26 de agosto de 2009

Países ateus.

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Matéria publicada no Portal Vermelho trata da questão dos países com os mais altos índices de ateísmo que tem os maiores indicadores de justiça social. Não sei se é correta essa afirmação, mas sei que realmente o fato de ser ateu não te torna melhor nem pior do que ninguém. Não te deixa com menos "moral" ou bons sentimentos do que nenhum outro ser humano. Nem sei se torna as pessoas mais felizes ou mais infelizes.
O que sei é que é possível sim ser ateu e viver com alegria e disposto a melhorar esse mundo.
Vamos à matéria.
"Sam Harris, famoso filósofo ateu norte-americano, em “Carta à uma Nação Cristã”, mostra que os países mais desenvolvidos, justos e igualitários do mundo são compostos, em sua grande maioria, por ateus e não-religiosos. Nações desenvolvidas, mas que são muito religiosas, como os Estados Unidos, possuem taxas de criminalidade, injustiça, desigualdade etc. menores que as dos países subdesenvolvidos, mas no entanto ficam muito aquém dos países ateus da Europa.

Os Estados Unidos são um país com alta taxa de criminalidade, ao contrário dos países “ateus” do norte da Europa. Sam Harris mostram ainda que a criminalidade na Europa poderia ser ainda menor se não fosse por conta da imigração. Mostra que na França, 70% (!) dos detentos nas prisões francesas são muçulmanos. A quantidade de ateus nas prisões francesas é muito pequena. Ao contrário do Brasil, onde o ateísmo não chega a 5%, portanto seria normal não encontrar muitos presidiários ateus (e não encontram), na França existem muitos ateus, mas eles não saem por ai cometendo todos os tipos de crimes. Sam Harris continua:
“Noruega, Islândia, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda. Dinamarca e Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores da expectativa de vida, alfabetização, renda per capta, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídio e mortalidade infantil.”
Dostoievski estava errado. É possível viver bem, justa e eticamente sem Deus. Muitos acham que os ateus, por não acreditarem em Deus, também não acreditam em valores morais, mas é justamente o contrário.
Ateus acreditam no bem, no amor, na igualdade e na justiça. Mas diferentemente dos crentes, os ateus pensam em tais coisas com bens em si mesmos. Não pensamos que devemos ser justos e morais porque se não fôssemos assim seríamos punidos por um ser superior, mas devemos ser justos e morais porque isso é o certo.
Além do mais, acreditar em Deus não garante um comportamento mais moral e justo, por isso existem as leis escritas e a polícia. Mesmo que todos acreditassem em Deus e freqüentasse a Igreja todos os Domingos, muitos deles não cometeriam crimes, não por fé em Deus, mas por medo da justiça dos homens mesmo.
Se os ateus são mesmo os monstros devassos pintados pela religião e pela Bíblia, como eles conseguiram formar uma sociedade mais justa e igualitária que os religiosos? Zuckerman responde:
“Não é necessário acreditar em Deus para acreditar na justiça. De fato, se poderia argumentar que aqueles que acreditam fortemente em Deus podem ser mais indiferentes e assumir que “tudo está nas mãos de Deus”, enquanto que os seculares sabem que a possibilidade de construir uma vida e um mundo melhores está nas mãos deles e apenas deles. Então, os dinamarqueses e os suecos contaram apenas com o seu próprio esforço."
Fonte: Blog O Outro Lado da Notícia, a partir de http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=74&materia=837"

19 de agosto de 2009

Em defesa da civilização.

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"O projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários, voltou com força ao debate nacional. Está finalmente tramitando na Câmara, 14 anos depois de apresentado pelo hoje senador Inácio Arruda (PCdoB-CE). Na última sexta-feira (14), foi a principal bandeira de uma Jornada Nacional de Lutas. Tem o apoio unânime das centrais sindicais e movimentos sociais.
Esta é uma das causas mais enraizadas no movimento operário do Brasil e do mundo. Foi ela que deu origem ao 1º de Maio, nascido em 1890 como uma espécie de dia de greve geral mundial pela jornada de oito horas.
Várias gerações e incontáveis lutas mais tarde, as oito horas são uma conquista e muitos países adotam jornadas ainda menores. No Brasil, a última conquista veio na Constituição de 1988, que reduziu o limite de 48 para 44 horas. Recente estudo do Ipea comprovou que isso reduziu em 10,7% as horas trabalhadas pelos brasileiros.
No entanto, cada um desses passos resulta de uma encarniçada luta de classes. A experiência mundial e brasileira atesta dois fatos. Primeiro, que a redução só se efetiva pela via da fixação em lei; deixado à mercê do mercado, o tempo de trabalho se estende até os limites físicos da resistência do trabalhador. E segundo, que o patronato opõe sempre uma feroz resistência, agitando o espantalho da competitividade, da informalidade, das falências, do fim do mundo.
Foi assim em 1988. E é assim agora. A classe que vive da compra da força de trabalho alheia mobiliza-se: convoca sua imprensa para bombardear a proposta, invoca a crise capitalista mundial, põe de prontidão as entidades patronais, arregimenta suas bancadas na Câmara e Senado: vai à luta para que a jornada não se reduza um minuto sequer.
Agregue-se que o projeto é uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 231/95. Requer portanto dois terços dos votos nas duas Casas do Legislativo. Pode ainda ser conduzido em banho-maria, protelado. É para isso que o patronato se orienta.
Os argumentos dessa gente não têm cabimento. Desde 1988, a produtividade do trabalho avançou enormemente, resultando em maximização de lucros e supressão de empregos. O que os trabalhadores querem é apenas o uso de uma fatia desses ganhos para seu descanso, lazer, estudo e cultura, convívio com a família e os amigos, enfim, para viver melhor, num mundo mais civilizado. Além do que a redução deve gerar 2 milhões de empregos, pelo cálculo do Dieese.
Mas uma causa assim não triunfa só por ser justa. Reclama a mobilização da classe, dos seus partidos e sindicatos, das suas bases – as centrais falam em levar 100 mil trabalhadores a Brasília. Exige a conquista da opinião pública. Requer todo um trabalho de acompanhamento da tramitação, corpo a corpo, convencendo, pressionando e fiscalizando cada parlamentar.
Um primeiro passo foi dado, na Comissão Especial da Câmara que aprovou a PEC 231/95 em junho. Faltam todos os outros. A proximidade das eleições de 2010 favorece a aprovação. O apoio do presidente Lula é um grande tento. A semana de 40 horas pode virar lei já neste ano. Mas não virá de presente. Será obra da unidade e da luta da classe."

18 de agosto de 2009

Escolas profissionalizantes no Ceará e a crise em uma certa universidade.

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O Governador do Ceará vai construir 49 escolas desse tipo , para o ensino Médio, até o final de 2010:
Enquanto isso, a Universidade Regional do Cariri - URCA não apresenta um Estatuto, não acaba essa Estatuinte (inclusive limitou a participação da comunidade acadêmica). Também não consegue reunir nem o CEPE, não consegue promover a ascensão dos professores e não tem nem um Plano de Desenvolvimento Institucional.
Ou se tem, deve ser secreto, deve vir num "pacote especial"...
O Restaurante Universitário está fechado. Não sabem como fazê-lo funcionar.
Isso tudo não é culpa do governador. A parte que lhe cabe de culpa é não promover novos investimentos, realizar concurso para professores e servidores, dar autonomia e cobrar resultados. Isso ele nao faz.
Mas as outras questões, são de responsabilidade da Reitoria e seus adminstradores.
Falando nisso, não prestam contas mais publicamente, tiraram do ar os balancetes de despesa e numa total inversão de valores, a FUNDETEC se dá o direito de divulgar nota em jornal criticando a administração por não querer abrir cursos privados de graduação. E para isso usa uma linguagem vulgar , chamando a administração da URCA de "alto comando da URCA". Como se a fundação tivesse o direito de discutir a questão educacional e a decisão soberana dos Departamentos. Nem isso ela entende, posto que coloca toda a decisão nas costas do Reitor.
A César o que é de César!!!

17 de agosto de 2009

O plano para derrubar Salvador Allende.

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Que os golpistas de plantão, serviçais do imperialismo norte-americano, sempre serviram de linha auxiliar da reação, do capitalismo mais grosseiro e que agiam de forma truculenta e covarde, todos nós sabemos. Mas a cada dia que um arquivo do governo norte-americano é colocado em público, fica mais claro para todos.
E leia essa matéria de Bernardo Joffily para o Portal Vermelho.

"O presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon (1913-1994) e o general de turno na ditadura brasileira, Emílio Garrastazu Médici (1905-1985) conspiraram juntos na Casa Branca em dezembro de 1971 pela derrubada do socialismo em Cuba e no Chile de Allende. O relato do encontro está num arquivo secreto da Casa Branca agora desclassificado. O comportamento de Garrastazu adapta-se perfeitamente ao qualificativo: capacho do imperialismo americano.

A reunião ocorreu no Salão Oval da Casa Branca, às 10h de 9 de dezembro de 1971. Do lado brasileiro, só Médici estava presente, deixando o Itamaraty de fora. Sem falar inglês, precisou da ajuda do general Vernon Walters. Agente da CIA (em breve seria nomeado seu vice-diretor), Walters fora adido militar americano no Brasil durante o golpe de 1964, falava bem o português e transitava facilmente nos círculos da direita militar brasileira.
Médici, sabujo, bajulador e servil
O relato Top Secret da conversa está agora – em inglês – no site americano The National Security Archive. Segundo o arquivo, Nixon perguntou a Médici se o exército chileno seria capaz de derrubar Allende. Médici disse que "achava que sim" e deixou claro "que o Brasil estava trabalhando para este fim".
Na parte pública dessa visita de Garrastazu a Washington, ficou famosa uma frase de Nixon: “Para onde o Brasil se inclinar, a América do Sul se inclinará". Agora, a transcrição das atas do encontro reservado no Salão Oval da Casa Branca deixa explícito qual era o sentido verdadeiro do comentário.
Vistos quase quatro décadas mais tarde, os arquivos evidenciam o quanto mudou o Brasil e a América Latina. Naquela época, como fica claro na conversação, era uma reserva direta dos EUA, merecendo integralmente o rótulo de quintal do imperialismo americano.
Ainda hoje há no vizinho do Norte quem assim pense, colaborando com os golpistas hondurenhos ou planejando bases militares na Colômbia. Mas é difícil acreditar que haja espaço para uma repetição do comportamento sabujo, bajulador e servil exibido pelo general Emílio Garrastazu Médici conforme a transcrição. O relato torna-se ainda mais repugnante quando se recorda que dentro do Brasil vivia-se em plena escalada das torturas e assassinatos de opositores da ditadura.

Conspiração para derrubar Fidel
Conforme o documento, Nixon começa por esclarecer que os movimentos de seu governo em relação à União Soviética e à china "absolutamente não significam" que "também haverá mudança em nossa política para com Cuba". O relatório descreve:

"O presidente [Nixon] repetiu que não haveria mudança em nossa atitude para com Cuba enquanto Castro estivesse no comando e continuasse a tentar exportar a subversão. O preidente Médici disse que estava muito contente de ouvir isso e que isso coincidia exatamente com a posição brasileira."
Depois de discutirem maneiras de barrar o reingresso de Cuba na OEA (Organização dos Estados Americanos) – uma posição que veio abaixo em 2009 –, Nixon e Médici concordam em estabelecer "meios de comunicar-se diretamente, fora dos canais diplomáticos normais". O ditador brasileiro indicou como seu canal privado de contato o chanceler Gibson Barbosa. Em seguida, voltou ao tema cubano.
"O presidente Médici disse então que havia grande número de exilados cubanos nas Américas em geral; ele acreditava que existiam então um milhão de cubanos nos Estados Unidos. Esses homens alegavam que tinham forças e condições de derrubar o regime de Castro. Surge a pergunta: deveríamos ajudá-los ou não? O presidente [Nixon] ponderou a questão e disse achar que devíamos, desde que não os levássemos a fazer algo que não pudéssemos apoiar, e desde que a nossa mão não aparecesse. O presidente Médici concordou, dizendo que em nenhuma circunstância uma assistência que déssemos deveria ser visível. Caso houvesse alguma coisa em que o Brasil pudesse ajudar, seria de se apreciar que obtivéssemos essas opiniões através do canal privado."
O "trabalho" da ditadura brasileira no Chile
A conversa trata também das relações do Brasil com o Peru, a Bolívia, as ditaduras do Paraguai e da Argentina (esta, uma relação "de general para general", segundo Garrastazu). Entra em pauta então a questão do Chile, que vivia então a experiência do governo Salvador Allende, eleito no ano anterior por uma coligação socialista-comunista. Veja o trecho:
"O presidente [Nixon] perguntou então ao presidente Médici sua opinião sobre como se desenvolveria a situação no Chile. O presidente Médici disse que Allende seria derrubado pelas mesmíssimas razões pelas quais [o presidente brasileiro João] Goulart fora derrubado no Brasil. O presidente [Nixon] então operguntou se o presidente Médici pensava que as forças armadas chilenas seriam capazes de derrubar Allende. O presidente Médici respondeu que acreditava que eram, agregando que o Brasil estava intercambiando muitos oficiais com os chilenos, e deixou claro que o Brasil estava trabalhando para este fim. O presidente [Nixon] disse que era muito importante que o Brasil e os Estados Unidos trabalhassem muito intimamente nesse campo. Se os brasileiros sentirem que há algo que possamos fazer para sermos úteis nessa área, gostaríamos que o presidente Médici nos fizesse saber. Caso fosse preciso dinheiro, ou outra ajuda discreta, estaríamos dispostos a fornecê-la Isso deveria ser conduzido com a mais elevada reserva. Mas deveríamos tentar, evitar novos Allendes e Castros e tentar, onde possível, reverter essas tendências. O presidente Médici disse que estava contente em ver que as posições brasileiras e americanas eram tão próximas".

15 de agosto de 2009

O MST e a Reforma Agrária.

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Matéria do Portal Vermelho.

"Stédile explica a reforma agrária popular do MST

Sem contar no Brasil com uma burguesia empenhada numa reforma capitalista, nem com uma revolução que permita uma reforma agrária socialista, o Movimento dos Sem-Terra luta por "uma reforma agrária que chamamos de popular, que se diferencia das duas". A explicação é de João Pedro Stédile, da coordenação do MST, em longa entrevista ao Uol Notícias.

A entrevista foi um fatigante exercício de pega-pega. O entrevistador, Guilherme Balza, instruído para confrontar Stédile com o governo Lula, perseguiu diligentemente o objetivo, pergunta após pergunta. Enquanto o líder sem-terra tratava de toureá-lo, equilibrando-se entre a ciosa defesa da independência do movimento e a decisão de não se deixar manipular.
Na hora de editar a entrevista, prevaleceu a intenção do dono do portal: o título escolhido foi Reforma agrária regrediu no governo Lula, diz Stédile – coisa que o entrevistado não disse. Pelo contrário, afirmou que "há aspectos que melhoraram muito". O internauta atento poderá constatar o duelo, vendo aqui a íntegra do que foi publicado no Uol.
UOL Notícias - Na quarta-feira (12), houve uma reunião entre representantes do sem-terra e dos ministérios, na qual o governo afirmou desconhecer a pauta de reivindicações do MST, muitas delas já apresentadas ao presidente Lula em 2005. O senhor acha que o governo Lula é realmente melhor para os sem-terra ou é apenas aparência?
João Pedro Stédile - Na audiência havia cinco ministérios. Evidentemente que nem o Palácio do Planalto, e muito menos o ministro da Reforma Agrária (Guilherme Cassel, ministro do Desenvolvimento Agrário), disseram que desconheciam a pauta. Quem disse que desconhecia foi o ministério da Fazenda e do Planejamento, porque não é a área deles.
Agora, o ponto mais negativo da conversa não foi isso. O ponto mais negativo é que o Ministério da Fazenda abriu o jogo, disse que a crise é grave, que a arrecadação diminuiu entre 30 e 50% nesse primeiro semestre e que o governo tem dificuldades de recompor o orçamento do Incra, porque eles cortaram pela metade o orçamento de R$ 958 milhões destinado a obtenção de terras. Então, nossa reivindicação principal agora é que o governo, como um todo, determine que o Ministério da Fazenda recomponha o orçamento do Incra. Eu ouvi pessoalmente o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) se comprometendo que não haveria cortes nos orçamentos relativos à pequena agricultura. Portanto, temos o compromisso da palavra dele e do presidente Lula de que não haveria cortes sociais.
Por isso insistimos que o presidente enquadre o Ministério da Fazenda e mande repor o orçamento do Incra, até porque está na lei orçamentária aprovada no Congresso. Não estamos pedindo nada a mais do que cumprir a lei e não acreditamos que não tenha dinheiro no Ministério da Fazenda. Porque para outros setores da sociedade, como indústria automobilística, desoneraram o IPI - o que representou um custo de cerca de 20 bilhões -, desoneraram o depósito à vista dos bancos, o que representou R$ 80 bilhões dos cofres dos bancos. Portanto nós não estamos convencidos de que [o governo] não tenha dinheiro. O que não tem é dinheiro para a reforma agrária e para a pequena agricultura.
UOL Notícias - Qual o balanço que o senhor faz dos dois mandatos de Lula com relação a questões sociais e agrárias?
Stédile - O governo Lula, como ele mesmo gosta de comparar, é muito parecido com o do Getúlio Vargas. É um governo de composição de classes. Ao longo desses sete anos, ele adotou uma política que agradou gregos e troianos. Ou seja, ele, com sua política econômica, beneficiou os banqueiros, os grandes grupos transnacionais, e, ao mesmo tempo, fez políticas de assistência social, como o Bolsa Família, Prouni, [promoveu] a valorização do salário mínimo, aumentou os recursos para o Pronaf, o que atendeu a uma parcela mais pobre da sociedade brasileira.
Agora, em relação à reforma agrária e à pequena agricultura, o governo Lula está em dívida. Porque na reforma agrária não tem como você compactuar latifundiário com sem-terra. Um dos dois tem que perder. E, infelizmente, o número de desapropriações de fazendas, em especial na região Nordeste e nas regiões Sudeste e Sul, que são as regiões mais agrícolas, as desapropriações foram menores do que no governo Fernando Henrique Cardoso. O atual governo repetiu uma tática que o Jugmann (Raul Jungmann, ministro extraordinário da Reforma Agrária no governo Fernando Henrique) fazia: para manter as estatísticas, fizeram projetos de colonização na Amazônia. Pegaram terras públicas e distribuíram, e com isso mantiveram as estatísticas. Mas, na verdade, o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 10 anos é que há um violento processo de concentração da propriedade da terra. Ou seja, é um movimento contra a reforma agrária. Em vez de nós estarmos democratizando a propriedade da terra, dando acesso a mais gente e criando mais oportunidade de trabalho para que as pessoas não venham para a cidade, nesses últimos anos nós sofremos um processo de concentração, justamente por essa ineficácia do governo Lula em desapropriar fazendas nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul."

13 de agosto de 2009

Camaradas do MST.

2 comentários:

Campanha de Apoio ao MST.

Do site do MST:

"Ao longo destes 25 anos de existência, o MST sempre contou com a solidariedade de milhares de homens e mulheres que acreditam na luta pela Reforma Agrária e pela transformação social.

Há alguns anos, o artista plástico Gershon Knispel se propôs a fazer uma coleção de gravuras, mesclando a saga da luta dos povos, desenhos de Oscar Niemeyer e a luta pela Reforma Agrária. Simbolicamente, em nosso aniversário, nos presenteou com uma série de 20 gravuras como parte de sua contribuição ao MST.

A partir deste gesto tão grandioso, estamos desenvolvendo uma Campanha de Solidariedade ao MST, que tem como objetivo angariar fundos para nossa organização, com a venda de uma coleção com 10 reproduções dessas gravuras.

Contamos mais uma vez com o apoio e solidariedade de todos os amigos, amigas do MST e admiradores de belas obras de arte, em mais esta campanha que certamente nos ajudará a seguir realizando nossas atividades em várias frentes, especialmente nos campos da educação, formação e cultura.

O AUTOR

Gershon Knispel, radicado no Brasil, nasceu em Koln, na Alemanha, em 1932. Aos três anos de idade foi com os pais para a Palestina, fugindo do nazismo. É artista plástico, comunista e militante da luta contra a ocupação da Palestina pelo exército de Israel. Já expôs suas obras em importantes museus da Rússia, Alemanha, Israel, Brasil e outros países. Recebeu prêmios na Alemanha e em Cuba. Gershon Knispel também é articulista da revista Caros Amigos.

Para saber como adquirir a coleção, entre em contato conosco por meio do endereço eletrônico oscamaradas@mst.org.br, ou pelo telefone (11) 2131-0880."

5 de agosto de 2009

"O mundo árabe na Idade Média"

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Robert Fisk faz uma análise sobre as ditaduras, o desrespeito aos direitos das mulheres, o estado permanente de guerra nos chamados países do "mundo árabe". Ao mesmo tempo em que critica várias situações existentes nesses países, identifica a parcela de responsabilidade do "mundo ocidental" nas mazelas.
Leia. E reflita. (Os grifos em negrito são meus)
"Por que o mundo árabe – falemos terrivelmente claramente – é tão atrasado? Por que tantos ditadores, tão ralos direitos humanos, tanta 'segurança' e tortura, tantos analfabetos?"
Por Robert Fisk, para o The Independent
"Por que esse mundo destroçado, tão rico em petróleo, tem, em tempos de computador, tantos milhões de analfabetos, mal nutridos, além de tantos corruptos? Sim, eu sei da história do colonialismo ocidental, as conspirações sinistras do Ocidente, o argumento árabe de que não se depõem xeques e reis e autocratas, além de imames e emires, quando ''o inimigo está à porta''. Há verdade nisso, mas não suficiente verdade.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) aí está com mais um relatório, o quinto – feito por analistas e especialistas árabes, observem bem –, que denuncia o espantoso estado de atraso em que vive parte significativa do Oriente Médio. Fala da ''fragilidade das estruturas políticas, sociais, econômicas e ambientais da Região (...), da vulnerabilidade à intervenção do exterior''. Mas será que a desertificação explicaria o analfabetismo – maior entre as mulheres –, ou o Estado árabe o qual, o relatório admite, muitas vezes ''é mais ameaça à segurança humana, do que instrumento para prover segurança''?
Rami Khouri, jornalista árabe, escreveu muito claramente, semana passada: ''Como enfrentar as causas ocultas de nossa mediocridade e implantar mudanças reais ancoradas em cidadania sólida, economia produtiva e Estado estável continua a ser o enigma que continua a desafiar três gerações de árabes''. O PIB real per capita na Região – um dos indicadores que mais chocaram Khouri – cresceu apenas 6,4% entre 1980 e 2004. Apenas 0,5% ao ano, taxa menor que a de 198 dos 217 países analisados no CIA World Factbook em 2008. Isso, para uma população árabe – 150 milhões em 1980 –, que chegará a 400 milhões em 2015.
Vejo, eu mesmo, quase tudo isso. A primeira vez em que estive no Oriente Médio, em 1976, já havia gente demais. As ruas malcheirosas, tão cheias que mal se pode andar nelas, do Cairo, já estavam sempre cheias, dia e noite, com quase um milhão de sem-tetos, muitos dos quais viviam nos grandes cemitérios otomanos. As casas árabes são imaculadamente limpas, mas as ruas são imundas, muitas vezes repugnantes, sujeira e lixo espalhados pelas calçadas. Mesmo no belo Líbano, onde há uma espécie de democracia e cujo povo está entre os mais cultos e bem educados de todo o Oriente Médio, o fenômeno é o mesmo. Nas vilas das montanhas do sul, as casas, sempre, rigorosa e perfeitamente limpas. Mas por que as ruas e os arredores das vilas são sempre tão sujos?
Suspeito que haja, sim, algum problema com a cabeça dos árabes: eles não se sentem donos dos próprios países. Constantemente expostos a efusões de entusiasmo em nome de uma ''unidade'' árabe ou nacional, acho que não sentem que pertencem à terra ou que a terra é sua, como os ocidentais sentimos. Quase sempre, ou muitas vezes, impedidos de eleger quem os represente realmente – até no Líbano, exceto no contexto das tribos ou do sectarismo – as pessoas sentem-se ''descartadas'', sentem-se excluídas, excetuadas. A rua, o país, como entidade territorial física pertence a outro, a alguém, não ao povo, aos habitantes. E, claro, no instante em que um movimento brota e – caso ainda mais grave – torna-se popular, introduzem-se novas leis de exceção que imediatamente tornam ilegal o movimento, ou o declaram ''terrorista''. Assim, a responsabilidade por cuidar dos jardins, dos arredores das cidades e das ruas é sempre transferida, sempre é de algum outro.
Os funcionários do Estado – que trabalham diretamente para o Estado e suas autarquias corruptas – também sentem que sua existência depende da mesma corrupção sobre a qual viceja o próprio Estado. A população torna-se parte da corrupção de todos. Nunca esqueço de um árabe dono de terras, há anos, reclamando das campanhas anti-corrupção de seu governo. ''Antigamente, era pagar a propina ao funcionário certo, e consertavam o telefone, as bombas d'água voltavam a funcionar, voltávamos a ter energia elétrica'' – dizia ele. ''Hoje em dia, Mr. Robert, não posso subornar qualquer um, nem consigo subornar todos nem sei a quem subornar. Então... nada funciona!''
Desde o primeiro relatório do UNDP, de 2002, a coisa era já deprimente. Identificavam-se três principais obstáculos ao desenvolvimento humano no mundo árabe: o crescente ''déficit'' de liberdade, de direitos para as mulheres e de conhecimento. George W Bush – aquele, o da liberdade eterna, democracia eterna etc. etc. além de guerra eterna e eterno massacre no Iraque –, por exemplo, foi sensível a essas dificuldades. Até Hosni Mubarak do Egito (aquele, o do sucesso eleitoral superior a 90%), compreensivelmente irritado por estar ouvindo sermão do homem que rebatizou o ''terror'', disse a Tony Blair em 2004 que a modernização teria de considerar ''as tradições e a cultura da Região''.
Alguma solução para a guerra árabe-israelense resolverá todos esses problemas? Talvez, sim, alguns deles. Sem o constante desafio da crise, seria cada vez mais difícil renovar as leis de exceção, não aprovar constituições, negar qualquer legalidade ou constitucionalidade, distrair as populações porque, se não forem distraídas, há risco de que se ponham a exigir mudanças políticas radicais. Às vezes, temo que os problemas tenham-se aprofundado demais, que, como onde há esgoto que vaza há muito tempo, toda a terra em que pisam os povos árabes esteja infiltrada de problemas, porosa, frágil, e que sobre ela já nada se possa construir.
Foi para mim enorme alegria, há alguns meses, em palestra na Universidade do Cairo – aquela, a mesma na qual Barack Obama praticou diplomacia soft com o mundo muçulmano –, descobrir tantos alunos brilhantes, muitas moças nas classes e o quanto são mais bem-educados e mais bem formados, hoje, em comparação ao que vi em visitas anteriores. Mesmo assim, muitos, muitos, só pensam em mudar-se para o Ocidente. O Corão é documento preciosíssimo – mas um Green Card também é. E quem os poderia culpar, se Cairo está cheia de engenheiros pós-graduados que ganham a vida dirigindo táxis?
Quanto ao equilíbrio, sim, uma paz séria entre palestinos e israelenses, sim, ajudaria muito a reequilibrar os espantosos desequilíbrios que atacam como praga a sociedade árabe. Quem já não tenha energia para protestar contra a escandalosa injustiça que é aquela guerra, talvez reencontre forças para lutar contra outras escandalosas injustiças. Uma delas, por exemplo, a violência doméstica, a qual – apesar de os povos árabes serem, sim, muito ligados à família – é mais disseminada na sociedade árabe do que os ocidentais talvez saibam (ou os árabes admitam).
De qualquer modo, estou convencido, sim, de que, militarmente, temos de sair de lá. Temos de desocupar o Oriente Médio. Temos de sair de lá.
Façam o que for preciso. Temos de sair de lá. Mandem para lá professores, economistas, agrônomos. Mas não soldados. Os soldados têm de voltar para casa. Não defendem nada e ninguém, no Oriente Médio. Não nos defendem. Espalham, lá, caos idêntico e alimentam a mesma injustiça que fazem engordar as Al-Qaedas do mundo. Não, os árabes – ou, fora do mundo árabe, os iranianos ou os afegãos – não gerarão democracias eco-amantes, gênero-igualitárias, as risonhas e festejantes democracias que todos gostaríamos de ver (ou de ser). Mas, livres da ''nossa'' tutela, os árabes desenvolverão suas sociedades, em benefício das pessoas que as constituem. Talvez, assim, os árabes convençam-se de que são donos da terra onde vivem."
Fonte: Portal Vermelho

3 de agosto de 2009

"Saudades do comunismo", por Leandro Fortes

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Reproduzo texto de Leandro Fortes para a Revista Carta Capital. Não deixe de ler.
"Não deixa de ser engraçado – e emblemático – o pavor físico que a presença de Hugo Chávez na presidência da Venezuela provoca numa quantidade razoável de colunistas e analistas de aleatoriedades políticas que abundam na imprensa brasileira. De certa forma, o chavismo veio suprir a lacuna deixada pelo comunismo como doutrina do medo, expediente muito caro à direita no mundo todo, mas que no Brasil sempre oscilou entre o infantilismo ideológico e o mau caratismo. Antes do fim dos regimes comunistas da União Soviética e de seus países satélites, no final dos anos 1980, era fácil compor um bicho-papão guloso por criancinhas, ateu e cruel, prestes a ocupar condomínios de luxo com gente grosseira e sem modos, a mijar nas piscinas e sujar o mármore dos lavabos com graxa e estrume roubado a latifúndios expropriados. Ao longo dos anos 1990, muita gente ainda conseguiu sobreviver fa lando disso, embora fosse um discurso maluco sobre um mundo que não mais existia. Entende-se: certos vícios, sobretudo os bem remunerados, são difíceis de largar.
No vasto império da América do Norte, onde o fim do comunismo também foi comemorado como o fim da História, os falcões republicanos perceberam de cara que seria inviável continuar a assustar os eleitores com o fantasma débil e inacabado da ditadura de Fidel Castro, esse sujeito que, incrivelmente, ainda faz sujar as calças dos ruralistas brasileiros e de suas penas de aluguel. Por essa razão, e para manter azeitado o bilionário negócio de venda de armas, os americanos inventaram a tal guerra contra as drogas, cujo resultado prático, duas décadas depois, vem a ser o aumento planetário da produção e do consumo de todo tipo de entorpecente, da maconha às super anfetaminas. O Brasil, claro, embarcou na mesma canoa furada, quando, assim como no resto da América Latina de então, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu militarizar o comando do combate às drogas no país – o que, aliás, não mudou muito. Na Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas (Senad), da Presidência da República, reina soberano, desde o governo FHC, o general Paulo Roberto Uchoa.
George W. Bush usou o medo do terrorismo para também suprir a ausência da ameaça comunista, embora não tenha sequer tido o cuidado de mudar os métodos, baseados na mentira e na tortura, nem sempre nessa ordem. Assim foi, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, com as invencionices sobre as armas de destruição de massa do Iraque e a prisão de Guantánamo, em Cuba, uma espécie de Auschwitz hightech. Ao sul do Equador, consolidou o tal Plano Colômbia, um desaguadouro de dólares cujo pretexto é o combate às drogas, embora qualquer índio isolado da fronteira saiba que o país de Gabriel García Márquez se tornou um estado preposto dos EUA, um Israel sulamericano. No fim das contas, uma estratégia para se opor ao “perigo chavista”, embora não haja nenhum argumento realmente sério que sustente essa novíssima e encomendada paranóia tão bem nutrida pelas elites locais.
O mote agora, replicado aqui e acolá por analistas apavorados, é a sombra de Hugo Chávez sobre Honduras, onde um golpe de Estado passou a ser descaradamente justificado nesse contexto. Graças aos golpistas, visivelmente uma elite branca e desesperada, como aquela que faz manifestações trajando jogging em Caracas, o chavismo teria sido abortado em Honduras, antes que virasse coisa como a Bolívia, o Equador e o Paraguai – ou seja, repúblicas perigosamente dominadas por governos populares. São os novos comunistas, revolucionários da pior espécie porque, justamente, abriram mão das revoluções para tomar o poder pela via do voto, da democracia. E, pior, muitos são cristãos.
Quando tucanos e pefelistas se mobilizaram, inclusive à custa de compra de votos, para aprovar o projeto de reeleição de FHC, em 1997, os editoriais e colunas da mídia nacional se desmancharam em elogios e rapapés. Saudaram a quebra da regra eleitoral como um alento à democracia e condição essencial à continuidade do desmonte do Estado e à privatização dos setores estratégicos da economia, a qualquer custo. Quando o assunto é Chávez, no entanto, qualquer movimento institucional, todos previstos nas regras constitucionais da Venezuela, é golpe. Reeleição? É golpe. Plebiscito? É golpe. TV pública? É golpe. Usar o dinheiro do petróleo em projetos populares? Isso, então nem se fala: é mais do que golpe, é covardia.
As tentativas de re-reeleição de Álvaro Uribe, na Colômbia, contudo, ainda passeiam no noticiário brasileiro como “nova reeleição” do corajoso cruzado contra os narcoguerrilheiros das Farc. No Brasil, a simples insinuação de que Lula pudesse querer o mesmo virou o “golpe do terceiro mandato”. Em Honduras, as multidões contrárias ao golpe contra o presidente Zelaya são chamadas de “manifestantes contrários ao governo interino”. Mais ou menos o que acontece com a resistência iraquiana à invasão das tropas americanas, cujos membros foram singelamente apelidados de “insurgentes” pelo jornalismo nacional.
Os tempos do anticomunismo eram estúpidos, mas pelo menos a gente sabia do que os idiotas tinham medo, de verdade."