindo vós o seu sonido, todo o povo gritará com grande brado; e o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá por ele, cada um em frente.
6¶ Então Josué, filho de Num, chamou aos sacerdotes e disse-lhes: Levai a arca da aliança; e sete sacerdotes levem sete buzinas de chifres de carneiros, adiante da arca do SENHOR.
7E disse ao povo: Passai e rodeai a cidade; e quem estiver armado, passe adiante da arca do SENHOR.
8E assim foi que, como Josué dissera ao povo, os sete sacerdotes, levando as sete buzinas de carneiros diante do SENHOR, passaram e tocaram as buzinas; e a arca da aliança do SENHOR os seguia.
9E os homens armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as buzinas; e a retaguarda seguia após a arca; andando e tocando as buzinas iam os sacerdotes.
10Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis.
11E fez a arca do SENHOR rodear a cidade, contornando-a uma vez; e entraram no arraial, e ali passaram a noite.
12Depois Josué se levantou de madrugada, e os sacerdotes levaram a arca do SENHOR.
13E os sete sacerdotes, que levavam as sete buzinas de chifres de carneiros, adiante da arca do SENHOR, iam andando, e tocavam as buzinas, e os homens armados iam adiante deles e a retaguarda seguia atrás da arca do SENHOR; os sacerdotes iam andando e tocando as buzinas.
14Assim rodearam outra vez a cidade no segundo dia e voltaram para o arraial; e assim fizeram seis dias.
15E sucedeu que, ao sétimo dia, madrugaram ao subir da alva, e da mesma maneira rodearam a cidade sete vezes; naquele dia somente rodearam a cidade sete vezes.
16E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o SENHOR vos tem dado a cidade.
17¶ Porém a cidade será anátema ao SENHOR, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.
18Tão-somente guardai-vos do anátema, para que não toqueis nem tomeis alguma coisa dele, e assim façais maldito o arraial de Israel, e o perturbeis.
19Porém toda a prata, e o ouro, e os vasos de metal, e de ferro são consagrados ao SENHOR; irão ao tesouro do SENHOR.
20Gritou, pois, o povo, tocando os sacerdotes as buzinas; e sucedeu que, ouvindo o povo o sonido da buzina, gritou o povo com grande brado; e o muro caiu abaixo, e o povo subiu à cidade, cada um em frente de si, e tomaram a cidade.
21E tudo quanto havia na cidade destruíram totalmente ao fio da espada, desde o homem até à mulher, desde o menino até ao velho, e até ao boi e gado miúdo, e ao jumento.
22Josué, porém, disse aos dois homens que tinham espiado a terra: Entrai na casa da mulher prostituta, e tirai-a de lá com tudo quanto tiver, como lhe tendes jurado.
23Então entraram os jovens espias, e tiraram a Raabe e a seu pai, e a sua mãe, e a seus irmãos, e a tudo quanto tinha; tiraram também a toda a sua parentela, e os puseram fora do arraial de Israel.
24Porém a cidade e tudo quanto havia nela queimaram a fogo; tão somente a prata, e o ouro, e os vasos de metal e de ferro, deram para o tesouro da casa do SENHOR.
25Assim deu Josué vida à prostituta Raabe e à família de seu pai, e a tudo quanto tinha; e habitou no meio de Israel até ao dia de hoje; porquanto escondera os mensageiros que Josué tinha enviado a espiar a Jericó.
26E naquele tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito diante do SENHOR seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; sobre seu primogênito a fundará, e sobre o seu filho mais novo lhe porá as portas.
27Assim era o SENHOR com Josué; e corria a sua fama por toda a terra."

O Estado é laico mas a festa é para os católicos.

Um comentário:
Ao acessar o site da URCA encontrei a seguinte matéria:
"A Administração Superior da Urca convida a todos para a confraternização natalina Sex, 18 de Dezembro de 2009 00:00 A Administração Superior da Universidade Regional do Cariri - URCA convida todos que fazem parte desta IES para participarem da celebração de uma missa eucarística a realizar-se dia 22 às 17 horas no Salão de Atos, URCA - Pimenta. Logo após será a confraternização no Pátio da Pedagogia."

Ou seja, desde 15 de Novembro de 1889, o estado é laico. Mas vai ter uma festa católica, apesar de todos terem sido convidados. Eu sei, é prática antiga. É a tradição da maioria. E as leis no Brasil foram feitas para não serem cumpridas, não é mesmo? Pelo menos o mundo fica bem mais humanizado e justo nesses dias, basta ver como anda o trânsito na região do Cariri...

18 de dezembro de 2009

Falsas soluções em Copenhage?

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"A Conferência em Copenhague não vem tratando sobre o clima e suas mudanças. Trata, sim, de uma avançada engenharia financeira para a consolidação e expansão do que se convencionou chamar capitalismo verde."

Por João Pedro Stedile *

"Isso se comprova facilmente pela vitória dos mecanismos de mercado sobre as propostas de fundos públicos, pelo avanço dos agrocombustíveis e dos transgênicos resistentes a um clima mais adverso. Tudo construído e legitimado pelo processo decadente da democracia representativa, na qual os povos de todo o mundo, diretamente afetados pelo aquecimento global e as mudanças climáticas, não têm voz.
Entretanto, no Clima Fórum, espaço paralelo ao oficial, construiu-se outra perspectiva. A compreensão de que o sistema tem que mudar, e não o clima, foi um dos consensos mais fortes. É necessária uma mudança estrutural em direção a um sistema que não tenha como seu único objetivo a acumulação privada, mas sim as necessidades humanas.
A Via Campesina Internacional, que congrega 148 organizações de 68 países, possui a mesma compreensão. A agricultura industrial capitalista tem imensa responsabilidade nas mudanças climáticas, seja pela utilização intensiva de insumos químicos, seja pela devastação florestal que promove. Somente a agricultura camponesa, com suas agroindústrias e distribuição de seus produtos, pode alimentar a humanidade com base em sistemas agroecológicos, que acumulam carbono e preservam o meio ambiente.
A COP15 tem como resultado uma colcha de retalhos de falsas soluções. Antes que a humanidade pague a conta destas aventuras capitalistas, a proposta popular de Copenhague precisa ser levada a cabo. Somente quando a humanidade se libertar dos interesses pelo lucro, poderá utilizar sua capacidade para consolidar sistemas urbanos e camponeses sustentáveis. Assim, teremos soluções reais para os atuais problemas ambientais."
* Publicado originalmente no jornal O Dia
(Matéria do Portal Vermelho)

15 de dezembro de 2009

Presença do Estado no Brasil

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Além da leitura das obras clássicas, das novas produções, dos artigos científicos sobre o país é preciso ler os estudos realizados pelos órgãos oficiais. O IPEA realizou e agora publica "Presença do Estado no Brasil: Federação, suas Unidades e Municipalidades. "Segundo o Instituto, "Com base em dados de ministérios e do IBGE, a publicação permite conhecer os municípios, estados e regiões mais carentes em áreas como educação, saúde, segurança pública e previdência social. O documento foi explicado pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann.
O estudo apresenta informações detalhadas sobre 5.564 municípios brasileiros, e sua análise leva a conclusões importantes. Um exemplo é o fato de apenas 157 municípios do País (2,8% do total) possuírem estabelecimento público de ensino superior. Desses, 23,6% se localizam em São Paulo, o que demonstra grande concentração geográfica das universidades públicas." No quesito Indicadores Básicos Por Município, por exemplo, o Crato tem 13.533 famílias pobres, levando-se em consideração os dados do PNAD e MDS/ Matriz de informação social: estimativa elaborada para subsidiar o Programa Bolsa Família.
Para ter o estudo completo é preciso acessar o site do IPEA. Deixo o endereço do link, para quem se interessar, ir direto ao estudo.

"Lula tem medo de enfrentar o PIG; presidente manda CUT baixar a cabeça para agradar os empresários."

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Texto do Jornalista Rodrigo Vianna sobre a concessão que o governo e algumas entidades fizeram aos patrões da Imprensa, os empresários do setor querem continuar fazendo da comunicação apenas um balcão de seus interesses.

Fonte: Site O Escrevinhador.

"Como informei aqui, a abertura da Confecom - em Brasília - atrasou em mais de duas horas porque, nos bastidores, o "grupo Bandeirantes" ameaçava sair da conferência, se a comissão organizadora não aceitasse mudar regrasde votação para dar aos empresários direito de veto em algumas questões - http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/bandeirantes-ameacou-melar-a-confecom.

Tarde da noite de segunda, fiquei sabendo que entidades como a CUT e o FNDC (Fórum Nacional de Democratização da Comunicação) tiveram uma postura subserviente e dúbia - favorecendo a chantagem empresarial.

Tentarei ser breve: na manhã de segunda, a Band exigiu a tal mudança de regras; na comissão organizadora, movimentos sociais votaram em bloco contra as mudanças. A Band aí ameaçou sair da Confecom. Sabem o que o governo Lula fez? Pressionou movimentos sociais a aceitar as mudanças. Aí, em nova reunião à tarde, CUT (apoiada pela FENAJ - a federação sindical dos jornalistas), FNDC e outros mudaram seus votos na comissão - cedendo aos "apelos" do governo e da Band.

Foi uma vergonha.

Os dirigentes que tomaram essas decisões vão pagar o preço por elas. Entre o governo aliado à Band e os movimentos sociais, dirigentes da CUT preferiram ficar com com a postura "chapa-branca".

Pra se ter uma idéia do estrago, muita gente ontem à noite ameaçava abandonar a Confecom depois dessa manobra vergonhosa.

Mas aí também seria um exagero. É preciso entender quem é o inimigo principal. O editorial da "Globo" contra a Confecom (leia mais aqui - ) e a chantagem da Band mostram quem é o adversário principal.

O presidente Lula fez um discurso morno na cerimônia de abertura. "Lamentou" que alguns atores ("Globo") tenham preferido se ausentar. Mas perdeu a chance de fazer um discurso histórico, na linha do que marcou o lançamento do pré-sal.

Lula teme os donos dos meios de comunicação. Foi ele que deu a ordem para que a Band fosse atendida em tudo. Lula não gosta de confronto. Se, com quase 80% de aprovação, ele não enfrenta nem a Band, imaginem se vai encarar Globo e outros...

É uma escolha.

Equivocada, na humilde opinião deste "escrevinhador".

A campanha de 2006 foi fichinha perto do que essa turma vai aprontar em 2010. Lula acha que, com essas concessões, vai domar a serpente. Devia era cortar a cabeça da cascavel. Mas ele tem medo.

Ontem, aqui em Brasília, isso ficou claro.

Não sei porque, mas uma vez mais pensei em Leonel Brizola. Ele não temia o confronto. Ainda mais quando sabia que do outro lado está um adversário que, na primeira chance, tentará eliminá-lo.

Lula acha que negocia com os donos da imprensa. Essa gente não negocia. A mentalidade dessa gente é a de fazendeiros da República Velha. A Confecom podia ser uma Revolução de 30. Mas Lula não vai amarrar os cavalos no obelisco de Brasília.

Não. Lula tem medo. É uma pena.

Ainda assim, com muita negociação e maturidade (o que não quer dizer subserviência), acho possível que a Confecom sinalize algumas mudanças importantes nas Comunicações.

O povo dos movimentos sociais tá disposto a encarar a briga. Se Lula fez um discurso morno, a platéia estava quente.

Hélio Costa (ministro que, aliado à Globo, torpedeou a Confecom) foi vaiado feito gente grande. "Helio Costa, que papelão, o empresário é o teu patrão", era o grito da galera enquanto ele discursava.

Um governo que tem Helio Costa como ministro deve ser tratado como um governo em disputa. Não como um governo para o qual se abaixa a cabeça - como fez a CUT.

A CUT também tem medo. Medo do Lula. É uma pena!"

11 de dezembro de 2009

As comparações entre os governos FHC e Lula.

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O programa do Partido dos Trabalhadores exibido no dia 10 de dezembro fez essa comparação. Assista:

Admissão de diplomas obtidos no Mercosul.

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A CAPES divulgou a regulamentação do Acordo de Admissão de Títulos e Graus Acadêmicos para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do Mercosul. Já havia escrito anteriormente aqui no blog sobre a proliferação de cursos pós-graduação stricto sensu que não eram reconhecidos pela CAPES , o que impedia a sua utilização como titulação nas universidades brasileiras. Apesar disso, várias empresas do comércio de cursos, apresentam propagandas sobre as facilidades em se cursar a pós-graduação em outros países do MERCOSUL, com aulas de doutorado apenas durante as férias escolares e outros cursos com funcionamento similar.
As pessoas tem o direito de estudar onde quiserem, ou lhes for possível. No entanto, tem que saber os riscos de certos programas de pós-graduação no exterior que só podem ter validade no Brasil se os títulos forem revalidados por universidade que tenha o mesmo curso no país e que este curso seja reconhecido pela CAPES.
Eis a matéria:
Publicada por Assessoria de Imprensa da Capes
Quinta, 10 de Dezembro de 2009 17:16
"Apenas estrangeiros que venham lecionar no Brasil terão o benefício da admissão de títulos e graus acadêmicos obtidos em países partes do Mercosul. Essa é uma das decisões da reunião do Conselho Mercado Comum (CMC), que aconteceu nesta segunda-feira, 7, em Montevidéu, Uruguai.
Durante o encontro, foi aprovada a Decisão 29/09, que aprova a regulamentação do Acordo de Admissão de Títulos e Graus Acadêmicos para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do Mercosul.
Com essa regulamentação, o acordo somente surtirá efeito para estrangeiros provenientes dos demais países do Bloco, que venham a lecionar no Brasil. Os brasileiros não poderão se valer desse acordo para evitar os trâmites de revalidação de diplomas previstos na legislação brasileira.
O artigo 2, denominado “Da Nacionalidade”, trata do tema e explica que “a admissão de títulos e graus acadêmicos, para os fins do Acordo, não se aplica aos nacionais do país onde sejam realizadas as atividades de docência e de pesquisa”."

8 de dezembro de 2009

O "alagão" paulista.

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Cenas do cotidiano. O "Alagão" em São Paulo é a novidade dos últimos dias. Se os governantes de lá fossem da "esquerda", a culpa não ia ser da chuva... No âmbito federal, todos os problemas tem a "marca" do governo Lula, mas lá em Sampa, a culpa é sempre dos outros, nesse caso, da natureza!
Esse é o Rio Tietê já inundando as margens e chegando perto de uma ponte.
Foto: Luiz Guarnieri/Futura Press

7 de dezembro de 2009

Nova vitória de Evo Morales

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Direto do Portal Vermelho:

Atílio Boron: Por que Evo ganhou?

"Uma semana atrás celebrávamos o triunfo de Pepe Mujica no Uruguai. Hoje temos renovadas – e também mais profundas – razões para festejar a notável vitória de Evo Morales. Tal como assinala o analista político boliviano Hugo Moldiz Mercado, o rotundo veredito das urnas marca pelo menos três feitos importantíssimos na história da Bolívia.
Por Atilio A. Boron*, no diário argentino Página 12

Evo conversa com jornalistas, no dia de sua reeleição

a) É o primeiro presidente democraticamente eleito para dois mandatos sucessivos;
b) É o primeiro, também, a melhorar a percentagem de votos que obteve da primeira vez (53,7%); e
c) É o primeiro a obter uma esmagadora representação parlamentar, na Assembleia Legislativa Plurinacional. Além do que, quando saírem os resultados definitivos, não disponíveis no momento, talvez concretize a obtenção de dois terços no Senado, o que lhe permitiria nomear autoridades judiciais e aplicar a nova Constituição sem oposição.
Tudo isso converte Evo Morales, do ponto de vista internacional, no presidente mais poderoso da convulsionada história da Bolívia.
Obviamente, isso não vai impedir o Departamento de Estado de reiterar suas conhecidas críticas à "defeituosa qualidade institucional" da democracia boliviana, o "populismo" de Evo e a necessidade de melhorar o funcionamento político do país para garantir a vontade popular. Como se faz por exemplo na Colômbia, onde cerca de 70 parlamentares do uribismo foram investigados pela Corte Suprema de Justiça e a Procuradoria, por seus supostos vínculos com paramilitares, e 30 deles enviados à prisão, com sentença passada por esse motivo.
O desempenho eleitoral do líder boliviano é impressionante: triunfo consagrador na convocatória da Assembleia Constituinte, em julho de 2006, que assentaria as bases institucionais do futuro Estado plurinacional; outra esmagadora vitória em agosto de 2008 (67%), no Referendo Revogatório forçado pelo Senado, com o aberto propósito de derrubá-lo; e em janeiro de 2009 62% do eleitorado aprovou a nova Constituição Política do Estado.
O que há por trás dessa impressionante máquina de ganhar eleições, indestrutível apesar do desgaste de quatro anos de gestão, dos obstáculos colocados pela Corte Nacional Eleitoral, da hostilidade dos Estados Unidos, das campanhas de desabastecimento, tentativas de golpe de estado, ameaças separatistas e planos de magnicídio?
O que há é um governo que cumpriu as suas promessas eleitorais e, por isto mesmo, desenvolveu uma política social ativa: Bolsa Juancito Pinto, que chega a mais de 1 milhão de crianças; Renda Dignidade, um programa universal para todos os bolivianos com mais de 60 anos que não possuam outra fonte de renda; Bolsa Juana Azurduy, para as mulheres grávidas; que erradicou o analfabetismo aplicando a metodologia cubana do programa Sim Eu Posso, que alfabetizou mais de 1,5 milhão de pessoas, levando a Unesco,(não os partidários de Evo), em 20 de dezembro de 2008, a declarar a Bolívia território livre do analfabetismo.
O solidário internacionalismo de Cuba e da Venezuela também permitiu a construção de numerosos hospitais e centros médicos, enquanto milhares de pessoas recuperaram a visão graças à Operação Milagre. Importantes avanços se registrararam também na realização da reforma agrária.
A nacionalização das riquezas básicas (hidrocarbonetos) e a gestão macroeconômica permitiram à Bolívia, pela primeira vez na história, contar com reservas de divisas estimadas em US$ 10 bilhões, e uma situação de bonança fiscal que, unida à colaboração da Venezuela nos marcos da Alba, permitiu a Morales realizar diversas obras de infraestrutura nos municípios e financiar sua ambiciosa agenda social
Naturalmente, muita coisa resta por fazer. Mais tudo isso, somado à permanente preocupação de Evo em conscientizar, mobiliar, organizar sua base social – deixando de lado os desmoralizados aparatos burocráticos que, tal como na Argentina, não mobilizam a ninguém –, tornou possível seu rotundo triunfo. Seria conveniente tomar nota desta lição."
* Politicólogo argentino; fonte http://www.pagina12.com.ar/diario/principal/index.html

27 de novembro de 2009

A filosofia de cada um de nós.

2 comentários:
Antonio Gramsci, um filósofo da práxis.
Para Antônio Gramsci, todos os seres humanos são "filósofos". Como militante da filosofia da práxis (marxismo), ele entendia que as pessoas tem sua concepção de mundo, ainda que não consciente, ainda que acrítica, e essa concepção é expressa na linguagem. O que difere em cada ser humano é como ele atua nesse mundo. Então, não somos "filósofos" no sentido estrito da palavra. E nem estou desmerecendo os profissionais da filosofia, professores que dão aula dessa disciplina. Apenas estou referenciando o uso da palavra "filósofo".
Os trabalhadores "braçais" também são filósofos!
Se todos somos "filósofos" porque algumas concepções são coerentes, integradas, críticas e levam à mobilização enquanto outras causam o "estranhamento", a submissão e a alienação? Para Gramsci, a consciência dos humanos, abandonada à própria espontaneidade, sem ser crítica de si mesma, vive sob influências ideológicas diferentes, elementos díspares, que se acumularam através de estratificações sociais e culturais diversas. Ou seja, a consciência dos humanos é resultado das relações sociais, sendo ela mesmo, uma relação social. "Filosofia é a concepção do mundo que representa a vida intelectual e moral (catarse de uma vida prática) de todo um grupo social, concebido em movimento e considerado, consequentemente, não apenas em seus interesses atuais e imediatos, mas também nos futuros e mediatos; ideologia é toda concepção particular dos grupos internos da classe, que se propõem ajudar a resolver problemas imediatos e restritos. Mas, para as grandes massas da população governada e dirigida, a filosofia ou religião do grupo dirigente e dos seus intelectuais, apresenta-se sempre como fanatismo e superstição, como motivo ideológico próprio de uma massa servil. E o grupo dirigente não se propõe por acaso, perpetuar esse estado de coisas?" ¹ E olha que Gramsci faleceu há bastante tempo e nem soube do fenômeno religioso do Padre Cícero e das romarias no interior do Nordeste brasileiro...
Romeiros que visitam a estátua de Padre Cícero - Juazeiro do Norte -CE
Mas para Gramsci, apesar de haver um domínio das ideologias dominantes sobre as classes subalternas, isso não ocorre de forma mecânica e integral, apesar do exercício de hegemonia. Há resistência e há também uma reformulação dessa ideologia e filosofia. A verdade é que as necessidades efetivas, as reivindicações, inclusive as relativamente espontâneas, provocam um impulso para as lutas, reivindicações e movimentos. E quando as classes subalternas tem um comportamento que entra em contradição com a concepção de mundo na qual foram educadas, ou adestradas, a gritaria de quem domina é logo ouvida. Pedem logo a "paz" e a "segurança". A "paz" que geralmente pedem é a paz da hegemonia, do domínio de classe e a "segurança" quer dizer, "povo, ralé, fiquem no seu lugar!".
Brasileiros indo para o trabalho de Metrô.
Também pudera. Se olhamos para o quadro de miséria que ainda existe no Brasil e pensarmos que os mais pobres estão condenados eternamente a esse mesmo quadro, cairíamos em um determinismo ou fatalismo chocante. Mas a filosofia da práxis não tem nada de fatalista ou determinista. Mesmo assim, a maior parte dos trabalhadores leva uma vida difícil, só um exemplo, o do transporte coletivo, dá bem a imagem que retrata essa situação. Nas grandes cidades, ônibus, vans, trens lotados. No "Brasil profundo", ainda transitam os "paus-de-arara", mas isso sempre para os trabalhadores, nunca para as classes dominantes, nunca para nossa "elite branca". E Gramsci deixa-nos uma questão: Onde está a "filosofia real"? Para ele, a filosofia real do indivíduo e da coletividade deve ser buscada no agir. A filosofia de uma pessoa está na política dessa pessoa. Enquanto existir contradição entre a ação e a concepção de mundo que a guia, a ação não poderá ser consciente, será sempre fragmentada. Ou seja, ações extremadas, espamódicas, estagnação, rebeliões desesperadas. Depois, passividade, extremismo ou oportunismo. Desse entendimento, Gramsci como adepto da filosofia da práxis aponta que a a ação consciente exige ser guiada por uma concepção de mundo, por uma visão unitária e crítica dos processos sociais. Aos trabalhadores cabe formular essa concepção. Assim sugeriram Karl Marx e Friedrich Engels ao gritarem no Manifesto: "Proletários de todos os países, uni-vos". Ainda estamos bem longe disso, mas, as classes dominantes ainda dormem intranquilas, sonhando com sua "paz e segurança" que a cada dia ficam mais distantes. ¹ GRAMSCI, Antonio. Concepção Dialética da História. 9ª Edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991, p. 226-227.

23 de novembro de 2009

O Macaco Ômega está no ar!

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O mais novo blog do meu camarada Waltécio está no ar. Depois do Macaco Alfa, eis que surge o Macaco Ômega. Quem quiser conferir mais essa empreitada do Prof. Waltécio Almeida é só clicar aqui.

16 de novembro de 2009

O "Homem" e o Aquecimento Global.

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Sempre desconfiei desse discurso sobre o "Homem" que está destruindo a Natureza e provocando o aquecimento global. Quando você olha e percebe que desde o Al Gore, passando pelos meios de comunicação e até a Xuxa, ficam falando disso, algo estranho existe nessa história. Primeiro é esse fatalismo, que condena todos os seres humanos, como se fosse algo natural do ser humano destruir a Natureza. Não são todos os seres humanos que "destróem a Natureza". A Natureza não está em crise. O que está em crise é o sistema que tendo por base o lucro e a exploração humana, provoca problemas ambientais. Mas isso, Karl Marx e Friedrich Engels já diziam há muito tempo atrás. A História mostra que os homens são condicionados por situações diversas, entre elas, as condições de classe social. Na ordem social do capital onde a lógica é a do mercado, pulverizam-se florestas para que se crie gado, por exemplo. Quem faz isso? Os poderosos homens e mulheres do agronegócio, não todos os "homens". Chega de fatalismo e determinismo! E olha que acusam o marxismo disso... Sobre a questão do aquecimento global, leiam essa entrevista do Professor José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará - UFC, dada ao jornal Diário do Nordeste e capturada na internet por mim através do site Viomundo.

ENTREVISTA - Professor José Carlos Parente de Oliveira * (15/11/2009), no Diário do Nordeste

´O planeta está esfriando!´

Na contramão do ambiental e politicamente correto, o professor cearense José Carlos Parente de Oliveira, 56, da UFC, Doutor em Física com Pós-doutorado em Física da Atmosfera, diz que, cientificamente, não se sustenta a tese de que a atividade humana influencia o clima no planeta, que não está aquecendo. "Na verdade, a Terra está esfriando", afirma ele. Na entrevista a seguir, o professor Parente põe o dedo em uma antiga ferida: "Perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma errada de como o homem produz seus bens"

Por que o senhor caminha na contramão do ambientalmente correto e proclama que o planeta não está aquecendo, mas esfriando?

A busca da verdade deve ser o norte, o foco da atividade em ciências. E penso que não é isso o que ocorre com o tema aquecimento global. A sociedade está sendo bombardeada por notícias, reportagens na tevê, filmes e tudo isso com a mensagem de que as atividades humanas relacionadas às queimas de combustível fóssil (petróleo, carvão e gás) são as culpadas pelo aquecimento da Terra. O grande responsável por esse bombardeio é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), que é um órgão da ONU.

O senhor quer dizer que um organismo da ONU está provocando um terrorismo ambiental?

Vejamos. A hipótese do aquecimento global antrópico defendido pelo IPCC não possui base científica sólida. Não há dados observacionais que provem cabalmente a influência humana no clima. Se voltarmos um pouco no tempo nós constataremos que entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990.

Afinal, o que é mesmo que está acontecendo?

Por volta dos anos 1300 ocorreu o Período Quente Medieval em que a temperatura da Terra foi superior a atual em cerca de um grau centígrado. Segui-se então um período frio conhecido como Pequena Era Glacial por volta dos anos 1800. Esses períodos são bem conhecidos dos estudiosos do clima terrestre. O que está ocorrendo é uma recuperação da temperatura pós Pequena Era Glacial, mas essa recuperação é lenta e ocorrem oscilações em torno dela. Para visualizar, podemos pensar em uma reta que ascende lentamente, ocorrendo oscilações em torno dela. Essas oscilações ocorrem em menores escalas de tempo, e são originadas por fatores naturais, como a radiação solar, a interação dos oceanos, principalmente do Pacífico, cuja temperatura oscila com período aproximadamente decenal. Porém essa recuperação cessou em 1998.

Então, em vez de estar aquecendo, a Terra está esfriando agora? Mas isso é o contrário do que proclamam as ONGs, os cientistas, os jornais. Quem está errado?

No ano de 1998, houve um fenômeno atípico: um super El Niño aqueceu a terra quase um grau acima da média em que ela se encontrava. Desde esse fenômeno do El Niño, a temperatura da Terra, sistematicamente, vem diminuindo, conforme os dados coligidos pelos satélites. Esses dados, porém, não são aceitos e nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos.

Qual a razão? Há um viés político por trás disso?

Penso que a atividade cientifica não está desvinculada da política. São as nações e sua sociedade que definem o ramo da ciência a ser financiado por elas. Entendo que a atitude do IPCC é para favorecer cientistas, pesquisadores que defendem a tese hipotética de que o homem é culpado pelo pequeno aquecimento do planeta, que cessou em 1998 e que foi menor do que o anunciado. Os satélites que medem o clima da terra desde 1978 indicam que, de 1998 para cá, estamos vivendo um período de diminuição da temperatura. Só para que se tenha uma ideia de que esse dado de redução da temperatura é levado a sério, o grupo de pesquisas da Nasa que lida com lançamento de satélites está programando para 2021-2022 o envio de uma nave que deixará o sistema solar. Ora, a atividade solar é muito importante e é um impedimento para que uma nave como essa saia do sistema solar. Por que eles programam esse lançamento para 2021-2022? Resposta: porque será o ano em que o sol terá a menor atividade. E a atividade solar é muito bem relacionada com a temperatura da terra, via efeito indireto de formação de nuvens baixas. Essa correlação de nuvens baixas, atividade solar e temperatura da terra está muito bem documentada na literatura científica.

Qual é a causa do aumento de furacões, tempestades, tufões, terremotos na Ásia, na África, na Europa e nas Américas?

Há um exagero nas notícias. Quando mergulhamos na literatura científica, observamos que terremotos severos, de níveis 4 e 5, estão sendo reduzidos. A frequência desses eventos tem diminuído nos últimos anos. No litoral da China, trabalhos científicos mostram que nos últimos 50 anos a atividade de furacões também se reduz. O efeito destruidor do furacão Catrina, sempre mencionado porque destruiu New Orleans (EUA), aconteceu mais pela falta de providências preventivas dos governantes, que não ouviram as advertências dos cientistas. Os muros de contenção de New Orleans precisavam ser recuperados. E ninguém fez nada. O estrago do Catrina nada teve a ver com o clima. Faltou a ação do Governo.

O senhor condena o uso de combustível fóssil, como o carvão, na geração de energia elétrica?

Vamos particularizar o Brasil, pois é aqui que essa discussão se dá. O Brasil é um País privilegiado. Praticamente 80% de sua matriz energética são de origem hidráulica, e aí nós não necessitaríamos de carvão mineral. Mas, no mundo, há países que não têm esse privilegio brasileiro e têm de utilizar para o seu bem estar e desenvolvimento o carvão e o petróleo. Não há outra alternativa. As alternativas limpas que se apresentam . a energia eólica e a energia solar, por exemplo, ainda não são completamente eficientes, pois necessitam de mais pesquisa, de mais estudo porque não obtêm ainda o rendimento ótimo. Há maneiras racionais de usar carvão e petróleo sem que se agrida o ambiente. Assim, a discussão que considero mais fundamental do que saber se o homem aquece ou não o planeta é a seguinte: o que o homem deve fazer para não poluir o mar, os rios, o lençol freático, para não derrubar e não queimar florestas, para manejar corretamente o solo. É esta a ação do homem que deveria ser o centro das atenções de todos, cientistas, pesquisadores, políticos, governantes, reis, rainhas e príncipes.

Agora o senhor está no caminho ambientalmente correto...

Veja: quando o homem queima a floresta, ele não está aumentando a temperatura do planeta, mas piorando as suas próprias condições de vida e ameaçando a fauna e a flora.

Quando o senhor expõe estes pontos de vista em auditórios acadêmicos, a crítica vem contundente?

É surpreendente que não, porque os argumentos que utilizo são baseados em dados da natureza e fazem com que o público os aceite. Já fiz uma centena de seminários. Eu diria que só duas vezes eu fui interpelado de forma mais contundente, não pela maioria, mas por dois colegas pesquisadores que defendem o ponto de vista amplamente divulgado pelo IPCC. Mas eu já ouvi a manifestação de muitas pessoas favoráveis ao que exponho em minhas palestras e conferências.

O que o senhor acha das ONGs ambientalistas?

Quando a questão do aquecimento começou por volta de 1980, as ONGS encontraram aí uma oportunidade de se tornarem mais visíveis. Aí, elas ficaram, inadvertidamente, prisioneiras deste tema, por meio do qual tiraram DE foco o real problema do mundo. E o real problema do mundo é o da água, é a poluição da água e do ambiente. O responsável por esse problema é o meio de como a produção de bens se dá. O modo de produzir, destruindo os recursos naturais e utilizando-os sem nenhum controle, faz com que o planeta e a raça humana se tornem frágeis. Hoje, a linha de atuação das ONGs levará, no curto prazo, a uma situação bastante complicada nos países pobres. Exemplo: se a reunião de Copenhague, em dezembro, decidir que o uso de carvão e de petróleo deve ser cortado em 40% como se propõe, países como a China, a Índia, toda a África e também o Brasil terão problemas. 400 milhões de indianos juntam e queimam esterco para se proteger do frio e até para cozinha r; na China, a situação é mais dramática: 800 milhões de chineses nunca viram uma lâmpada acesa. Cortar a queima de combustível fóssil em 40% será o mesmo que implementar nesses países uma teoria ecomalthusiana para controlar ferozmente essa população pobre do mundo.

O senhor acha que os países ricos, que poluíram para crescer, querem impedir agora que os pobres cresçam?

Eu não concordo com essa teoria da conspiração. Mas é muito esquisito que se tente agora definir quotas de queima de combustíveis para todos os países, indistintamente. Isso não pode. Um americano consome 20 vezes mais do que um africano. Não se pode colocar todos os países da mesma forma na panela furada do aquecimento global. O africano é tão responsável pelo planeta quanto o americano ou o chinês. Nós perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma de como o homem produz seus bens. O que devemos fazer é focar na questão da água, da poluição ambiental, porque é possível queimar com responsabilidade. Mas para isso é necessária a decisão política. A boa gestão ambiental é, na minha opinião, a saída.

15 de novembro de 2009

A face da América que não está na Mídia.

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FONTE: VIOMUNDO. Texto de Luiz Carlos Azenha

"Se você mora ou está no Rio de Janeiro, é imperdível. O livro A América que não está na mídia, do jornalista Mário Augusto Jakobskind será lançado dia 17, terça-feira, às 19 horas, no Bip-Bip, o mais carioca dos bares do Rio de Janeiro. Fica na rua Almirante Gonçalves, 50, loja D.

Mário Augusto é integrante do Conselho Editorial do jornal Brasil de Fato e correspondente do jornal uruguaio Brecha. Também conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro.

“O meu objetivo é discutir a mídia hegemônica e a cobertura sobre o nosso continente, além, claro, da América Latina”, afirma Mário Augusto, que já publicou outros livros sobre a regão, entre os quais, América Latina – Histórias de Dominação e Libertação.

HISTÓRIAS OCULTAS, ASSÉDIO DA MENTIRA E ROBÔS O prefácio de A América que não está na mídia é do jornalista Flávio Tavares. Inicialmente, ele destaca o resgate, por Mário Augusto, de histórias ocultas que não podem ser esquecidas:

“Ao longo de anos e anos, o Brasil esteve de costas para a América Latina. Desconhecíamos os países vizinhos de língua espanhola, mesmo tendo os mesmos problemas, idênticos anseios e quase o mesmo idioma. Sabíamos que tínhamos até o mesmo inimigo, e que ele estava ao norte, poderoso e mandão, mas –entre nós mesmos- seguíamos distantes.

Mário Augusto Jakobskind, com este livro, volta a nos integrar ao continente. Já o relato inicial leva a indagar sobre as origens do terror espalhado pela direita na América Latina. Em minhas andanças de exilado político, eu vivia na Argentina naquele 1976, quando um golpe militar lá implantou o terrorismo de Estado. Morava em Buenos Aires, era correspondente dos jornais Excelsior, do México, e de O Estado de S.Paulo, mas só fui saber da “Noite dos Lápis”, muito tempo depois. O horror se escondia nas profundezas dos segredos e do medo da população.

São essas histórias ocultas que Mário Augusto conta agora, interpretando o passado recente não apenas para conhecê-lo, mas – mais do que tudo – para nos lembrar daquilo que não pode repetir-se jamais”.

No prefácio, Flávio Tavares toca ainda numa questão crucial a ser debatida na Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro:

“Este livro mostra o progressivo empobrecimento dos meios de comunicação entre nós. Informar passou a ser tratado como uma dessas quinquilharias que o capitalismo predatório da sociedade de consumo nos oferece a cada dia como se fosse o paraíso. O essencial está de fora na grande imprensa, no rádio e na televisão. O assédio da ilusão e, até, da mentira nos empanturra de tolices. Os grandes meios de comunicação nos transformam em robôs obedientes.

A imprensa, a TV aberta e o rádio viraram atividades comerciais, em busca de lucros. Até o golpe militar de 1964, o jornal Última Hora, mesmo privado, representava no Brasil uma opção popular e nacionalista, na vanguarda da denúncia da ação imperialista dos Estados Unidos. Hoje, qual é o órgão da grande imprensa que se atreve a ser tão independente?

Nenhum canal de TV aberta ou de rádio foi concedido pelo Estado a jornalistas aglutinados em associações ou sindicatos do setor. Enquanto persistir essa situação, persistirá também o estrabismo dos meios de comunicação”.

GALEANO E STÉDILE RECOMENDAM: VACINA CONTRA A MANIPULAÇAO A apresentação do livro é do João Pedro Stédile, líder do MST e da Via Campesina:

“O nosso amigo Mário Augusto faz um retrato crítico da América Latina”, diz Stédile. “Os leitores terão uma ótima oportunidade de atualizar suas informações sobre o nosso continente e, ao mesmo tempo, estarão vacinados contra as manipulações que habitualmente a grande imprensa costuma fazer de fatos políticos do continente, e que o autor chama de Goebelinas”.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do antológico As veias abertas da América Latina, faz um comentário que é uma obra-prima:

¿Medios de comunicación

o miedos de comunicación?

¿Libertad de expresión

o libertad de presión?

A orelha é do saudoso jornalista Fausto Wolff e a capa do cartunista Carlos Latuff. O livro pode ser adquirido pela internet aqui."